sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Zona de conforto

Uma pessoa volta de férias cansada como foi; uma pessoa cai na sua terra natal, a bela capital, cheia de planos para arrumações, trabalho, dar a volta a cenas, e ainda por cima o tempo está fresquinho, ajuda, e começa o calor a sério; a pessoa sofre muito com o calor, fica uma plasticina, um blob, uma cerelac; pessoa em causa acaba a fazer menos de metade do que queria, mas ainda faz qualquer coisa, hey, festejemos!, sejamos positivos!, o motor de felicidade da nossa vida!, a atrair boas energias cósmicas!; nã, cinco minutos e passa; afinal a pessoa, bem pesadas as coisas, continua a medíocre, vá, não exageremos, a mediana de sempre, não adianta nem atrasa, creeeedo, porque tuuuudo custa tanto, tuuuuudo; e entretanto voltam as dores de cabeça, moinhas de dois três dias, com dores musculares para acamar; vontade de nada, motivação para nenhum; pessoa capacita-se que tem de contrariar este estado natural de coisas, pessoa imbui-se de raivinha no sentido de andar em frente; pessoa precisa de dar uma volta a isto; pessoa calha ir dar uma volta para espairecer e acaba a comprar um vestido preto.
Mais um.
Vestido preto.
Bem giro, por sinal, um bom negócio, também, mas.
Um vestido preto.
Ainda bem que não há um limite legal, ou já estava presa por crime de vestido preto. Agravado por tentativa de vestido preto, em que o (pouco) branco ou outra cor neutra, ou só umas sarapintas de cor afastam o crime consumado. E nem falemos em calças. Ou sapatos / sandálias / botas.
Portanto, um vestido preto.
Bem giro, e que me fica bem.
Às vezes é preciso que nada mude para que não fique tudo na mesma.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Enquanto a Amazónia arde

Ao que se sabe, pelo menos há 15 dias, e sem que a comunicação social ligue puto - juro, sigo uma mão cheia de jornais no face, soube ontem à noite pelo Twitter, e finalmente hoje os media começaram a cobrir - a gente segue com a sua pacata e corriqueira vidinha, assistindo a um presidente de um dos países mais poderosos no mundo oferecer-se para comprar parte do território de um outro país, ao decretar-se a requisição civil de pessoal de voo de uma low cost privada que não tem ligações aéreas exclusivas e relevantes em termos estratégicos, a continuar a haver barcos carregados de gente desesperada no Mediterrâneo, enfim, e isto é o novo normal, same old, same old, e só me ocorre que decidir ter filhos, hoje em dia, ou é um acto de extrema coragem, ou optimismo, ou inconsciência, ou todos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Ora cá estamos

Em primeiríssimo lugar, quero esclarecer que não possuo, nunca fui dona de, nem pretendo adquirir o actualmente famoso objecto que dá pelo nome de jerrican. Sim senhores, que atestei na quarta, porque tinha o depósito a menos de um quarto, e já foi uma festa: normalmente só me dou ao trabalho quando está na reserva. Na quinta vi filas nas gasolineiras, na sexta e sábado nem imagino porque não passei por nenhuma. Tive gasolina suficiente para voltar, e depois logo se vê, quer'lá saber. Também não fui fazer nenhum aviamento ao supermercado, s'a lixe. Se o meu povo entra nestes extremos de histeria por causa de combustível, nem quero imaginar se um dia acontece o apocalipse zombie, chiça.

De resto, acho que desaprendi de trabalhar. Estou aqui há mais de um par de horas a ver se me recordo, mas não, ainda nada. E agora tenho fome. Só ralações.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Como ia dizendo

Não, não ia: não tenho muito para dizer. Estou viva, e acho que isso já é de notar. Tudo o mais é assoberbamento, cansaço acumulado e extremo, um stress que paralisa. Não faltam temas, não; nem opiniões sobre os ditos. Mas a realidade desenvolve-se a uma tal rapidez que uma pessoa está a maturar o que pensa sobre x e já y tomou conta da actualidade. De permeio, o trabalho, embora interrompido uma semana, volta a receber-me como o fantasma da casa: sem susto, sem surpresa, mas responsável pela habitual sensação de desconforto e constante inquietação. É então que entra o stress, agudo, pesado, a pregar-me e não deixar sequer começar, evoluir e muito menos acabar. Hoje foi o dia de olhar para o ecrã e texto e não sair de onde se ficou. Ontem foi bonzinho, daqui a quinze dias melhor será, espera-se.

Vou parar quinze dias, portanto. Ainda não decidi que livros me acompanharão, mas serão decerto mais que os que conseguirei ler e menos dos que me apetecia. Não acabo um livro desde a Páscoa, as minhas últimas férias. Não que isso me preocupe, faz parte da saturação de letras que se torna a minha vida, nesta altura. Mas aborrece-me. Porque ler era, e quero que continue (sempre) a ser, o escape, a alegre fuga. E tenho tanto para ler, e desse tanto quero muito ler tudo. Mas o vício de comprar livros, fruto de uma insaciedade constante, está a tornar-se francamente embaraçoso, face a esta inércia. Caramba, não preciso do stress da pilha a crescer. Não preciso, mas isso não me impediu de carregar uma mala com mais sete quilos que à partida - ainda me dói o braço direito, o fideputa do metro de Londres tem sempre uma escadinha a galgar ou descer, com vinte quilos ainda que em cima de rodas é dose. E não trouxe uns três que bem me apetecia (dois eram repetidos, mas são clássicos em edições bem mais bonitas que as que tenho, canudo, grande tentação, à qual não cedi, e não me arrependo, quando topei com um capa dura de Good Omens que quero, tenho de reler), e nem tive o tempo que gostaria para vasculhar tudo ao que ia.

Fui, de novo, a Londres, voltar onde sou sempre feliz. Desta vez com companhia nova, um par de olhos virgens. E fui, de novo, muito feliz. Melhor que regressar aos nossos portos preferidos é ter o privilégio de os partilhar. Já quero regressar. Agora para conhecer a Londres pós- Johnson (piada seca), voltar aos sítios de sempre e acabar em sítios onde nunca antes. Há-os, ainda. Esta certeza acalma enquanto entusiasma. Pode levar dois, três anos, mas volto sempre. Cruzando os dedos para voltar a acontecer com um voo Tap que sai a horas tanto à ida como à volta (sim, aconteceu; estou cá eu para testemunhar. já não me lembrava da última.)

Nos entretantos, até já.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

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(na verdade vão ser cinco dias, mas uma pessoa é uma diva, uma pessoa precisa de mais tempo)

sexta-feira, 12 de julho de 2019

The Cat Diaries (19) Mother of Cats

Tenho o equivalente a um cadáver bem encorpado na mala do carro: dois sacos de areia (15l cada), dois sacos de ração (10kg + 3 kg). O espaço ocupado é seguramente o mesmo, e o peso, atrevo-me a alvitrar, andará por perto: a raça da areia é fina e compacta, pesa que se farta. Visto que aquilo terá de ser acartado da garagem (atenção, não é no prédio, avença mas vá, na mesma rua) e subido até ao primeiro andar, tenho os instintos maternais um bocadinho em baixo. É que se a vantagem de ter gatos é que vão à casa de banho sozinhos, a desvantagem é que somos nós a levar a casa de banho até aos gatos. Finórios.

O que também não ajuda o enlevo maternal é o facto de Mad (indeed!) Max viver num fuso horário diferente do nosso, e achar que às cinco da matina já chega de cama. Ou antes, já é hora do pequeno almoço. Some-se a isto o facto de este meliante se ter tornado o mentor de Selina Kyle, que aprendeu com o melhor todas as patifarias possíveis, e está o circo armado. Quer dizer, os dois que vieram da rua não partem um prato; tinha de vir um pequeno demónio adoptado em bebé e uma ladra trepadora (mais uma vez, acertámos no nome) que esteve ali vai-não-vai duas vezes, e que tratámos com tanto amorrrr, tanto desvelo, para nos acabar com o sossego. E a paciência.

Max inspecionando a máquina da loiça, e achando tudo conforme

Anyhoo, um resumo e um update: a Selina, encontrada a miar debaixo de um carro, trazia consigo uma pneumonia; por duas vezes achámos que se finava, mas em tempo a levámos ao vet. Da segunda ficou internada, e a fazer um ciclo de dois antibióticos, com o risco de ficar com o crescimento comprometido. Antes anã e viva, e viva está ela. Dois meses, dois!, a dar antibiótico de manhã e à noite, misturado com o paté; aqui a ursa sentada no quarto de colher estendida enquanto ela se fazia rogada, por vezes a segui-la de gatas, porta fechada com o Max a miar do outro lado e a distrair a pequena, e nem pensar em deixar o Max na mesma divisão porque é um gatuno lambão que comia o paté todo, com ou sem antibiótico. Ao fim de dois meses e uma última radiografia temos ordem de suspender, e manter vigilância. Estava fina. E com o cio. Marcou-se logo a esterilização, que correu lindamente, excepto a parte do body, que a pequena odiou. Andava como se estivesse aleijadinha, fazia uns olhares que davam dó, aqui a estronça pensa que se calhar tem dói-dói na cicatriz e abre o body para ver, e a pequenita filha de satã saltou-me do colo como uma pulga atómica, sacudiu a vestimenta, e quem é que a apanhava para lha vestir? Pois. Na consulta de revisão lá aparece esta incompetente com uma gata embrulhada numa manta dentro da caixa (única forma de a apanhar, a manta), o body na outra, e um sorriso de "perdão, sou estúpida e deixei-me enganar por um nico de gata". Tudo bem, a bichinha sarou lindamente, e pronto. Fica a faltar as vacinas, mas tomámos a decisão de a deixar estar uns tempos, a ganhar confiança (é mesmo, mesmo muito difícil apanhá-la, topa à légua que vai haver asneira, e arranha que é uma beleza).

no início da nossa relação, pucanina, pucanina


Suspirámos de alívio, a besuga está viva e de saúde, agora é engordá-la e deixá-la habituar-se à casa e nova família. E eis que na véspera de termos um avião para apanhar, a biscas vomita um líquido claro mas rosado (em cima do tapete, claro. só temos 3 tapetes naquela casa, mas é sempre em cima do tapete, faz parte do livro de estilo da gataria, e este ainda por cima é clarinho). Fui buscar toalhetes para limpar, um bocado ralada com o rosado, e noto que nos toalhetes estão uma espécie de grãos quase brancos, com um rabinho, parecem sementes de quinoa, aiminhanossasenhora, a quinoa está viva e a desenrolar-se. Yep. Lombrigas. E muitas. Pânico. Ligámos para o vet, tentámos apanhá-la, fomos lavar o sangue dos braços e mãos, desistimos de a apanhar, metemo-nos no carro e vamos ao vet para ao menos comprar desparasitante. E yay, somos informados que temos de desparasitar todos. Todos, incluindo os bons selvagens a quem não é possível agarrar e enfiar um comprimido goelas abaixo, nem tampouco disfarçar em paté, porque topam e não comem. E yay, somos informados que já há desparasitante em pipeta, e not-yay, bem mais caro, mas yay, resolve o problema. Dão-nos o calendário de desparasitação, e abalamos cheios de pipetas e comprimidos (a Selina só assim, ninguém a segura, nem à traição). Já agora, havendo parasitas, comprovadamente, não chega administrar uma vez, o desparasitante só mata a bicheza adulta. É preciso esperar 21 (acho) dias para que os ovos e júniores cheguem à idade de serem massacrados, e pumba, segunda dose.
Bom, conseguimos pipetar e comprimidar toda a gente, e fomos de férias. Voltámos, esperámos, repetimos, e quero crer que não há mais inquilinos indesejados.

Selina pós-op, ao colo de mamãe

E a Selina, passado tudo isto? Continua um bocadinho mini - quando a trouxemos aparentava uns 3, 4 meses, mas já teria passado dos seis, segundo a vet, porque não sei quê placas fechadas que se via no raio x - mas, é com orgulho e baba escorrendo, que anuncio que ganhou corpo e peso. O que também se deverá a já não ter de alimentar uma comuna de ocupas. Está linda, fofa, mimosa, mas continua fugidia e desconfiada. Vem para o nosso colo raramente, aceita festas mas só se sentir segura (sapatos da rua calçados? get thee behind me, satan), o seu spot preferido é deitadinha numa almofada do sofá ao lado do papá, e dorme em cima de mamã - ela e Max, fui promovida a colchão de gatos, e já acordei com nós nas costas e pescoço à conta da graça. Está uma brincalhona, adora bolinhas, e imita toda a asneira que o Max entende fazer. O Max adora-a, fazem corridas - às vezes de obstáculos, calhando esses obstáculos serem os corpos adormecidos de papais, suspiros - e envolvem-se em lutas acrobáticas que fariam inveja a um wrestler.

Max e Selina, bff

Tudo a correr bem, portanto. Até ao dia em que formos de férias - já decidimos que ela e Max vêm. Aí teremos mais histórias para contar e braços e mãos para desinfectar, mas não me rale agora com isso.

coija má boa

quarta-feira, 3 de julho de 2019

A thing of beauty

Foi um dia merdoso elevado ao quadrado, com stresses vários e muito legítimos de parte a parte. Some-se a isto uma logística que obrigou a uma deslocação de carro (bof), uma opção por ir à volta em vez de atravessar a cidade em hora de ponta, para acabar a encalhar numa fila (ao que parece) pré-acidente, uma saída estratégica para Sacavém, ir dar a volta aos cus de Judas, entrar no parque a quinze minutos da hora, mais filas porque parece que ainda há gente (notoriamente sem gosto) que escolhe ir passar fins de tarde, inícios de noite, naquele suburbão e entope os estacionamentos disponíveis e muito estreitos, diga-se, e há sempre os cognitivamente subdesenvolvidos que insistem mas não sabem estacionar de rabo, ou os que não têm acuidade visual para reconhecer linhas delimitadoras e desenham as suas, enfim, passámos a porta às oito em ponto, ainda há música ambiente, ufa, uma ida ao bengaleiro porque fomos uns dos felizes e aleatoriamente seleccionados para deixar mochila (alegadamente de dimensões  não sei quê) lá, subida, escolher lugares que ainda há muitos, abençoado nacional atrasadismo, sentar. Aaaahhhh.
Menos stressado? Sim. E tu, menos stressada? Sim. Tudo bem.
Banda de apoio, porreirinha, intervalo e home parte na sua demanda pela habitual t-shirt (compra sempre), liga a avisar que está na fila da cerveja, sem stress, volta um minuto antes de baixarem as luzes.

E depois. Depois. Caneco. Melhor. Concerto. Ever.

E tive a felicidade de, pela primeira vez na vida (que já conta com alguns concertos naquele espaço) experimentar uma acústica se não perfeita, lá perto; não sei porque no segundo balcão (que já não me lembro porque escolhi, se por forretice ou porque já não havia mais, os bilhetes já contavam mais de meio ano de existência lá em casa) é onde se deve estar, ou se alguém soube engenheirar o som como deve ser; a verificar-se a última, abençoado seja por toda a eternidade, e saiba passar o seu conhecimento às gerações vindouras. Hoje, zero tinidos, zero zumbidos, e caraças o que tememos, sofremos em antecipação quanto à possível qualidade do som, Tool é para ouvir (sentir, fluir, entrar, revolver) nas mesmas condições que merece uma orquestra sinfónica. E assim foi e assim aconteceu.

Tão, tão, tão bom. Alma cheia.
Ainda não estou velha para isto.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cá se vai andando

Uns dias melhor, outros pior, sendo que esta aqui, depois de duas levas de grupos de ingleses xófens no airbnb de baixo, estava vai não vai para ter um ataque de tremuras que deixava o da tia Angela a um canto. Juro, pá, que gente. Andaram os antepassados a morrer em Dunquerque (e não só) para isto.

Mudando completamente de assunto, calhou ontem ter ido a uma livraria e ali só de relance dei com três romances (?) em cujo título se mencionava a pessoa x (a saber, tatuador, bailarina, bibliotecária) de Auschwitz. Ó pá. Vinha já eu toda lançada para largar aqui umas bojardas a propósito, que passavam - mas não só - pelo facto de, assim de repente, ter havido mais campos que podiam servir de tema, porquêêêê sempre este, mas fui antes pesquisar online, e parece que se baseiam todos em histórias reais. Ups. Verdade ou não, tira um bocadinho a vontade de gozar, e assim de repente sugerir temas como O Sapateiro do Gulag ou O Acordeonista do Tarrafal deixa de ter piada.

O que teve mesmo piada, ao contrário das graçolas do envolvido, foi ter-me apercebido que adquiriu alguma "viralidade" um post do Nilton, com uma foto de um carro de um amigo vandalizado por uma trotinete. O que tem piada não é este facto, em si, mas o pateta ter logo saltado a perorar sobre a praga das ditas trotinetes, apontando o dedo à Câmara de Lisboa, ao google e à uber. Sucede que nem a uber nem a google comercializam ou exploram o negócio das trotinetes, e atirar responsabilidades para a câmara por um acto de vandalismo praticado por um qualquer desconhecido, huuum, é esticar a corda. E se há onde e o que os responsabilizar. Hilário, mesmo hilário, é uma pessoa atentar na foto que o coisinho publicou e verificar que o amiguinho fez o favor de estacionar a viatura to-ta-men-te em cima de um passeio, encostadinho a um muro, ou seja, alguém ter-se passado dos carretos e rebentar com o rodinhas armado de uma troti, aiaiaiai, mas pensar um bocadinho que o amigalhaço vandalizou espaço público, destinado a peões, não senhora. Não está bem, que não está, mas confesso que é sonho húmido de muito lisboeta, eu incluída, ter um sólido taco de baseball - ou um cajado, valorizemos o produto nacional - quando se depara com um popó a fazer o seu ó-ó no passeio, e se é obrigado a circular na estrada. Ah, mas não há onde estacionar, ó Izzie, onde é que a gente há-de meter o carro? Bom, eu dava uma sugestão, daquelas que envolve cavidades, mas a melhor de todas é pensar nisso antes de comprar a latinha. É que o conceito de aqui não estorva é muito subjectivo, e no caso dos passeios, não é negociável, lamento.


sexta-feira, 14 de junho de 2019

Há quanto tempo não alinha numa boa teoria de conspiração?

Por mim falo, nunca; mas ele há dias em que a realidade me assoberba e (quase) cedo ao menor denominador comum, alinho os neurónios por baixo e zás, sai-me a parvoeira. A última que me vem agastando e tomando forma é de que a Câmara Municipal de Lisboa foi toda tomada por uma seita de odiadores de lisboetas e, secretamente - ou nem tanto, tururu, música dos X Files - anda a dar o tudo por tudo para que os lisboetas desistam de o ser, e abalem de vez para o subúrbio, o campo, ou um asilo de loucos. Novamente, por mim falo: ele há dias em que a tentação é grande, a de por uma tabuleta à porta, agrafar uns valentes cobres e ir para outras paragens. Onde também iria ter de desembolsar uns valentes cobres por uma habitação equivalente (a loucura imobiliária já se alastrou por toda a grande Lisboa, e não estou - não estamos - nessa de mudar radicalmente de vida), passar outras valentes horas no trânsito. Abdicar, enfim, da vida que escolhi, dos quinze, vinte minutos de trajecto casa-trabalho-casa, do verde nas traseiras, do metro ali perto, do bairro que tem tudo, do luxo de (querendo) ir à Baixa ou Alvalade a pé (conta como exercício, e de borla), Feira da Ladra ao sábado de manhã e almoço de peixe grelhado do bom, fresquinho, numa tasca ainda não muito conhecida mas onde já nos conhecem, e onde os portugueses ainda fazem a grande maioria dos comensais. Dos passeios de eléctrico já abdiquei há muito, nem no inverno se consegue uma viagem agradável; aflige, para além das multidões de turistas, a sua rudeza, ninguém diria que são oriundos, na maior parte, dos tão afamados países nórdicos hipercivilizados, mas onde pelos vistos também sabem ignorar uma mulher grávida e com um pequenito pela mão, uma idosa que mal se tem de pé, São Turista no seu lugar sentado, como se de uma conquista intocável se tratasse. Chiado e Baixa no verão, só se tiver mesmo de ser; e durante os Santos, se possível, sair - este ano não deu, mas por obra e graça meteorológica o vento não favoreceu o banzé, e apenas os selvagens brit no airbnb nos estragaram o feriado. Apenas, diz ela já quase conformada, quando a verdade é que, quanto mais turistas ingleses lhe calham ao caminho, mais cai no furioso e revanchista desejo que lhes saia o Boris e um hard brexit na rifa, a ver se levam o tratamento e afastamento que merecem (depois arrependo-me, mas só um bocadinho, por todos os nossos que lá fazem vida).

E como se encaixa a CML nisto tudo, ora, é a economia, Izzie Maria da Conceição, habitua-te, está a entrar dinheiro, aguenta e não chora, quem está mal que se mude. Sim, sim. Então não. Só que não.

A CML, essa, deixou de fazer parte da solução, e parece querer fazer parte do problema, abdicando de exercer os seus deveres de defender a cidade e quem cá vive. A CML está como aqueles polícias que vêem roubar e nada fazem, é o que é. A CML bate palminhas ao dinheiro que entra, mas não se percebe muito bem o que faz com ele, que as papeleiras abarrotam e têm pilhas de lixo na base, as eco-ilhas idem aspas, o chão mete nojo, os tags alastram (até a minha zona, tantos anos virgem, já serve de pasto ao c@br@o do geco e outros tantos anónimos), o lixo dos alojamentos empilha-se à porta dos prédios, sem ser separado. Autuações, fiscalização?, cá agora. A CML, agora gestora da carris, e querendo ser também gestora do metro, não reforça carreiras, nem batalha por reforço de comboios. A CML e a sua polícia municipal faz vista grossa a infracções de ruído de vizinhança, desvaloriza, que tenhamos um bocadinho de paciência, falemos com eles, afinal se os turistas vêm para cá para se encabrar durante toda a estadia, ao som de colunas portáteis que incomodam toda a vizinhança e a impedem de também aproveitar varandas ou pátios, os incomodados que tentem resolver - e o giro que é, (tentar) falar civilizadamente com ingleses ou alemães grandes que nem postes e embrutecidos de grades e grades. E o ruído de vizinhança nem é o pior, embora seja o que mais me aflige. Mas há que ser justo, há o resto, e o resto é de doidos. É que hoje em dia, a avaliar pelo pouco que vejo (e o muito que passei a ver, num grupo sobre o problema no feicebuque, e me deixou verdadeiramente chocada) a CML emite licenças especiais de ruído como se estivessem em saldo. Bailaricos e festarolas, com música ao vivo ou gravada, amplificada, e transmitida por potentes PA? Vale, afinal é o mês das festas, yay, e somos um povo bonacheirão e folião. Obras ao fim-de-semana? Vale, afinal a reabilitação urbana é tão necessária (que é), e ali vai nascer um novo hotel para termos mais turistada, yay, queremos mais eurotostão a pingar, e que se lixe se o martelo pneumático a britar em full power incomoda tanto o habitante como o turista. Barcos de cruzeiro que parecem blocos de prédios, atracados no porto e com música noite fora? Qual o problema, francamente, turista, eurotostão, etc, é o mercado, a economia, tal como também deve ser o mercado e a economia o horror de poluição que estas embarcações cá deixam.

Enfim. Em cima de tudo isto, um regulamento de alojamento local que tarda em aparecer, coroando decerto uma lei que, na prática, por falta de meios (e quiçá vontade) de fiscalização já deixa os habitantes na base da cadeia alimentar, mercê da mercantilização predatória do alojamento baratinho.

Como lisboeta, aqui nascida e aqui retornada após uma infância e adolescência nos subúrbios, sinto-me tratada como uma excrescência, um incómodo, um estorvo. Que esta cidade já não é para mim nem para os muitos que, com algum sacrifício, aqui compraram ou arrendaram habitação, e aqui desejavam permanecer. Que mais valia ir para longe, fazer o trajecto de ida e vinda apenas para trabalhar, deixando mais espaço e à-vontade para quem nos visita. Como lisboeta sinto-me mal amada, muitas vezes mal tratada, posta em segundo plano. Sinto-me triste, desmoralizada.
Já como cidadã dotada de um intenso mau feitio e personalidade teimosona, sinto-me tomada de um sério espírito de contradição, uma feroz vontade de resistência. Não passarão, carago, não passarão. Como os irredutíveis gauleses, resistir. Até quando, essa é a questão. Que uma pessoa é de ideias fixas, mas não é super.




sexta-feira, 7 de junho de 2019

A modos que não sei quê

Ainda a ressacar violentamente das duas semanas de trabalho mais alucinante, stressante, e intenso que, e ainda sem ter a certeza se preciso de dormir 24 horas seguidas, um balde de gelado ou um dia de spa, penso que posso riscar esta última, porque descobri, recentemente, que não tenho categoria, finura, pedigree para coisas boas que fazem bem a pessoas de categoria, finura e pedigree.

De facto aqui há tempos, num daqueles rasgos que me dão de quando em vez, do tipo "eu mereço!", com ponto de exclamação e tudo, decidi que bem podia investir mais uns cobres nos meus cuidados capilares, considerando até que isto de ter cabelo pintado o torna um bicho exigente e estragadiço.

Vai daí, e embora não esteja de todo insatisfeita com os resultados obtidos com produto de supermercado, encomendei um pack kérastase, champô, amaciador e um óleo. Toda ufana, testei e o cabelo sim senhora, pareceu gostar do mimo: uma lindeza, todo brilhante, soltinho, fácil de pentear.

Segunda lavagem, e o entusiasmo capilar desce uns pontos: cabelo brilantezinho, sim, mas mais pesadote, e ao segundo dia a evidenciar um aspecto de que já via outra dose de água-champô-amaciador-coiso. Chatice, pá, eu que costumo aguentar dois dias impecável, um terceiro aceitável, e um quarto que ou não há tempo e ainda disfarça apanhado ou se lava de novo. Insisto, ainda assim, que afinal a coisa é suposto ser de qualidade ali supé, ao menos a avaliar pelo preço, muitas vezes o que normalmente pago pelo anterior, que por acaso até aproveito descontos de 50% e tudo. Uma desgraça: começo a ficar com um ar de cabelo oleoso de quem passou o dia a fritar rissóis, e logo ao fim do dia da lavagem.

Donde, passei a alternar o kéras com o gliss, e acabando aquele acabou a peneira. Com franqueza. Sinceramente. Olha que coisa. Uma pessoa a querer doutorar o cabelum em cosmética de primeira, e o malandro a exigir o reles comum, está como as outras, não distingue a manteiga whizzo de um caranguejo morto,

Não posso ter nada bom, que o bom não quer nada comigo, é o que é. De um ponto de vista positivo, ao menos não me calhou uma peruca que só se dá com sabão macaco, demos graças pelas pequenas coisas (ou então, se calhar, às tantas...)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

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[então essa semana, Izzie? lindamente, está a correr lindamente. e ainda hoje é quarta.]

sexta-feira, 24 de maio de 2019

The Cat Diaries (18) The Dude Abides

Caramba, long time no write sobre gatunfos, aposto que algumas almas mal intencionadas já pensam que os fizemos em estufado e estolas.
Nope, tudo vivo e de saúde.
Cumpre, portanto, actualizar este boletim, que qualquer dia já não tenho direito a usar a faixa de cat-blogger.

Comecemos pelo mais velho, 'tadinho, tantas vezes esquecidinho e relegado para último plano, é a sina dos sossegados e paz d'alma, concentrados e arreliados que andamos com as loucuras dos mai'novos.

A notícia que importa: deve ter sido lá para meados de Novembro passado, a mesma altura em que encontrámos a nossa (espero que) ultima e mai'nova, que senhor Fox Mulder nos resolveu brindar com o primeiro ronronar. Começou como uma espécie de pigarro, estava a ligar a máquina e devia precisar de ser oleada, ou exercitada, porque foram muitas as discussões lá em casa: "eieieieiei" me mate, todo entusiasmado "fiz uma festa ao Fox e ele começou a ronronar. E eu, senhora dona Tomé, fui ver, fiz festa, e ou zero ronrom, ou um som que era tudo menos semelhante a. "Não ronrona nada", dizia aqui a péssima mother of cats, e espoNZa ainda pior, a seu mate, que continuava a insistir que era sim senhor.

E era. Como disse, começou rouco e baixinho, hoje em dia é um definitivo, audível, expresso ronrom. Depois de mais de ano e meio com a mesma rotina - falar sempre com voz delicodoce; iniciar aproximações com vara com penas;  abordá-lo sempre de lado ou por trás, nunca de frente; iniciar tentativas de escovagem e perceber em que parte do corpo era mais receptivo (cabeça); estender a mão, deixá-lo cheirar e, se a postura corporal o manifestasse, festa com a mão - chegou ao ponto em que estendia a mão, ele cheirava, e baixava a cabeça: hurra!, sinal inequívoco de que quer a festinha, não a vai meramente tolerar. E assim fomos, até que se soltou e se entregou.

Actualmente senhor Fox já pede festas e escovinha. Sim, pede. Gosta de estar no mesmo plano que nós, portanto salta para cima da mesa da sala, fica a olhaaaar fixamente, e pronto, já sabemos, valente escovadela e festunças na cabeça, atrás das orelhas, queixo, tudo ao ritmo de um ronrom muito quentinho.


O seu primeiro amor: o aquecedor

Caraças, foi um longo caminho, mas valeu a pena. Se ele não capitulasse também não fazia mal, cada um é como cada qual, gostaríamos dele à mesma. É que mesmo quando esquivo e desconfiado o Fox sempre revelou ter um feitio muito especial, e muito adorável. Primeiro, não é nada briguento, nem maniento, e tampouco caprichoso. Desde que chegou à nossa casa que se mostrou muito protector da sua companheira Scully, e depois do Max (apesar de este ser um chatinho). Observou-nos sempre, SEMPRE, com muita atenção, quando interagíamos com a Scully e com o Max, e agora com a Selina já baixou um bocadinho a guarda. Quando o Max fazia asneira ficava especialmente atento à nossa reacção (que nunca foi violenta, apesar de muito se ter ralhado). Espera sempre que os manos estejam servidos e de tacinha à frente para atacar a sua parte de paté.

Mantendo os idiotas dos humanos debaixo de olho, like a boss




Curtindo o ar livre, like a boss

Gosta muito de dormir e, no verão, ao sol, de preferência numa cadeira com almofada. Mesmo com os 40º que fizeram o ano passado preferia estar na varanda, à sombra, vá lá, que dentro de casa. Não dispensa a sua voltinha pelos logradouros - ainda me lembro do clique, da alegria dele quando se apercebeu do local, da vastidão, e pode matar saudades da liberdade. Já sei que muita gente condena estas voltinhas mas volto a avisar: a) ele é um gato de rua; b) estes logradouros não têm acesso à rua-rua; c) não é um gato briguento, a colónia está esterilizada e ele também. E volta sempre. E já responde ao nosso chamado. Às vezes com mais vagar, afinal é gato, suspiro, e que atire a primeira pedra quem, numa situação semelhante, também não seria apanhado a argumentar com um calmeirão laranjão, sentado num muro a fingir que nos ignora, que já são horas de ir para casa.

Pose "eu não conhecho echta chenhoura"

É um tipo bestial, o nosso Fox.
Um bonzão.
Um pachola bon-vivant.
Um amorzão.

Curtindo uma soneca no braço do sofá, like a boss

E forjou com me mate uma amizade muito especial: são ambos os (feitios) protectores da casa, e já sabe que o home nunca deixará algo de mau acontecer-lhes. Aliás, é me mate o "chamado" à escovadela vespertina, função que cumpre com muito zelo e gosto. E a mim dá gosto vê-los.



Enfim, like a boss


quarta-feira, 15 de maio de 2019

Portanto, resumindo

Carros estacionados em cima de passadeiras, deixa 'tar;
Passadeiras quase apagadas, num faz mal;
Passadeiras em locais mal iluminados, paciência;
Pessoal a circular a mais de 50 k/h em localidades, e perto de locais onde se prevê atravessamento de peões pelas, tcharaaaaam, passadeiras que lá existem, que s'a lixe;
Haver gente encartada que desconhece aquela regra de que em mudando de direcção, mesmo à direita, têm de dar prioridade ao peão, cagámos;
Existirem alminhas que acham que estando verde para popó o sinal intermitente amarelo com um peão desenhado é para eles terem cuidado a atravessar, s'a foda.

Agora pintar cores entre as riscas brancas da passadeira???? Nem pensar, que seria!!! E não, não é homofobia básica e enrustida, é mesmo ralação com segurança rodoviária e direitos dos peões e assim.
Sniff. Passem-me um lencinho, que sinto uma lágrima a aproximar-se.
[camiões, camiões de piretes para esta gente]

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Irritação de fim de tarde

Põe-me doida, mas assim de cabeça perdida, a girar como a da menina do exorcista (e só não vomito uma papa verdonga porque a) noja; b) não aprecio creme de ervilhas), ver alguém que vive da escrita ou vá, alguém em cuja actividade profissional a escrita tem um peso muito grande, a  usar "quanto muito". Pumbas, paro logo de ler e, em calhando ser um blog ( e ó, se já vi disto em blogs de dizáine irrepreensível, daqueles que não devem facturar pouco), tau, clique na cruzinha.
"Quanto muito": não. Nope. Néri. É "quando". Quando muito. Repetir cem vezes. E, cada vez que vos sentirdes tentados, lembrai: a quanto está a chaputa, quanto muito. Ou outro disparate qualquer, que vos lembre que não faz sentido.
A quem não acredita, é googlar, agora tenho aqui uma cena para acabar e não tenho tempo para links.

Pronto, já desabafei, já estou melhorzinha, não vou continuar com o assunto ou tarda nada lembro-me do pessoal que acha que nãoseiquê foi uma grande perca, e aí arranjo um problema de nervos que me dura o fim-de-semana todo.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Prosaicamente, que eu sou uma 'soa mui prosaica

Gostava que a amável audiência me esclarecesse se é um problema só da minha zona, ou, mais especificamente, só lá de casa, de propósito para me chatear; ou se em outros pontos de Lisboa cidade, grande Lisboa ou mesmo do país, andam a ser avistadas irritantes, enormes, assustadoras traças nocturnas, em tons de castanho e pintalgados laranja, que se alapam à roupa estendida (assim entrando, à traição, à sorrelfa, na casa de uma 'soa), ou aproveitam qualquer janela aberta sinalizada por luz interior para nos invadir lar, doce lar, provocando inerentes sustos, e uma perseguição e extermínio que dispensava.
É que, tirando a gataria júnior, para quem a coisa é uma sorte grande e arredondamento, dada a diversão proporcionada com as caçadas, os habitantes andam com uns nervos que já não se pode.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

You will never find a more wretched hive of scum and villany





A espécie humana, aquela que caminha a passos largos para a própria extinção, e por mérito próprio, atenção, que nenhuma outra é dotada da necessária racionalidade que lhe permita planear e executar tão metódica e eficazmente a destruição do seu habitat, a espécie humana, dizia eu, da qual nem tenho um rol infinito de queixas porque a) ou sou uma anjinha; b) ou ando muito distraída; c) ou tenho tido uma boa quota de sorte; d) não me dou muito (introverts unite, each in its own home), tem dias em que (me) consegue provar que de facto a misantropia não é uma escolha, uma característica dos excêntricos ou falha de carácter, mas sim uma absoluta necessidade. A espécie humana, e sim, sei que estou a generalizar, que corro o risco de ser injusta, que se calhar isto se deve às actuais (e miseráveis) circunstâncias, essas que há dois anos não sentia na pele porque, lá está, e estou mesmo convencida disso, tive muita sorte com as pessoas que me calharam (e até sabia), por tudo o apontado e mais umas coisas, de facto não merece melhor destino que o que vem traçando, incapaz que é de, nas mais pequenas coisas, ser solidária, empática, colaborante ou até, vá, é pedir muito, ter um mínimo sentido de dever e de comunidade, a espécie humana, dizia, neste momento não me merece qualquer consideração ou simpatia, excepção feita a dois seres que in extremis, mesmo contra os próprios interesses e sem obrigação disso me salvaram o couro, e o que se me oferece dizer sobre a espécie humana em geral, e gente que me calhou desde que tive a estúpida ideia de me mudar de onde até estava bem para onde agora estou, é que estimo que se foda.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Não posso ir a lado nenhum

Que só acontecem desgraças, caneco, ora arde uma catedral, ora há uma greve de distribuição que deixa o país à míngua de combustível, ora há um acidente onde morrem três dezenas de turistas, e nem falando já do Sri Lanka, coisa mais horrível, pavorosa, nem há palavras para descrever o que se sente perante aquele terror.

De qualquer forma, e de volta à rotina, que me recebeu de braços abertos e cheios de papelada, cá estamos. Os gatos sobreviveram, e receberam-nos com a normal euforia felina, que é como quem diz, quem aguenta quatro pares de olhos frios de desprezo, aguenta uma enxurrada de trolls que vieram cá parar só esta manhã, saberá uma qualquer divindade vindas de onde. E logo hoje que não dormi nada de jeito (a box não deixa gravar o GoT!), e tenho aqui trolls a sério que me vão render o dia todo.