quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Mas o mesmo, mesmo importante

Catálogo do ikea? Visteze-lio.
Ou seja, para os promotores imobiliários que me enchem a caixa do correio de panfletos, é centro histórico" (quando para lá fui era "perto do intendente", sou antiga), para os entregadores de catálogos, o triângulo das Bermudas. Tanta app, tanto google maps, e é isto.

(dado que o #%&§£ do site não aceita mis tarjetas de credito, sendo que, relativamente a uma delas, verifiquei que tem o modernaço sistema 3D, donde, não é por aí, imprimi a lista de compras e vou directa à mercearia, pedindo ópois que me recolham as traquitanas e entreguem em casa. paga-se o mesmo, mas entretanto uma 'soa aproveita para dar uma voltinha e deixar lá uns cobres, malandrice, que venha aqui confessar-se quem alguma vez saiu de mãos vazias do ikea, e isto inclui a zona de comiduchas, onde vou abastecer do melhor doce de laranja de sempre, e uns remédios para os nervos que sabem a caramelo coberto de chocolate).

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Enjoy the silence




Curiosamente é quando mais tenho (teria?) para dizer que mais me calo, mais me contenho, embora não me reprima (não já), não me recalque. É como se numa revisão qualquer que já não recordo quando foi feita me tivesse sido instalado um travão de emergência, accionado automaticamente em caso de iminente oversharing. Já não era sem tempo, às tantas: uma certeza tenho, não era peça de origem.
Sim, eu sei que isto é muito ao arrepio daqueles actuais chavões de auto-ajuda, auto-conhecimento, auto-indulgência e crescimento do self e o raio que o parta, mas a cena de exibir ou, ao menos, assumir a nossa vulnerabilidade é uma treta do caraças. É preciso muito cuidado a quem se abre a porta, isso sim. Aprendi-o a duras penas, e depois de uns valentes vandalismos que me deixaram a alma toda desalinhada - alguns diriam que estava a pedi-las ou, mais gentilmente, que quem anda à chuva molha-se. Não concordo, mas não adianta debater a questão, o que importa é o que se faz depois do sucedido, de preferência começando logo a ponderar enquanto se arruma a casa. Se bem que, tal como a física - bof, mais vale admitir - a casinha interior nunca atingirá os padrões mínimos de organização. Desarrumada, até caótica, mas sujinha é que não, asseio primeiro que tudo.
É isso, é uma questão de asseio. E se muita da porcaria já nasce cá dentro, inevitavelmente, nem se sabe bem vinda de onde - e caneco, é trabalho para uma vida inteira, esta constante faxina interior - é escusado convidar ou proporcionar que entre mais cotão.
Por isso aqui estamos, entre o silêncio higiénico e o mero partilhar de banalidades. Até pode apetecer mais, mas travão.
Anyhoo, comprei uma saia travada azul muito bonita e elegante. Mesmo rés-vés a época do collant (yay! me likey!) que agora se inicia. E... Ficamos pela saia, então.


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Quem vê tevê e não sofre mais que nada

As outras pessoas, não sei; mas eu cá já elegi a melhor série de 2018: The Terror. Faltam três meses para me provarem que estou errada, força nisso, mas não creio.

De qualquer forma, se gostarem de cenas assim maizoumenos tensas, a roçar ou mesmo a mergulhar no weirdo, e não vos seja essencial um final totalmente esclarecedor, recomendo Castle Rock. Gostei. Ainda não sei se percebi alguma coisa, mas gostei.
Se fordes fãs absolutos de Stephen King, acho que têm mesmo de ver, aquilo está cheio de easter eggs que me mate me foi fazendo o favor de explicar, vá lá, além de imdb caseiro e sem acesso à net, faz também as vezes de explicador de literatura de suspense e terror à sua mais-que-tudo.

No entretanto, já anda todáááá net a embandeirar em arco com a série Sara, e tenho a declarar que sim senhora, já vi o piloto (e o bobby - esta piada paga direitos a mate -, foi episódio duplo), e sim senhora, têm freguesa. Se é a melhooooor coisa que já se fez cáááá e arredores, e aimedês que maravilha, ainda não sei, que só me pronuncio sobre o jantar depois de o comer, e não quando vejo a foto no insta. Até lavar dos cestos é vindima, e sou uma pessoazinha amarga e muito desconfiada de qualquer entusiasmo a cheirar a hipster. De qualquer forma, foi um prazer poder constatar, ao vivo e a cores, que o Albano Jerónimo, em querendo, sabe mesmo representar (até há atrasado só o tinha visto em - mau - piloto automático em pedaços de novelas); e um desprazer verificar que em Portugal se continua a fazer muito má captação de som em exteriores. Caneco, pá, vós que estudais para isso não sabeis por o som de fundo, o ruído envolvente, ou lá o que se chama (eu não estudei para isso) a não abafar a voz dos personagens? Chatice, pá, distrai imenso.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Como perder uma hora e cinquenta e quatro minutos

Ah, a curiosidade, a tal que matou o gato e um dia ainda me apanha a jeito e me mata de tédio, de arrependimento, de fúria entremeada de profunda tristeza. Ia acontecendo com este filme, maldita a hora em que maturada e ponderadamente, e após ignorarmos sérias premonições de que nada de bom dali adviria, decidimos - ainda por cima! -  unanimemente enfrentar a coisa. 'Tão vamos lá ver - fúnebres palavras - não pode ser assim tãããão mau como a crítica o pintou - oh, não, não pode - e afinal baseia-se na menina Gata Cristina, não é possível errar taaaanto com um dos mais famosos da menina Gata Cristina - ó se é!

Qualquer pessoa atenta ao cartaz de anos passados já adivinhou: trata-se de Um Crime no Expresso do Oriente, que viu - antes fosse ceguinho - a luz em 2017, protagonizado por um Kenneth Branagh de reputação - pelos vistos mal - firmada, e escorada num elenco que não é de deitar fora. Mas afinal é, que o papel de embrulho é de tal sorte ordinário que ficaram todos mascarrados.

Eu nem sei que dizer. Quero crer que nem numa peça infantil seria possível encontrar uma pior caracterização e interpretação de Hercule Poirot. Havendo justiça e sentido de humor no universo, a meio do filme apareceria a menina Gata Cristina, e, dirigindo-se ao protagonista, dir-lhe-ia "você não percebeu nada da minha obra". Ou, ao menos, um senhor de armadura que pespegaria com um frango de borracha na cara de alguém.

Poirot é arrogante? Sim, de uma forma modestamente irritante, e não obscenamente descarada. Poirot é obcecado com a simetria, e até há casos em que, em ambientes estranhos, distraidamente alinha objectos? Sim, mas, lá está, distraidamente; não faz notar a ninguém que o está a fazer, porque é um cavalheiro e é discreto, e seria incapaz de criticar a arrumação - ou falta dela - de outrem. Poirot é exigentíssimo com a comida, guloso, até, e sente-se miserável quando é posto perante uma pobre confecção culinária? Sim, mas não é mal educado com quem o serve, sofre em silêncio, quando muito murmura um nom du nom d'un nom. A queixar-se, fá-lo a alguém íntimo, e nunca ao anfitrião. E não, a sua paixão não são ovos escalfados ou cozidos, mas sim omeletes, das quais se afirma exímio cozinheiro. Poirot usa bengala, sempre? Sim, sempre; mas a sua bengala não faz as vezes de um chicote de Indiana Jones. E Poirot não se sujeita aos elementos voluntariamente, principalmente o frio, e muito menos o frio extremo. Poirot abomina o frio. Poirot teme correntes de ar. Poirot sente-se bem numa casa aquecida e bem calafetada. Poirot é enérgico? Sim, no pensamento, no raciocínio. Poitrot não tem a apetência de Sherlock Holmes por correr, calcorrear, apressar o passo. Nem os sempre impecáveis sapatos de verniz, tortura a que se sujeita voluntariamente, vaidade oblige, o permitiriam.

São apenas alguns apontamentos. Aquilo não é o Poirot, é o Ken a armar ao pingarelho. E o final (spoiler alert), onde dão a dica que, não bastando uma catástrofe, ainda lançarão outra ao mundo? Com aquele coisinho a dizer-lhe que é preciso no Egipto porque houve um crime no Nilo? Senhores, matai-me já, espetai a adaga bem fundo para ser rápido e menos doloroso. A Morte no Nilo ocorre estando o eminente detective lá, pô, ele não é chamado para porra nenhuma. Aliás, em nenhum dos mistérios passados no Egipto, que me recorde, Poirot é chamado após homicídio, Poirot faz parte da trama desde o seu início.

Enfim, que tristeza. Não há floresta capaz de fornecer tanto lenço de papel que enxugue as lágrimas amargas desta fã da menina Gata Cristina. Não há. E havendo, escusavam de a abater para o efeito, bastava não produzirem bostas deste calibre.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

The Cat Diaries (15) Obladi, oblada

E começas o teu dia de (pré) trabalho a implorar negociar a rendição e regresso ao cárcere de um evadido muito laranja, que achou que não, não lhe apetecia ir já para casa, e sim, lá fora é que estava bem, e sim, conseguiste tirar-me do pátio, mas só porque eu quis, mas tenta lá fazer-me descer do muro, ahahahah, desprezo, ó tu aí em baixo, despreeeezo, reles humana.
Uns bons dez minutos, dez, de idas e vindas, calça sapatos vai lá ver se o bicho se apieda, escova cabelo e borrifa o perfume e volta, a ver se o bicho acha que já chega de gozação, e isto tudo enquanto tentas que os outros dois, já sugaditos em casa, não tenham uma ideia parecida e ei, se ele pode eu também quero, e zus, fuga.
Finalmente teve pena de mim, o meliante; lá espreguiçou, bocejou, saltou e veio, de cauda levantada, no seu ritmo, claro, ninguém apressa um felino. E eu agradeci (as you should), e recompensei com o petisco "regresso a casa"*.

Nem foi a cena mais humilhante do meu dia, porque entretanto sucederam pessoas, e que pessoas. Jasus, escolhe-as a dedo, o meu triste fado.

(mil vezes um gato rezingão, que já se sente no direito de mangar desta aqui, mas ao menos ainda sente pena e dá uma abébia)


*nós temos imensos rituais e rotinas, e já vemos resultados em termos de comportamentos. pensar que eram dois besugos medrosos e ariscos há ano e meio, lagrimita.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Mas para acamar, acamar mesmo

e a todos os descrentes, os ver para crer, os são tomé desta vida, recomendo uma passagem pelo twitter e uma busca pela hashtag WhyIDidntReport.
Devidamente acompanhados de um shot de empatia, claro. E lenços de papel.

E, para acamar

Ainda não recebi o catálogo do ikea. Epá. Epá. Sinceramente.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

God knows I'm miserable now

Se as pessoas soubessem como é difícil ser eu, davam-me já a reforma antecipada, e por inteiro, por total incapacidade para o trabalho. É que não dá, não dá ter tanta bola no ar, e eu tenho zero queda para malabarista. Um gajo ou trabalha ou trata de cenas, as duas em simultâneo não aguento. Isto é uma doença incapacitante, incurável, nada estudada e com nenhumas esperanças de cura, donde, aliviem o meu sofrimento, que era uma caridade que me faziam.
Chiça.
E antes que alguém apareça aqui com o estribilho "ah, e não tens tu filhos", respondo já "pois não, coitadas das crianças, ou melhor, felizes das crianças que se livraram de ter de lidar com esta percentagem de invalidez materna, e também já tomavam em consideração a extrema abnegação, até magnanimidade que foi eu não sujeitar petizes a essa existência horrenda e triste, e davam-me também uma comenda."
Apre.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

P'lo direito a uma m'lher se passar (valentemente) da marmita

Menina e moça minha mãe me educou para o feminismo: que nós podemos fazer tudo o que eles fazem, menos xixi de pé. Quer dizer, até se pode, mas há uma grande probabilidade de correr mal. Direitos iguais, deveres iguais (consequente e naturalmente), e que nunca me deixassem convencer do contrário. Também me introduziu nas falácias do argumentário opositor: não, o facto de um homem, por princípio, conseguir acartar uma saca de batatas às costas não prova que há diferenças naturais e físicas (e outras, suspiro, nem entro por aí, ainda sou do tempo do estribilho "as meninas não têm jeito para matemática", fica para outro dia), ergo, isso da igualdade é parvo. Uma mulher também gera filhos, um homem não, e depois? Igualdade de direitos e deveres não equivale igualitarismo, o que se pede é igual dignidade, igual tratamento perante a lei, igualdade de oportunidades e de acesso a estas, ou seja, que ninguém seja discriminado em função do género, tal como ninguém deve ser discriminado em função de cor de pele, religião, orientação sexual, e por diante.

Alertada também fui que a luta pela igualdade não implica que se mimetize comportamentos normalizados e aceites ao género masculino, e que são em si errados ou censuráveis: cuspir para o chão, por exemplo, é feio, seja-se homem ou mulher (ou transgénero, ou seja o que for). Nesse aspecto, fazer igual é má criação, não é libertação. Idem aspas para outros tantos comportamentos, como o piropo ou assédio, andar à bulha, ou praguejar. A minha mãezinha é muito coisinha com o uso do palavrão: não aprova. Mais que um "merda" dito em ambiente seguro e/ou familiar é feio, muito feio. Logo lhe havia de ter saído uma filha com costela de carroceira, já lá vamos. Já noutros aspectos como depilar ou não depilar, usar calças (a minha mãe é do tempo em que menina ou mulher séria não usa calças), ter cabelo curto ou grisalho, cada um/a que faça como lhe aprouver, são coisas de foro pessoal e inatacável.

Ora se tudo me fez muito sentido, sim senhora, e ainda hoje faz parte do (mais alargado, atenção, isto não é só nem tudo) núcleo duro do meu feminismo, a parte do praguejar e bulhar (embora excluindo o confronto físico) é que me caiu muito mal. É que eu tenho uma visão muito libertadora da actividade de barafustar, e uma prática muito livre do uso do palavrão. Como uma taça de gelado, uns quadradinhos de chocolate, meio quilo de cerejas, é algo que às vezes me cai tão bem. Mesmo o que precisava para acalmar uma arrelia, para me resolver uma contenda ou acabar um dia especialmente mau. E, tendo sido fadada com um feitiozinho muito especial, daqueles que (já menos, felizmente) me leva do zen ao holocausto nuclear em sessenta segundos, caramba. Não se faz. Eu preciso e, em calhando, eu passo-me dos carretos. Eu preciso e, em se ocasionando, eu uso uma linguagem de fazer corar as pedras da calçada.

Dito isto, não, não é característica de que me orgulhe. Aprendi a lidar com ela, nisto a idade de facto traz sabedoria, mas pronto, sou assim, uma bestinha que faz favor, em se reunindo as condições adequadas. E essas condições adequadas, que também podemos definir, mais doutamente, como estímulos externos, nem sempre são justas ou justificativas do passanço. Ou seja, pode acontecer barafustanço / praguejanço face a situações que o estavam mesmo a pedir, ou não. Sou humana, pá. Também tenho dias maus, susceptibilidades, fraquezas, e pode suceder estar num dia em que me vire para o outro lado pela casca de um alho, ou, também possível, aquela casca de um alho que veio acumular a muitas outras cascas de alhos, e pronto, calhou azar, foi aquela que me fez saltar a tampa.

Sou pior por isso? Se calhar. Em minha defesa, alego que o meu último passanço ocorreu quando num evento social me sentaram em frente a um patet'holístico anti-vacinas. completamente justificado, hein, não aceito contraditório. Consegui parar antes de  me sair um "burro do c*r*lho" ou pior, já não é mau. A Izzie de 15, 16 anos espantar-se-ia. Mas também já aconteceu - e ninguém ficou mais espantado que eu, apesar de os olhares de quem me conhecia de outros e mais exaltados tempos terem sido também de puro espanto - ter-me levantado durante um jantar para ir fumar um cigarro a meio de uma diatribe racista de um outro conviva. O "ir lá fora fumar um cigarro" tem-se revelado um grande coping mechanism, já agora (ainda não tinha usado uma palavra em ixtrancheiro, hein!).

Sumariando: a) passo-me da cabeça; b) em acontecendo, pode suceder acumular com ser muito malcriadona ao nível do uso da caralhada; c) não, não é bonito ter esta característica; d) mas tenho; e) a maioria das vezes descarrilo em situações em que presencio actos indefensáveis, ou alguém desata a expor ideias / opiniões completamente ofensivas ao nível de direitos humanos, respeito básico pelo outro, ignorância atroz, civismo, enfim, coisas mêmo, mêmo; f) mas também já aconteceu descer do salto e rodar a baiana em situações de cúmulo de picanços por merdinhas a que não devia dar importância; g) também já descalcei a chinela e pus a mão à anca em ocasiões completamente injustificadas, fruto de ou i) uma excessiva susceptibilidade; ii) mal entendido; iii) errada interpretação  / leitura (minha, só minha) da situação.

E agora, desde já parabenizando quem conseguiu chegar aqui, o ponto da questão: ainda assim, defendo e exercerei o meu direito ao passanço. Mesmo correndo o risco de ser injustificado. Ou exagerado. E não admito, porque não admito mesmo - e aí a expressão "holocausto nuclear" assumirá logo um contexto quase literal - que, em me passando e, quiçá invectivando, seja admoestada porque "te fica mal", "não é um comportamento de uma senhora", "ai que figura", "estás histérica", "não sejas ordinária", "não passas de uma arruaceira", "estás a deixar mal a/o tua/eu [inserir tema ideológico em causa]", "pareces uma peixeira", "estás completamente descontrolada", "deve ser aquela altura do mês", "não tomaste a medicação", "estás descompensada", "uma doida varrida", "falta de homem"; quando um homem, nas mesmas circunstâncias, até poderá ouvir que "passou das marcas", "exaltou-se", se calhar até "exagerou" ou "não havia necessidade"; mas, mas, mas, afinal é uma pessoa com "ideais muito arreigados", "muito assertivo", "defende aquilo em que acredita", "é natural, sentiu-se ofendido / atingido" e "quem não se sente...", além de que "já sabem que é assim, não o provocassem", ou "caramba, é genioso".
É que aí solta-se a Izzie de criação suburbana e, além do chorrilho de asneiredo, ainda levam uma cabeçada à Cais do Sodré que andam a cagar dentes uma semana; um rotativo nos queixos que têm de comer a sopa por uma palhinha; ou com uma tábua nos cornos que para verem televisão têm de por os óculos na nuca.


[este post poderá - ou não - ter sido inspirado num episódio de passanço da vida real - alheia - mal/não/in/justificado, e principalmente nas reacções que se lhe seguiram]

terça-feira, 11 de setembro de 2018

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Aqui há dias metia-se um colega comigo, para eu ter calma que ainda vou andar nisto mais vinte anos. Bingo, são mesmo vinte. Certinhos. Desconfio é que vão custar mais a passar que a primeira metade, ou então não estou cá para cortar a meta. Donde, a ver se ganho juízo e me deixo de maratonas, a ver se poupo o corpitxo para a marcha longa e lenta.

(jesussenhor, salva eu, salva)

terça-feira, 4 de setembro de 2018

First World Problems

Nada como uma ida à superfície comercial da zona, a partir das seis da tarde, para soltar o Agecanonix que vive em nós.
Nada contra os estrangeiros, de facto, desde que entulhem lá os estabelecimentos deles.



terça-feira, 28 de agosto de 2018

Chapéus há muitos

E livros também, E quer para uns e outros há soluções de arrumação para implementar, só me falta um discurso motivacional suficientemente poderoso para me fazer mexer.

Então diz que nas férias se lê, e eu li. Livros para além de consultas técnicas, quer-se dizer. Material não me falta, basta dar a volta a uma das pilhas (desarrumadas) em cima da secretária, mesas do quarto, e até cadeira do escritório. Pode ser que pegue, este mood de decoração, e assim já não preciso de solução de arrumação. Como a cabeça já esteve melhor e viu dias mais risonhos, optei por coisas mais leves, e resolvi dar uma chance a escrita em português (lamento, Agustina e Aquilino Ribeiro ainda vão esperar).

Abalei então com, para além do mais, Os Loucos da Rua Mazur na mala, uma oferta que por lá estava. Sim senhora, gostei. Não foi assim um gosteeeeei, mas gostei. Competente, bem escrito, sem cagança, sem gorduras para raspar. E bem investigado, nota-se que há ali trabalhinho: aprecio isso. Não será alta literatura, mas também não é literatura de aeroporto - uns bons furos acima de Rodrigues dos Santos, ou melhor, do único que lhe li.

Vai daí, e numa visita à Bertrand mais caótica e desorganizada do universo* - juro, eu vou lá para apanhar camadões de nervos, transtornar o meu aliás ligeiro transtorno obsessivo compulsivo, mas também elevar a minha autoestima quanto ao estado de (des)arrumação livreira lá de casa - vejo o Perguntem a Sarah Gross em formato de bolso, e tungas, veio comigo.

Primeiro que tudo: comprem livros de bolso, caraças, a ver se continuam a editar nesse formato. Mais baratos, mais leves, o conteúdo é igual. Invistam nisso, poupem as costas e a carteira. Tudo bem, não fazem uma estante tão bonita (é-me indiferente, adiante), mas eu sou do tempo em que quem se preocupava em ter uma estante bonita e composta comprava aquelas edições completas e encadernadas de escritores consagrados, e que nunca lia:parolice alert. Pior: me mate recorda que se vendia e comprava só uma estrutura de capas, que se enfiava na estante a fazer de conta. Isto já roça a demência.

Ah, o livro. Gostei. Gostei bastante, muito mais que o outro. História muito bem relatada, bem construída, bem escrito e, novamente, sem cagança (um dos piores defeitos, para mim, do Rodrigues dos Santos, é querer armar ao Eça e sair-lhe uma prosa tipo edições Harlequin, siga). Novamente muito bem investigado, este ainda tem mais trabalhinho por detrás, e nota-se. E eu aprecio, e faço a minha vénia. Dado o tema - tal como o outro, época nazi, Polónia - não posso dizer que se trata de literatura levezinha, bem pelo contrário, mas não é um As Benevolentes.

Anyhoo, sim senhora, sim senhora, temos escritor, e se calhar toda a gente já sabia, mas eu não, e pronto, fica aqui a minha opinião. Só tive uma pequena "dificuldade" com o Sarah Gross, que não passa de uma embirração muito embirrenta de um aliás quezilento e notório mau feitio: chamar Kimberly à protagonista, ó pá, que nome mais cocó, tão Ruben André, tão Soraia Cristiana, credo pá. Não havia necessidade.



*Torres Vedras, no centro comercial. a sério, devia ser incluída num circuito turístico. ou então realizar gincanas do tipo "encontre o livro" - ordem alfabética é conceito quase desconhecido, por lá. o espaço é muito pequeno, o que também não ajuda.
ideia para série de posts futuros: guia de Bertrands. sim, eu tenho um top.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

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Sinceramente, acho que seria muito feliz a fazer vida da jardinagem, mas parece que paga muito mal.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Nem sei que diga

Caros senhores que vão ao cabeleireiro, quiçá barbeiro, com a espoNZa atrelada, e é esta que dirige os trabalhos, isto é, comunica ao profissional como se faz o corte, se está bem, um bocadinho mais aqui, assim acoli: epá, emancipem-se.

Caras senhoras espoNZas supra mencionadas: nem sei que vos diga. Estou aqui disposta a aventar que, às tantas, é por causa de vocês que certo(s) barbeiro(s) proíbem a entrada de mulheres. Ou mesmo que sois do tipo de espoNZa que depois se queixa que eles não "ajudam" nada lá em casa, mas também, coitados, não sabem fazer nada, não é?

Anyhoo, aqui desta que estava (como de costume) a apanhar a maior seca, kudos pelo espectáculo, nunca pensei, ainda por cima com artistas mai'novos que eu. Se apanharam os meus eye rolls ou sorriso trocista: sorry, not sorry. Achava eu que não havia nada mais creepy que aqueles casais que se tratam por pai-mãe, afinal, ó, vivendo e aprendendo.

Silly Season

A Maria Vieira no feice, o Arnaldo Matos no tuíte.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

We all float down here

Olá, eu sou a Izzie, e consegui ver o It sem sobressaltos, sem pulos no sofá, sem gritaria histérica, sem tapar os olhos, sem hiperventilar, e até dormi lindamente, depois.
Qualquer dia ainda me apanham no Motelx. (nããããããã....)

Agora a sério: não só vi e não morri de susto, como adorei, adorei, adorei. Não que o filme seja adorável, bem pelo contrário, mas achei tão bom que até, por breves minutos, tive vontade de pegar nas mais de mil páginas do livro (nãããããã... passou-me).
O elenco juvenil é maravilhoso, e é extremamente credível - falam como putos de 13 anos, e não como os adultoa acham que falam putos de 13 anos. Só isso faz(-me) uma diferença fenomenal. Quanto ao mauzão, Pennywise, the dancing clown, ó que caraças. Nunca vi a versão com o Tim Curry (e agora quero), mas o pequenito Bill Skarsgard tem uma expressividade física e facial que ó-ó. Medinho misturado com pura admiração, foi o que passei todas as suas aparições, desde uma magnífica cena de introdução só com a sua carinha enquadrada na sarjeta, até aos seus bailados grotescos e movimento de ataque a fazer lembrar aqueles palhacitos de corda que tocavam tambor ou pratos (alguém se lembra destes brinquedos? tinham o mesmo movimento de braços e menear de cabeça, taliqual, assustador).
Mas o verdadeiro monstro do filme nem é tanto Pennywise, este é só a cereja no topo do bolo. O horror pode ser (e tantas vezes é) mais mundano, próximo e familiar que uma figura sobrenatural maléfica. Os monstros são os adultos daquele pequeno universo: os que infligem dor e os que, vendo-o ou sabendo-o, nada fazem. Juro que nenhuma cena com o Pennywise me deu tantos arrepios como aquela em que os bullies maltratam Ben e passa um carro com dois adultos que vêem e seguem caminho. E esta foi só um "aquecimento". Neste contexto de maldade entranhada e enraizada às tantas até o palhaço maléfico, que rapta e se alimenta de crianças, surge como um libertador das suas alminhas. Ou não. Se calhar um mal é apenas uma consequência natural de outro. Enfim, divagações minhas.
Fico à espera da segunda parte, em pulguinhas. (gostei tanto, já disse?)

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Blitzkrieg

Depois da apreensão inicial por sabermos ir passar a viver em cima de um AL (alojamento local, para quem ande totalmente out), suspirámos de alívio quando os primeiros hóspedes vieram e foram sem alarme. Fiquei de sobreaviso quando dei conta da meia dúzia de teenagers (ou quase) franceses. mas estes, apesar de passarem a noite toda na palheta e na bubereta tinham um excepcional sentido do volume da sua voz e aparelhos electrónicos. Sim senhora, mais de um mês e tudo corria bem; bom, "bem" nem tanto, há o pequeno problema de a empresa que explora a coisa fazer limpezas, atulhar o caixote do prédio, até deixar volumes fora, e depois ala e os condóminos que lhes façam o trabalho, e de borla. Como somos muito tortinhos, dessas vezes nem pomos lá mais lixo, nem acartamos o caixote para a rua. Não há palhaços, não há criados.
Ainda assim, ainda assim; já ouvi contar pior, vá lá.
Até que chegaram os alemães.
(inspira. expira. inspira.)
Nós, os latinos, é temos a fama de ser barulhentos, expansivos, armar cagaçal, não é? Pois sim, mas o proveito, o proveito.
Primeiro grupo teutónico, e lá tem me mate de ir bater-lhes à porta, fáxavor de baixar o som, tanquiú.
Segundo grupo, idem aspas, e com a agravante de a música ser bem pior (electrónica). Lá baixar, baixaram, mas pouco. E falam entre o muito alto e o berro. E batem com a porta do apartamento e do prédio. E entram e saem a horas que faz favor. No segundo dia (ontem) voltaram a sair para a náite, ali cerca da meia noite, e eu sei porque: a) portas a bater; b) tudo a falar aos berros; c) e aos berros continuaram a falar, e inclusive a cantar, à porta do prédio, até chegar a a boleia (dois carros); d) altura em que também ouvi um distinto barulho de cacos, presumo que de garrafas a embater em caixote. Voltaram em duas levas, uma delas às cinco e trinta (acordei eu) e outra antes (acordou me mate).
E é isto. Não demorou muito a descambar. Ai, a Europa do norte, tão evoluídos, tanto sentido cívico, ai. Estou aqui a matutar na estratégia a adoptar, mas a vontade de lhes voltar a bater à porta é nula - além do mais, são umas vigas que faz favor, e têm um aspecto de gunas que nem vos conto.
Unglaublich. Grandes fisdeputa.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Iaca

Por razões que não vêm ao caso, tive de me deslocar a uma grande superfície de cuidados de saúde. Sucede que se meteu a hora de almoço, e decido forrar o estômago antes de abalar; dito e feito, ala à cafetaria para nhom-nhom. Ora além de público (faminto) em geral, distingo eu uma série de fregueses branquinhos, branquinhos: ena, tantos shoutores e enfermeiras. Estas com a farda, aqueles com a batinha (e estetoscópio ao pescoço). A batinha branca, esse trajo profissional por excelência que distingue os responsáveis máximos pela nossa e vossa saúde; o trajo que não só distingue e diferencia, como também costuma, ou costumava, ser um selo de higiene.
A minha questão é esta: qual higiene, se andam a passear a porra da bata por todo o lado (já nem falando do estestocópio, que é caro e até entendo o perigo de roubo, mas caraças, aquilo é encostado a pessoas alegadamente doentes, desde o tuberculoso até ao constipado; até um cabeleireiro ou esteticista têm melhores hábitos). Até pode estar num branco neoblanc irrepreensível, mas as bactérias e vírus não se vêem a olho nu. E duvido muito que tenham direito a hora de almoço, a apanhar ar, pausa para cigarro, quiçá, ou até, na loucura, acompanhar o clínico na satisfação de uma necessidade fisiológica (nojo). A interdição de passeio entre áreas higienizadas ou até esterilizadas e outras, exteriores ou não, pode parecer um preciosismo, mas caraças, se a bata não for vista e considerada como trajo profissional símbolo de higiene, para que serve, afinal? Apenas distinção, ou seja, cagança? Pá, para isso, pá, amigos na mesma, mas deixem lá o trapinho em casa.