quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Too soon?

Treze (treuze, treuze!) anitos acabados de fazer, já muito respondão e com a mania que sabe tudo (suspiros, sabe nada, é ele e o Jon Snow) e que tem imensa piada (às vezes até tem, sublinho: às vezes, e ainda lhe falta sentido de timing, mas eu não desisto de tentar incutir-lho), taradinho de Star Wars (abençoadinho), mas ainda não se afeiçoou ao Star Trek nem conhece o Doctor Who (temos tempo); doudo-doudo-doudo por super-heroísmo e papa todó filme e série sobre (está a cair-me uma lágrima); seríssimo aficcionado de Lego (um lencinho de papel, por caridade), e também jogos de playstation e em app (que não faço ideia do que são porque pá, também tenho os meus limites, lá em casa só há um gamer e não sou eu).
Donde, presente de aniversário, o dilema. Lego, já nem sei o que tem (ele e o mai'novo), o que quer ou lhe falta. Action figures?, podia ser, não sei se gostará dos pop vynil, fica para averiguar. Vai daí, pensei que se calhar já era altura de uma bedêzinha mais madura, mas encontrar traduzida, 'tá bem abelha, raisparta as editoras e, principalmente, as livrarias, que o que há não têm.
Vai daí, atirei-me à (magérrima, aliás, raisparta as livrarias) prateleira de fantasia / terror, porque, ainda não disse, menino já vê filmes que eu até acho que upa-upa, mas gaba-se que não lhe faz impressão nenhuma, anda a melgar me mate pelo Pesadelo em Elm Street. Halloween e Sexta Feira Treze ó, há uns tempos, mas só com autorização parental.
Bom, trouxe o Carrie (Stephen King) e o Neverwhere (Neil Gaiman). 

Amável público: é de ir trocar, ou sim senhora?

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Good morning sunshine!

Sobre a semana passada nem vou falar, mas esta foi estreada com uma avaria macaca no quadro eléctrico que me "apagou" metade das tomadas da casa, as da sala incluídas. Nota: só temos um televisor. Na sala. Ou seja, ontem leu-se imenso e fez-se muita sesta. O que veio mesmo a calhar, dado que estou muito doentinha. Quer dizer, muito doentinha na perspectiva da própria, dado que sinto cada mílímetro da garganta, respiro mal, dói muito a cabeça, e os ouvidos e ossos também começam a dizer "estou aqui!, estou aqui!". Do ponto de vista de um médico de família mediano, estou porreiríssima e em condições de trabalhar - nem sequer tenho febre ou pus nas amígdalas, ahahahah, coisas de meninos, para a classe médica. Donde, não fui perder tempo numa qualquer urgência, tenho paracetamol e ibuprofeno em casa, tanquiuverinaice. Enquanto o ibu faz efeito não me dói tanto a garganta, enquanto o paracetas faz efeito não me dói a cabeça; não se pode ter tudo, mas parece que também têm de ser tomar alternados, fuquit. Ainda não disse, mas estou enjoada como, olha, não sei, como alguém que ande sempre muito enjoado, derivado de meu estômago não se dar com o ibu e andarem ambos à bulha. Supimpas.
Para acamar, mate recebeu a notícia (verbalmente, lol) de que vai ter de mudar de local de trabalho no fim do mês, sendo que ainda não lhe disseram qual o novo local de trabalho. Digamos que se algum dia vos inquirirdes porque os tribunais de trabalho estão a abarrotar, uma das respostas possíveis poderá ser o facto de a) o pessoal dos recursos humanos não saber contar prazos; b) o pessoal dos recursos humanos não ter lá grande formação jurídica, ou então têm um código do trabalho só deles e que só eles é que conhecem. Se funcionam assim com uma merdiquice de alteração de local de trabalho, nem quero pensar no resto, adiante. Já que estou com a mão na massa, não sei porque se insiste em chamar "gabinete de recursos humanos" a uma categoria/área profissional que, na verdade, faze é "gestão de pessoal", para não dizer "de existências", ou também "esses chatos". Esse é que é o "core"  deles, não é assim que se diz? Afinal eles não trabalham para nem se focam nos tais "recursos humanos", mas gerem sim os ditos "recursos humanos", portanto, sejamos honestos, o pessoal, os trabalhadores, e de acordo com os interesses e directivas da entidade patronal. Nada de errado nisso, note-se; escusava-se era de fomentar esta hipocrisia linguística, e que se insiste em actos mentirosos de "estamos aqui por vós". Tretas. Já agora, também se deixava de gastar em formação tipo gustavo santos dos gestores de pessoal, e estes escusavam de fazer figura de idiotas ao empregarem larachas motivacionais que, em situações de alteração da vida das pessoas e, portanto, geradoras de stress e incerteza, acabam por se revelar dichotes um nadinha insensíveis, se não mesmo ofensivos.
Anyhoo, parece que já arranjei um electricista lá na freguesia, cuja primeira pergunta foi se eu fazia questão em recibo com NIF. Suspiros, desisto. Já desisti, aliás. E que me há-de ligar. Se calhar. Quando puder. Donde, vou arrastar um dos, O monstro de trabalho desta semana, todo ele um monumento ao desperdício de recursos do Estado em favor de um idiota teimosão que acha que tem, tem que ter razão. Bom, alguém tem de se chegar à frente e assumir a trabalheira de matar o bicho bem matado, antes que nos continue a sangrar. Claro que, da perspectiva dos progenitores do bicho, o Estado blablabla, uma vergonha, não liga (buhu) aos direitos dos cidadãos contribuintes, e leva (buhuhu) um tempão para resolver seja o que for, ainda que este "tempão" tenha sido essencialmente gasto pelos tais progenitores com papelada que não lembra ao diabo, e o "seja o que for" consista numa quimera montada por quem não tinha mais do que fazer ( e eu tenho, tenho tanto mais que fazer, incluindo babysitting a outras quimeras, tentando separá-las das pobres criancinhas desvalidas que despejam amiúde aqui na roda dos expostos que é o meu xervixo, e que, essas sim, precisam mesmo de atenção, solução, e rapidinho).
Boa semana para todos, caso ainda não tenha dito. Com lágrimas. De sangue.

domingo, 28 de outubro de 2018

Gente feliz com lágrimas

Fui ao lidl por mor de fruta e ovos, e havia disto. Ah, esqueci-me dos ovos, já não há bolinho, mas não faz mal.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Liquidação total

Hoje estou com uma telha tal, com um nervosisco tão intrusivo, com uma bad vibe tão aaaarrghh, irritante, que mais vale dar vazão e evitar roer uma unha até ao sabugo, até porque não me posso repetir, e esse foi o programa da semana passada.
Donde, vou aqui destilar, quiçá vomitar (para quem não concorde) uma série de opiniões - aliás não solicitadas, porque ninguém quer saber - sobre as últimas polémicas. Algumas já não são frescas, mas olha, estão em saldo, é o que há.
Começando.

1) Claro que não se deve obrigar crianças a dar beijinhos seja a quem for, conhecidos ou desconhecidos, família ou não. Idem para abraços ou outros contactos físicos. Julguei que isto já nem levantasse celeuma, mas pronto, vivendo e aprendendo. As crianças, como os adultos, têm direito à autonomia, e a negar contacto físico. Ponto. Diferente é cumprimentar: isso sim, deveria ser incutido, porque se trata de a) reconhecer a presença do outro; b) uma simples simpatia / cortesia; c) chama-se socialização.

2) Nem tenho palavras para definir o cagaço que me vem inundando quanto mais se aproxima a segunda volta das presidenciais brasileiras. Nem m'acredito que vão eleger um trapaceiro racista / xenófobo / apologista da ditadura, tortura, violência / machista / homofóbico. Não perdoo aos auto proclamados "moderados" que se recusam a tomar posição, e que ainda têm a lata de vir a público justificar o não voto no Haddad. Tinham muito a aprender com o nosso PCP, esse partido da extrema esquerda - dizem eles, os "moderados", em matéria de engolir sapos, a bem do mal menor e interesse nacional. Alguém acha que não custou - custou pouco, custou - ao Cunhal apelar ao voto no Soares? O homem deve ter andado semanas sedado e a tomar banho com lixa grossa. Mas tinha mais sentido de Estado na unha do dedo mindinho que estes "moderados".

3) Se uma instituição particular prossegue um fim que por acaso é bem meritório, a sua actividade assegura o bem estar e sobrevivência de muitas vidas, e depende inteiramente, para seu financiamento, da boa vontade alheia - caridade, com todas as letras - não tem o direito de se armar em esquisita, e recusar donativos só porque não gosta da cara de quem os oferece, ou não concorda com a ideologia de quem os faz. Ai a gente semos pelos animais, não aceitemos 500 quilos de ração de defensores de tourada? 100% a nível de princípios, mas os princípios nunca deram de comer a ninguém. Além de que se perdeu uma bela oportunidade de dar uma bofetada metafórica naqueles de quem se discorda, acolhendo um bom gesto com graciosidade, sem deixar de frisar a discordância ideológica. E recusar uma parceria com a blogger mais influente deste nosso luso-canto, porque usa sapatos e malas de pele? Nem tenho palavras. A não ser para a blogger, que é melhor pessoa que eu e, ainda que tendo esta farpa na memória, fez uma doação. Eu não faço. O dinheiro é meu, dou a quem quiser. Ah, os animais é que sofrem. Pois, mas eles também passam fome noutras instituições, e nessas não tive a experiência humilhante e poucochinha por que me fizeram passar nesta. Pelo contrário, encontrei pessoas mesmo muito boas e altruístas.

4) Outro tema onde não consigo encontrar palavras é o do assassínio do jornalista saudita Kashoggi. Pela prepotência, pelo horror, pela total ausência de respeito pela vida, democracia, liberdade de expressão. Não vai acontecer nada, pois não, porque petróleo. E isso deixa-me doida.

5) O que também me anda a deixar doida são as midterm nos EUA. Ando aqui toda torcidinha, e nem é nada comigo - ou se calhar é. Por um lado temos quem nos aumente a esperança na humanidade - Beto!, a candidata na Georgia! - mas depois temos o Trampa em total redemoinho de insanidade, e a loucura da voter supression, onde, onde, claro, na Georgia, promovida precisamente pelo candidato e ainda senador que está rés-vés de ceder o lugar. Lá está, faltam-me de novo as palavras.

6) Já não vale a pena falar do Ronaldo, do Kavanaugh, de penas suspensas a violadores? Então não vale. É que calha ter uma sobrinha quase a fazer 18 anos, e tenho tanta, tanta tristeza de se estar a fazer mulher num mundo que não fará tanta diferença daquele em que cresci. Se houvesse uma máquina do tempo que me permitisse ir entrevistar a Izzie de 18 anos, tenho a certeza de que esta estaria bem optimista sobre o futuro, e que, quiçá, até aventaria que uma sua sobrinha ou filha não correria o risco de ser assediada, discriminada, ou ver a sua vontade e auto-determinação (sexual, social, toda!) aviltada e apoucada pelas instituições que a deveriam defender e fazer valer contra qualquer prevaricador, e tudo isto enquadrado num bonito, maravilhoso consenso universal e popular. E não. E isso deixa-me tão mais triste do que consigo expressar.

7) Falando em ideologia medieval, fiquei muito bem (not) impressionada por a polícia portuguesa achar que a) tirar fotos a arguidos no momento da detenção; b) e divulgar publicamente tais fotos não só não tem mal nenhum, como é mais que justificado. E que, quando alguns carolas (entre eles o ministro, e muito bem) vieram a público falar de direito à dignidade, e outros direitos humanos e assim, tentaram um spin desprezível com fotos achadas numa pesquisa google, provavelmente, de bélhotes agredidos (e nem se sabe por quem). Já agora, a divulgação dessas fotos também me merece muuuuita reserva. Como cereja - leia-se poia - no topo do bolo de merda que isto já é, saliento a adesão de um corpo policial (militar) ao popular argumento tipo do troll comentador de notícias online, replicado ad nauseam por todo o lado, de que criminosos não devem ter os mesmos direitos que cidadãos honestos. Este bolsonarismo não é adequado, não é aceitável em lado nenhum, e cá ainda menos. Acho que a GNR e PSP estão precisadas de uma parceria com uma editora de livros jurídicos, que faça chegar a cada efectivo um exemplar da Constituição.

E pronto, para já é só o que me lembro e andava aqui entalado.
Boas tardes a todos, que eu vou ali arreliar-me com uma muito boa que me arranjaram, mas ao menos vou de alminha mais leve. Agradecida.


segunda-feira, 22 de outubro de 2018

E agora

Perguntais vós, aqueles que tiveram a insensata ideia de me subscrever no feedly ou similar, que vem ela agora resmungar, isto enquanto reviram os olhos e, ainda assim têm a coragem de continuar (ponto, parágrafo).

Ora eu sei, que também leio notícias, que o mundo está cheio, mesmo a transbordar, de coisas mesmo importantes a acontecer, e pior, daquelas que bailhanosdeuzz, ainda nos podem trazer gravíssimos amargos de boca. Mas é nestes momentos - e não esqueçam a expressão "amargos de boca", daqui a nadinha fará sentido - que também precisamos reflectir, inquirir, quiçá indagar profundamente sobre assuntos mais comezinhos, triviais, frívolos ou mesmo mesquinhos. E é um desses assuntos que aqui trago hoje, naquela que poderá ser uma verdadeira tentativa de levar este espaço pelos caminhos do blog de investigação. Atentai.

O que diabos aconteceu aos gelados do lidl, que é feito dos gelatelli em caixa de litro? Aha. Sinto que prendi a vossa atenção. Pois qualquer pessoa bem informada e posicionada no sector alimentar da gulodice saberá que, tirando marcas prime, este é o gelado a escolher, aquele que nos trará grandes alegrias papilares, e a um preço mais generoso que um carte d'or que, e isto é só a minha opinião, apesar de balizadíssima, lhes ficam a léguas.

Sim, que catástrofe natural, quem sabe desastrosa decisão comercial levou a que, cada visita a esta superfície comercial, leve à frustração de ver prateleiras frigoríficas outrora adornadas com os bem amados chocolate, pedaços de noz, café (com pepitas) e caramelo (com pedaços que se derretem), agora se mostrem numa nudez desconcertante? O quê, quem, como, quando, onde? E porquê? Porquê!!!!

De início ensaiei uma simples explicação a nível do aumento do turismo lá na minha zona: os maganos dos estrangeiros não só nos levaram a tranquilidade, a rapidez na circulação pedonal, a possibilidade de andar mais à larga no metro fora das horas de ponta, mas também o gelado. Bandidos! Energúmenos! Renegados! Mas, entretanto, entra Outubro, e a normalidade na oferta do simpático produto demora, há mais de quinze dias que nem uma caixinha, nem uma!, para amostra. Estou, francamente, em frangalhos. Apreensiva. Raladíssima. O que nos trará o futuro. Pior: o que será o futuro, e quererei eu imaginá-lo sem uma tacinha dos gelados favoritos? Não! Não.

Apelo a todos os gourmet e gourmand da melhor gama média deste tipo produto: alvíssaras, alvíssaras! Haveis visto gelatelli nos vossos lidl? É uma carestia a nível global? Reagimos? Como? Petição pública, manif no Camões? Pedimos, não!, exigimos subsídios para Hagen ou Ben&? Juntem a vossa à minha voz, juntos seremos muitos.

[Disse]

[qualquer argumento do tipo "ah, acabou o verão, é um produto sazonal, é natural", será tratado com o adequado e até merecido desprezo. sazonal é a abóbora, o morango, a cereja. há quem coma gelados todo o ano e estudos - os meus - dizem que são excelentes pessoas.]

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Mas o mesmo, mesmo importante

Catálogo do ikea? Visteze-lio.
Ou seja, para os promotores imobiliários que me enchem a caixa do correio de panfletos, é centro histórico" (quando para lá fui era "perto do intendente", sou antiga), para os entregadores de catálogos, o triângulo das Bermudas. Tanta app, tanto google maps, e é isto.

(dado que o #%&§£ do site não aceita mis tarjetas de credito, sendo que, relativamente a uma delas, verifiquei que tem o modernaço sistema 3D, donde, não é por aí, imprimi a lista de compras e vou directa à mercearia, pedindo ópois que me recolham as traquitanas e entreguem em casa. paga-se o mesmo, mas entretanto uma 'soa aproveita para dar uma voltinha e deixar lá uns cobres, malandrice, que venha aqui confessar-se quem alguma vez saiu de mãos vazias do ikea, e isto inclui a zona de comiduchas, onde vou abastecer do melhor doce de laranja de sempre, e uns remédios para os nervos que sabem a caramelo coberto de chocolate).

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Enjoy the silence




Curiosamente é quando mais tenho (teria?) para dizer que mais me calo, mais me contenho, embora não me reprima (não já), não me recalque. É como se numa revisão qualquer que já não recordo quando foi feita me tivesse sido instalado um travão de emergência, accionado automaticamente em caso de iminente oversharing. Já não era sem tempo, às tantas: uma certeza tenho, não era peça de origem.
Sim, eu sei que isto é muito ao arrepio daqueles actuais chavões de auto-ajuda, auto-conhecimento, auto-indulgência e crescimento do self e o raio que o parta, mas a cena de exibir ou, ao menos, assumir a nossa vulnerabilidade é uma treta do caraças. É preciso muito cuidado a quem se abre a porta, isso sim. Aprendi-o a duras penas, e depois de uns valentes vandalismos que me deixaram a alma toda desalinhada - alguns diriam que estava a pedi-las ou, mais gentilmente, que quem anda à chuva molha-se. Não concordo, mas não adianta debater a questão, o que importa é o que se faz depois do sucedido, de preferência começando logo a ponderar enquanto se arruma a casa. Se bem que, tal como a física - bof, mais vale admitir - a casinha interior nunca atingirá os padrões mínimos de organização. Desarrumada, até caótica, mas sujinha é que não, asseio primeiro que tudo.
É isso, é uma questão de asseio. E se muita da porcaria já nasce cá dentro, inevitavelmente, nem se sabe bem vinda de onde - e caneco, é trabalho para uma vida inteira, esta constante faxina interior - é escusado convidar ou proporcionar que entre mais cotão.
Por isso aqui estamos, entre o silêncio higiénico e o mero partilhar de banalidades. Até pode apetecer mais, mas travão.
Anyhoo, comprei uma saia travada azul muito bonita e elegante. Mesmo rés-vés a época do collant (yay! me likey!) que agora se inicia. E... Ficamos pela saia, então.


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Quem vê tevê e não sofre mais que nada

As outras pessoas, não sei; mas eu cá já elegi a melhor série de 2018: The Terror. Faltam três meses para me provarem que estou errada, força nisso, mas não creio.

De qualquer forma, se gostarem de cenas assim maizoumenos tensas, a roçar ou mesmo a mergulhar no weirdo, e não vos seja essencial um final totalmente esclarecedor, recomendo Castle Rock. Gostei. Ainda não sei se percebi alguma coisa, mas gostei.
Se fordes fãs absolutos de Stephen King, acho que têm mesmo de ver, aquilo está cheio de easter eggs que me mate me foi fazendo o favor de explicar, vá lá, além de imdb caseiro e sem acesso à net, faz também as vezes de explicador de literatura de suspense e terror à sua mais-que-tudo.

No entretanto, já anda todáááá net a embandeirar em arco com a série Sara, e tenho a declarar que sim senhora, já vi o piloto (e o bobby - esta piada paga direitos a mate -, foi episódio duplo), e sim senhora, têm freguesa. Se é a melhooooor coisa que já se fez cáááá e arredores, e aimedês que maravilha, ainda não sei, que só me pronuncio sobre o jantar depois de o comer, e não quando vejo a foto no insta. Até lavar dos cestos é vindima, e sou uma pessoazinha amarga e muito desconfiada de qualquer entusiasmo a cheirar a hipster. De qualquer forma, foi um prazer poder constatar, ao vivo e a cores, que o Albano Jerónimo, em querendo, sabe mesmo representar (até há atrasado só o tinha visto em - mau - piloto automático em pedaços de novelas); e um desprazer verificar que em Portugal se continua a fazer muito má captação de som em exteriores. Caneco, pá, vós que estudais para isso não sabeis por o som de fundo, o ruído envolvente, ou lá o que se chama (eu não estudei para isso) a não abafar a voz dos personagens? Chatice, pá, distrai imenso.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Como perder uma hora e cinquenta e quatro minutos

Ah, a curiosidade, a tal que matou o gato e um dia ainda me apanha a jeito e me mata de tédio, de arrependimento, de fúria entremeada de profunda tristeza. Ia acontecendo com este filme, maldita a hora em que maturada e ponderadamente, e após ignorarmos sérias premonições de que nada de bom dali adviria, decidimos - ainda por cima! -  unanimemente enfrentar a coisa. 'Tão vamos lá ver - fúnebres palavras - não pode ser assim tãããão mau como a crítica o pintou - oh, não, não pode - e afinal baseia-se na menina Gata Cristina, não é possível errar taaaanto com um dos mais famosos da menina Gata Cristina - ó se é!

Qualquer pessoa atenta ao cartaz de anos passados já adivinhou: trata-se de Um Crime no Expresso do Oriente, que viu - antes fosse ceguinho - a luz em 2017, protagonizado por um Kenneth Branagh de reputação - pelos vistos mal - firmada, e escorada num elenco que não é de deitar fora. Mas afinal é, que o papel de embrulho é de tal sorte ordinário que ficaram todos mascarrados.

Eu nem sei que dizer. Quero crer que nem numa peça infantil seria possível encontrar uma pior caracterização e interpretação de Hercule Poirot. Havendo justiça e sentido de humor no universo, a meio do filme apareceria a menina Gata Cristina, e, dirigindo-se ao protagonista, dir-lhe-ia "você não percebeu nada da minha obra". Ou, ao menos, um senhor de armadura que pespegaria com um frango de borracha na cara de alguém.

Poirot é arrogante? Sim, de uma forma modestamente irritante, e não obscenamente descarada. Poirot é obcecado com a simetria, e até há casos em que, em ambientes estranhos, distraidamente alinha objectos? Sim, mas, lá está, distraidamente; não faz notar a ninguém que o está a fazer, porque é um cavalheiro e é discreto, e seria incapaz de criticar a arrumação - ou falta dela - de outrem. Poirot é exigentíssimo com a comida, guloso, até, e sente-se miserável quando é posto perante uma pobre confecção culinária? Sim, mas não é mal educado com quem o serve, sofre em silêncio, quando muito murmura um nom du nom d'un nom. A queixar-se, fá-lo a alguém íntimo, e nunca ao anfitrião. E não, a sua paixão não são ovos escalfados ou cozidos, mas sim omeletes, das quais se afirma exímio cozinheiro. Poirot usa bengala, sempre? Sim, sempre; mas a sua bengala não faz as vezes de um chicote de Indiana Jones. E Poirot não se sujeita aos elementos voluntariamente, principalmente o frio, e muito menos o frio extremo. Poirot abomina o frio. Poirot teme correntes de ar. Poirot sente-se bem numa casa aquecida e bem calafetada. Poirot é enérgico? Sim, no pensamento, no raciocínio. Poitrot não tem a apetência de Sherlock Holmes por correr, calcorrear, apressar o passo. Nem os sempre impecáveis sapatos de verniz, tortura a que se sujeita voluntariamente, vaidade oblige, o permitiriam.

São apenas alguns apontamentos. Aquilo não é o Poirot, é o Ken a armar ao pingarelho. E o final (spoiler alert), onde dão a dica que, não bastando uma catástrofe, ainda lançarão outra ao mundo? Com aquele coisinho a dizer-lhe que é preciso no Egipto porque houve um crime no Nilo? Senhores, matai-me já, espetai a adaga bem fundo para ser rápido e menos doloroso. A Morte no Nilo ocorre estando o eminente detective lá, pô, ele não é chamado para porra nenhuma. Aliás, em nenhum dos mistérios passados no Egipto, que me recorde, Poirot é chamado após homicídio, Poirot faz parte da trama desde o seu início.

Enfim, que tristeza. Não há floresta capaz de fornecer tanto lenço de papel que enxugue as lágrimas amargas desta fã da menina Gata Cristina. Não há. E havendo, escusavam de a abater para o efeito, bastava não produzirem bostas deste calibre.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

The Cat Diaries (15) Obladi, oblada

E começas o teu dia de (pré) trabalho a implorar negociar a rendição e regresso ao cárcere de um evadido muito laranja, que achou que não, não lhe apetecia ir já para casa, e sim, lá fora é que estava bem, e sim, conseguiste tirar-me do pátio, mas só porque eu quis, mas tenta lá fazer-me descer do muro, ahahahah, desprezo, ó tu aí em baixo, despreeeezo, reles humana.
Uns bons dez minutos, dez, de idas e vindas, calça sapatos vai lá ver se o bicho se apieda, escova cabelo e borrifa o perfume e volta, a ver se o bicho acha que já chega de gozação, e isto tudo enquanto tentas que os outros dois, já sugaditos em casa, não tenham uma ideia parecida e ei, se ele pode eu também quero, e zus, fuga.
Finalmente teve pena de mim, o meliante; lá espreguiçou, bocejou, saltou e veio, de cauda levantada, no seu ritmo, claro, ninguém apressa um felino. E eu agradeci (as you should), e recompensei com o petisco "regresso a casa"*.

Nem foi a cena mais humilhante do meu dia, porque entretanto sucederam pessoas, e que pessoas. Jasus, escolhe-as a dedo, o meu triste fado.

(mil vezes um gato rezingão, que já se sente no direito de mangar desta aqui, mas ao menos ainda sente pena e dá uma abébia)


*nós temos imensos rituais e rotinas, e já vemos resultados em termos de comportamentos. pensar que eram dois besugos medrosos e ariscos há ano e meio, lagrimita.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Mas para acamar, acamar mesmo

e a todos os descrentes, os ver para crer, os são tomé desta vida, recomendo uma passagem pelo twitter e uma busca pela hashtag WhyIDidntReport.
Devidamente acompanhados de um shot de empatia, claro. E lenços de papel.

E, para acamar

Ainda não recebi o catálogo do ikea. Epá. Epá. Sinceramente.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

God knows I'm miserable now

Se as pessoas soubessem como é difícil ser eu, davam-me já a reforma antecipada, e por inteiro, por total incapacidade para o trabalho. É que não dá, não dá ter tanta bola no ar, e eu tenho zero queda para malabarista. Um gajo ou trabalha ou trata de cenas, as duas em simultâneo não aguento. Isto é uma doença incapacitante, incurável, nada estudada e com nenhumas esperanças de cura, donde, aliviem o meu sofrimento, que era uma caridade que me faziam.
Chiça.
E antes que alguém apareça aqui com o estribilho "ah, e não tens tu filhos", respondo já "pois não, coitadas das crianças, ou melhor, felizes das crianças que se livraram de ter de lidar com esta percentagem de invalidez materna, e também já tomavam em consideração a extrema abnegação, até magnanimidade que foi eu não sujeitar petizes a essa existência horrenda e triste, e davam-me também uma comenda."
Apre.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

P'lo direito a uma m'lher se passar (valentemente) da marmita

Menina e moça minha mãe me educou para o feminismo: que nós podemos fazer tudo o que eles fazem, menos xixi de pé. Quer dizer, até se pode, mas há uma grande probabilidade de correr mal. Direitos iguais, deveres iguais (consequente e naturalmente), e que nunca me deixassem convencer do contrário. Também me introduziu nas falácias do argumentário opositor: não, o facto de um homem, por princípio, conseguir acartar uma saca de batatas às costas não prova que há diferenças naturais e físicas (e outras, suspiro, nem entro por aí, ainda sou do tempo do estribilho "as meninas não têm jeito para matemática", fica para outro dia), ergo, isso da igualdade é parvo. Uma mulher também gera filhos, um homem não, e depois? Igualdade de direitos e deveres não equivale igualitarismo, o que se pede é igual dignidade, igual tratamento perante a lei, igualdade de oportunidades e de acesso a estas, ou seja, que ninguém seja discriminado em função do género, tal como ninguém deve ser discriminado em função de cor de pele, religião, orientação sexual, e por diante.

Alertada também fui que a luta pela igualdade não implica que se mimetize comportamentos normalizados e aceites ao género masculino, e que são em si errados ou censuráveis: cuspir para o chão, por exemplo, é feio, seja-se homem ou mulher (ou transgénero, ou seja o que for). Nesse aspecto, fazer igual é má criação, não é libertação. Idem aspas para outros tantos comportamentos, como o piropo ou assédio, andar à bulha, ou praguejar. A minha mãezinha é muito coisinha com o uso do palavrão: não aprova. Mais que um "merda" dito em ambiente seguro e/ou familiar é feio, muito feio. Logo lhe havia de ter saído uma filha com costela de carroceira, já lá vamos. Já noutros aspectos como depilar ou não depilar, usar calças (a minha mãe é do tempo em que menina ou mulher séria não usa calças), ter cabelo curto ou grisalho, cada um/a que faça como lhe aprouver, são coisas de foro pessoal e inatacável.

Ora se tudo me fez muito sentido, sim senhora, e ainda hoje faz parte do (mais alargado, atenção, isto não é só nem tudo) núcleo duro do meu feminismo, a parte do praguejar e bulhar (embora excluindo o confronto físico) é que me caiu muito mal. É que eu tenho uma visão muito libertadora da actividade de barafustar, e uma prática muito livre do uso do palavrão. Como uma taça de gelado, uns quadradinhos de chocolate, meio quilo de cerejas, é algo que às vezes me cai tão bem. Mesmo o que precisava para acalmar uma arrelia, para me resolver uma contenda ou acabar um dia especialmente mau. E, tendo sido fadada com um feitiozinho muito especial, daqueles que (já menos, felizmente) me leva do zen ao holocausto nuclear em sessenta segundos, caramba. Não se faz. Eu preciso e, em calhando, eu passo-me dos carretos. Eu preciso e, em se ocasionando, eu uso uma linguagem de fazer corar as pedras da calçada.

Dito isto, não, não é característica de que me orgulhe. Aprendi a lidar com ela, nisto a idade de facto traz sabedoria, mas pronto, sou assim, uma bestinha que faz favor, em se reunindo as condições adequadas. E essas condições adequadas, que também podemos definir, mais doutamente, como estímulos externos, nem sempre são justas ou justificativas do passanço. Ou seja, pode acontecer barafustanço / praguejanço face a situações que o estavam mesmo a pedir, ou não. Sou humana, pá. Também tenho dias maus, susceptibilidades, fraquezas, e pode suceder estar num dia em que me vire para o outro lado pela casca de um alho, ou, também possível, aquela casca de um alho que veio acumular a muitas outras cascas de alhos, e pronto, calhou azar, foi aquela que me fez saltar a tampa.

Sou pior por isso? Se calhar. Em minha defesa, alego que o meu último passanço ocorreu quando num evento social me sentaram em frente a um patet'holístico anti-vacinas. completamente justificado, hein, não aceito contraditório. Consegui parar antes de  me sair um "burro do c*r*lho" ou pior, já não é mau. A Izzie de 15, 16 anos espantar-se-ia. Mas também já aconteceu - e ninguém ficou mais espantado que eu, apesar de os olhares de quem me conhecia de outros e mais exaltados tempos terem sido também de puro espanto - ter-me levantado durante um jantar para ir fumar um cigarro a meio de uma diatribe racista de um outro conviva. O "ir lá fora fumar um cigarro" tem-se revelado um grande coping mechanism, já agora (ainda não tinha usado uma palavra em ixtrancheiro, hein!).

Sumariando: a) passo-me da cabeça; b) em acontecendo, pode suceder acumular com ser muito malcriadona ao nível do uso da caralhada; c) não, não é bonito ter esta característica; d) mas tenho; e) a maioria das vezes descarrilo em situações em que presencio actos indefensáveis, ou alguém desata a expor ideias / opiniões completamente ofensivas ao nível de direitos humanos, respeito básico pelo outro, ignorância atroz, civismo, enfim, coisas mêmo, mêmo; f) mas também já aconteceu descer do salto e rodar a baiana em situações de cúmulo de picanços por merdinhas a que não devia dar importância; g) também já descalcei a chinela e pus a mão à anca em ocasiões completamente injustificadas, fruto de ou i) uma excessiva susceptibilidade; ii) mal entendido; iii) errada interpretação  / leitura (minha, só minha) da situação.

E agora, desde já parabenizando quem conseguiu chegar aqui, o ponto da questão: ainda assim, defendo e exercerei o meu direito ao passanço. Mesmo correndo o risco de ser injustificado. Ou exagerado. E não admito, porque não admito mesmo - e aí a expressão "holocausto nuclear" assumirá logo um contexto quase literal - que, em me passando e, quiçá invectivando, seja admoestada porque "te fica mal", "não é um comportamento de uma senhora", "ai que figura", "estás histérica", "não sejas ordinária", "não passas de uma arruaceira", "estás a deixar mal a/o tua/eu [inserir tema ideológico em causa]", "pareces uma peixeira", "estás completamente descontrolada", "deve ser aquela altura do mês", "não tomaste a medicação", "estás descompensada", "uma doida varrida", "falta de homem"; quando um homem, nas mesmas circunstâncias, até poderá ouvir que "passou das marcas", "exaltou-se", se calhar até "exagerou" ou "não havia necessidade"; mas, mas, mas, afinal é uma pessoa com "ideais muito arreigados", "muito assertivo", "defende aquilo em que acredita", "é natural, sentiu-se ofendido / atingido" e "quem não se sente...", além de que "já sabem que é assim, não o provocassem", ou "caramba, é genioso".
É que aí solta-se a Izzie de criação suburbana e, além do chorrilho de asneiredo, ainda levam uma cabeçada à Cais do Sodré que andam a cagar dentes uma semana; um rotativo nos queixos que têm de comer a sopa por uma palhinha; ou com uma tábua nos cornos que para verem televisão têm de por os óculos na nuca.


[este post poderá - ou não - ter sido inspirado num episódio de passanço da vida real - alheia - mal/não/in/justificado, e principalmente nas reacções que se lhe seguiram]

terça-feira, 11 de setembro de 2018

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Aqui há dias metia-se um colega comigo, para eu ter calma que ainda vou andar nisto mais vinte anos. Bingo, são mesmo vinte. Certinhos. Desconfio é que vão custar mais a passar que a primeira metade, ou então não estou cá para cortar a meta. Donde, a ver se ganho juízo e me deixo de maratonas, a ver se poupo o corpitxo para a marcha longa e lenta.

(jesussenhor, salva eu, salva)

terça-feira, 4 de setembro de 2018

First World Problems

Nada como uma ida à superfície comercial da zona, a partir das seis da tarde, para soltar o Agecanonix que vive em nós.
Nada contra os estrangeiros, de facto, desde que entulhem lá os estabelecimentos deles.



terça-feira, 28 de agosto de 2018

Chapéus há muitos

E livros também, E quer para uns e outros há soluções de arrumação para implementar, só me falta um discurso motivacional suficientemente poderoso para me fazer mexer.

Então diz que nas férias se lê, e eu li. Livros para além de consultas técnicas, quer-se dizer. Material não me falta, basta dar a volta a uma das pilhas (desarrumadas) em cima da secretária, mesas do quarto, e até cadeira do escritório. Pode ser que pegue, este mood de decoração, e assim já não preciso de solução de arrumação. Como a cabeça já esteve melhor e viu dias mais risonhos, optei por coisas mais leves, e resolvi dar uma chance a escrita em português (lamento, Agustina e Aquilino Ribeiro ainda vão esperar).

Abalei então com, para além do mais, Os Loucos da Rua Mazur na mala, uma oferta que por lá estava. Sim senhora, gostei. Não foi assim um gosteeeeei, mas gostei. Competente, bem escrito, sem cagança, sem gorduras para raspar. E bem investigado, nota-se que há ali trabalhinho: aprecio isso. Não será alta literatura, mas também não é literatura de aeroporto - uns bons furos acima de Rodrigues dos Santos, ou melhor, do único que lhe li.

Vai daí, e numa visita à Bertrand mais caótica e desorganizada do universo* - juro, eu vou lá para apanhar camadões de nervos, transtornar o meu aliás ligeiro transtorno obsessivo compulsivo, mas também elevar a minha autoestima quanto ao estado de (des)arrumação livreira lá de casa - vejo o Perguntem a Sarah Gross em formato de bolso, e tungas, veio comigo.

Primeiro que tudo: comprem livros de bolso, caraças, a ver se continuam a editar nesse formato. Mais baratos, mais leves, o conteúdo é igual. Invistam nisso, poupem as costas e a carteira. Tudo bem, não fazem uma estante tão bonita (é-me indiferente, adiante), mas eu sou do tempo em que quem se preocupava em ter uma estante bonita e composta comprava aquelas edições completas e encadernadas de escritores consagrados, e que nunca lia:parolice alert. Pior: me mate recorda que se vendia e comprava só uma estrutura de capas, que se enfiava na estante a fazer de conta. Isto já roça a demência.

Ah, o livro. Gostei. Gostei bastante, muito mais que o outro. História muito bem relatada, bem construída, bem escrito e, novamente, sem cagança (um dos piores defeitos, para mim, do Rodrigues dos Santos, é querer armar ao Eça e sair-lhe uma prosa tipo edições Harlequin, siga). Novamente muito bem investigado, este ainda tem mais trabalhinho por detrás, e nota-se. E eu aprecio, e faço a minha vénia. Dado o tema - tal como o outro, época nazi, Polónia - não posso dizer que se trata de literatura levezinha, bem pelo contrário, mas não é um As Benevolentes.

Anyhoo, sim senhora, sim senhora, temos escritor, e se calhar toda a gente já sabia, mas eu não, e pronto, fica aqui a minha opinião. Só tive uma pequena "dificuldade" com o Sarah Gross, que não passa de uma embirração muito embirrenta de um aliás quezilento e notório mau feitio: chamar Kimberly à protagonista, ó pá, que nome mais cocó, tão Ruben André, tão Soraia Cristiana, credo pá. Não havia necessidade.



*Torres Vedras, no centro comercial. a sério, devia ser incluída num circuito turístico. ou então realizar gincanas do tipo "encontre o livro" - ordem alfabética é conceito quase desconhecido, por lá. o espaço é muito pequeno, o que também não ajuda.
ideia para série de posts futuros: guia de Bertrands. sim, eu tenho um top.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

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Sinceramente, acho que seria muito feliz a fazer vida da jardinagem, mas parece que paga muito mal.