quinta-feira, 23 de abril de 2026

Rock 'n' Roll Star

 The Divine Comedy foi, novamente, muito bom; temos bilhetes para a Joana Marques, Iron Maiden, Rádio Macau, Sigur Rós, e estou em lista de espera para Seinfeld (em conseguindo entrar, vou mandar um valente saphoda para o preço), juro. Temos o The Saint para acabar, uma caixa de Kurosawa e outra de Bergman para encetar (em espera há demasiado tempo), e juro que vou tentar acompanhar a de Jota César Monteiro que ofereci a me mate meio no gozo (adora-o, é uma pessoa muito doente). Ando a apostar fortemente na BD e na novela, porque a minha cabeça não anda em condições de lembrar o que aconteceu dez capítulos atrás; ainda assim, continuo a comprar non fiction e babar ensaios que não estou em condições de digerir. Vou ter que começar a furar paredes, e rapidinho, que já não há espaço nas prateleiras existentes para os sets de lego montados e a montar (é o meu único vício. e os puzzles. e  aprender a desenhar / pintar.) Aliás, atribuo ao último set (as instruções poderiam estar melhores, muito desmanchanço, muita construção em posições tortíssimas) a última crise de ciática. Apanhei um susto do caraças, entrei num loop de memórias de dois anos e picos de tortura, até fui ao google verificar se o nervo também bifurca para a esquerda, só tive crises à direita, até agora. Mas, e aqui reside o recibo, comprovativo, certidão de que algo está mesmo a mudar, parei de trabalhar, fui ao médico (o que calhou conseguir marcar depressinha), e pedi uma baixa de dez dias, mínimo. Levei a agenda de trabalho e expliquei tintim por tintim, preciso mesmo de repouso absoluto, as dores estão geríveis mas o choque elétrico e dormência já chegam ao joelho, e tive um gémeo preso, não foi assim há tanto tempo que não conseguia estar duas horas sentada sem ficar com dores que me tiravam o sono, me fizeram entrar em espiral de desespero e exaustão, e ei, já viu aí que tenho Graves, apareceu depois disto, coincidência?, não sei. Oficialmente estou numa que se phoda o trabalho, que se phoda a carreira, que se phoda o sentimento de culpa, que se phodam as expectativas - minhas e dos outros -, faço o que posso e o que faço é bem feito, se não chega arranjem mais alguém, assim como assim já me phoderam a vida que chegue, já deixaram bem claro que o azar de ter adoecido, ter continuado a trabalhar mas sem os mesmos resultados, só vai ser cobrado, e bem caro, a uma única pessoa, e, portanto, viva la vida, e que se phodam vocelências, que nem mais um minuto me roubam, nunca mais.

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