daqui, que é, ó, um sítio do caraças
quinta-feira, 28 de abril de 2022
segunda-feira, 25 de abril de 2022
Faz-se o que se pode
E, ultimamente, derivado do cansaço, ler não tem sido uma prioridade. Ou antes, não é fácil, que a vontade está lá sempre, a latejar, o que ainda torna mais difícil a incapacidade de ler duas páginas sem cair a dormir. Desmotivante, no mínimo. E os livros-por-ler, essa espécie implacável e de dentinhos finos e afiados, a rosnar-me das estantes. Qualquer dia saltam-me à jugular, medo.
Mas depois há a banda desenhada (vozes de anjos em fundo), as novelas gráficas (aleluias), e todo o textinho ilustrado em que possa botar as mãos. Sim senhora, há quem não aprecie o género, tudo bem, mas caneco. Mas posso (tentar) influenciar? Vamos a isso.
Este foi encontrado no próprio dia do livro, e no comércio tradicional (a Kingpin é, para mim, "comércio tradicional": livraria especializada, fora do circuito das "grandes", perto de casa, e um espaço muitíssimo agradável).
Lindo, lindo, lindo. A história, a ilustração, tudo supinamente bom. Pena ler-se num ápice, embora exija uma lenta apreciação do trabalho de ilustração. É caro? Sim, toda a BD é -relativamente - cara. Mas pense-se no trabalho envolvido, e que a ilustradora aqui explica, no pósfácio.
Recomendadíssimo, tal como as anteriores colaborações de Troll Bridge e o magnífico Snow, Glass, Apples.
No início do ano apaixonei-me pela colecção Armazém Central (já traduzido, o meu francês não chega para tanto, infelizmente).
Tudo bom. As personagens, os cenários, o texto, a ilustração. Vou continuar a colecção. Mais uma vez, relativamente caro, mas o trabalho, senhores, o trabalho que está em cada álbum, página, quadrícula.
Finalmente, em português, uma das coisas mais maravilhosas que me passou pela retina, já no ano passado:
Que maravilha. Uma maravilha maravilhosa, perdoe-se a redundância. Quem ainda não teve a experiência, pá, não sabe o que está a perder. É correr à livraria mais próxima, física ou online (a editora também vende online, dica). Ide, ide. A correr, já disse.
sexta-feira, 22 de abril de 2022
Bless her little heart
Aqui há atrasado, derivado de uma situação que sucedeu, veio-me subitamente à memória um episódio passado há um horror de anos, e que vou partilhar para aborrecimento de quem tiver a má sorte de aqui passar (e também para memória futura, não me apeteça um dia coligir todas as insignificâncias da minha vida numa nada excitante autobiografia. minha, por mim mesma. já disse que adoro redundâncias? ah, nota-se, não é?).
Aqui a titi Izzie sempre foi um bocado repentista, o que, juntando à vaidade, gosto por coisas giro-fofinhas, e tendência consumista, levava a que, muitas vezes, em calhando ver um acessório ou peça de roupa gira, tau, adquiria para sua sobrinha. Ora isto passou-se a sobrinha não teria mais de cinco anos. Calhou que dei com umas meias de menina mêmo-mêmo-mêmo cridas, com margaridas brancas, e comprei. Numa ida a casa de mano-cunhada, anuncio a sobrinha que tenho um miminho para lhe dar, e estendo-lhe as ditas meias. Acontece que mal lhe passo as meias para a mão a pequena muda, em milissegundos, o semblante de normal a birra iminente, faz beicinho, grunhe, e as atira para o chão. E eu?, nada. Apanho-as, e digo qualquer coisa como "olha que pena, não gostas; não faz mal, dou a outra pessoa, ou troco por qualquer coisa para mim." Rebenta de imediato num berreiro. Nem tive tempo de reagir, aparece de imediato sua mãe, a quem explico o que se passou sem qualquer julgamento e com toda a simplicidade: "trouxe-lhe isto, jogou para o chão, parece que não gostou pelo que levo de volta". Ui. Berreiro aumenta de intensidade, está prostrada na caminha, cara escondida na almofada. Dra-ma. Não aprecio especialmente, mas não me compete lidar; nada mais digo ou faço, para além de me afastar para ir guardar o presente rejeitado. A mãe, bom, faz uma cara de pânico, e enquanto acalma a menina, segura-me, tira as meias da minha mão, e justifica que não, ela gostou, ela fica com elas, está só num daqueles dias mais sensíveis ou lá o que era. Insisto que não há problema nenhum, se não gosta não gosta, ora essa, que seria; mas mãe já as tem na mão, e continua a consolar pobre criança. Ok. Ficamos assim. Não me compete. Mas, interiormente, abro muito os olhos e penso que chiça (pode não ter sido só "chiça", sou muito asneirenta, principalmente em pensamento), isto tem tudo para correr tããããão mal.
E correu? Mal? Bom, digamos que não foi a primeira vez que pensei nessa possibilidade, nem foi - infelizmente - a última. Correu bem em muitas, imensas coisas, (felizmente, porque neste tipo de prognósticos prefiro sempre errar). Noutras, nem por isso. A frase-chave, que nos últimos dias me tem passado, non-stop, pela ideia é "it's not your fault you weren't raised right", (com sotaque sulista e tudo).
Não, não me competia, nem me compete. Mas atinge. E se vindo de uma criança (até) se releva e se consegue não levar a mal, duma pessoa já adulta, enfim.
Como nas fábulas de antigamente, e à confiança aqui da vossa carroceira titi Izzie, vai este ensinamento: eduquem (bem) os vossos rebentos, c@r@lho.
Ler. Reler. Repetir.
“You are not special. You're not a beautiful and unique snowflake. You're the same decaying organic matter as everything else. We're all part of the same compost heap. We're all singing, all dancing crap of the world.”
Chuck Palahniukquarta-feira, 6 de abril de 2022
Here I Go Again
Três horitas e picos de sono, mas depois a amável Tinta da China informa, via redes sociais, que está no prelo uma reedição das caricaturas do João Abel Manta, uma pessoa viola a sua auto-imposta regra de não comprar mai'nada este mês para além de comida (vá, é um bem essencial. a i'alma também come), encomenda, e pronto, está tudo bem.
(podeis ir, é aqui. eu nem sei dizer há quantos anos ando à procura / espera deste livro)
terça-feira, 15 de março de 2022
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
We don't talk about Bruno-no-no-no*
Terceiro shot, booster, dose, reforço: check. Me mate também. Sem efeitos secundários, tirando a dor no braço. Yay. Continuamos, todavia, mui confinados (vá, bastante, não tanto como em 2020 e 2021, caramba, há limites, sendo que o pior de todos, aarrrghhh, trabalho) e com cuidadinhos. Quero crer que é esse factor, somado ao super-factor de não termos filhos (alguém com filhos que escapou?, sorte, muita sorte!), que nos tem mantido negativos. Oh, o sonho, viver esta época em que se manter negativo é ponto de honra. Em que pelo menos algum positivismo é, garantida e reconhecidamente, tóxico. Um dia chegamos lá, à utopia, em que outras pragas como o coaching, wellness, proactividade, go getterismo, atitude up, terão o mesmo carimbo.
Ou então sou tan ruim que nem a omicron quer nada comigo, e eu ralada, xô. Veremos.
Os dias continuam aborrecidamente, compridamente, esticadamente iguais. Panicar por causa do trabalho, trabalhar, panicar mais um bocadinho porque se trabalhou como uma mula e ainda ficou tanto por fazer, trabalhar mais. Ando a adiar a atribuição do prémio "Cadeirada nos Cornos 2022" - sim, ainda estamos em Janeiro, mas já está atribuído, e duvido que alguém ultrapasse o mérito da sodona agraciada nos próximos onze meses, antes acredito que ela também vai acumular a menção honrosa - porque os nervos já não se recomendam, mas começa a ser inevitável a abordagem ao nível da gritaria, dado que com (muitas. demasiadas. serenas.) conversas sodona não chegou lá. Deuznossosenhor vos livre de ter de trabalhar com alguém assim, que me calhou na rifa via antiguidade, e eu venho suportando estoicamente com o mantra "estáquaseareformarse", calma, Izzie, mas entretanto disseram-me que ainda lhe faltam dois anos. Não sei se aguento. Alguém vai falecer, entretanto. Provavelmente, eu. Agora chamam-lhe "burn out", quando comecei era "esgotamento" (sou uma pessoa antiga), been there, não tenho nem quero a t-shirt e, principalmente, apreciava deveras não voltar a esse sítio. Os meus fins de domingo são muito calvinistas - d'apres Calvin&Hobbes, isto é, a sonhar com catástrofes que me impeçam de ir à escola trabalhar segunda -, mas toca o despertador e vá, tu consegues (nope), e vai correr tudo bem (não corre). Presa por fios escafiados, colada com cuspo, até ver. Uhuuu, 'tadinha d'eu, aqui a choramingar como uma coisinha. Pronto, já desafafei, acabou.
Para não dizerem (os sobreviventes assaz resilientes que ainda cá estão) que vieram aqui debalde, vou agora armar-me um bocadinho em influencer do audiovisual, e mandar umas larachas:
Cobra Kai 4: havia necessidade?, não. vimos, com alegria e satisfação?, sim. iup, há piscadela à quinta temporada. há necessidade?, não. vamos ver?, óbvio. de qualquer forma, uma série para teens bem feita e, atenção pais, wholesome as fuck, coisa que já vai rareando.
Dexter: New Blood: havia necessidade?, não. vimos, com moderadíssima alegria e satisfação?, sim. queremos mais? não. and that's all I have to say about that.
Only Murders in the Building: precisam de alegria na vida?, é no canal disney, com este nome. que gosto, ver Steve Martin, Martin Short e (lágrimas de felicidade, foram buscá-lo) Nathan Lane em plena forma, com um texto à altura. Divertimo-nos tanto. Tirando as partes em que o Steve Martin nos esfrega na cara o bem que fica com um chapéu pork pie e esta cabeça de ovo que fica ridícula com este feitio morre de inveja. we'll always have trilbys, vá lá.
After Life 3: havia necessidade?, completamente. vimos, com enorme alegria e intensa satisfação?, sim. chorámos que nem uns totós?, confirmo. como dizia o outro, adorei, adorei, adorei.
E pronto, já está. Filmes, não me apetece, que não há nada digno de nota. Apenas que gostava de ter visto The Power of the Dog no cinema. Merecia. E quero ver - no cinema! - Belfast.
*o filme (Encanto) não é nada de especial, mas esta passou a ser a banda sonora da minha mente cansada e doente. and we don't talk about that, either.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Trabalhar empata-me muito a vida
Hoje de manhã vi um bando de flamingos a voar sobre os arrozais, dezenas de cegonhas e garças, três cavalitos a beber numa pequena presa de água, uma manada de vacas castanhas acompanhadas de bezerrinhos, um rebanho de ovelhas com imensos borreguinhos pretos, estradas ladeadas de azedas, e outras floritas a atrever-se a aparecer.
Hoje de manhã não estava a trabalhar, obviamente.
(agora estou, mas contrariada)
Mais uma rodada
A senhora minha mãe não acredita que o calendário é uma construção social, e a prova disso é que me telefonou a avisar que já estavam abertas as inscrições para a terceira dose da vacina para os +50. O meu primeiro instinto foi "e o que tem isso a ver comigo" (a primeira dose foi dada em regime de sub-50, e a segunda era no seguimento), mas depois caiu a ficha. Suspiros. Já marquei, de hoje a uma semana é mais uma pica para o curriculum.
Não vou mentir: quem me dera ter uma desculpa, mas não tenho, que o cagaço não é desculpa. Negacionista, também não sou, que ainda fiz a quarta classe com aproveitamento (e sim, nesses longínquos tempos éramos ensinados, logo na instrução primária, de acordo com os conhecimentos da época e passíveis de ser transmitidos a uma criança, o que era uma vacina, para o que servia e como funcionava. na altura não se falava no 5G porque não havia.). Mas admito, com alguma vergonha: custa-me horrores - pavor de agulhas - e tenho de fingir que sou uma pessoa regular, que se rala lá com isso. Para a primeira dose ia com um camadão de nervos que só visto, mas acho que a enfermeira percebeu, afinal disse-me para descontrair o braço mais vezes que julgo será habitual com um freguês normal. 'Tadinhas, já devem estar habituadas a caguinchas. A minha até empatizou e disse que era igual, contraía sempre o músculo (a-mo-ro-sa, aumentem este pessoal por favor); depois fez aquele número infantil do contar até três e espetar a agulha ao dois (é o que digo, a-do-rá-vel), e eu fiz o número de fingir acreditar que era ao três. Patético, eu sei. Na segunda dose fingi melhor - ainda dizem que os ansiolíticos não servem para nada -, mas por dentro era uma criança aos berros e de ranho a escorrer pela cara, juro.
Anyhoo, se uma palhacita medrosa como eu consegue, toda a gente consegue. Idade para ter juízo é que já vamos tarde, se não aconteceu até agora, não me parece que vá acontecer. Já agora, e em compensação por todo este sacrifício e forte dor emocional, agradecia que o bicho continuasse a não me atacar. Se não for pedir muito. Eu ajudo com a máscara, também, que agora uso as FF em preto, e até me favorecem imenso.
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
O Calendário é uma Construção Social
E por isso coise, siga a marcha que não se passa nada. Houve ali um intervalito de três dias na habitual miséria interna e angústia existencial que são, verdade seja dita, dois dos meus melhores encantos pessoais e, nesse entretanto, avariou a minha batedeira moulinex adquirida nas lonjuras de mil nove e noventa e oito, ano da emancipação filial, e mesmo quando ia começar a bater as natas para o cheesecake, sendo que desta vez até me tinha lembrado de comprar o marcarpone e tudo. É o fim de uma época. Tive de bater natas com uma vara de arames (momento de life coaching: não. se. metam. nisso.) e a varinha mágica da mesma marca e vetusta idade (ficou uma joça), mas tomei a decisão de guardar a batedeira, vai ser um dos bibelots da cozinha que planeei remodelar em 2017 e entretanto ficou para depois derivado de situações. Diria mamãe que tenho vocação para ferro velho, guardo tudo, mas raramente me arrependo. Também guardei a minha primeira máquina fotográfica digital, uma coisa com resolução de 3,5 mega pixels que, na época, era super-duper e custou um rim, apesar de ter esperado quase um ano que saísse outro modelo para a comprar mais em conta. E o meu walkman. E o meu nokia 3310. E o meu mini gravador, e respectivas cassetes. E disquetes. E dois rolos kodak. Está tudo em exposição na mesa sala, e os meus sobrinhos adoram. Eu: 1; Mamãe: 0. Já o gira discos e vinis, ficou o meu irmão com eles. Ou seja, o resto da herança dos meus pais é minha, e ficamos quites. Abdiquei do gira-discos não por amor fraternal ou um rebate de generosidade, mas porque Mad Max. Nem quero imaginar a reacção do filho dilecto do demo a um gira discos em funcionamento. Este gato já me está a dever umas boas centenas de euros, juro. Vá, duas? (mas é tan fofinho. quando não morde. bandido.). Além de coleccionar tralha também me tornei aquela pessoa que toma nota de cenas, como os filmes e séries que viu em determinado ano. Comecei no primeiro ano da peste, e que ano de produtividade foi, a esse nível. Curiosamente, não aponto os livros que li, acho que por vergonha inconsciente. Cada vez leio menos, talvez porque, sei lá, passe já quase todo o dia a olhar para papel escrito e a produzir mais inanidades escritas. Verdade. Tenho ali dois "esqueletos" de trabalhos com cinquenta páginas cada, e falta o "recheio". Estou muito cansada. Achei que ia rebentar de todo ali na penúltima semana de Dezembro, mas ou comecei a absorver mais vitaminas (da comida saudável que não como) ou deu-se um milagre qualquer e agora sinto-me medianamente ok. Tirando as dores de cabeça. E de costas. E a constante sensação de que estou a chocar alguma (sim, testei; sim, deu negativo; sim, já comprei mais testes que gastei três em histeria de somatização após um contacto de pouco risco). De resto, tenho sono. E frio. E esta humedade, caneco, precisava tanto de fazer mais duas ou três máquinas de roupa. Louça estou-me lixando, mas abomino roupa suja acumulada. A nossa sala, além de antro de velharias e lego, está uma aldeia da roupa branca. E pronto, não maço mais. Embora soe um bocadito contraditório, porque o tempo existe mas o calendário é aquilo ali, para este ano quero mais melhor. Só isso. E energia para isto aqui:
daqui
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
Lidando
Volta e meia dão-me umas ganas, uns nervos, e ponho-me a passear por lojas online, oohhhhhh, que vestidinho tan windo, óóóóó, sapatinho fofo, mas não compro nada, nem sequer faço um cesto de compras que nunca seguirá para o check out. Não é maturidade, não é capacidade de lidar com a frustração, é outra coisa, não sei explicar bem o quê, talvez bicho que se me pegou com esta pandemia. Continuo com vício de lamber montras, reais ou virtuais, mas não me apetece comprar. Ou antes, quando chega ao momento de pegar e ir provar dá-me um quebranto, uma fraqueza, que desisto. Nada, nada me parece valer o esforço de ir para o provador, descalçar, despir, vestir, e voltar a despir, vestir, calçar. Ah, mas online poupa-se esse trabalho, sim, mas tanto fisicamente como virtualmente sai a pergunta, porquê?, ou para quê?, afinal tenho os roupeiros cheios, por mais roupa que siga para dar; e em dois anos vesti e calcei o quê, um terço das existências? É, o bicho pandemia comeu-me a vontade de esbardalhar dinheiro em coisas de vestir e calçar. Já em livros, tchi, se tivesse vergonha nem contava. Encomendo online mas vou levantar fisicamente, que ninguém tem tempo e pachorra para esperar pela encomenda. Já que lá estou, bom, aproveita-se para ver as novidades e, de repente, lá estamos a descobrir mais uma coisinha que até queria já ter mandado vir, e pronto, felicidade instantânea e duradoura, que um livro não é só a alegria de descobrir, folhear, comprar, trazer; é também a de esperar a vez para ler, ler, e depois recordar. E em sendo BD (no caso, foi, daí encomendar online, um gajo nunca sabe em que loja há), reler. Que releio. E agora estou mortinha por ir para casa e começar.
terça-feira, 9 de novembro de 2021
Um filme, uma série, e um bónus

E série? Esta. Portuguesa na netflix, o que já é de assinalar, yay. E com o Adriano Luz, novo yay. Realizada por Tiago Guedes, de quem adorei A Herdade, mais um yay.
quarta-feira, 3 de novembro de 2021
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
O sumo de romã do lidl, o sumo de romã do lidl, corram ao sumo de romã do lidl
É só isto, o post. Estou um bocadinho assoberbada de trabalho e tal. Mas vão lá ao sumo de romã do lidl.
sexta-feira, 22 de outubro de 2021
Uma série, um filme, um livro
Imaginem aquele tipo de casal que chega a casa, sexta à noite, abanca em frente à televisão, e um se lembra que nesse dia ficou disponível na netflix o Seinfeld. "Ei, e se víssemos só o primeiro, só para matar saudades?". Nove episódios depois, o canal pergunta, gentilmente, se ainda ali estamos, e vivos. Pois, parece que há pessoas assim, not that there's anything wrong with that.
Bom, mau grado imensos constrangimentos de tempo, o tal casal já vai alegremente na quinta temporada. Impressões? Envelheceu bem. Continua a ter imensa piada. O gostinho do "aahhhh, este é aquele em que...". E a Julia Louis-Dreyfus é tão espectacular.
Continuando no mood "cu alapado no sofá", o filme da Viúva Negra já está disponível no Disney, pelo que tunga. Cenas positivas: não dura os horrores que os últimos filmes de super heróis tornaram moda. Chiça, é uma cena de acção, não é preciso quatro horas para contar estas histórias. Que ricos soninhos que os Avengers me proporcionaram. E agora baixinho, para não irritar cerrrtos senhorrrres: é um filme muito feministazinho, olé se é. Como me mate resumiu, muito bem: os homens ou são vilões, ou uns inúteis, ou só aparecem para dar um jeitinho. Verdade, elas dão (muito) bem conta do recado. E há a cena do colete. Com bolsos. Lágrima de quem sofre à procura de saias e vestidos com bolsos. Se não é uma piscadela de olho ao público feminino, parece. Eu prefiro acreditar que sim. E tem a Florence Pugh. Caraças, esta miúda (25 anitos, fui googlar, ainda tem tanto para fazer, que alegria) é fantástica, maravilhosa. Faz de tudo, e bem, (Midsommar, pulizeee, a sério, façam o favor de ver). Também gostei muito da (spoiler moderado) cena em que a Florence está a ver o Moonraker na tv, quero acreditar que é outra piscadela. Uma mulher James Bond? Estou com o Daniel Craig, não. Porque não é preciso: há outras histórias para contar onde as mulheres podem ser protagonistas, e em melhor. Como este demonstra. Roubando as palavras a Indiana Jones, "it belongs in a museum", o James Bond.
E o livro? Vou ser atrevida, e recomendar um que ainda não acabei. Mas estou a gostar tanto, tanto, que não vou esperar:
(já está traduzido, mas quando comprei ainda não havia)
Pá. Pá. Oh pá.
Tão bom. Estou a aprender tanto, e precisava / preciso de aprender tanto. Abre a mente, os olhos, novas perspectivas. E isso é importante, imprescindível:
"This is the difference between racism and prejudice. There is an unattributed definition of racism that defines it as prejudice plus power. Those disadvantaged by racism can certainly be cruel, vindictive and prejudiced. Everyone has the capacity to be nasty to other people, to judge them before they get to know them. But there simply aren't enough black people in positions of power to enact racism agaisnt white people on the kind of grand scale it currently operates at against black people. Are black people over-represented in the places and spaces where prejudice coulkd really take effect? The answer is almost always no."
(...)
"White privilege manifests itself in everyone and no one wants to take on responsability. Challenging it can have real social implications. Because it's a many-headed hydra, you have to be careful about the white people you trust when it comes to discussing race and racism. You don't have the privilege of approaching conversations about racism with the assumption that the other participants will be on the same plane as you."
(...)
"White privilege is a manipulative, suffocating blanket of power that envelops everything we know, like a snowy day. It's brutal and oppressive, bullying you into not spreaking up for fear os losing your loved ones, or job, or flat. It scares you into silencing yourself: you don't get the privilege of speaking honestly about your feelings without extensively assessing the consequences. I have spent a lot of time biting my tongue so hard it might fall off."
E cheguei ao capítulo sobre feminismo, prevalência de mulheres brancas no movimento, resistência em falar sobre raça / racismo, e importância da interseccionalidade. O que me está a fazer questionar / problematizar se o que se passa hoje entre o movimento feminista e a comunidade trans não reflete este problema / resistência, mas ainda não cheguei a conclusões seguras.
Enfim, estímulo para as celulazinhas cinzentas, e um abrir de horizontes. Preciso. Recomendo.
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Perigo: altíssimo teor de bazófia
É muito raro poder gabar-me dos bons resultados de decisões minhas, pelo que, em acontecendo, há que assinalar: parece que a cena de trocar o me-mobile em Junho por um híbrido foi mesmo, mesmo, mesmo bem jogado.
Cada um é como cada qual, nada de julgamentos morais, mas aquela besta bebia combustível que era um disparate. A minha rica mula ruça - híbrido + cor de burro quando foge -, antes pelo contrário. De tal forma que a primeira vez que abasteci, lá para Julho, depois de gastar o quarto de depósito com que vinha do stand, fiquei cho-ca-da com o disparate do preço da gasolina, se não me engano ali à roda do euro e cinquenta e oito. Mal sabia eu, hein. De qualquer forma, um depósito cheio dá para cerca de oitocentos quilómetros (!!!), se não fizer muita estrada (final de Julho e Agosto lixei a média, adiante). Verdade. O motor eléctrico, ao contrário do que supunha e o vendedor me desenganou, funciona por defeito, a combustão só entra em cena quando o outro não dá vazão (subidas, acelerações, velocidade elevada). E não tem de ligar à tomada (isto era condição sine qua non, ou não tenho onde ligar ou paciência para me chatear com isso), a bateria carrega com o movimento. Tenho um esquentador assim, acho que é um dínamo que faz a magia, não percebo nada disso, anyhoo o esquentador é supimpa, sem dependência de pilhas ou tomadas, mas a marca faliu e já não há mais (vulcano, rip).
Em resumo, muito satisfeita com o popó. Cada vez que volto a abastecer a gasolina está ainda mais cara, mas com juízo isso só acontece uma vez por mês ou a cada dois meses, não é mau. Consigo fazer o casa-trabalho-casa praticamente só em modo eléctrico, ando devagar para não gastar, e o carro dá pontos eco (o meu record é 84, mas dêem-me tempo); é só um bocadinho chato porque apita por tudo e por nada: ele é porque me desviei um nadinha para a faixa do lado, ele é porque me estou a aproximar muito do carro da frente, ele é porque a minha mala vai ali à solta, no banco do pendura, sem cinto; ele é porque a mochilona do trabalho devia era ir no chão, ou então na cadeirinha de bebé / com cinto posto. Mas estou tan contentinha. Eu, que sempre tive tanto azar aos carros (bate na madeira). Haja saudinha, este é para estimar.
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
The Cat Diaries [21]
Uaich, mais de um ano sem actualizar notícias da gataria. Mãe desnaturada, pfffff. Que foi o que nos transmitiu aqui há horas Fox Mulder, líder inquestionável de la maison, enquanto o tentávamos apanhar. Explico: anteontem tinha uma bochecha ligeiramente inchada, ontem estava bastante pior, hoje estava tremendo. Pronto, não havia mais nada a fazer, vet com o bicho. A hora mais temida desde que o adoptámos: é que se o bichano até amansou, já gosta e pede festas, e - milagre! - até há episódios de colo a relatar, sempre se manteve bicho solto e livre, pouco amigo de agarranços. Mas quando tem de ser, tem de ser.
Telefonar para o vet, ainda têm regras covid, ou seja, marcação. Explico a situação, primeiro é preciso conseguir enfiar a fera na caixa; lá me dizem as horas livres que ainda têm, prendam o pestinha e depois liguem. Mais fácil dizer que fazer. Lá o conseguimos confinar a uma divisão, armados de manta e muita vontade, e depois de perseguição e guerra de força (mesmo doente e, seguramente, cheio de dores, continua um lutador que faz favor) conseguimos, conseguimos, conseguimos! Telefonar, podemos ir já, e vamos.
Resumindo, e como se suspeitava, abcesso. Foi sedado, drenado e, já que estava fora de combate, desparasitado e chipado. Agora anda aqui por casa aos ésses, todo drogadão, de abajour enfiado e a dar com o dito em todo o lado, a ver se aquilo sai.
Tadinho do nosso laranjito.
terça-feira, 5 de outubro de 2021
Da cuéstion
Se ainda tivesse vocação para isso (o que a idade faz às pessoas), ou sequer ainda se usasse, sim, este blog podia ser um lindo cartaz de emoções, um sem fim de posts confessionais, cheios de sentimento e coiso, vertendo aqui inúmeras (e desinteressantes) experiências pessoais para deleite dos voyeurs, educação dos sequiosos de lições de vida (parece que se ganha bem a escrever esse tipo de "literatura"), e aborrecimento dos normais.
Mas não. Uma pessoa precisa, quer, tem de saber separar a vida pessoal da vida blogal (para rimar, pá). Quanto mais não seja, por razões de sanidade (minha e dos demais). E depois há dias em que, antes, no meio ou passado o turbilhão, já não apetece pegar no caixote da fruta, pespegar lá em cima, e mandar bojardas relativas à fachização galopante a que se vem assistindo, resultados de eleições, o estado tremendamente lamentável do país e mundo, enfim, perde-se o ímpeto. Ou se calhar é preguiça, no meu caso é bem provável. Caraças, também tenho direito a ela, pá, estive a trabalhar domingo e hoje, feriado, da parte da tarde; ando numas agonias estomacais que só o stress explica, e já pondero encomendar um mapa astral que me ensine a enfiar o Rossio que é o meu trabalho na Betesga que são as 24 horas diárias.
Já ouvi falar mas não percebo bem (nem quero) o que é isso do mercúrio retrógrado, mas gostava de acreditar. Ao menos explicava. Alguma coisa.
Para não irem daqui sem nada, uns conselhos da titi amiga:
- Se não forem fãs hard core do James Bond, como me mate, esperem que o filme passe na tv. A culpa é dele: depois de me por a ver o Bourne e, principalmente, John Wick, o 007 sabe a novela da tarde. E é graaaande, caneco. Filminhos de acção com duas horas ou menos, hein? Ver lá disso. Não é a Anna Karenina, pá.
- Sessões da manhã ou ao fim da manhã: sim, sim, sim. Pouca gente, não é preciso dizer mais nada. Ainda assim, tivemos o azar de ficar atrás (lugares marcados, sim, ainda há disso, felizmente) de uma família com prole que, acho eu, não sei, não seria ainda da idade adequada para um Bond. Acresce que as crianças não tinham ar de ter idade para serem abrangidas pela vacinação, e estavam todos a comer pipocas, i.e., sem máscara. Fuga para fila muito atrás, o que só é possível graças ao ponto anterior. Recomendo vivamente.












