sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sumário: Resumo da matéria dada. Dúvidas.

Isto de ser uma pessoa sem problemas de maior para resolver enguiços alheios; ouvir penas dos outros com toda a atenção e devoção; dar conselhos em barda, daqueles desinteressados, pensados e estruturados; analisar questiúnculas, problemáticas e quiproquós; propor soluções; avançar com soluções; e, até, implementar decisões; mas depois ser uma atadinha de primeira para resolver qualquer merdinha que se nos atravesse na nossa vida privada?
Nem vos digo nem vos conto. Uma especialidade.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

The Cat Diaries (8)

Começo já este post por mandar um sentido saravá!, acompanhado de um grito de abençoadinhas!, a todas as pessoas pais/mães desta vida. Não, não vou por aí. Não. De modo algum venho com uma ladainha de como vos compreendo, agora eu entendo. Pelo contrário: eu não entendo. Juro. Eu não entendo como conseguem. Sim senhora, são três gatos, três; mas não precisam de banhinho, sopas e papas, roupinha lavada, fralda mudada, colinho até adormecer, pediatra de repente, e tudo o mais que possa estar a esquecer. A comidinha é sempre a mesma, já está pronta e ensacada; vão à casa de banho sozinhos, aqui a camareira limita-se a limpar diariamente (às vezes bidiariamente, sou esquisitinha); não estragam nada (valha-nos isso); dormem mais que nós; e por aí fora. Mas a verdade é que estamos derreados. Não podemos - literalmente - com uma gata pelo rabo.
Por isso, mais uma vez, porque nunca é demais frisar, abençoadinhas ó pessoas procriadoras. Não sei como conseguem.

De resto, e já a roçar os dois meses desta experiência, há a assinalar que Fox Mulder e Scully descobriram a varanda. Finalmente deu-lhes a curiosidade de coscuvilhar o que está além daquela porta a um metro do seu ponto de refúgio, e zás, saíram. Primeiro ele, uns dias depois ela. E foi giro observar, principalmente nela, o ar de deslumbramento e deleite. Parece que saíram de um longo estupor. De manhã e, às vezes, à noite, lá vão cheirar os ares e olhar em redor. Nunca tentaram uma fuga, mas ainda assim mantemos alguma atenção.

Também já se manifestam mais curiosos, e até arriscam aproximar-se das tacinhas quando têm fome, com uns olhinhos entre o atão?, e o serviço nesta espelunca é uma miséria. Nem imagino a pontuação que nos atribuiriam, caso existisse um yelp felino, mas suspeito que seria muito má.
E ontem, um avanço surpreendente: sem que tenha saído do seu igloo, menina Scully não só aceitou as festas de me mate, como ofereceu a cabeça (!), a barriga (!!), e ronronou (!!!) - não vi, contaram-me, eu estava noutra divisão a a) fazer companhia  e a distrair o Max; b) a tentar que o Max não abrisse a respectiva porta, que por acaso não tem trinco; c) sossegar Max que papá já vinha.

E o bebé, e o Max? Aaahhhh. Nunca nenhum nome foi tão bem atribuído, Mad Max, indeed. Sacana do puto. Raisteparta o bobão. Cruzes, como é fofão.
A caganita de 400 gramas passou a caganita de 510 gramas (pesados ontem, confesso que esperava que já tivesse mais peso); corre como um Usain Bolt; atira-se à comida dos mai'velhos (pá, juro, a gente vai logo tirar, mas como ainda não se engasgou ou percebeu que aquilo é um nível um bocadinho acima do seu tamanho de boca e dentição, jasus); percebeu que cabe debaixo do sommier (Max, Max, onde 'tá o Max, anda cá Max, viste o Max); e dedica-se com afinco à caça de tudo o que mexe e não mexe, como seja a malvada mantinha, a diabólica fitinha, o demoníaco pé, o selvagem chinelo. Também aprecia muito morder a revista/livro, trepar a colcha/calça, e fazer uma muito razoável imitação de papagaio de pirata, isto é, subir até ao nosso ombro e ficar lá a ver as vistas.

E mais, e mais? Ah, temos um paralelo 38 a meio da casa, Max habita agora o seu T1 que é o quarto-escritório; Fox e Scully na circunscrição cozinha-sala-corredor (um T1+1, portanto). Misturas, só na nossa presença, sendo que há a registar alguns incidentes de bufadelas e duas altercações de chapada, mas vamos com calma. Caaaaalma. Caaaalma. Muuuuita caaaalma. E feliway nos valha.

Ó o piqueno Max aqui, num registo de desaceleração do ai que gosto tanto de brincar e fazer coisas para cair redondo onde esteja, em dez segundos:



Bobão. Fofão. Lindão.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Não entendo como é que em 2017 ainda há quem tenha dúvidas em relação a isto

Se uma pessoa se apresentar evidentemente embriagada, ou num estado que evidencie não ter completa noção do que faz, num cartório notarial ou numa conservatória, ser-lhe-á evidentemente negado outorgar / celebrar testamento, escritura pública, ou casamento.
É claro e cristalino, e ninguém com um módico de senso comum - ou conhecimento da lei - dirá que não é assim.
Então por que raios e coriscos ainda há quem desculpe o perpetrador ou se atreva a dizer que não há coacção sexual ou violação se a vítima se encontra no mesmo estado de evidente embriaguez e/ou incapacidade para entender o que faz / lhe é feito? Como é que há quem ache que pode haver consentimento quando há incapacidade de entender e formar vontade? Como pode alguém presumir um sim quando a pessoa nada diz ou nem sequer tem capacidade para dizer seja o que for?
Ultrapassa-me, angustia-me, agonia-me, enfurece-me.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

[A big bag of] Nope

Ainda não entreguei o irs, e dei-me conta que fiz um major poopoo financeiro na minha gestão de facturas;
Depois do imi, revisão e inspecção da viatura, já tenho ali o iuc também para somar;
'Inda não tive vagar (ahém!) para ir fazer as análises, ou marcar a eco&mamografia (três meses, and counting);
Também ainda não arranjei quem me vá substituir a torneira de segurança, que está num sítio fideputa de ruim, e qualquer dia tenho a epal à perna a dizer qu'eu não deixo mudar o contador e me cortam a auguinha;
Há tanta coisa adiada para berbequinar lá em casa que cólquer dia tenho de tirar dois dias de férias só para o efeito;
Tenho crises de ansiedade diárias derivado da quantidade de trabalho para aviar e, ainda assim, perdi sexta (sim, vim trabalhar) e hoje a bater e trabalhar cento e muitas páginas de texto, sem chegar ao sumo da coisa;
Há plantas que precisam de mudar de vaso, caixotes de cenas para dar e encaminhar, muito pó de livros para limpar, casacos de inverno para seco-limpar e ensacar, dois gatos para socializar e um para educar;
Dói-me tudo e mais uns anexos, tenho sono que dava para vinte, e sinto um peso nos ombros e pernas de que não me consigo livrar;
Anda uma pessoa tão precisadinha de um milagre.

Nope [ao quadrado e com imensos piretes, ou Hoje Há palhaços]

Para terminar com cerejinha no topo de um monte de natas batidas, gostei muito de ver na tubisão a conferência de imprensa da Cristas e seus novéis apoiantes. Fiquei a saber que um levou imeeenso tempo a atravessar Lisboa (aposto que não foi de metro); e outro considera muito importante frisar, com pausa dramática extensiiiiisima, que a candidata seja uma mulher casada. Tenho de actualizar o meu curriculum e fazer constar o estado civil, queres ver. Já me estava a rir muito quando também mandou umas larachas sobre saia larga para trabalhar, e ser pessoa de evidente mérito por conciliar trabalho e maternidade; não apanhei devidamente, mas morreu-se-me um bocadinho a esperança de um dia me candidatar a seja o que for, ainda que quisesse, mas eu sou daquelas que nem com todas as empregadas e ajudas que aquela senhora mãe-trabalhadora consegue pagar alguma vez conseguiria passar de uma prestação medíocre se acumulasse.
E ainda há quem pergunte onde anda o Medina e porque não começou a campanha: não precisa, houve já quem começasse por ele. E quando a outra se fizer à estrada, bof, o Medina até escusa de aparecer, cheira-me. Que miséria.

Nope

Para uma pessoa ateia, sportinguista não praticante, e não especialmente apreciadora de música ligeira, foi um fim-de-semana calminho, que foi.

[de qualquer forma, a minha vénia e parabéns a) a todas as autoridades que permitiram que o chefe de Estrado do Vaticano entrasse e saísse vivo e de saúde; b) aos manos Sobral, que foi bonito de ver, que foi, é pena eu achar a música meh, apesar da bonita melodia, que é, mas o tipo é um prato e foi giro de ver, que foi. no mais, derivado de na minha casa - que ainda é longe, que é - se ouvir a feira no Marquês, olhem, sim senhor. e óspois também me lembrei que para o ano temos cá o Festival, e ainda tenho gravado na memória o estado em que estava a plataforma da Alameda no sábado, raisparta os tóristas que já são muitos, e a sua mania de parquear os tróleis no meio do caminho, lá no vosso país agis assim, ó moinantes?, portanto, há bens que vêm para mal, haja saúde.]

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Não sabia, agora já sei

Uma caganita de 400 gramas consegue correr depressa à brava, desaparecer em cinco segundos, trepar-nos pelas pernas até à coxa em menos de nada (jeans: obrigada), e ir do meio da cama à borda e daí saltar para o chão em menos de um estender de braço.

Cardíaca, vou acabar cardíaca.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Com agradecimentos à Lego e Ikea*

Depois de tantas reclamações que já nem as recordo (mas tudo em mail, guardadinho, ó), e outras quantas intervenções que também já deixei de contar, o fideputa de um equipamento que montaram continua a dar razões de queixa. E não estamos a falar de um defeito tipo "eu preferia num azul mais clarinho", não; é mesmo uma coisa funcional. Se um charuto serve para charutar, e determinado charuto não charuta, só charu, não pode ser. E uma pessoa, pá, um consumidor, pá, que até gastou mais do que queria numa cena que lhe foi vendida como o top dos tops, uma pessoa, pá, chega ao fim da linha, e pensa que só comprando a guerra, e já começa a elaborar mentalmente a declaração de resolução ao abrigo do DL 67 não me lembra agora de cor o ano, resumidamente, o bem x adquirido e instalado pela vossa empresa não cumpre cabalmente as funções para que é destinado, e após diversas reparações tudo na mesma como a lesma, donde, tendes o prazo xis para ir tirar lá aquela merda e devolver-me o guito. E como sou uma pessoa muito, mas mesmo muito porreira, até dou a hipótese de se trocar por outro modelo, e depois fazer contas, desde que estas não sejam para cima, porque já chega o que chega.

Mas a verdade é que eu sou uma pessoa muito, mas mesmo muito porreira. E paciente (pausa para risos). A sério, sou. Outra qualquer já tinha feito uma espera àquela gente, mas eu insisto em tentar resolver as coisas a bem. E não é que não respondam aos meus apelos, 'tadinhos, lá boa vontade têm. O problema é que, digo eu, aquilo não está bem. Não sei (spoiler: não sabia) se por erro de concepção, de fabrico ou instalação, mas coise.

Vai daí, e em vez de partir para a asneira, decidi acalmar e reagrupar. E fui ao site do fabricante, onde descarreguei a ficha técnica da coisa e instruções de instalação. à primeira leitura, senhoras e senhores, primeira, detectei logo a asneira. Erro - e clamoroso, digo eu que não faço de empreitar modo de vida - de instalação.

Pronto, agora tenho ali impressa a coisa, para poder perguntar, com propriedade, cuméque em não sei quantas visitas e intervenções gente com curso de arquitectura e anos de empreitagem não detectou algo que eu topei em cinco minutos. Arre.


(e, mais importante, o meu rico paizinho, meu mentor de bricolage e artes técnicas do lar, que sempre me ensinou que qualquer trabalho se inicia por uma leitura atenta das instruções, e que o material tem sempre razão. e, infelizmente já tarde demais, me alertou certa vez que a cola quente queima a valer.)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

The Cat Diaries (7)

No Sábado de manhã saímos de casa para ir dar uma volta e sucedeu isto:



Fox, Scully, ó o mano (borrifaram-se completamente) Max, Mad Max.
E pronto, somos tri-pais.
Ah, a alegria de um serão domingueiro, família toda no sofá? Dois debaixo, três em cima, mas isso agora não interessa nada.

[confesso aqui, que ninguém me ouve: tinha fobia, pavor de bebés. uma coija tan pucanina, aquilo nem se sente o peso, jasus que ainda lhe faço mal, credo que ainda o mato. continuo apavorada mas, visto que o bicho escolheu me mate como o seu mais que tudo, papá-lindo-adorado - a sério, o mais flagrante caso de amor à primeira vista, química instantânea que já vi, só isso explica esta loucura -, alguém tem de manter o sangue frio e postura racional. haja xanax.]

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Agora a granel

- A propósito de quem caiu em esparrelas sobre cetáceos, não se sintam mal: nos anos 90 havia panfletos a alertar, movimentos de pais preocupados a chagar toda a gente, e imensas almas a atestar que uma sinistra rede de malfeitores traficava LSD nas tatuagens temporárias (aquelas de colar com água) que saíam nos pacotes de batatas fritas. Relatos e relatos de criançada dróóóógada pelas ditas tatuagens, sempre filhos de um amigo de um amigo. Yeah, right. Como tive muitas vezes que explicar a uma mãe preocupada (a minha), e ainda influenciada por mitos urbanos de meliantes à porta de escolas a distribuir chupas com cenas, a droga é um negócio (ilícito, mas um negócio), não é caridade. Nunca nenhum traficante precisou de acções de marketing como distribuição de amostras grátis a não potenciais clientes (criançada é mais cromos e chocolates, com orçamento a condizer) que nem saberiam o que estavam a consumir.  

- Não consigo entender que algumas figuras ideologicamente conotadas com a esquerda prefiram correr o risco de eleger-se uma fascista, racista, homofóbica e xenófoba como presidente de uma grande potência europeia, ao invés de seguirem o magno conselho outrora dado Álvaro Cunhal, isto é, ingerir o anfíbio. É que, para mim, era na boa. Se não gostam de água, empurrem com vinho.

- O conceito de bizarro world não será conhecido de todos, mas é lá que me sinto cada vez que ouço, leio, vejo noticiários: de repente parece que o eixo do mal foi ocupado pelos ternos e bons aliados, e é a Alemanha a única ilha de sanidade democrática. Pelo menos até às próximas eleições, que já não aposto em nada como seguro.

- Continuo a gostar muito do argumento dos animal lovers de que não há cães perigosos, há donos incapazes ou irresponsáveis. Tão NRA. Não que não seja verdade, mas considerando que a (pro)criação de animais para venda é a selva que se sabe, não entendo a ingenuidade de quem acha, mesmo, mesmo, mesmo, que o assunto se deve focar nos tais donos incapazes. É um facto que há animais que, não sendo devidamente treinados ou manuseados, representam maior perigo. A lei relativa ao assunto até é bastante completa, o chato é que o cumprimento da lei não é fiscalizado. Qualquer idiota funcional pode comprar um canito a um criador de vão de escada, tudo sem registo, e portanto não cumprir as obrigações que a lei impõe. E é claro que este patetóide não acha anormal andar a passear o bicho sem trela nem açaime. E ai de quem reclame cautelas ao dono. Eu já o fiz, lição aprendida.

- Falando de NRA, não deixa de ser irónico o Charlton Heston ter protagonizado pelo menos duas distopias apocalípticas (Planet of the Apes, essa bonita metáfora do racismo; ou Soylent Green, essa linda narrativa sobre as virtudes de um capitalismo sem regras e sem humanismo), quando era a bestinha conservadora que era. Ocorreu-me outro dia, enquanto víamos o último. Dito isto, também se podia dizer coisas sobre ter protagonizado Ben Hur, que é um rico filme, que é. Há gente que tem a capacidade cognitiva ou a empatia de um calhau de calçada.

Diz que o avulso está na moda

Desde o verão passado que não pinto as unhas. Depois de muito tempo de uso regular de verniz, e ainda que sempre aplicado sobre base de muito razoável qualidade, as unhas ficaram uma miséria: quebradiças, amareladas. E resolvi "dar um tempo". Já não estão amareladas, nem tão quebradiças, mas a verdade é que perdi o hábito. Todas as semanas me prometo voltar à cor na ponta dos dedos, mas, por preguiça, por inércia, por falta de tempo - essa desculpa tão mentirosa - não o faço. Tenho saudades, verdade seja dita. Mas o nada passou a ser o novo normal, e perdi o impulso.
É nas unhas e no blogar. Uma pessoa pausa ou pára por qualquer razão e, quando dá por ela, Já não sente falta. Ou até sente, uma pontinha de nostalgia, vá, mas não apetece, ou não calha, ou até se está bem assim. E fica assim.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ah, este admirável mundo novo

Era eu chavalita, ainda na primária, e havia o "dia das vacinas". A professora reunia a maltinha cujo nome constava lá das folhitas, e ala para o dispensário, ou sala da escola reservada para o efeito, tuuuudo a levar a pica. De casa já trazíamos o boletim, ou seja, os pais faziam parte do processo, claro que faziam, mas nunca se ouviu falar em pais que recusavam. Num país onde ainda havia cólera e tuberculose com fartura (anos 70, século XX, verdade), acho que alguém que recusasse uma vacina seria visto como louco, no mínimo.

Antes de atingir a idade escolar, já toda a gente tinha muitos carimbos no tal boletim. Só se fosse alguém que nunca tivesse passado por um hospital ou centro de saúde, vivesse longe ou não tivesse meios, creio eu, é que teria escapado à inevitabilidade da pica. Entre pais e avós havia ainda memória de tétanos e tuberculoses, donde, não se contestava. A expressão "limpar o sarampo" existia, por alguma razão. Alinhava-se na vacinação, e exigia-se vacinação.

Eu não escapei, claro, apesar de (ainda) ninguém levar a sério a minha fobia de agulhas. Fui a todas, quer dizer, as que havia, que a varicela e papeira ainda eram das inevitáveis (ainda me lembro da prostituta da varicela, credo, à papeira escapei-me). Levei também a do sarampo, o que nem evitou que fosse contagiada, mas, segundo rezam as crónicas familiares (era muito novinha, não me lembro, ao contrário da varicela), muito ao de leve. Foi o que me valeu, sempre disse a minha mãe, o estar vacinada. E vida fora, lá foram mais tantas picas, e ó se me custaram, raça da fobia (ei, é real, prova disso é uma receitinha que tenho ali para ir à exanguinação e que está em linha de espera há dois meses, coisa pouca, preciso de tempo, deslarguem-me). Renovações do tétano e difteria (e uma semana de bola de golfe no braço), rubéola (uma das novas que entretanto apareceu), hepatite B (não era obrigatória, e era bastante cara, mas miufinha), e, mais recentemente, por causa de uma viagem para sítios que coiso, também hepatite A e cólera (esta é de ingestão, graçádeuz). E aqui há quinze dias de novo o tétano, que descurei décadas, mas também não é transmissível; se agora a fui renovar, mau grado a fobia, foi pela boa e velha miufinha.

E é isto que me faz muita confusãozinha, benzá. As pessoas não têm miufinha, não? Eu, que sou crescida, e nem tenho filhos, tenho muita miufinha. Se é assim por mim, que faria se tivesse um mini-ser à minha responsabilidade (já nem falando do afecto, e aquela coisa pelos vistos bizarra de cuidar e amar, e providenciar pelo seu melhor interesse e tal). Caraças, as pessoas querem mesmo arriscar ter um filho numa cama de hospital, ali vai-não-vai? Já nem falando de viver bem com a sua consciência, na hipótese de rebento seu causar contágio a rebento alheio, e inerente desgosto e aflição a quem lhe quer bem?

Olha que francamente, caraças.

The Cat Diaries (6)

É oficial. Adoptámos dois adolescentes: não nos ligam pevide; passam o dia inteiro com cara de caso e enfiados no seu canto; comem, dormem, bebem e usam wc à discrição, mas sem se dignarem a uma interacção; se por acaso lhes damos alguma atenção, uma palavrinha amiga, uma festa carinhosa, recebem-na sem refilanço, mas também sem qualquer reconhecimento; mal chega a noite e nos apanham em vale lençóis é farra à doida. Ao menos são asseados, cuidadosos, e não estragaram nada; até ver não há colchões janela fora nem televisores na banheira. Acho que nos temos de considerar abençoados.

Nos entretantos, também é oficial:



Vacinados (primeira toma, reforços e chips daqui a quinze dias; com sorte entretanto já se esqueceram e já nos odeiam menos; 'tá bem, abelha), testados e negativos a fiv e felv, orelhas limpas, desparasitados.
E, claro, baptizados.



"Como 'já posso sair?' Eu saio se quiser, ora. Até estou bem aqui." Teimosão.

É o que temos. Já os adoramos como uns totós, e acho que eles sabem. E, felinamente, aproveitam-se.
Agente Fox descobriu ontem a varanda (onde só se desloca, por enquanto, sob apertada vigilância do Man&Woman in Black), e parece ter visto a luz, descoberto os segredos do universo, provado a existência de vida extraterrestre. Miss Scully permanece céptica. Confere.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

The Cat Diaries (5)

Já não tenho dois gatos debaixo do armário da casa de banho. Tenho dois gatos debaixo do armário da casa de banho, debaixo da mesa da cozinha, debaixo do cadeirão do quarto. Eternamente grata pela brilhante ideia de ter trocado a cama por um sommier: ali não cabem eles.
Isto durante o dia. De noite dá-lhes a filoxera e, mal nos sentem deitadinhos sugaditos, começa a rave. Cozinha-corredor-quarto (por enquanto o resto está off limits), mas principalmente corredor, a avaliar pelo desalinho das passadeiras. Não me estou a queixar: besugos brincam, correm, parvam, como é bom que o façam. Já preferem as mantas ao chão, e comem que nem condenados, como se amanhã não houvesse. Um dia perceberão que haverá sempre. Tal como um dia deixarão de apanhar valentes sustos se os apanhamos fora dos esconderijos.
Falando de sustos e flagrantes delitos, ei-los.


Bandido nº1:

Bandida nº2

Não, não foram escolhidos a dedo, mas até parece. A bandida nº2 foi adoptada de boca, nem sabíamos como ela era.

(ainda não há nomes, porque derivado. já reduzimos o leque para Luke&Leia, Dexter&Debra, Scully&Mulder. isto se não nos lembrarmos de outros entretanto. ou voltarmos atrás. isto é terrível, uma angústia, não sei como é que o pessoal que procria consegue cumprir os prazos de registo)

terça-feira, 4 de abril de 2017

The Cat Diaries (may the 4th be with you)

Aquilo de eu dizer que isto, tarda nada, é um kitty blog, e aproveitar logo para meter a farpa com os habituais (bocejo) conteúdos dos babyblogs? Claro que estava a brincar. Os bichos são família, pois que são, mas não são filhos. Muitas vezes são como crianças, então não são, a fazer lembrar películas tão memoráveis como Rosemary's Baby ou The Omen, mas a maior parte das vezes são só bichos, mais ou menos peluchados / gremlinzados, mas bichos. E se, como seres sencientes (legal e finalmente reconhecidos como tal) merecem tratamento digno, respeitador, carinhoso, fofizante, convém não esquecer que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e tratar animais como criancinhas não dignifica nem uns nem outros.

Anyhoo, é isto que penso, e continuarei a pensar; pelo menos até ao dia em saiba de um/a pai/mãe que começou o dia a apanhar a vacina do tétano, por causa de um bufardo com unhas de fora dado pelo filho. Avisem-me, quando chegar esse dia. Vou gostar de saber.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Então isto agora virou um kitty-blog?

Nem fazeis ideia. E esperai até eu entrar no negócio das feirinhas (olha a banca das coleirinhas a combinar com o autefite!; olha a banca do verdadeiro e preferido escabeche de pescada!; olha a banca do reiki!), ou começar a fotografar os besugos do demo em lindíssimos kits todos matchy-matchy, com golinhas isabelinas, lacinhos nas orelhas (ela), suspensórios a combinar (ele), meia até ao joelho, mocassins pisatolas nas patinhas.

Ou então podemos falar, sei lá, do último Bourne, que ena-pai, hã, o Matt Damon ali todo grisalho mas com um caparro faz-favor, e perseguições automóveis que uma pessoa até lamenta não ter ali um auto hoje e uma calculadora para fazer contas ao prejuízo. E Taboo, quem? Oba-oba, não é?

Se calhar falamos antes das eleições autárquicas, e de que, não sendo eu a fã nº1 (nem nº2. nem nº3. bom, aí por diante. eu digo quando podem parar.) do Medina, dadas as candidatas da oposição até imprimia uma techérte c'as fuças dele e a usava até Outubro.

Ou então entramos por assuntos verdadeiramente fracturantes, como andarem empresas que não sei de que buraco saíram, com empregados com não sei que formação, a fazer podas em árvores a) na primavera, em plena floração ou folhação; b) não distinguindo um ramo ladrão de um ramo simplesmente baixo; c) com uma total inguinorância quanto à forma e estética das copas, de tal forma que há por aí árvores que ficaram a parecer uma vassoura de pernas para o ar.

Às tantas também se entra por coisas mesmo-mesmo importantes, como o melhor gelado de chocolate de sempre, esse tema que cai sempre bem e tem tudo para gerar um interessante fórum.
Isso: gelado, que vai sendo tempo dele (é sempre, mas adiante). Confesso que fiquei agradavelmente surpreendida com o gelado de chocolate lidl, e francamente louca-furiosa por não terem reposto o stock no dia em que lá fui. Bandidos, facínoras.


The Cat Diaries (um 3 que podia ser um 666)

Olá, eu sou a Izzie, e sou vítima de violência doméstico-felina. Desde já se esclarece que a culpa foi minha, toda minha, provoquei e estava mesmo a pedi-las. Ao contrário da vítima de violência doméstica que apresenta este discurso (e obviamente está a ver mal as coisas, precisando de uma valente intervenção, que uma coisa é um animal irracional negligenciado e largado na rua, outra é um ser racional com capacidade de decisão, introspecção, e não levantar a mão), é a mais pura das verdades. Excesso de confiança aliado a uma certa urgência, é o que dá. Tooooodo o trabalho já conseguido deitado ao lixo.

Ora veja-se: a) a bichita já tinha saído de baixo do armário da casa de banho, trocando esse spot de sonho pelo paraíso debaixo da mesa da cozinha; b) a besuga aceitou festas no lombito, orelhas e queixo, o que até nos fez desvalorizar as dores de joelhos e esqueleto em geral, atenta a posição em que nos temos de por para o conseguir; c) a chouriça autorizou e até gostou da escovadela com que a presenteei.

Vai daí, saltei um porradão de etapas e, sozinha, tentei agarrá-la para a enfiar na caixa transportadora para dar um pulo ao vet. É que de quando em vez faz um barulho estranho, uma espécie de rouquidão, que tememos seja uma maleita respiratória; e não temos a certeza de que esteja a comer, ao contrário do cachalote do mano / amigo / companheiro, a quem nem a clausura e spleen impede de limpar toda e qualquer taça de comida. Resultado, enfiou-me uma estaladona de mão aberta que até vi estrelas.

Sendo positiva: estive tanto tempo ao espelho a estancar sangue e desinfectar o nariz que, de duas uma, ou este também ficou inchado ou já sei onde tenho o desvio no septo de que sempre desconfiei. E vá lá, não foi uma vista. E não tenho nenhum documento com fotografia para renovar.

(me mate ralhou-me tanto. merecidamente. mas eu tinha que contar, né, tenho a marca aqui bem à vista.)

sábado, 1 de abril de 2017

The Cat Diaries (2.0)

Temos dois - 2 - dois gatos debaixo do armário da casa de banho. Conseguiram capturar a amiga / amante /palhacita / companheira do mafarrico, e agora estão juntos, at last. Debaixo do armário da casa de banho. Romântico. Ao menos ele perdeu o olhar miserável, agora só tem um olhar meio perdido.
Já franqueamos acesso a parte da casa, durante a noite, e ouvi uns miaditos e patinhas no corredor. Acho que era ela, que é claramente a mais atrevida e dominante - as you should be.
Agora há que escolher nomes, e o tema é óbvio: pares. Por enquanto há as seguintes sugestões na mesa:
- Heathcliff e Cathy (ou, vais passar a vida a soletrar e quiçá a explicar);
- Luke e Leia (duuhhh);
- Sid e Nancy (mate não acha bem, que "tiveram um triste fim"; sim, porque Heath e Cathy acabaram lindamente, queres ver);
- Também me ocorreu Fred e Ginger, mas não bate certo porque ele é que é ginger.
E é isto.
Cá estamos.
Qualquer sugestão, façam favor.