quinta-feira, 28 de outubro de 2021

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Uma série, um filme, um livro

Imaginem aquele tipo de casal que chega a casa, sexta à noite, abanca em frente à televisão, e um se lembra que nesse dia ficou disponível na netflix o Seinfeld. "Ei, e se víssemos só o primeiro, só para matar saudades?". Nove episódios depois, o canal pergunta, gentilmente, se ainda ali estamos, e vivos. Pois, parece que há pessoas assim, not that there's anything wrong with that.


Bom, mau grado imensos constrangimentos de tempo, o tal casal já vai alegremente na quinta temporada. Impressões? Envelheceu bem. Continua a ter imensa piada. O gostinho do "aahhhh, este é aquele em que...". E a Julia Louis-Dreyfus é tão espectacular.

Continuando no mood "cu alapado no sofá", o filme da Viúva Negra já está disponível no Disney, pelo que tunga. Cenas positivas: não dura os horrores que os últimos filmes de super heróis tornaram moda. Chiça, é uma cena de acção, não é preciso quatro horas para contar estas histórias. Que ricos soninhos que os Avengers me proporcionaram. E agora baixinho, para não irritar cerrrtos senhorrrres: é um filme muito feministazinho, olé se é. Como me mate resumiu, muito bem: os homens ou são vilões, ou uns inúteis, ou só aparecem para dar um jeitinho. Verdade, elas dão (muito) bem conta do recado. E há a cena do colete. Com bolsos. Lágrima de quem sofre à procura de saias e vestidos com bolsos. Se não é uma piscadela de olho ao público feminino, parece. Eu prefiro acreditar que sim. E tem a Florence Pugh. Caraças, esta miúda (25 anitos, fui googlar, ainda tem tanto para fazer, que alegria) é fantástica, maravilhosa. Faz de tudo, e bem, (Midsommar, pulizeee, a sério, façam o favor de ver). Também gostei muito da (spoiler moderado) cena em que a Florence está a ver o Moonraker na tv, quero acreditar que é outra piscadela. Uma mulher James Bond? Estou com o Daniel Craig, não. Porque não é preciso: há outras histórias para contar onde as mulheres podem ser protagonistas, e em melhor. Como este demonstra. Roubando as palavras a Indiana Jones, "it belongs in a museum", o James Bond.


E o livro? Vou ser atrevida, e recomendar um que ainda não acabei. Mas estou a gostar tanto, tanto, que não vou esperar:


(já está traduzido, mas quando comprei ainda não havia)

Pá. Pá. Oh pá. 

Tão bom. Estou a aprender tanto, e precisava / preciso de aprender tanto. Abre a mente, os olhos, novas perspectivas. E isso é importante, imprescindível:

"This is the difference between racism and prejudice. There is an unattributed definition of racism that defines it as prejudice plus power. Those disadvantaged by racism can certainly be cruel, vindictive and prejudiced. Everyone has the capacity to be nasty to other people, to judge them before they get to know them. But there simply aren't enough black people in positions of power to enact racism agaisnt white people on the kind of grand scale it currently operates at against black people. Are black people over-represented in the places and spaces where prejudice coulkd really take effect? The answer is almost always no."

(...) 

"White privilege manifests itself in everyone and no one wants to take on responsability. Challenging it can have real social implications. Because it's a many-headed hydra, you have to be careful about the white people you trust when it comes to discussing race and racism. You don't have the privilege of approaching conversations about racism with the assumption that the other participants will be on the same plane as you."

(...)

"White privilege is a manipulative, suffocating blanket of power that envelops everything we know, like a snowy day. It's brutal and oppressive, bullying you into not spreaking up for fear os losing your loved ones, or job, or flat. It scares you into silencing yourself: you don't get the privilege of speaking honestly about your feelings without extensively assessing the consequences. I have spent a lot of time biting my tongue so hard it might fall off."

E cheguei ao capítulo sobre feminismo, prevalência de mulheres brancas no movimento, resistência em falar sobre raça / racismo, e importância da interseccionalidade. O que me está a fazer questionar / problematizar se o que se passa hoje entre o movimento feminista e a comunidade trans não reflete este problema / resistência, mas ainda não cheguei a conclusões seguras.

Enfim, estímulo para as celulazinhas cinzentas, e um abrir de horizontes. Preciso. Recomendo. 


 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Perigo: altíssimo teor de bazófia

 É muito raro poder gabar-me dos bons resultados de decisões minhas, pelo que, em acontecendo, há que assinalar: parece que a cena de trocar o me-mobile em Junho por um híbrido foi mesmo, mesmo, mesmo bem jogado. 

Cada um é como cada qual, nada de julgamentos morais, mas aquela besta bebia combustível que era um disparate. A minha rica mula ruça - híbrido + cor de burro quando foge -, antes pelo contrário. De tal forma que a primeira vez que abasteci, lá para Julho, depois de gastar o quarto de depósito com que vinha do stand, fiquei cho-ca-da com o disparate do preço da gasolina, se não me engano ali à roda do euro e cinquenta e oito. Mal sabia eu, hein. De qualquer forma, um depósito cheio dá para cerca de oitocentos quilómetros (!!!), se não fizer muita estrada (final de Julho e Agosto lixei a média, adiante). Verdade. O motor eléctrico, ao contrário do que supunha e o vendedor me desenganou, funciona por defeito, a combustão só entra em cena quando o outro não dá vazão (subidas, acelerações, velocidade elevada). E não tem de ligar à tomada (isto era condição sine qua non, ou não tenho onde ligar ou paciência para me chatear com isso), a bateria carrega com o movimento. Tenho um esquentador assim, acho que é um dínamo que faz a magia, não percebo nada disso, anyhoo o esquentador é supimpa, sem dependência de pilhas ou tomadas, mas a marca faliu e já não há mais (vulcano, rip). 

Em resumo, muito satisfeita com o popó. Cada vez que volto a abastecer a gasolina está ainda mais cara, mas com juízo isso só acontece uma vez por mês ou a cada dois meses, não é mau. Consigo fazer o casa-trabalho-casa praticamente só em modo eléctrico, ando devagar para não gastar, e o carro dá pontos eco (o meu record é 84, mas dêem-me tempo); é só um bocadinho chato porque apita por tudo e por nada: ele é porque me desviei um nadinha para a faixa do lado, ele é porque me estou a aproximar muito do carro da frente, ele é porque a minha mala vai ali à solta, no banco do pendura, sem cinto; ele é porque a mochilona do trabalho devia era ir no chão, ou então na cadeirinha de bebé / com cinto posto. Mas estou tan contentinha. Eu, que sempre tive tanto azar aos carros (bate na madeira). Haja saudinha, este é para estimar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

The Cat Diaries [21]

 Uaich, mais de um ano sem actualizar notícias da gataria. Mãe desnaturada, pfffff. Que foi o que nos transmitiu aqui há horas Fox Mulder, líder inquestionável de la maison, enquanto o tentávamos apanhar. Explico: anteontem tinha uma bochecha ligeiramente inchada, ontem estava bastante pior, hoje estava tremendo. Pronto, não havia mais nada a fazer, vet com o bicho. A hora mais temida desde que o adoptámos: é que se o bichano até amansou, já gosta e pede festas, e - milagre! - até há episódios de colo a relatar, sempre se manteve bicho solto e livre, pouco amigo de agarranços. Mas quando tem de ser, tem de ser.

Telefonar para o vet, ainda têm regras covid, ou seja, marcação. Explico a situação, primeiro é preciso conseguir enfiar a fera na caixa; lá me dizem as horas livres que ainda têm, prendam o pestinha e depois liguem. Mais fácil dizer que fazer. Lá o conseguimos confinar a uma divisão, armados de manta e muita vontade, e depois de perseguição e guerra de força (mesmo doente e, seguramente, cheio de dores, continua um lutador que faz favor) conseguimos, conseguimos, conseguimos! Telefonar, podemos ir já, e vamos.

Resumindo, e como se suspeitava, abcesso. Foi sedado, drenado e, já que estava fora de combate, desparasitado e chipado. Agora anda aqui por casa aos ésses, todo drogadão, de abajour enfiado e a dar com o dito em todo o lado, a ver se aquilo sai. 

Tadinho do nosso laranjito. 


E agora dar-lhe antibiótico seis dias seguidos, hein? Outra tourada. Mas vamos conseguir, vamos superar. O grande gatinho do céu nos ajude.


terça-feira, 5 de outubro de 2021

Da cuéstion

Se ainda tivesse vocação para isso (o que a idade faz às pessoas), ou sequer ainda se usasse, sim, este blog podia ser um lindo cartaz de emoções, um sem fim de posts confessionais, cheios de sentimento e coiso, vertendo aqui inúmeras (e desinteressantes) experiências pessoais para deleite dos voyeurs, educação dos sequiosos de lições de vida (parece que se ganha bem a escrever esse tipo de "literatura"), e aborrecimento dos normais.

Mas não. Uma pessoa precisa, quer, tem de saber separar a vida pessoal da vida blogal (para rimar, pá). Quanto mais não seja, por razões de sanidade (minha e dos demais). E depois há dias em que, antes, no meio ou passado o turbilhão, já não apetece pegar no caixote da fruta, pespegar lá em cima, e mandar bojardas relativas à fachização galopante a que se vem assistindo, resultados de eleições, o estado tremendamente lamentável do país e mundo, enfim, perde-se o ímpeto. Ou se calhar é preguiça, no meu caso é bem provável. Caraças, também tenho direito a ela, pá, estive a trabalhar domingo e hoje, feriado, da parte da tarde; ando numas agonias estomacais que só o stress explica, e já pondero encomendar um mapa astral que me ensine a enfiar o Rossio que é o meu trabalho na Betesga que são as 24 horas diárias.

Já ouvi falar mas não percebo bem (nem quero) o que é isso do mercúrio retrógrado, mas gostava de acreditar. Ao menos explicava. Alguma coisa. 

Para não irem daqui sem nada, uns conselhos da titi amiga:

- Se não forem fãs hard core do James Bond, como me mate, esperem que o filme passe na tv. A culpa é dele: depois de me por a ver o Bourne e, principalmente, John Wick, o 007 sabe a novela da tarde. E é graaaande, caneco. Filminhos de acção com duas horas ou menos, hein? Ver lá disso. Não é a Anna Karenina, pá.

- Sessões da manhã ou ao fim da manhã: sim, sim, sim. Pouca gente, não é preciso dizer mais nada. Ainda assim, tivemos o azar de ficar atrás (lugares marcados, sim, ainda há disso, felizmente) de uma família com prole que, acho eu, não sei, não seria ainda da idade adequada para um Bond. Acresce que as crianças não tinham ar de ter idade para serem abrangidas pela vacinação, e estavam todos a comer pipocas, i.e., sem máscara. Fuga para fila muito atrás, o que só é possível graças ao ponto anterior. Recomendo vivamente.