quinta-feira, 22 de junho de 2017

Resumo da matéria dada

Tenho muito azar a empreiteiros, ciquelistas, vizinhos, entregadores da Seur, expedidores e entregadores da Amazon, fregueses aqui da chafarica em geral (lobe iu!), porcaria de portarias em especial e legislação feita à pressa em geral, procedimentos administrativos com vista a simplificação e agilização com os quais a gente perde tempo em que podia estar a agilizar trabalhando, sandálias na cor que se precisava mas não há e óspois um gajo acaba por ser confrontado com sandálias na cor que não precisava mas são tão giras que traz à mesma e ao menos sempre compensa a frustração derivada de tudo o resto.

Ando muito cansada. E cançada, também. Acumulo.

Incompetência. Incompetência everywhere.

Eu aqui a contar as minhas agruras a uma colega de anos, e ela sugere* que eu venda a casa. Se eu pudesse vendia era os vizinhos. A preço de saldo e a maus donos.

[*já deixei de contar as vezes que ela me sugeriu o mesmo. e as alternativas também sugeridas, que envolvem benzeduras, exorcismos, idas a Fátima. sofro muito.]

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Arkham Asylum

E depois chega o dia em que vês yo'mate corredor fora, felino mai'novo ao peito, descompondo-o de dedo em riste "tens de aprender a respeitar o espaço dos outros e parar de provocar os manos".
E achas tudo normal.

[sim, nós pomos o Max de castigo / em time out. melhores sugestões serão entusiasticamente acolhidas e acarinhadas]

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Não acho normal (ou um post na onda do "sou só eu?")

- Que alguém se queixe que lhe dói a perna, por causa disso não se mexe normalmente, e ai o incómodo que tal lhe causa; e vir alguém remoer qualquer coisa como a ti dói-te a perna hoje, a mim dói já para cima de um mês, não te queixes, sabes lá o que é sofrer, sofrer sofro eu e estou aqui viva e não me queixo. A sério que não topam a ironia?

- Um agente fardado fazer uma selfie num local muito sensível em termos de segurança, pronto, uma pista de aeroporto, com um avião de uma banda de rock em fundo - e, se fosse gaja para isso, até se consegue, pelos prédios em fundo-fundo, perceber que pista ou local é - naquela do sou muita cool, e a minha corporação publicar isso na sua página, porque, lá está, também é muita cool. E não pode um gajo-cidadão-civil levar uma porra d'uma auguinha, não vá tratar-se de não sei quê para rebentar sei lá o quê.
(note to self: aqui no meu bules também, de quando em vez, aparecem umas figuras; fazer selfies com ditas em fundo e publicar)
(note to else, em aditamento: outras situações também muito giras, para polícias fardados ou outros profissionais fazerem selfies e publicar nas redes sociais: juiz/procurador na sala de audiências, com um arguido famoso; polícia com o meliante que acabaram de catar, à porta da esquadra; o médico/a no bloco de urgência, com cara de ooops, e paciente agora cadáver que não foi possível salvar; enfermeiro/a no bloco de partos, com o recém nascido preso pelos artelhos; assistente social com os mitras do dia; agente funerário a fazer a rábula de bater na madeira do caixão; assistente de bordo a deitar gotas de laxante no café; solicitador de execução com o tipo das chaves do Areeiro, a arrombar a porta da fracção que vão penhorar; qualquer cidadão a fazer corninhos ao presidente; tudo bastante dignificante, e adequado para mostrar a tooooda a gente)

- Existirem pessoas que devolvem crianças que receberam com vista à adopção. Até eu, que sou uma besta insensível (encartada! diplomada!) me arrepiei até ao tutano com o número de "devoluções" registadas num só ano e, pasme-se, a maioria de crianças pequeninas, mas mesmo, mesmo pucanichinhas. Nestas alturas gostava de acreditar em deusnossosenhor, para poder dizer que o altíssimo lá sabia, quando fez esta gente estéril (eu sei que nem toda a agente que adopta o é, mas adiante), mas depois também me ponho a pensar que raio de phoda é a selecção e acompanhamento das adopções, para haver estas situações. Pá, até eu - a tal besta insensível - sei que isto de filhos é uma lotaria, venham eles de dentro ou de fora, e que haverá muitos dias que aos pais lhes apetecerá esganar / abandonar no mato / rifar* os seus pequerruchos, mas precisamente o que define um pai/mãe é a incapacidade de desistir, o nunca ver um rebento como um caso perdido. Se não são capazes, olha, arranjos florais, peluches, cadernetas de cromos, macramé, todo um manancial de coisas para se entreterem e que, não correspondendo às expectativas, podem por de lado sem mal de maior.

[*mamãe dizia muitas vezes que um dia me rifava. e eu respondia que ninguém comprava as rifas, e pronto, prejuízo por prejuízo, ficávamos assim]

- [aditamento de fim de dia] Abriu em Lisboa um restaurante com o nome "colonial". A sério. Muito a sério. Porque não há nada mais shick, para não dizer shock, para celebrar e assinalar, em toda a nossa história, que esse período. O orgulho, de facto.
Da descrição no site:
Café Colonial is a place for conversation and sense of community, creating a feeling of a melting pot from Portuguese heritage around the world.
Ah, o sentido de comunidade que se vivia nesses dias, de facto.
E a paparoca? De truz, decerto:
Café Colonial dining experience is a celebration of the Lusophony roots through Portuguese and international dishes reflecting the influences of Portugal around the world especially in Brazil, Africa and Asia.
Epá, eu nem tenho palavras.
Já no menu:
"The roots of lusophony through traditional and contemporary dishes that reflect the portuguese identity and the influences from South America, Africa and Asia with a combination of flavours that will linger in your memory. Let yourself be surprised by this journey of flavours discovered by portuguese all over the world."
...
...
...
Vou mazé de fim-de-semana, que sou uma pessoa doente e não me posso enervar.




sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sumário: Resumo da matéria dada. Dúvidas.

Isto de ser uma pessoa sem problemas de maior para resolver enguiços alheios; ouvir penas dos outros com toda a atenção e devoção; dar conselhos em barda, daqueles desinteressados, pensados e estruturados; analisar questiúnculas, problemáticas e quiproquós; propor soluções; avançar com soluções; e, até, implementar decisões; mas depois ser uma atadinha de primeira para resolver qualquer merdinha que se nos atravesse na nossa vida privada?
Nem vos digo nem vos conto. Uma especialidade.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

The Cat Diaries (8)

Começo já este post por mandar um sentido saravá!, acompanhado de um grito de abençoadinhas!, a todas as pessoas pais/mães desta vida. Não, não vou por aí. Não. De modo algum venho com uma ladainha de como vos compreendo, agora eu entendo. Pelo contrário: eu não entendo. Juro. Eu não entendo como conseguem. Sim senhora, são três gatos, três; mas não precisam de banhinho, sopas e papas, roupinha lavada, fralda mudada, colinho até adormecer, pediatra de repente, e tudo o mais que possa estar a esquecer. A comidinha é sempre a mesma, já está pronta e ensacada; vão à casa de banho sozinhos, aqui a camareira limita-se a limpar diariamente (às vezes bidiariamente, sou esquisitinha); não estragam nada (valha-nos isso); dormem mais que nós; e por aí fora. Mas a verdade é que estamos derreados. Não podemos - literalmente - com uma gata pelo rabo.
Por isso, mais uma vez, porque nunca é demais frisar, abençoadinhas ó pessoas procriadoras. Não sei como conseguem.

De resto, e já a roçar os dois meses desta experiência, há a assinalar que Fox Mulder e Scully descobriram a varanda. Finalmente deu-lhes a curiosidade de coscuvilhar o que está além daquela porta a um metro do seu ponto de refúgio, e zás, saíram. Primeiro ele, uns dias depois ela. E foi giro observar, principalmente nela, o ar de deslumbramento e deleite. Parece que saíram de um longo estupor. De manhã e, às vezes, à noite, lá vão cheirar os ares e olhar em redor. Nunca tentaram uma fuga, mas ainda assim mantemos alguma atenção.

Também já se manifestam mais curiosos, e até arriscam aproximar-se das tacinhas quando têm fome, com uns olhinhos entre o atão?, e o serviço nesta espelunca é uma miséria. Nem imagino a pontuação que nos atribuiriam, caso existisse um yelp felino, mas suspeito que seria muito má.
E ontem, um avanço surpreendente: sem que tenha saído do seu igloo, menina Scully não só aceitou as festas de me mate, como ofereceu a cabeça (!), a barriga (!!), e ronronou (!!!) - não vi, contaram-me, eu estava noutra divisão a a) fazer companhia  e a distrair o Max; b) a tentar que o Max não abrisse a respectiva porta, que por acaso não tem trinco; c) sossegar Max que papá já vinha.

E o bebé, e o Max? Aaahhhh. Nunca nenhum nome foi tão bem atribuído, Mad Max, indeed. Sacana do puto. Raisteparta o bobão. Cruzes, como é fofão.
A caganita de 400 gramas passou a caganita de 510 gramas (pesados ontem, confesso que esperava que já tivesse mais peso); corre como um Usain Bolt; atira-se à comida dos mai'velhos (pá, juro, a gente vai logo tirar, mas como ainda não se engasgou ou percebeu que aquilo é um nível um bocadinho acima do seu tamanho de boca e dentição, jasus); percebeu que cabe debaixo do sommier (Max, Max, onde 'tá o Max, anda cá Max, viste o Max); e dedica-se com afinco à caça de tudo o que mexe e não mexe, como seja a malvada mantinha, a diabólica fitinha, o demoníaco pé, o selvagem chinelo. Também aprecia muito morder a revista/livro, trepar a colcha/calça, e fazer uma muito razoável imitação de papagaio de pirata, isto é, subir até ao nosso ombro e ficar lá a ver as vistas.

E mais, e mais? Ah, temos um paralelo 38 a meio da casa, Max habita agora o seu T1 que é o quarto-escritório; Fox e Scully na circunscrição cozinha-sala-corredor (um T1+1, portanto). Misturas, só na nossa presença, sendo que há a registar alguns incidentes de bufadelas e duas altercações de chapada, mas vamos com calma. Caaaaalma. Caaaalma. Muuuuita caaaalma. E feliway nos valha.

Ó o piqueno Max aqui, num registo de desaceleração do ai que gosto tanto de brincar e fazer coisas para cair redondo onde esteja, em dez segundos:



Bobão. Fofão. Lindão.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Não entendo como é que em 2017 ainda há quem tenha dúvidas em relação a isto

Se uma pessoa se apresentar evidentemente embriagada, ou num estado que evidencie não ter completa noção do que faz, num cartório notarial ou numa conservatória, ser-lhe-á evidentemente negado outorgar / celebrar testamento, escritura pública, ou casamento.
É claro e cristalino, e ninguém com um módico de senso comum - ou conhecimento da lei - dirá que não é assim.
Então por que raios e coriscos ainda há quem desculpe o perpetrador ou se atreva a dizer que não há coacção sexual ou violação se a vítima se encontra no mesmo estado de evidente embriaguez e/ou incapacidade para entender o que faz / lhe é feito? Como é que há quem ache que pode haver consentimento quando há incapacidade de entender e formar vontade? Como pode alguém presumir um sim quando a pessoa nada diz ou nem sequer tem capacidade para dizer seja o que for?
Ultrapassa-me, angustia-me, agonia-me, enfurece-me.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

[A big bag of] Nope

Ainda não entreguei o irs, e dei-me conta que fiz um major poopoo financeiro na minha gestão de facturas;
Depois do imi, revisão e inspecção da viatura, já tenho ali o iuc também para somar;
'Inda não tive vagar (ahém!) para ir fazer as análises, ou marcar a eco&mamografia (três meses, and counting);
Também ainda não arranjei quem me vá substituir a torneira de segurança, que está num sítio fideputa de ruim, e qualquer dia tenho a epal à perna a dizer qu'eu não deixo mudar o contador e me cortam a auguinha;
Há tanta coisa adiada para berbequinar lá em casa que cólquer dia tenho de tirar dois dias de férias só para o efeito;
Tenho crises de ansiedade diárias derivado da quantidade de trabalho para aviar e, ainda assim, perdi sexta (sim, vim trabalhar) e hoje a bater e trabalhar cento e muitas páginas de texto, sem chegar ao sumo da coisa;
Há plantas que precisam de mudar de vaso, caixotes de cenas para dar e encaminhar, muito pó de livros para limpar, casacos de inverno para seco-limpar e ensacar, dois gatos para socializar e um para educar;
Dói-me tudo e mais uns anexos, tenho sono que dava para vinte, e sinto um peso nos ombros e pernas de que não me consigo livrar;
Anda uma pessoa tão precisadinha de um milagre.

Nope [ao quadrado e com imensos piretes, ou Hoje Há palhaços]

Para terminar com cerejinha no topo de um monte de natas batidas, gostei muito de ver na tubisão a conferência de imprensa da Cristas e seus novéis apoiantes. Fiquei a saber que um levou imeeenso tempo a atravessar Lisboa (aposto que não foi de metro); e outro considera muito importante frisar, com pausa dramática extensiiiiisima, que a candidata seja uma mulher casada. Tenho de actualizar o meu curriculum e fazer constar o estado civil, queres ver. Já me estava a rir muito quando também mandou umas larachas sobre saia larga para trabalhar, e ser pessoa de evidente mérito por conciliar trabalho e maternidade; não apanhei devidamente, mas morreu-se-me um bocadinho a esperança de um dia me candidatar a seja o que for, ainda que quisesse, mas eu sou daquelas que nem com todas as empregadas e ajudas que aquela senhora mãe-trabalhadora consegue pagar alguma vez conseguiria passar de uma prestação medíocre se acumulasse.
E ainda há quem pergunte onde anda o Medina e porque não começou a campanha: não precisa, houve já quem começasse por ele. E quando a outra se fizer à estrada, bof, o Medina até escusa de aparecer, cheira-me. Que miséria.

Nope

Para uma pessoa ateia, sportinguista não praticante, e não especialmente apreciadora de música ligeira, foi um fim-de-semana calminho, que foi.

[de qualquer forma, a minha vénia e parabéns a) a todas as autoridades que permitiram que o chefe de Estrado do Vaticano entrasse e saísse vivo e de saúde; b) aos manos Sobral, que foi bonito de ver, que foi, é pena eu achar a música meh, apesar da bonita melodia, que é, mas o tipo é um prato e foi giro de ver, que foi. no mais, derivado de na minha casa - que ainda é longe, que é - se ouvir a feira no Marquês, olhem, sim senhor. e óspois também me lembrei que para o ano temos cá o Festival, e ainda tenho gravado na memória o estado em que estava a plataforma da Alameda no sábado, raisparta os tóristas que já são muitos, e a sua mania de parquear os tróleis no meio do caminho, lá no vosso país agis assim, ó moinantes?, portanto, há bens que vêm para mal, haja saúde.]

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Não sabia, agora já sei

Uma caganita de 400 gramas consegue correr depressa à brava, desaparecer em cinco segundos, trepar-nos pelas pernas até à coxa em menos de nada (jeans: obrigada), e ir do meio da cama à borda e daí saltar para o chão em menos de um estender de braço.

Cardíaca, vou acabar cardíaca.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Com agradecimentos à Lego e Ikea*

Depois de tantas reclamações que já nem as recordo (mas tudo em mail, guardadinho, ó), e outras quantas intervenções que também já deixei de contar, o fideputa de um equipamento que montaram continua a dar razões de queixa. E não estamos a falar de um defeito tipo "eu preferia num azul mais clarinho", não; é mesmo uma coisa funcional. Se um charuto serve para charutar, e determinado charuto não charuta, só charu, não pode ser. E uma pessoa, pá, um consumidor, pá, que até gastou mais do que queria numa cena que lhe foi vendida como o top dos tops, uma pessoa, pá, chega ao fim da linha, e pensa que só comprando a guerra, e já começa a elaborar mentalmente a declaração de resolução ao abrigo do DL 67 não me lembra agora de cor o ano, resumidamente, o bem x adquirido e instalado pela vossa empresa não cumpre cabalmente as funções para que é destinado, e após diversas reparações tudo na mesma como a lesma, donde, tendes o prazo xis para ir tirar lá aquela merda e devolver-me o guito. E como sou uma pessoa muito, mas mesmo muito porreira, até dou a hipótese de se trocar por outro modelo, e depois fazer contas, desde que estas não sejam para cima, porque já chega o que chega.

Mas a verdade é que eu sou uma pessoa muito, mas mesmo muito porreira. E paciente (pausa para risos). A sério, sou. Outra qualquer já tinha feito uma espera àquela gente, mas eu insisto em tentar resolver as coisas a bem. E não é que não respondam aos meus apelos, 'tadinhos, lá boa vontade têm. O problema é que, digo eu, aquilo não está bem. Não sei (spoiler: não sabia) se por erro de concepção, de fabrico ou instalação, mas coise.

Vai daí, e em vez de partir para a asneira, decidi acalmar e reagrupar. E fui ao site do fabricante, onde descarreguei a ficha técnica da coisa e instruções de instalação. à primeira leitura, senhoras e senhores, primeira, detectei logo a asneira. Erro - e clamoroso, digo eu que não faço de empreitar modo de vida - de instalação.

Pronto, agora tenho ali impressa a coisa, para poder perguntar, com propriedade, cuméque em não sei quantas visitas e intervenções gente com curso de arquitectura e anos de empreitagem não detectou algo que eu topei em cinco minutos. Arre.


(e, mais importante, o meu rico paizinho, meu mentor de bricolage e artes técnicas do lar, que sempre me ensinou que qualquer trabalho se inicia por uma leitura atenta das instruções, e que o material tem sempre razão. e, infelizmente já tarde demais, me alertou certa vez que a cola quente queima a valer.)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

The Cat Diaries (7)

No Sábado de manhã saímos de casa para ir dar uma volta e sucedeu isto:



Fox, Scully, ó o mano (borrifaram-se completamente) Max, Mad Max.
E pronto, somos tri-pais.
Ah, a alegria de um serão domingueiro, família toda no sofá? Dois debaixo, três em cima, mas isso agora não interessa nada.

[confesso aqui, que ninguém me ouve: tinha fobia, pavor de bebés. uma coija tan pucanina, aquilo nem se sente o peso, jasus que ainda lhe faço mal, credo que ainda o mato. continuo apavorada mas, visto que o bicho escolheu me mate como o seu mais que tudo, papá-lindo-adorado - a sério, o mais flagrante caso de amor à primeira vista, química instantânea que já vi, só isso explica esta loucura -, alguém tem de manter o sangue frio e postura racional. haja xanax.]

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Agora a granel

- A propósito de quem caiu em esparrelas sobre cetáceos, não se sintam mal: nos anos 90 havia panfletos a alertar, movimentos de pais preocupados a chagar toda a gente, e imensas almas a atestar que uma sinistra rede de malfeitores traficava LSD nas tatuagens temporárias (aquelas de colar com água) que saíam nos pacotes de batatas fritas. Relatos e relatos de criançada dróóóógada pelas ditas tatuagens, sempre filhos de um amigo de um amigo. Yeah, right. Como tive muitas vezes que explicar a uma mãe preocupada (a minha), e ainda influenciada por mitos urbanos de meliantes à porta de escolas a distribuir chupas com cenas, a droga é um negócio (ilícito, mas um negócio), não é caridade. Nunca nenhum traficante precisou de acções de marketing como distribuição de amostras grátis a não potenciais clientes (criançada é mais cromos e chocolates, com orçamento a condizer) que nem saberiam o que estavam a consumir.  

- Não consigo entender que algumas figuras ideologicamente conotadas com a esquerda prefiram correr o risco de eleger-se uma fascista, racista, homofóbica e xenófoba como presidente de uma grande potência europeia, ao invés de seguirem o magno conselho outrora dado Álvaro Cunhal, isto é, ingerir o anfíbio. É que, para mim, era na boa. Se não gostam de água, empurrem com vinho.

- O conceito de bizarro world não será conhecido de todos, mas é lá que me sinto cada vez que ouço, leio, vejo noticiários: de repente parece que o eixo do mal foi ocupado pelos ternos e bons aliados, e é a Alemanha a única ilha de sanidade democrática. Pelo menos até às próximas eleições, que já não aposto em nada como seguro.

- Continuo a gostar muito do argumento dos animal lovers de que não há cães perigosos, há donos incapazes ou irresponsáveis. Tão NRA. Não que não seja verdade, mas considerando que a (pro)criação de animais para venda é a selva que se sabe, não entendo a ingenuidade de quem acha, mesmo, mesmo, mesmo, que o assunto se deve focar nos tais donos incapazes. É um facto que há animais que, não sendo devidamente treinados ou manuseados, representam maior perigo. A lei relativa ao assunto até é bastante completa, o chato é que o cumprimento da lei não é fiscalizado. Qualquer idiota funcional pode comprar um canito a um criador de vão de escada, tudo sem registo, e portanto não cumprir as obrigações que a lei impõe. E é claro que este patetóide não acha anormal andar a passear o bicho sem trela nem açaime. E ai de quem reclame cautelas ao dono. Eu já o fiz, lição aprendida.

- Falando de NRA, não deixa de ser irónico o Charlton Heston ter protagonizado pelo menos duas distopias apocalípticas (Planet of the Apes, essa bonita metáfora do racismo; ou Soylent Green, essa linda narrativa sobre as virtudes de um capitalismo sem regras e sem humanismo), quando era a bestinha conservadora que era. Ocorreu-me outro dia, enquanto víamos o último. Dito isto, também se podia dizer coisas sobre ter protagonizado Ben Hur, que é um rico filme, que é. Há gente que tem a capacidade cognitiva ou a empatia de um calhau de calçada.

Diz que o avulso está na moda

Desde o verão passado que não pinto as unhas. Depois de muito tempo de uso regular de verniz, e ainda que sempre aplicado sobre base de muito razoável qualidade, as unhas ficaram uma miséria: quebradiças, amareladas. E resolvi "dar um tempo". Já não estão amareladas, nem tão quebradiças, mas a verdade é que perdi o hábito. Todas as semanas me prometo voltar à cor na ponta dos dedos, mas, por preguiça, por inércia, por falta de tempo - essa desculpa tão mentirosa - não o faço. Tenho saudades, verdade seja dita. Mas o nada passou a ser o novo normal, e perdi o impulso.
É nas unhas e no blogar. Uma pessoa pausa ou pára por qualquer razão e, quando dá por ela, Já não sente falta. Ou até sente, uma pontinha de nostalgia, vá, mas não apetece, ou não calha, ou até se está bem assim. E fica assim.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ah, este admirável mundo novo

Era eu chavalita, ainda na primária, e havia o "dia das vacinas". A professora reunia a maltinha cujo nome constava lá das folhitas, e ala para o dispensário, ou sala da escola reservada para o efeito, tuuuudo a levar a pica. De casa já trazíamos o boletim, ou seja, os pais faziam parte do processo, claro que faziam, mas nunca se ouviu falar em pais que recusavam. Num país onde ainda havia cólera e tuberculose com fartura (anos 70, século XX, verdade), acho que alguém que recusasse uma vacina seria visto como louco, no mínimo.

Antes de atingir a idade escolar, já toda a gente tinha muitos carimbos no tal boletim. Só se fosse alguém que nunca tivesse passado por um hospital ou centro de saúde, vivesse longe ou não tivesse meios, creio eu, é que teria escapado à inevitabilidade da pica. Entre pais e avós havia ainda memória de tétanos e tuberculoses, donde, não se contestava. A expressão "limpar o sarampo" existia, por alguma razão. Alinhava-se na vacinação, e exigia-se vacinação.

Eu não escapei, claro, apesar de (ainda) ninguém levar a sério a minha fobia de agulhas. Fui a todas, quer dizer, as que havia, que a varicela e papeira ainda eram das inevitáveis (ainda me lembro da prostituta da varicela, credo, à papeira escapei-me). Levei também a do sarampo, o que nem evitou que fosse contagiada, mas, segundo rezam as crónicas familiares (era muito novinha, não me lembro, ao contrário da varicela), muito ao de leve. Foi o que me valeu, sempre disse a minha mãe, o estar vacinada. E vida fora, lá foram mais tantas picas, e ó se me custaram, raça da fobia (ei, é real, prova disso é uma receitinha que tenho ali para ir à exanguinação e que está em linha de espera há dois meses, coisa pouca, preciso de tempo, deslarguem-me). Renovações do tétano e difteria (e uma semana de bola de golfe no braço), rubéola (uma das novas que entretanto apareceu), hepatite B (não era obrigatória, e era bastante cara, mas miufinha), e, mais recentemente, por causa de uma viagem para sítios que coiso, também hepatite A e cólera (esta é de ingestão, graçádeuz). E aqui há quinze dias de novo o tétano, que descurei décadas, mas também não é transmissível; se agora a fui renovar, mau grado a fobia, foi pela boa e velha miufinha.

E é isto que me faz muita confusãozinha, benzá. As pessoas não têm miufinha, não? Eu, que sou crescida, e nem tenho filhos, tenho muita miufinha. Se é assim por mim, que faria se tivesse um mini-ser à minha responsabilidade (já nem falando do afecto, e aquela coisa pelos vistos bizarra de cuidar e amar, e providenciar pelo seu melhor interesse e tal). Caraças, as pessoas querem mesmo arriscar ter um filho numa cama de hospital, ali vai-não-vai? Já nem falando de viver bem com a sua consciência, na hipótese de rebento seu causar contágio a rebento alheio, e inerente desgosto e aflição a quem lhe quer bem?

Olha que francamente, caraças.