terça-feira, 27 de setembro de 2016

Amarra o tchan

Se há coisa de que os médicos têm mais medo que um p'cesso por negligência, é passar uma baixa ou um atestado. Eu sei, eu sei que não sou uma drama queen a expor sintomas (sou noutras coisas mais importantes, por exemplo, não tenho chocolate em casa nem vagar para o ir comprar, e da onu não ouço nada, nem uma palavra de conforto, nem uma missão de auxílio, nicles), mas quando digo que estou toda apanhadinha, é porque estou mesmo apanhadinha; e se o Choutor não viu a forma grotesca como me sentei e levantei, ei, já íamos ver desses olhos.
Anyhoo, estou feliz, não porque matei o presidente, mas porque hoje acaba o ordálio do anti-inflamatório + relaxante muscular, que me estão a fecundar tooodo o sistema digestivo. Como a felicidade não dura, nuuunca me dura (draaama), estou infeliz porque ainda me doem as costas. Ali na parte onde devia começar a caudinha que perdemos para a evolução, e um nico mais acima. Não quero roubar a ribalta a quem entrou com melhor média que eu para a fac e ainda estudou mais um par de anos que moi, mas era capaz de jurar que isto ia lá com remédios E repouso, daquele que implica não ter metade do corpo apoiado no local em questão.
Sa foda. Se o Choutor acha que tudo bem, tudo bem, vamos ter fé. Nas costas, no ombro, no pulso, no esqueleto todo, que ando há três meses a acumular um horror de berbequinagens e outros diy, e este fim-de-semana é que é. À cautela, tiro já senha das urgências. Nunca fiando.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Senile delinquents

[não, não é um post autobiográfico, mas pouco falta]

Sou tontinha, tolinha, muito atraidinha por livros infantis. Freud explicaria, mas agora não tem vagar. Adoro. Não daqueles com letra muito grande e super-ilustrados, apesar de serem muito adequados à minha idade mental, mas coisas para leitores um bocadinho mais avançados, ali a partir dos nove, dez anos, altura em que os putos já começam a ter mais à-vontade com a leitura, gostos mais exigentes, e raciocínio e sentido de humor mais sofisticado. Assim de repente, lembrei-me do meu sobrinho de oito anos, que pediu emprestado a me mate os filmes do Star Trek. Os antigos, nas palavras dele. Os com pessoas a fazer de monstros com máscaras de plástico, outra vez as palavras dele. E eu comovi. Temos nerdzinho, abençoado seja.

Adiante, tenho esta tara por literatura infantil, começou na idade certa, em que a comecei a consumir, e nunca parou. Já crescida e com idade para ter o juízo que não tenho, descobri o maravilhoso mundo da literatura infantil inglesa, raramente traduzida por cá quando eu estava na faixa etária indicada. Mas nunca é tarde, e graças à querida amazon lá veio a colecção da Anne of Green Gables e Little House on the Prairie. Esta última tem mais interesse enquanto relato do que era a vida de colonos, naqueles tempos, mas a primeira encantou-me, apaixonou-me, deliciou-me. Seguiram-se outros títulos também mui amados, como A Little Princess, The Secret Garden, The Wind in the Willows, Heidi, clássicos que recomendo vivamente. Mais recente e numa onda do mais bizarro, papei toda a colecção de A Series of Unfortunate Events, que em boa hora me mate resolveu abarbatar em Nova Iorque (e o que eu o chateei por causa do volume e peso; sorry, mate). Só recentemente me afundei em Roald Dahl (imperdoável, eu sei), mas a minha desculpa para ainda não ter lido mais que um é que a) vale mesmo a pena comprar o livro físico, por causa das ilustrações; b) na próxima ida a Londres trago todos, em vez de pedir às mijinhas pela net.

E depois veio esta descoberta. Com o meu histórico de compras era inevitável que o monstro capitalista das vendas de entretenimento pela net mo recomendasse, e acabou por ficar na wishlist a marinar; depois fiz uma promessa parecida com a do Dahl, finalmente desisti e mandei vir dois. O actual estado da situação é o seguinte: já li um, comecei imediatamente o segundo, e quero todos.
Falo disto:



Yep. Livros infantis escritos por um dos grandes malucos responsáveis pelo Little Britain. E sim, são bons, bem bons, pelo menos a avaliar pela amostra. Muito na linha da narrativa improvável, bizarra, inesperada de Roald Dahl, e com o mesmo sentido de humor desconcertante e agudo.

Estou mega fã. Aconselho a toda a gente, crianças incluídas. E está traduzido, olha a sorte dos petizes de hoje, os moinantes. No meu tempo não havia disto, tinhas Os Cinco e a Anita e já gozavas.

Bones

Sentido de oportunidade é copular violentamente as costas em vésperas de consulta de ortopedista.

[outra vez a anti-inflamatório e relaxante muscular, alguém me dê um tiro, de certeza não dói mais que isto]

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Your mother was a hamster and your father smelt of elderberries

Se algum dia me apanharem a falar / escrever sobre a Assunção Cristas com a mesma verrina ad hominem e epítetos que já ouvi / li nestes últimos dias usados a propósito da Mariana Mortágua, estão expressamente autorizados a fazer fila e esbofetear-me violentamente.

[ou então façam queixa à minha mãezinha, que ela trata do assunto]

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Are you ready to be heartbroken? (2)

Detesto ser a portadora de más notícias, que detesto, mas preciso de espalhar a palavra, divulgar a boa nova: a esquerda - pelo menos a "minha" esquerda - não quer acabar com os ricos (ou com o capital, ou com a propriedade privada), não. A esquerda - e nisto incluo toda, e acho que não incluo mal - quer é acabar com a pobreza.

Agora a má notícia, em si mesma. Como o pessoal de direita é o primeiro a dizer, e a esquerda já reconhece, o problema é que os recursos são escassos.
Ora se temos dez pães, e tanto o Joãozinho como o Pedrinho têm fome, há quem ache mal, se revolte até, quando o Joãozinho tem nove (que nem precisa disso tudo para matar a fome, até se estraga) e o Pedrinho tem um. E, em olhando bem, se calhar até encontramos um Luisinho sem nenhum.
Impõe-se redistribuir, diz a mais elementar justiça. E, para tanto, não é preciso tirar os nove ao Joãozinho, digo eu e a "minha" esquerda; basta que o Joãozinho ceda uma parte do que tem para um fundo comunitário, que se encarregará de fazer chegar o arrecadado a quem precisa e não tem.

Simples. É assim que funcionam os impostos. Eu sei que há quem prefira aquele modelo da caridade, quem tem muito pãozinho lá decide dar meia carcaça a quem não tem; mas aí caímos na perversidade do "não gastes tudo em vinho", i.e., quem tem o pão é que decide qual o esfomeado que lhe merece protecção, em que medida, e como, e tudo em função da maior ou menor simpatia (e conformação do peticionante aos padrões do ofertante) que este lhe suscite. E isto é muito alarmante, acho eu - e penso que para toda a esquerda, que ainda se preocupa com a dignidade da pessoa.

Redistribuir é reconhecer que, por circunstâncias várias da vida (entre as quais o facto de a igualdade de oportunidades ser uma utopia, e muitos partem de uma posição de privilégio, a tal sorte na vida), nem todos temos a mesma capacidade de obter rendimentos que permitem a satisfação das nossas necessidades. E portanto quem mais gera mais cede. Dá para a caixa da comunidade de forma "cega", e esta redistribui também de forma "cega": sem preferências, sem exigências, sem condicionar a liberdade e dignidade de quem recebe.

Acho isto muito simples, claro, intuitivo, até. Por isso não me queixo se dou muito, quer dizer que tenho muito para dar. E, acreditem, no nosso sistema, quem dá muito ainda fica com muito, bastante, para si. Posso até não concordar com a forma como a redistribuição é feita, ou como é calculado o que se contribui - e ó se há tanto com que não concordo - mas barafustar pelo sistema em si, nem pensar. Afinal hoje saio daqui e vou num automóvel pago para uma casa confortável, onde posso escolher o que vou comer. E se cheguei a este ponto de abastança em parte por mérito, também o devo - e tanto! - ao facto de ter tido uma vida em que nada do essencial me faltou, porque tinha pais com um emprego estável, instrução e educação q.b., que me proporcionaram acesso a alimentação que me permitia funcionar; cuidados de saúde que me permitiram crescer sem sobressaltos e incapacidades; abrigo onde podia descansar, divertir, enfim, desenvolver em segurança; instrução e educação que me permitiram evoluir e alcançar. Nem todos o têm. E é para limar essas arestas de degraus injustos, que não foram criados por quem tem de os galgar, que existe a redistribuição.

Por isso, e finalmente: quem  tem de contribuir muito é porque pode. Ou preferiam contribuir pouco porque pouco tinham? Calem-se um bocadinho, sim? Agradecida.

[e se têm guita para adquirir ou manter um imóvel com VP igual ou superior a quinhentas mil bombocas, pá, aproveitem-no bem, e calem-se outra vez]

Are you ready to be heartbroken?

Não, não estava: acabo de descobrir que, para a direita portuguesa, o valor global do meu património imobiliário me deixa abaixo, e muito abaixo, da classe média. Oh. Uma vida de mentira que se desvanece.

[#pobrezinhamashonrada]

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coitadinho do crocodilo

Aquele momento em que o feicebuque te recomenda um artigo de um casal de turistas, que ficaram muito insatisfeitos com Lisboa.
E, claro, tu vais ler.
Quais as queixas do casalito, que escolheu o mês de Agosto (inteiro) para veranear por cá, e se foi alojar num airbnb no Bairro Alto?
- Demasiados turistas, a cidade cheia de turistas, o horror;
- Não há mercearias e supermercados no centro de Lisboa, só tinham um minipreço a dez (longos, extenuantes, intensos) minutos a pé, que estava sempre cheio de turistas, e para comprarem desodorizantes e cremes tiveram de ir ao colombo*;
- A comida não era tão barata nem tão boa como esperavam, principalmente nos restaurantes*;
- As pessoas** não eram tão simpáticas como no Porto, onde já estiveram;
- Muitos traficantes na Baixa;
- O prédio onde estavam, todo ele airbnbizado, era velho, os outros hóspedes muito barulhentos, e ouvia-se os passos no andar de cima*.

Por onde começar, não é?
Pois. Nem me dou ao trabalho.
[que faria, que diriam se vivessem cá e tivessem de vos aturar]

*tansus turistus, ou, "a sério, se nem se deram ao trabalho de investigar, tipo, na net, onde ir e onde ficar, bem merecem cair em todas as tourist traps que vos apareçam pela frente"
**em Agosto? quais pessoas?

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

[mira técnica]

Sucede que depois de 45 anos de vida e 20 de trabalho que consiste, basicamente, em bater em teclas e escrevinhar, forniquei o braço direito. Está todo empenadinho, todo enferrujadinho, todo doridinho, donde, passei os últimos tempos a fazer o que é preciso, tipo anti-inflamatórios, emplastros, e os examezinhos da ordem para perceber a coisa, que enfim, não é do pior mas também não é do melhor, tenho pela frente uns mesitos de recuperação a ver se não fico entrevadinha do meu ganha-pão, e bora cruzar os dedos para o canal cárpico estar chuchu, caso contrário vou cortar os pulsos mesmo, e contra vontade. Nos entretantos, e entrada em férias, e já antes, deixei de fazer tudo o que possa piorar a coisa, a ver se na rentrée (foi hoje!, foi hoje!) ainda dava para o gasto. Portanto, computador só para trabalhar, escrever à mão idem, e nos mínimos. Não tricoto, não crocheto, não pinto, não rabisco, não carrego pesos, não levanto o braço acima da linha do ombro, não durmo sobre o lado direito (nem consigo), não seguro o livro com a mão direita, ou seja não posso fazer das coisas que mais gosto, mas yay, também não faço a ponta de um pénis das coisas que não gosto (mentira, ainda aqui há atrasado tive de andar a passar o chão a pano e a passar roupa, mas pronto, agora acabou mesmo).
E é isto.
Como esta coisa não me paga os vícios, tenho de me guardar, qual noiva virtuosa, para a cópula não apaixonada e apenas para procriação que é aqui a minha remunerada ocupação. Ou isso ou aprendo a postar em rapidinhas. Não se me afigura viável, que sou de grandes conversas e não tuítadas. Anyhoo, espero milagres da fisio. Até lá, aqui a crente pede desculpa por qualquer coisinha, designadamente a menor comparência. Fazer o quê, né?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Twenty twenty twenty four hours to go [I wanna be sedated]

Primeiro achei que não me podia dar ao luxo de parar.
Entretanto apercebi-me que não posso dar-me ao luxo de não parar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Horrible Bosses

No fundo eles têm é muita sortinha de eu não ser a primeira ministra, dizia eu a me mate, que não só devolviam a guita da viagem à Galp, como ainda entregavam três vezes isso a instituições, à minha ordem. E ainda faziam uma declaraçãozinha pública de retratação, a pedir desculpa. Responde ele ó pá, não podes obrigar ninguém a pedir desculpa, ao que respondo de imediato pois não, mas ou isso ou cartinha de demissão no dia seguinte, às nove, na minha secretária.

Fica portanto explicado porque nunca mandarei em porra nenhuma nem em ninguém, na meretriz da minha vida. Mau feitiozinho. Muito.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

I needed money 'cause I had none

Depois de ter lido as notícias, naturalmente exaltadas, vinha aqui largar umas postinhas de pescada sobre a cena do aumento do IMI e, também naturalmente, barafustar, que nenhum cidadão gosta de pagar mais do que (acha que) deve, e eu cá sou muito cidadã. Mas depois pensei que se calhar era melhor ler as afamadas e divulgadas alterações ao Código do IMI, que isto de falar apoiada em parangonas nunca foi a minha cena, olh'aí o rigor, e se eu sou rigorosa; forreta, sim senhora, mas rigorosa.

Dito e feito, fui ao portal das finanças e ao Diário da República electrónico, abri e comparei, mais concretamente, o art. 43º do CIMI, que é onde reside a polémica. 

Primeira conclusão: o critério de localização excepcional (definido assim, na alínea i) do nº2 do art. 43º: "Considera-se haver localização excepcional quando o prédio ou parte do prédio possua vistas panorâmicas sobre o mar, rios, montanhas ou outros elementos visuais que influenciem o respectivo valor de mercado; (…)"), enquanto critério de majoração para cálculo de IMI, não é uma novidade, já existia, e ao tempo. E não foi agravado o respectivo coeficiente, que se mantém em 0,10; sendo este um máximo. Portanto, e quanto a vistas panorâmicas, tudo na mesma, não houve aumento nenhum.

O que, sim senhora, foi alterado foi o coeficiente de majoração por localização e operacionalidade relativas (definido pelo CIMI assim na alínea n) do nº2 do art. 43º: “Considera-se haver localização e operacionalidade relativas quando o prédio ou parte do prédio se situa em local que influencia positiva ou negativamente o respectivo valor de mercado ou quando o mesmo é beneficiado ou prejudicado por características de proximidade, envolvência e funcionalidade, considerando-se para esse efeito, designadamente, a existência de telheiros, terraços e a orientação da construção; (…)”). Ou seja, este critério de majoração, que pode ser accionado quando a casa tenha uma boa / melhor orientação solar, por exemplo, já existia, mas o máximo era de 0,05 e passou para 0,20. É um bocado, que é. Mas note-se que o minorativo do mesmo item também aumentou de 0,05 para 0,10.

Ou seja, e na prática:
- O coeficiente de majoração por (boas) vistas não foi inventado agora;
- Não aumentou o coeficiente de majoração por (boas) vistas, ficou na mesma.
- O coeficiente máximo de majoração por boa exposição solar, existência de terraços e até, vamos fazer uma interpretação simpática de funcionalidade, situar-se num primeiro andar soalheiro em vez de cave (húmida, bolorenta, infecta, escura, uhu, baixou Dickens em mim) aumentou substancialmente, mas cabe ao órgão competente fixá-lo, concretamente; MAS
- O coeficiente máximo de minoração por má exposição solar, inexistência de terraços e até, seguindo a mesma interpretação simpática de funcionalidade, situar-se numa cave  em vez de um primeiro andar também aumentou, o que pode significar, na prática, desagravamento fiscal para proprietários de casas nessas condições.

Tudo visto, e se é verdade que esta alteração pode conduzir a um aumento de IMI para alguns proprietários (entre os quais eu, porca burguesa de fachada socialista, proprietária de imóvel com terraço, que por acaso até faz parte da fracção, e cuja área, portanto, já é considerada no cálculo de valor patrimonial); tal depende da fixação em concreto do coeficiente a aplicar, o que cabe ao CNAPU – Comissão Nacional de Avaliação de Prédios Urbanos (art. 43º nº3 e 62º nº1 al. c) do CIMI), “com base em critérios dotados de objectividade e, sempre que possível, com base em fundamentos técnico-científicos adequados.”; sendo que a composição deste CNAPU é muito diversa e até contempla representantes de proprietários e coiso (ver art. 61º). Caso o contribuinte não concorde com a avaliação do seu imóvel, pode pedir segunda avaliação e, não se conformando com esta, impugnar judicialmente. O normal, portanto.

Finalmente, estou preocupada? Um bocadinho. Vamos lá a ver. No final, é o município que decide as taxas, sendo que o de Lisboa tem sido simpático, ultimamente. Estou em pânico, pronta a vociferar contra este governo malvado, lançando perdigotos de pura indignação? Não. Depois de me ter informado convenientemente, não. Já dizia não sei quem, informação é poder. E, caso suceda o pior, reclamar é dever. Mas já me poupavam essa maçada, vejam lá isso, que se é para me agravarem o imposto por causa do terraço, também passam a ir lá regar as plantas e varrer as folhinhas, boa?

[disclaimer: este texto baseia-se na leitura e comparação feita por mim dos diplomas legais, e numa interpretação pessoal mas o mais objectiva possível, embora não isenta de falhas ou crítica. por isso, caso as detectem, força aí.]


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Bob, o construtor (?)

Eu e a minha inusitada, incrível, irritante atenção ao pormenor: a granjear-me amizades entre empreiteiros desde mil nove e setenta e um.

(já estão tão fartos de mim como eu deles, chiça)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Go totally crazy, forget I'm a lady

Não sei se gosto muito da pessoa em que me torno quando faço entre 150 e 200 quilómetros por dia. Não que tenha abandonado o meu habitual estilo de condução defensiva, constante olhinho na estrada e velocímetro, ou tornado mais pesado o pé direito, não. O problema é que descendo de uma linha de intensos refilões ao volante e, se mamãe ainda se contém em meia dúzia de "abécula", "chico-esperto", "suicidas", "súcia", já eu, parece que saí mais ao meu avô materno que, consta, era prolífico em alhos e cebolas, na expressão de vó, uma senhora que o aturou mais tempo que merecia, que o indivíduo era uma besta, benzó, (mas essa parte eu não herdei. acho. quero crer.). Saltou uma geração, esta curiosa característica, portanto.
Yep, sou uma princesa, que sou, mas uma princesa que sofre muitos dos nervos, principalmente quando provocada. E se há condutores provocadores. Desde o guna no punto quitado, ao doutor no audi artilhado, é toda uma tese de doutoramento. Curiosamente, a incidência da sociopatia estradal é mais notória nestes dois extremos do espectro social, fica a dica para investigadores à procura de tema de estudo.
Anyhoo, é muito complicado conter a carroceira que habita neste ligeiro ainda que sinuoso corpo de princesa, quando temos de lidar, entre muitos, com o chaço a noventa na faixa do meio da auto-estrada (que não se move para uma direita vazia nem após vários sinais de luzes ou apitadelas), ou o bólide apressado que nos faz uma tangente, por entender que os nossos setenta/oitenta numa via rápida não atingem os mínimos do seu estatuto rodoviário. Para acabar empancado atrás de um lento, ahahahah. Depois deste último dei por mim dentro do carro a cantar um original de minha autoria, cuja letra era mais ou menos "bemfeitagandacabrão", numa melodia inspirada no clássico nhãnhãnhã.
É isto, a modos que. Acho que nesta semana e meia esgotei a minha quota de palavrões para a próxima década. Mentira: não há quota. E, se houver, compro sobras a quem tiver para dispensar. Mas atenção, esta verborreia nunca, mas nunca, extravasa o suave recato do habitáculo de me-mobile. Uma carroceira, sim senhora, mas princesa. De vidros fechados, e AC a bombar. Calhasse ter de passar por isto todos os dias da minha vida, já não asseguro nada. Credo. Sofro tanto dos nervos.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Bom dia, comunidade

(sim, eu sei que já passa do meio-dia, mas tive que fazer antes. muito chão para passar a pano, muita meia para passajar.)

Inaugurando uma quiçá novel linha editorial neste blog, dirigida a todas as madrugadoras felizes por estrear antes dos pardalitos o novo dia, cheias de boas energias e mais não sei o quê, o amor é lindo e nos elevará não sei onde, piquen'almoços cheios de proteína boa e vitaminas, cá vai uma imagem inspiradora, um cartão postal colhido ali em Fuck-O'clock-Sur-Mer:




(puta que pariu a minha vida, isso sim)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Green Acres

É oficial: durante quinze dias (no mínimo, bate na madeira) estamos a viver no campo (embora com vista de mar), derivado do simples facto de ali haver duche. E menos pó. E zero entulho. Acordamos com as galinhas, duchamos, vestimos, debicamos, e ala, que às sete menos um quarto já lá vamos, a engrossar o rebanho, rumo às verdes pastagens onde embuchamos o sustento. Devo dizer que decerto é mais fama que proveito, que neste primeiro dia de deitar cedo e cedo erguer não me sinto nada saudável.
Única vantagem: lá respira-se. Saímos de Lisboa debaixo de uns inclementes trinta e muitos graus célsius; aterrámos nuns aprazíveis vinte. Assim, dorme-se. Já acordar são outros quinhentos, mas adiante. Hoje levo a máquina do café, o altarzinho onde rezaremos todas as santas e frescas madrugadas. Pondero converter-me a qualquer coisa que me prometa manhãs fáceis e quinze dias santos, aceitam-se sugestões.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

E agora vou almoçar

Mentira, já almocei, digo, "almocei", é só uma nuance mas toda uma diferença, e dói-me a cabeça.

É uma coisa que me chateia, pá

Não é só o facto de ainda ter toalheiros e candeeiros por tratar (e achar que ainda tinha alguma coisa para ensinar aos dizáiners de focos, designadamente no que diz respeito a potência máxima de luzes especificamente destinadas a casas de banho, vê-se logo que é gente que não tem buços para depilar ou eye-liner para aplicar, córenta uótes não chega, amiguinhos, e interruptor no próprio geringonço, a sério, não numa casa-de-banho); ainda não ter tirado isto, pá, isto da casa-de-banho (ou feito malas, ou revestido seja o que for daquele plastiquinho tipo cortina), e ter lá os trolhas na segunda; ter trabalho até vir a mulher da fava rica; mais uma vez verificar que um xervixo não pode funcionar bem (que logo vêm cá buscar gente para tapar buracos noutro lado, isso, amiguitos, vamos a nivelar por baixo, cá agora recrutar mais gente para tuuuudo funcionar bem); ter levado uma charopada de extrema cagança (alheia) aqui há sete dias e ainda estar cheia de urticária; confirmar-se que tenho o ombro todo fornicadinho (e de certeza não há maneira de resolver isto mudando peças e pronto); já ler letras piquenas em geral e rótulos em particular como as bélhotas no supermercado lá da freguesia (afasta, afasta, ah, 'tá bom, afinal não, preciso de um braço maior); ainda tive o desgosto de dar com um "concerteza" ali em caixa, na Dica da Semana (lágrimas de sangue), e a suprema agonia de topar com um "coto de caça" numa edição bem catita de uma prestigiada editora (a cortar pulsos em 3, 2, 1).
Não há condições, pá, não há condições.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Eu é mais bolos

Não percebo nada de bola, não gosto de bola, não vejo bola (e até acho que dou azar quando vejo), mas tenho de admitir que esta foi muita bem feita.
Mas um muita bem feita a sério e em grande, ao contrário de um certo microfone no lago, que foi muita bem feita, mas foi mal feito.