sexta-feira, 24 de abril de 2026

E então, tudo impante para ver a bio do Maiquél Jéquesson? Eu também não.

 Acho uma seca, cine-bios, mas como papalva de primeira que sou, vejo tudo. Bom tudo não, fuck Melania, ainda tenho limites. A do Maiquél não passa os limites, e tenho muita pena que não tenha tido o mesmo discernimento em relação à do Freddy Mercury. Ah, ó Izzie, olha c'o moço estava igualinho, pois estava, e depois?, o filme era uma merda onanista, aquilo era tanto o Freddy como o lápis Viarco amarelo que tenho aqui ao lado.

Já que se fala de biopics, que é o nome correcto, mas gosto mais de cine-bios para os maus, achei muito, muito, muito fixes as do Elton John, Rocketman; e a do Robbie Williams, Better Man. Ao menos são criativas, pô.

Falando de filmes, e porque não tarda estreia a sequela, venho recomendar, por todas as alminhas, o Godzilla Minus One. Ó Izzie, isso é tão datado, e desde que os amaricanos pegaram na simpática bicha radioativa deram cabo daquilo. Errado: se é bem feito, não é datado. Certo: os amaricanos não podem pegar em nada estrangeiro que não abastardam, contra esta apropriação cultural não vejo ninguém a revoltar-se. Este é de origem - japonês -, com um ritmo e narrativa muito próprio, e está fa-bu-lo-so. Os efeitos especiais apenas surgem quando necessários, e um gajo dá por si a apegar-se aos personagens, a seguir com gosto as suas histórias, e a certo ponto do filme aqui a menina apercebeu-se que estava mesmo muito investida quando berrou, sim, berrou com a perda de certa pessoa, não vou spoilar, mas fiquei pah, não, rolou uma lagriminha e tudo. E a bicha radioativa está muito fixe, ui. Já agora, o nome japonês é Gojira, gosto em conhecer.

De séries, nada de relevante a apontar, a não ser que a nétefliquece deu dinheiro aos noruegueses para fazerem a sua versão do Harry Hole, e em boa hora, quase me conseguiram fazer esquecer a vergonha da adaptação amaricana com o Fassbender, bastardos dos 'maricanos, vide supra. A série está bem boa, considerando. E o Tom Waller, que maravilha. Vede, vede.

De resto, aderi à cena dos canais do iutube. Há gente muito fixe a fazer coisas, por lá. Quais influencers (cuspidela de desprezo), há pessoas a criar - odeio a palavra - conteúdo que tomara muito profissional. Do bom, sumarento, do que nos faz aprender coisas, aguça curiosidades, entretém e faz passar um bom bocado.

 Além de seguir um número razoável de boas e benfazejas pessoas que nos ensinam a desenhar e pintar, gosto muito do Music Mongoose (quem é que não aprecia historinhas boas e bem contadas sobre as banduchas e cantoriscos que apreciamos, hein, e mesmo os que não apreciamos, este deu-me uma satisfação nada cristã, confesso).

Pretendo experimentar um total de zero receitas das apresentadas no Tasting History with Max Miller, mas o apresentador é um corajoso (como demonstrou no episódio do garum, só vendo), e sabe contar uma história. Apanhou-nos com os menus do Titanic, e já é vício.

Finalizo com uma iutuber que gosto muito de ouvir: é muito inteligente, estuda -mesmo!- e sabe sobre o que fala, tem um sotaque a-do-rá-vel, e se não concordei nadinha na apreciação que fez de Wuthering Heights (num gota...), tenho de admitir que não deixa de ter razão, os personagens são todos pessoas horríveis (e é esse o ponto, acho eu). Aqui há dias publicou um video que é assim, tipo, pah, píncaros. Adorei, adorei, adorei. Que brilhância de análise. Ora vede, vede.

Sugestões, há? Fazeide o favor, agradeço antecipadamente, gostava de ter bolinho e chá para oferecer, mas isto é a net, não se proporciona.

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Rock 'n' Roll Star

 The Divine Comedy foi, novamente, muito bom; temos bilhetes para a Joana Marques, Iron Maiden, Rádio Macau, Sigur Rós, e estou em lista de espera para Seinfeld (em conseguindo entrar, vou mandar um valente saphoda para o preço), juro. Temos o The Saint para acabar, uma caixa de Kurosawa e outra de Bergman para encetar (em espera há demasiado tempo), e juro que vou tentar acompanhar a de Jota César Monteiro que ofereci a me mate meio no gozo (adora-o, é uma pessoa muito doente). Ando a apostar fortemente na BD e na novela, porque a minha cabeça não anda em condições de lembrar o que aconteceu dez capítulos atrás; ainda assim, continuo a comprar non fiction e babar ensaios que não estou em condições de digerir. Vou ter que começar a furar paredes, e rapidinho, que já não há espaço nas prateleiras existentes para os sets de lego montados e a montar (é o meu único vício. e os puzzles. e  aprender a desenhar / pintar.) Aliás, atribuo ao último set (as instruções poderiam estar melhores, muito desmanchanço, muita construção em posições tortíssimas) a última crise de ciática. Apanhei um susto do caraças, entrei num loop de memórias de dois anos e picos de tortura, até fui ao google verificar se o nervo também bifurca para a esquerda, só tive crises à direita, até agora. Mas, e aqui reside o recibo, comprovativo, certidão de que algo está mesmo a mudar, parei de trabalhar, fui ao médico (o que calhou conseguir marcar depressinha), e pedi uma baixa de dez dias, mínimo. Levei a agenda de trabalho e expliquei tintim por tintim, preciso mesmo de repouso absoluto, as dores estão geríveis mas o choque elétrico e dormência já chegam ao joelho, e tive um gémeo preso, não foi assim há tanto tempo que não conseguia estar duas horas sentada sem ficar com dores que me tiravam o sono, me fizeram entrar em espiral de desespero e exaustão, e ei, já viu aí que tenho Graves, apareceu depois disto, coincidência?, não sei. Oficialmente estou numa que se phoda o trabalho, que se phoda a carreira, que se phoda o sentimento de culpa, que se phodam as expectativas - minhas e dos outros -, faço o que posso e o que faço é bem feito, se não chega arranjem mais alguém, assim como assim já me phoderam a vida que chegue, já deixaram bem claro que o azar de ter adoecido, ter continuado a trabalhar mas sem os mesmos resultados, só vai ser cobrado, e bem caro, a uma única pessoa, e, portanto, viva la vida, e que se phodam vocelências, que nem mais um minuto me roubam, nunca mais.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ups, I did it again

 Começo por dizer que é muito, muitíssimo difícil escrever num teclado de computador deitada, e se o faço é para testar a viabilidade da coisa, já percebi que é nula. Donde, tendo sucedido ter phodido as costinhas, de novo, não há cá possibilidade de continuar a trabalhar nas condições possíveis, pois  que admito que não há condições, e as mínimas que ainda há (saber ler e escrever) não são possíveis (pô, as vezes que já errei, apaguei, corrigi, cansaço).

Conclui-se que continuo a mesma bezerra de sempre: ando há uma semana com uma moinha na lombar, mas parar, népia: horas e horas sentada, que tenho tanto que fazer. E hoje o corpinho acordou em modo revolução, toma lá uma dor que já não sentias há uns anos, desde a Grande Crise da Ciática de 2022, e a Longa Recuperação Pós Operatória de 2023-2024 e 1/2. Desta vez apanhou-me o lado esquerdo, e vai até ao joelho. Ao menos ainda sinto a perna, mas andar nela, não se aconselha. Bom, já marquei consulta para quarta, porque amanhã tenho uma situação e não quero deixar as pessoas penduradas, mas pronto, conta como evolução, equacionar parar antes que acabe entrevadinha, estendida no chão, a pedir que me deixem estar só um bocadinho que já passa. O que, atenção, nunca aconteceu, mas já ouvi contar que acontece.

(figas para ainda ter tramadol em casa, que o brufenom não chega para isto)

Às vezes, só às vezes

 Ponho-me a pensar que se calhar é um bocadinho triste, isto de viver completamente desprovida de fé. Não que sinta um vazio, uma pessoa só sente falta do que perdeu; é antes a consciência de uma não existência. Ah, toda a gente tem fé em alguma coisa, ó Izzie Maria, bom, eu não, superstição ou pensamento mágico até admito, sou humana, ninguém me apanha a dizer candyman três vezes seguidas, mas fé-fé, em algo maior, uma consciência universal, um desígnio inteligente, uma vida para além da vida, lamento, não me calhou. E se digo que é triste é porque em certas situações apetecia-me mesmo acreditar em algo supra ou sobre natural, como por exemplo que a Scully está lá num sítio especial, onde conheceu a Amélie e se fizeram grandes amigas, e passarão a eternidade a serem mimadas para além do que é imaginável. Disto tenho pena, de não acreditar, porque queria muito.     

quarta-feira, 8 de abril de 2026

I'll see you on the dark side of the moon

 Mãozinha no ar se mais alguém se deu conta que o que estava mesmo, mesmo, muito, a precisar era de uma missão espacial a sério, com astronautas a sério.


Eu estava.

É a melhor coisa que aconteceu desde o início do ano, e a nível mundial. Cada notícia, cada comunicado, cada foto, uai, a Izzie fica pequenina outra vez, a lembrar os diretos do Cabo Canaveral, repetidos em todos os noticiários, com fotos nos jornais, e nós a ver o Challenger a partir para mais uma aventura, os astronautas em gravidade zero lá em cima, às vezes fora da nave, e era tudo uma excitação, space, the final frontier, e uma pessoa a sonhar que em crescida ainda ia ver pessoas em Marte.

Depois houve aquele dia terrível, e os sonhos de infinito foram-se em fogo, fumo, estilhaços. Para agora se voltar a ouvir falar da Nasa, ver uma mulher dentro da nave, um montão delas na sala de controlo, e espero que as muitas pequeninas que agora vejam com os olhos a brilhar se permitam sonhar com a final frontier, e elas lá, a desbravar o grande desconhecido.

É mais que uma missão, é uma esperança renovada, ao nos vermos pequeninos a partir do espaço, e pequeninos ali, no espaço. Uai. 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

[...]

 Dana Scully partiu no Domingo de Ramos, ao colo de me mate e no meu abraço, num consultório de veterinário. 

Não foi como ela desejaria, tenho a certeza; mas foi como tinha de ser. E foi horrível, porque não podia deixar de o ser.

Dana Scully chegou a esta casa há cerca de dez anos, directamente da rua, e logo a seguir ao irmão. Foram o amparo e companhia um do outro antes, e assim permaneceram dez anos. Foi a Scully quem decidiu dar um salto de fé, dar-nos uma chance de ser a sua família, e convenceu o irmão a segui-la, sempre em pequenos passos, seguros, que acolhemos com alegria e nunca traímos. Tornou-se a Dona e Senhora da casa, a Matriarca respeitada por todos (nós incluídos, obviamente). Dava o "toque" quando era hora de ir para a cama, e gostava do pequeno almoço (patê) às seis e meia. Às vezes antes. Comia com prazer e alegria, às vezes ronronando.

Ralhava muito, resmungava, bufava, sabe-se lá porquê, estaria arreliada e decerto com razões para tanto. Dava marradinhas de respeito, ronronava up to eleven, adorava ser escovada e - lá está - ralhava se parávamos antes do que considerava aceitável, "doer o braço" é para os fracos. Festas? Sim, sempre. A mesma atitude quanto a braços doridos e/ou dormentes. Fazia sonecas épicas, sendo as caminhas preferidas a almofada de chão da sala (era dela, emprestava ocasionalmente), sofá, ou, começando o bom tempo, as cadeiras da varanda. Quando lhe apetecia, no meu colo. 

Foi muito, muito boa gatinha, tão teimosa como carinhosa, tão mandona como doce. Deixou um vazio enorme, um irmão muito triste, dois irmãos adoptivos muito assarapantados - eles sabem, e dois humanos de coração partido.  Mas valeu a pena, cada minuto, cada segundo.