terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Como perder 1h57m de vida

É verem isto:


Havia tanto para dizer sobre este filme. Desnecessário, redundante, inútil, são algumas das coisas que me ocorrem. A menos que se seja uma daquelas pessoas que tem absoluta necessidade de saber o que vai acontecer a seguir, ou dali a vint'anos, né. Dispenso: não vou a sequelas, e por norma não o lamento. Não confundir com trilogias ou coisas do género, histórias em que faz sentido haver seguimento. Mas, por exemplo, Matrix 2? E 3? Para quê, perguntei-me eu na altura, e pronto, nunca vi. Diz que fiz bem. Anyhoo, se também se for uma pessoa muito nostálgica, daquelas que lacrimejam ao ver um daqueles brinquedos foleiríssimos e provavelmente perigosíssimos (cheios de arestas em lata - tétano! - e, capaz de apostar, tinta de chumbo) com que se passava os tempos livres ali nas décadas de 70/80 do século passado, também podem ver. Aaaah, que bonito, os fléch-béques de uns forty-something sobre os bons velhos tempos de camaradagem, em que eram uns agarrados, gatunos, por aí fora.
Pá. A sério. Maldita seja a minha curiosidade.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Resumo de uma semana*

*e ainda hoje é quinta.

Tanto barro, tão pouca parede.

(até me daria para rir, não se dando o caso de a parede ser eu)

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Porque sou uma pessoa insistentemente positiva, que persiste em trilhar os caminhos da felicidade diária e em manifestar sincera gratidão por cada nova alvorada

Onde alguns diriam "que chatice [ou pior, um palavrão! daqueles gordalhufos! e cabeludos!] a máquina da louça avariou";

A Izzie borboletas coloridas a avoar, zen e florinhas diz:

"Ena, um lago interior, isto dá imenso cachet à casa!";

ou

"Uau, que bela oportunidade para um exercício de braços-pernas e agachamentos pós jantar!"

ou

"Ufa, ao menos a iauga não chegou ao corredor, onde decerto me estragaria o soalho! Grata, universo!"

ou

"Ui, que bom, de volta à simplicidade da vida, sem téquenologias massificadoras, barriga encostada ao lava louça, comunhão mágica entre mãos e binómio água quente - detergente!"

ou

"Obrigada, maquineta, por nos teres servido tão fielmente e sem percalços estes quinze anos! Respeito pelo teu leal e gostoso labor!".

Sinto-me tão mindful e assim e coise.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Tudo na mesma, como a lesma

Nem uma semana de ano novo, e temos dois líderes mundiais com poder de disposição sobre armas de destruição maciça engajados numa guerra de pilas.


[não que tivesse grande esperança na humanidade, desde aquele dia em que tive de contornar  um carro estacionado em terceira fila na Paiva Couceiro, mas ainda assim]

sábado, 30 de dezembro de 2017

I'm a constant fucking delight

Deu-me a coragem, mergulhei na piscina dos crescidos, e parece que ainda sei nadar - umas vezes com mais estilo, outras à cão, mas respira-se e avança-se, ainda à tona. O síndrome do impostor continua a zunir aos meus ouvidos, a meretriz da ansiedade tem dado ares da sua graça, não tenho tempo para nada e adio tudo, mas voltei a estudar, a aprender, e a sentir as rodas dentadas do cérebro a funcionar - com muita guincharia, mas valha-me o DW40, bof.
Rendi-me à evidência e comprei óculos de ver ao perto. É só uma dioptria mas incomoda muito, e avacalhou completamente os meus hábitos de leitura. Nem falando na eventual e necessária costura, ou o crochet e tricot, que estão em pausa. Ainda não me conformei, é das poucas inevitabilidades da idade que me custa.
Li algures que cada português consome anualmente, em média, dois quilos de chocolate. Fiz contas por alto e deu-me uma pena imensa dos outros portugueses que não sabem o que andam a perder.
Continuo a receber e a comprar mais livros que os que consigo ler, e isso angustia-me muito.
Já não tenho paciência para lojas e compras.
Levei uma estocada que não me matou mas moeu muito, vinda de quem nunca o esperaria. A pessoa foi à vida dela, eu também, e um bocadinho mais triste por ver a minha misantropia confirmada, embora espere sempre que a realidade ma desminta.
De qualquer forma, tenho mais sorte que juízo nas pessoas que me calharam como companheiros de estrada no trabalho.
Ainda me surpreendo e comovo muito quando calha alguém me manifestar carinho e me verbalizar consideração  - e acho sempre que estão a exagerar.
Persistem o peso e as sequelas de um grande choque e uma monumental decisão, que não me arrependo de ter tomado.
Acredito que o amor salva e muda, ao menos o nosso mundo, ou a forma como o vemos e entendemos. E isso já é tanto.
Continuo a recusar ceder à facilidade do ódio, a sucumbir à ignorância das avaliações superficiais e fáceis: se acho algo errado, antes da pura rejeição informo-me e educo-me. Muitas vezes é doloroso abrir a mente a realidades que nos são estranhas, por implicar o reconhecimento de que estávamos errados, mas é muito libertador. 
Adoptamos três gatos, e ainda não nos arrependemos - apesar de não passar um dia em que não me apeteça estrangular o mai'novo. Eles dão e ensinam muito mais do que vale o abrigo e paparoca que proporcionamos.
Insisto em reciclar furiosamente, e mordo a língua cada vez que pessoas, muitas vezes com filhos que vão herdar esta monumental lixeira, acham imeeeeensa piada a esta militância.
Ainda não foi este ano que aderi ou me filiei em algum partido, clube desportivo, congregação, movimento, religião, ou sequer  um ginásio. Live free or die trying.
Vi muitos, muitos filmes, a maior parte dos quais bons ou excelentes - maldita seja a curiosidade, o tempo que perdi com o Batman vs. Superman já ninguém mo devolve. Nunca me apeteceu escrever sobre eles, embora ache eu muitas pessoas nesta blogolândia devessem ser obrigadas a assistir a alguns.
Arranjei coragem e prometi-me a assinar o Netflix - adeus mundo, não contem comigo para mais nada - além do trabalho, claro, porque
Ainda não ganhei o Euromilhões e acho mal, que tinha planos fantásticos para a guita, e nenhum deles passava pela aquisição de um bólide amarelo canário.
Tenho pena de ver e estar menos com algumas pessoas que estimo muito, e tenho medo de não lhos dizer directamente tanto quanto devia.
Sinto um vazio enorme na "minha" blogosfera, com a ausência de alguns espaços que sentia tão meus - a vida, essa grande cabra, levou as pessoas para melhores entreténs e outras paragens, onde também tenho a sorte de as acompanhar, mas esta nostalgia ficará sempre.
Continuo a alternar uma alimentação de sopas e saladas com os maiores enfardanços de calorias vazias, mas curiosamente parece que mantenho o mesmo tamanho - para alguma coisa servirá o stress.
Aboli o objecto balança, e vivo melhor - e menos obcecada - assim.
E continuo a achar que podia ser bem mais feliz a viver da jardinagem e bricolage, mas diz que paga muito mal.

(O ano que vem? Bom, a ver vamos, venha de lá isso.)



quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

The story so far





Termino 2017 como o comecei: (sempre) com muito que dizer, e muito pouca vontade de o fazer.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

The Omen

Dado que o meu carro atingiu hoje - e ultrapassou - a marca dos 66666 quilómetros, achei que se calhar já dizia qualquer coisa (não necessariamente maléfica, embora até me apeteça). Ah, e que tem uma coisa a ver com a outra? Nada, acho eu. Cada um vê sinais onde lhe apetece: uma luz a atravessar neblina e a dar ideia de uma forma humana feérica em cima de uma azinheira, uma gaivota na cabeça do Marquês de Pombal, um 66666 no tablier, você decide, e as duas últimas vão aos lugares cimeiros do meu top, a primeira nem por isso. E é assim, hoje temos este pretexto, é agarrá-lo.

Então desenferrujando e desbloqueando conversa, que não se me ocorre mainada, outro dia me mate dava-me nota que lá num grupo a que pertence no tuíta, de aficionados de filmes de terror, se discutia se o Die Hard era um filme de Natal ou não, e eu duh, qual a dúvida, ho, ho, ho, motherfucker.
Vai daí, e sugestões de filmes natalícios? Vá, eu começo (a ordem é aleatória e não de preferência):

Die Hard (pá. é um filme de Natal);
Nightmare Before Christmas (um clássico, já);
A Vida de Brian (oras, outro clássico).

Upa. Upa daí a mandar bitaites.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

The Cat Diaries (11)

Muito telegraficamente, Mad (indeed!) Max descobriu todo o potencial lúdico de um rolo de papel higiénico (abocanha! esgatanha! olha, ele rola! weeee, papel fofo para esgadanhar! restinhos de papel fofo pela casa! weeee!), donde, ou vem aí giveaway ou temos coelho à caçador no almoço de domingo.

(nah, porta fechada, s-e-m-p-r-e)

Entrementes, Senhor Fox Mulder conseguiu uma fuga digna de Houdini e partiu à descoberta dos mistérios dos quintais e logradouros, onde também teve decerto a oportunidade de travar conhecimento com a muita descendência do seu paizinho, um senhor vadiola que por aqui andou a espalhar genes até alguém o conseguir apanhar e por fim definitivo a tal vocação reprodutora. Foram dois dias e duas noites de desassossego, até que voltou todo esguedelhado, esfomeado e esfalfado (passou um dia inteiro a dormir). Passou-se (duas vezes!) enquanto ainda havia algum calor; entretanto chegou o fresquinho e parece que já percebeu que ir à varanda apanhar ar, sim senhor, mas quentinho debaixo de telha é que é. Foi por isso e por os roomates humanos terem perdido a ingenuidade, barricando melhor a dita varanda, não sem que, ainda numa fase intermédia da fortificação, sua excelência tenha tentado uma nova fuga pela beira de um varandim de 1,5 cm, com resultados hilariantes.

Enfim, procuro cardiologista competente para guardar contacto na agenda, só naquela.

Gajos, pá. O cromossoma Y deve vir carregadinho de genes de parvoíce, só pode. Sim, que menina Scully, essa, além de ralhar com toda a gente mas principalmente com manos felinos, e cheia de razão, é um pilar de juízo, fofice e sensatez. Sai à humanamãe. Haja alguém.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

[ ]





[existe uma séria possibilidade de eu não ter existência para além de trabalho-casa-trabalho. prometo debruçar-me sobre o assunto, quando tiver vagar.]

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Tudo isto é triste, tudo isto é fado

- Obras um ano depois das obras, para a) eliminar defeitos das primeiras obras; b) eliminar danos de uma infiltração cujo responsável levou um ano (um ano!) a reparar; c) acabar as obras.
- Derivado de supra, duas pessoas sem duche são obrigadas a exílio para aliás aprazível localidade, mas a uma hora mais longe que lar, doce lar.
- Duas pessoas a acordar às cinco e picos há uma semana.
- Duas pessoas confrontadas com o facto de que a infiltração causou mais danos que o que se podia adivinhar, e o que se podia adivinhar já era mauzinho suficiente, obrigadinha por nada.
- Três gatos que não percebem um cu do que se passa, sendo que um deles se sente bastante surpreendido por também ter sido desterrado e viver aos meios dias sem a companhia a que já se tinha habituado, e os outros dois não entendem a injustiça de terem de viver meio dia confinados a uma divisão que já foi uma sala, e agora é um gatil.
- Um dos dois supra mencionados gatos que entrou em pânico e se pirou, numa manobra de escapismo e equilibrismo digna de Houdini, e andou a monte dois dias seguidos, em triste exílio pelos quintais e logradouros, voltando apenas para comer e beber o que as duas pessoas lhe deixavam, até ao dia em que se dignou a voltar a entrar e ficar, finalmente, retido debaixo de telha.
- Uma pessoa extremamente engripada (não sou eu, felizmente, alguém tem de comandar as tropas e, como sempre, calha à gentil espoNZa e mânhi).
- Uma companhia de seguros que não sabe / não responde, e nem adivinha o que lhe vai acontecer se continua nestes modos, um ano nisto e uma pessoa manda às malvas o seu já parco espírito conciliador.
- Uma pessoa trabalha e dorme, vai comendo - e mal - nos intervalos, já pondera converter-se a qualquer coisa cuja divindade lhe assegure que este ordálio acaba mesmo na próxima semana, e ao menos já conseguiu lembrar-se / arranjar cinco minutos para ligar ao cabeleireiro, ao menos amanhã acaba esta triste miséria de quase centímetro e meio de grisalhos.

E é isto.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Alistem-se, diziam eles

Ando aqui a magicar como é que vou conseguir enfiar, nesta semana, mais um dia de trabalho útil, para além do resto dos dias e horas de (muito) trabalho útil já prestados, e que têm sido muito úteis no sentido de apresentar trabalho, mas não úteis o suficiente, considerando ainda que tenho precisado mesmo, e muito, dos dias inúteis, designadamente para a) dormir; b) cenas; c) tentar curar, em regime intensivo, a bruta constipação que me caiu em cima - sem efeito útil, diga-se.

Em cima disso, e porque já não me falta sarna para me coçar, avizinham-se obras, com inerentes quinze dias de desterro e uma logística complicadíssima em termos de acompanhamento felino / acompanhamento de obra / o tal do trabalho, ou lá o que é, que não cabe nos dias e horas úteis de que disponho (e estico) actualmente, quanto mais.

Nos entretantos, porque nada ajuda mais à boa disposição já reinante que uma fantástica obsessão, ando loucamente encasquetada na missão de descobrir qual a graça de determinada espécie de ave que, na mesma semana, me apareceu perto do trabalho, e um outro exemplar (presumo) igualinho que ouvi e consegui ver nas minhas traseiras.
Maneiras que nas minhas voltas de sábado, e antes de uma visita de estudo à almedina, me enfiei na bertrand e trouxe de lá isto:


Ainda não descobri que raios se chama o p'ssareco.
Estou naturalmente abalada dos nervos.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Ól iu nide

[e agora, fotos de gatos fofinhos, que é para isso que se inventou a internet]





[que para gente doida, odienta, a espumar da boca com tanta razão que tem, já tenho muito com que me entreter, e ao menos pagam-me]

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Enjoy the Silence

Manifestação silenciosa? Pois claro que vou, é daqui a dois anos, mais coisa menos coisa, chama-se "eleições".

[tenham paciência, que eu não engulo patranhas nem à esquerda nem à direita. já engoli muitas, mas também fiz os meus mea culpa - é mais do que muitos se podem gabar. já agora, se é para manifestar, há que vocalizar, faz parte do étimo. se levam velas, ficam todos plantados no mesmo sítio, e é em silêncio, chama-se "vigília". totalmente diferente, tanto em significado como em finalidade.]

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

[eu não tenho palavras]

Não sou ministra de porra nenhuma - nem quero ser - mas fosse, e tinha-me demitido no rescaldo de Pedrógão. Durante, não; vagar a cadeira a meio de uma catástrofe criaria um vazio de poder executivo na área em que era essencial que não o houvesse. Mas depois, e ainda antes do primeiro funeral, tau, não falhava. Fiquei genuinamente surpreendida quando a demissão não aconteceu, e não gostei. Não que ache que a ministra tenha alguma responsabilidade directa ou indirecta nos fogos, ou tragédia que sobreveio, mas canudo, é ministra, tem responsabilidade política sobre como se reagiu e geriu a situação. Mesmo que não haja culpa em sentido estrito ou formal, há culpa em sentido político, que é como quem diz, face a um resultado catastrófico, alguém tem de assumir responsabilidade. E quem assume a responsabilidade é, deve ser, sempre, o chefe máximo da tasca.
E depois acontece outra vez. Que sim senhora, pode não ter domínio sobre a ocorrência dos fogos, o clima tem estado impossível, a maioria dos bombeiros - voluntários - já está a trabalhar, este problema não é de hoje ou de há dois, cinco, dez anos, mas domina e/ou tem obrigação de dominar a gestão dos meios, a reacção. Morreu gente, porra. Outra vez. Uma vida perdida já era demais, e aquelas pessoas, as que morreram, ficaram feridas, perderam bens, se viram em situações impossíveis, sós, somos nós. O Estado falhou-lhes. Falhou-nos. O Estado deve-lhes, deve-nos, ainda que tarde, uma reacção, uma assunção de responsabilidade, ainda que esta tenha um efeito meramente paliativo ou simbólico.
Estou à espera. O meu futuro voto vai depender disso, e eu tenho uma memória que, ó.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

[ ]

[uma pessoa anda a apurar há dias e dias e dias numa panela de pressão. uma pessoa cria uma certa apetência por actividades completamente fúteis e de descompressão, que poderão passar por uns gastos indulgentes em produtos de consumo destinados ao alindamento exterior e elevação da auto-estima da dita pessoa. uma pessoa, na sua já tardia hora de almoço, decide aproveitar para bater perna numa grande superfície comercial. a pessoa desilude-se. a pessoa acha que está tudo maluco. a pessoa conclui que os queridos comerciantes confundiram a anunciada retoma com total rebaldaria. a pessoa decide arranjar antes um hobby daqueles a sério, de preferência grátes. pode ser que a pessoa se esqueça, entretanto, dos sapatos castanhos e calças cinza que até lhe faziam falta.]

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

The Cat Diaries (10)

Comecemos bem, com uma imagem completamente clickbait:




Oooooohhh, que fofinho, o 'chaninho a mimir, tan fofinho, qu'inbeija, tens um xuxu tan lindo, êsse tê Maxito é uma coijinha mêmo boa.

Pronto, agora que já passámos as necessárias formalidades iniciais, vamos ao que interessa: o felino que ali vedes posto em sossego, e com um ar de quem não parte um prato, é o legítimo filho de satã, a semente do demo, descendência de belzebu.

Que é muito riquinho quando lhe cai o cansaço, que é; a dormir é uma belezura, em estando acordado é que nem tanto. A bem da verdade, nem sempre, pronto, ele há situações em que estando acordado até pede festas e se estica como um lombinho, a querer mimos e ternuras, mas senhoras e senhores, ó senhoras e senhores, sabedes lá da nossa vida. Desde piquirruchito sempre foi um mordedor implacável, e a gente perdoava, que o bitxo quer brincar e não mede a força, isto há-se passar. Passou um bocadinho, verdade. Principalmente porque há tropelias maléficas mais divertidas, e que entretanto descobriu.

Como saltar para todo o lado, principalmente os lados onde não o queremos, como seja a mesa da cozinha ou bancada da mesma divisão. Em estando em casa e na cozinha, já sabemos que temos o jogo de pega gatinho / põe gatinho no chão, agora repete mil vezes, até alguém desistir. Como não se sabe o que acontece estando nós fora (a lutar p'la vida), não fica nada "sensível" nos ditos lugares. Ainda assim, ele há um ramo de flores secas que vivia plácida e descansadamente numa jarra na mesa da cozinha, e já não é o mesmo, aparenta ter envelhecido uma década.

Admito, confesso, que não sendo perfeita às vezes faço de conta que não vi certas e determinadas coisas. Pá, ao quadragésimo quinto pega gatinho / põe gatinho no chão um gajo só quer é tomar o pequeno almoço sossegado. Aqui há dias, juro que aconteceu, ouvimos um barulhito a vir do fogão: tau, lá estava ele, o cabra da peste, lambendo a frigideira onde fora confeccionado bife com natas de me mate. Tirou-se gatinho, tirou-se frigideira; nem cinco minutos depois, tau, lá estava ele, lambendo frigideira onde fora confeccionado esparregado de me mate. Ignorámos, afinal são verduras.

Também gosta muito de saltar e enfiar-se no lava loiças, porque anda completamente obcecado com água da torneira. Um gajo está a lavar qualquer coisa e tau, lá está o emplastro. Um gajo fecha a torneira, tira o emplastro. Aqui há dias, juro que aconteceu, ouvimos um barulhito a vir do lava loiça, e tau, era o carcará sanguinolento a dar dentadinhas no manípulo da torneira. Sim, ele já aprendeu que se mexe no manípulo e tcharan, água. Medo. Já fecho a torneira de segurança antes de sair de casa.

Ahahahahah, que fofinho, são coisas de gatinho bebé!!!

Ah, ainda não chega, é? Ok. Havia de ser convosco, queria ver.

Anteontem me mate vestia-se no quarto, quando ouço um valente berro: a encarnação do mal atirou-se-lhe ao lombo. Verdade, me mate estava a por a gravata; verdade, já tinha sido avisado que gravata = fitinha = logo, brinquedo de Max. Mas notai: o bandoleiro saltou e agarrou-se, à força de unha, à barriga e costas de me mate. E rasgou-lhe a camisa. Vá lá. Foi só a camisa. Sim, que ele saltou, cravou, e começou a descer por mate abaixo.

Outra também muito gira, só que ao contrário, foi o dia em que estava de traseiro confortavelmente alapado, quando ouço um persistente ruído plástico: toc-toc-toc. Abdiquei do meu merecido conforto e lá fui desempenhar o meu papel de educadora atenta e diligente: estava o patife em cima da mesa da cozinha, nariz enfiado na caixa dos treats whiskas. A tampa, perguntais? Pois a tampa, à força de patada, saiu. Voltei a colocar a tampa, e pus a caixa na fruteira. Pois um pouco mais tarde fui dar com a caixinha whiskas no chão. Vazia. Sim, chutou-a, e na queda abriu-se. Tomei nota: ficar pelo catisfactions e seu saquito reforçado com fecho à prova de felidemónio. Ou não. No dia seguinte cheguei a casa e mate tinha uma coisa para me mostrar. Isto:


Iup, fotografei que contado ninguém acredita: o atl diário do pequeno Damien foi este, à força de unhada e dentada rebentou a embalagem. De novo, anotado. Treats todos acondicionados em caixinha plástica com fecho, nada de encaixe, fecho de pressão. Mas ele tentou, que tentou.

E é isto, a nossa vida. Nem falo das noites boas que o pequeno nos dá. Se entende que é hora de desenvolver competências lúdicas, é porque é, cá três ou quatro da manhã. Patadas na cara, dentadas nos pés. Já acordei com o adorável lúcifer deitado na minha cabeça, patitas estendidas ao longo da minha cara. A-do-rá-vel.

Estamos assim, portanto, muito precisados de um exorcista. E já não há páginas amarelas.




Paranóia

Desde que li notícias sobre uma alegada praga de percevejos em Lisboa ando com umas comichões horrendas, e tenho pensamentos recorrentes de puxar fogo ao colchão.

Se alguém menciona, ou leio alguém mencionar, piolhagem em cabeças de seus rebentos, começo imediatamente a sentir a marcha de dezenas de pequenas patinhas no meu couro cabeludo.

E pulgas? Por amordedeuz não me falem de pulgas. Tenho pele atópica, há limites para a coçagem que ela suporta.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Birra da Semana

Estou atascada de merda trabalho até ao pescoço, que estou, mas vou dispensar alguns minutinhos para dar vazão aqui a uma acidez que me consome reiteradamente todos os anos, por esta altura.
Não, não é a iminência dos dias tristes e frios (adoro a meia estação, por mim vivia sempre em primavera e outono), ou o tempo em geral: é o início do ano lectivo, mais concretamente, o universitário, e a inevitabilidade das praxes.
Ó caneco, pá, com franqueza, sinceramente, já não os posso ver. Ou ouvir, que aquilo é gente muito ruidosa.
Ainda há pedaço, vinda de almoço, me cruzei com uma súcia trajada de negro, a escoltar meia dúzia de mascarrados, e o ridículo da coisa é não só o todo, mas principalmente o facto de serem mais os veteranos (ou nem por isso, aposto que aquilo é gente que em Junho acabou o primeiro ano e foi logo encomendar o fatinho) que os praxados. Que figurinhas.
Outro dia, eram ali rés-vés oito da madrugada, e já o jardim do Campo Grande estava pejadinho de bípedes de negro, e tantos outros de t-shirt branca e penico/cone na cabeça. Revirar de olhos. Havia de ser a filha da minha mãe, a levantar de madrugada para estar na cidade àquelas tristes e não ledas horas da madrugada, para tão triste recompensa. Se ao menos houvesse bolo. Mas não; só um mequedonalde, cujo franchisado deve andar a esfregar as mãozinhas de contente, por estes dias. Mais uma hora de almoço, uma passagem no Campo Grande (tenho dado muitas voltas, nestes dias) e verifico que lá continuam, mas ainda mais, vultos de negro: espero que ao menos apanhem o lixo. Deves.
Se ao menos se restringissem àquele espaço, mas não, há que alardear a boçalidade para que qualquer incauto da mesma fique ciente: juro que já vi - e ouvi - bandos de morceguinhos a esvoaçar em locais que nem faço ideia se há uma faculdade a menos de um quilómetro.
Já nem abordando o princípio da coisa (epá, não me façam entrar por aí, que tarda nada a coisa deriva e ainda me chateio mais), isto é de uma tristeza, de uma rafeirice, de uma indigência que não se espera de universitários. E para quê, para integração? Ora, façam festas. Quemer e buer, that's the portuguese way. E, se querem associar uma actividade de alguma dureza e exigência, pois sigam o exemplo do pessoal de medicina veterinária, que foram para a União Zoófila limpar merda, encher comedouros e bebedouros, e, de caminho, dar uma alegria a pessoas e bichos. Isto sim. Lacrimejei. Comovi. Foi bonito saber, pá. Lá a ver.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

E agora, algo absolutamente chocante

A "teoria" (uso o termo com muita reserva, e com aspas, porque uma teoria é algo que se funda em factos científicos demonstrados, e não numa ideia bizarra qualquer que de repente ocorra a uma qualquer mente menos iluminada) da alimentação alcalina chegou à blogosfera.
Run to the hills, run for your life!
A sério, está aqui uma coitada a achar que já nada a espanta, e tau.