terça-feira, 7 de julho de 2015
Há dias assim, dias de alma vaga
Uns queixam-se do polén, do mal que lhes faz aos narizinhos, das tosses e ranhos que provoca; outros andam de olhos no alto a admirar os céus mais floridos (e olhos no chão, a deleitar-se com os tapetes de colorido).
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Ding, dong, the witch is dead
Uma pessoa escreve um post a concluir que a cabrice não é feitio, é opção, e não das boas, e tau, acaba o dia a dar de caras com uma rechonchuda, fofinhucha, peluda cabrice. Pronto, ninguém recebeu o meu memo, certo? Ou então o problema é ao nível da falta de opções, isso, o tédio é muito mau conselheiro. Tanta coisa gira para fazer, uns dias tão lindos e soalheiros, uns passeios bons que se davam, resmas de livros à venda, há para para todos os gostos, mesmo os maus, e ainda assim as pessoas entretêm-se a enfiar o apêndice na vida alheia, e unhaca ali a escarafunchar o que não lhes diz respeito. Tchhhhh.
Isso, quero crer que é falta de informação relativamente às opções, e não apenas uma vida triste, uma cabeça poucochinha, uma mentalidade atrasadinha que faz as pessoas persistir nesta estranha forma de vida.
You're just an empty cage girl If you kill the bird
Contava ela como foi alvo do comentário e interpelação de estranhos, num local público. Não estendendo uma mãozinha na aflição em curso, não dando uma palavrinha de ânimo ou consolo, mas sussurrando desaprovação, apontando o que (supostamente) estava fazendo de errado. Alguém ultrapassou a barreira do pudor e decoro e abordou-a, agressivamente: não via o que estava a fazer de errado?, não percebia que devia fazer y ou mesmo x?, porque estava ali tão caaalma, em vez de fazer assim e assado?, e mais, e pior, e mais intenso. Contava ela que, já aflita, paralisou; em vez de mandar aquela gente toda enfiar as opiniões de onde nunca deveriam ter saído, acabou justificando-se; que, debaixo das rajadas da outra, o fez já balbuciando, com emoção, embora sabendo que mais valia ficar calada; que se sentiu acossada, isolada, encurralada, e finalmente cedeu às lágrimas.
Eu ouvia aquilo de boca aberta, e tristeza profunda. A primeira reacção, porque não entendo o que leva alguém a, vendo outra pessoa em situação que só a si cabe gerir, meter o bedelho, de modo brutamente intrusivo, e ainda por cima de forma gratuitamente agressiva. A segunda, porque a pessoa e situação em causa não mereciam semelhantes investidas e invectivas. Bastava conhecê-la, a pessoa, para o saber. Obviamente, quem se deu licença para assim agir não sabia, nem cuidou de saber: viu, julgou e achou por bem actuar, e com essa actuação não só não contribuiu para resolver o problema, como feriu outrem. Mais: viu com os olhos inclementes com que olha os outros; julgou com os padrões cegos com que avalia todos os outros. Duvido que, apontando esses olhos e padrões a si própria, aquela pessoa pudesse ser absolvida, mas que interessa isso, quando se é alguém que se autoriza a ser agente autuante, juiz e carrasco? Nada, nadinha.
Juro que ainda me surpreendo com coisas destas. Quatro décadas e picos de provas em contrário, e ainda tenho a ousadia de achar que as pessoas são melhores que isto, mais elevadas que a sua mesquinhez, com mais horizontes que os que a sua tacanhez impõe. E imagino que, confrontando-se tais pessoas, perguntando-lhes se achavam bem o que faziam, não reflectiriam nem um segundo, antes me responderiam que tinham direito à sua opinião, e a verbalizá-la. Claro que sim, toda a gente tem direito à sua opinião. E a dá-la. O que não significa que devam fazê-lo, ou que seja decente decidir dar essa opinião, a quem não tem o dever de a ouvir ou a considerar. Mas não importa: têm o direito. E se têm o direito, embora exercê-lo, embora! É só agarrar na forquilha e archote, olha ali alguém a fazer algo que, em princípio, acho errado, marchar, marchar.
Sem ilusões: devemos agir e opinar, sim. Agir contra a injustiça e ilegalidade, denunciando-a; o sistema, bom ou mau, existe. E só não funciona se não o usarmos e lhe dermos a manutenção devida. Idem aspas para o opinar, se bem que as palavras são ocas e inócuas se não houver uma acção eficaz que as secunde. Apontar não chega. Apontar cegamente, a qualquer coisa, por qualquer capricho de opinião, é estúpido. É matar moscas com uma G3.
Por mim continuo a regar esta utopia, de que mais cedo ou mais tarde as pessoas entenderão que ser uma cabra tresloucada sem filtro, um cabrãozeco ululante e enfurecido, é uma opção. Optar não o ser é que é de valor.
Eu ouvia aquilo de boca aberta, e tristeza profunda. A primeira reacção, porque não entendo o que leva alguém a, vendo outra pessoa em situação que só a si cabe gerir, meter o bedelho, de modo brutamente intrusivo, e ainda por cima de forma gratuitamente agressiva. A segunda, porque a pessoa e situação em causa não mereciam semelhantes investidas e invectivas. Bastava conhecê-la, a pessoa, para o saber. Obviamente, quem se deu licença para assim agir não sabia, nem cuidou de saber: viu, julgou e achou por bem actuar, e com essa actuação não só não contribuiu para resolver o problema, como feriu outrem. Mais: viu com os olhos inclementes com que olha os outros; julgou com os padrões cegos com que avalia todos os outros. Duvido que, apontando esses olhos e padrões a si própria, aquela pessoa pudesse ser absolvida, mas que interessa isso, quando se é alguém que se autoriza a ser agente autuante, juiz e carrasco? Nada, nadinha.
Juro que ainda me surpreendo com coisas destas. Quatro décadas e picos de provas em contrário, e ainda tenho a ousadia de achar que as pessoas são melhores que isto, mais elevadas que a sua mesquinhez, com mais horizontes que os que a sua tacanhez impõe. E imagino que, confrontando-se tais pessoas, perguntando-lhes se achavam bem o que faziam, não reflectiriam nem um segundo, antes me responderiam que tinham direito à sua opinião, e a verbalizá-la. Claro que sim, toda a gente tem direito à sua opinião. E a dá-la. O que não significa que devam fazê-lo, ou que seja decente decidir dar essa opinião, a quem não tem o dever de a ouvir ou a considerar. Mas não importa: têm o direito. E se têm o direito, embora exercê-lo, embora! É só agarrar na forquilha e archote, olha ali alguém a fazer algo que, em princípio, acho errado, marchar, marchar.
Sem ilusões: devemos agir e opinar, sim. Agir contra a injustiça e ilegalidade, denunciando-a; o sistema, bom ou mau, existe. E só não funciona se não o usarmos e lhe dermos a manutenção devida. Idem aspas para o opinar, se bem que as palavras são ocas e inócuas se não houver uma acção eficaz que as secunde. Apontar não chega. Apontar cegamente, a qualquer coisa, por qualquer capricho de opinião, é estúpido. É matar moscas com uma G3.
Por mim continuo a regar esta utopia, de que mais cedo ou mais tarde as pessoas entenderão que ser uma cabra tresloucada sem filtro, um cabrãozeco ululante e enfurecido, é uma opção. Optar não o ser é que é de valor.
sábado, 4 de julho de 2015
Welcome to the twilight zone (5)
Uma pessoa a relatar publicamente actos de outrem susceptíveis de integrar o crime de ameaça ou o crime de devassa da vida privada. Acto continuo, dita pessoa praticar actos susceptíveis de integrar o crime de denúncia caluniosa e também devassa da vida privada.
[não estivesse eu no tablet e não percebesse um boi de fazer copy paste nesta joça, e punha aqui um gif de velhinhas a bater palmas]
[não estivesse eu no tablet e não percebesse um boi de fazer copy paste nesta joça, e punha aqui um gif de velhinhas a bater palmas]
sexta-feira, 3 de julho de 2015
I'm going slightly mad
Sobre rituais pós-morte, e onde enfiam restos mortais de quem quer que seja, quero cá saber - apesar de achar pouco higiénico desenterrar um corpo só um ano depois, iaca.
Sobre quem está ou não está ou devia estar no raio do Panteão, não me podia ralar menos - nunca lá entrei, não faço tenções de entrar.
Sobre fazerem um cortejo gigantesco, num dia de semana, e com caloraça, não me incomoda - por acaso até tiveram a decência de não se cruzar nos meus caminhos.
Sobre estarem uns cinco ou seis canais a passar aquilo em directo, não me afecta - é por essas e outras que pago cabo.
Agora o c@r@lho dos helicópteros, pá, sinceramente, não podiam ir "avoar" noutra freguesia, hein, se eu gostasse de viver perto de ruído aeronáutico tinha escolhido ali Alvalade ou a Quinta do Lambert, fod@-se.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
To sleep, perchance to dream
O dia inteiro a lutar com esta baixa de tensão. Cafeína? Check. Hidratos rápidos? Check. Chocolate? Check. Na mesma. Só que com uma overdose de estimulantes que me pôs, ali desde as três da tarde, a hiperventilar. Falta a derradeira solução: caminha. Credo. É o que dá trabalhar duas semanas numa, e ainda hoje é quinta.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
Psycho killer
Tenho um sonho, um sonho mui singelo, apesar de ilegal: um dia pegava em todos os motivadores da treta que apregoam inanidades como a vida resolve-se sozinha ou é preciso fazer aquilo que nos apaixona ou acredita e atreve-te ou tu consegues, tens é de trabalhar para isso, e caracinhas do mesmo teor, tirava-lhes tudo, o tecto, o rendimento, a rede de apoio (sim, família, amigos, tudo), a saúde, a certeza do jantar mais logo, o sossego de saber o amanhã, e ia largá-los ali a dormir numa caixa de cartão, nas arcadas do Martim Moniz, a ver o que acontecia. Façam lá uns workshops motivacionais entre os locais, façam; larguem lá umas larachas positivas e encorajadoras, larguem. Alguém há-de recolher o vosso cadáver.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
The final countdown
Custa-me imenso que haja quem se congratule com a desgraça alheia (e mais ainda porque a acham merecida), mas não consigo entender que haja quem não entenda que a União Europeia é só tão forte como o seu elo mais fraco.
Avizinham-se tempos aterradores, e há quem ainda não tenha aberto os olhos para além do seu umbigo e vislumbrado que a Europa está cercada. Isto não é só uma questão de dinheiro. Antes fosse.
Avizinham-se tempos aterradores, e há quem ainda não tenha aberto os olhos para além do seu umbigo e vislumbrado que a Europa está cercada. Isto não é só uma questão de dinheiro. Antes fosse.
sábado, 27 de junho de 2015
O direito do mais forte à liberdade
Quando era pequinititxa, mesmo ali na pré e primeiros anos da primária, tinha uma amiguinha, aquilo a que se chamaria a melhor amiga, que era uma pessoa, como direi, não é bem de personalidade forte, era entre isto e o atirar para o impositivo, alpha bitch, totalmente. Sempre que havia uma discordância, uma diferença de opiniões - e, naquelas idades, para surgir uma discussão que caiba neste espectro basta lançar um tema como "a que é que vamos brincar agora" -, e calhava eu não ceder, era um sarilho do caneco.
Note-se, apesar de eu ser bastamente conhecida pelo mau feitio e teimosia, a verdade é que, perante situações de impasse por coisas que não sejam de fundo ou implicassem um enxovalho superior ao que seria capaz de tolerar, eu cedia. Tudo a bem da paz (podre, verdade), e porque, enfim, há batalhas que não vale a pena travar.
Mas, de quando em vez, ela fornicava-me o juízo mais do que achava que devia contemporizar, e impunha-me. E ela, bom, reagia como reage uma criança habituada a levar a sua avante, pouco habituada a colocar-se no lugar do outro, ou a tentar perceber outras perspectivas. Zangava-se. Deixava de me falar, "já não sou tua amiga!", um drama do caralho. Mas não se ficava por aí. Acto contínuo, lançava-se na campanha de se eleger a vítima da malvada da Izzie, buhuuu, que a contrariou, e houve ainda aquela vez que. Isso mesmo: ia de coleguinha em coleguinha, fazendo o número de coitadinha, contando agravos presentes e passados, como eu era má, feia, e que não se dessem comigo, porque "tu és minha amiga, não és?".
E eu? Bom, eu ficava triste, claro que ficava. E não fazia mais nada. Para além de não nunca ter sido uma criança propriamente expansiva, que tivesse lata de andar, depois de uma zanga com a bff, a angariar um piquete de piedade e amizade com a minha pessoa, achava aquilo tudo muito palerma e desnecessário. E ficava no meu canto. Triste. Mas sem o deixar transparecer, às tantas - sim, estas cenas repetiam-se, assim como se repetiam a reconciliações e posteriores recidivas. E, se ficava triste com a atitude dela, mais triste ficava com a atitude das demais que, sem se cansarem a impor-se, ou averiguar seja o que for, se colocavam do seu lado. Achava uma injustiça. Aos poucos, e à custa de repetições, percebi que não o fazia por maldade ou pura parcialidade; era apenas um descaso, um desinteresse, um não se querer chatear com uma briga que não era delas. Entender isto capacitou-me para lhes perdoar um bocadinho. Afinal, não era mesmo com elas, pois não? Mas, ainda assim, magoava-me que fossem assim deixa-andar. Que fossem permeáveis à primeira - e única - abordagem, e tão facilmente deixassem de fazer caso de quem não tem estrutura para andar a cativar simpatias,a exigir solidariedade absoluta, a açambarcar a companhia com o propósito de também me privar dela.
Lembro-me de muitas vezes pensar que era tudo tão estúpido, tão poucochinho. De me animar pensando que um dia as coisas deixariam de ser assim, a vida já não seria um recreio de escola, as pessoas seriam crescidas e capazes de dizer a alguém, com estas atitudes, "hei, calma aí, resolve os teus assuntos com quem tens de resolver, mas não venhas tentar antagonizar, eu gosto da X e vou continuar a dar-me com ela." Mas não, parece que ninguém faz isto. É engraçado, porque eu faço. Se calhar (?) sou muito, muito estúpida, mas se alguém me tenta encurralar, isolar de outra pessoa só por causa de um diferendo lá entre elas, reajo mal, muito mal. Nunca me peçam para escolher entre a espada e a parede. Nunca me tentem afastar de alguém só porque passou a ser pessoa non grata a alguém do grupo. Nunca.
Ainda assim, percebo quem não reaja da mesma forma. É a tal coisa da paz social. As pessoas já têm muito que as rale, vão agora tomar posição numa situação destas. Deixam andar. A sério, percebo. Desprezo um bocadinho a falta de espinha, mas percebo. Afinal haverá muito quem pense que, se calhar, e porque eu não o mostro, se calhar também não me importo. E como não faço campanhas, se calhar também pensam que mais vale ficarem com quem se aproximou, e não com quem ficou ali, na boa, a ver o que acontecia, a confiar que, nã, vai lá ser tudo igual outra vez. Mas é. É uma constante. O elo mais fraco é descartado - não, esquecido. Como não se faz notado, é natural, ou habitual que assim seja.
E pronto, as coisas seguem. São como são. Tudo na mesma, como a lesma. E eu vejo-os a ir. E razão tinham os romanos, uma paliçada dá uma trabalheira a levantar, mas a probabilidade de se apanhar pancada lá dentro é muito menor.
Note-se, apesar de eu ser bastamente conhecida pelo mau feitio e teimosia, a verdade é que, perante situações de impasse por coisas que não sejam de fundo ou implicassem um enxovalho superior ao que seria capaz de tolerar, eu cedia. Tudo a bem da paz (podre, verdade), e porque, enfim, há batalhas que não vale a pena travar.
Mas, de quando em vez, ela fornicava-me o juízo mais do que achava que devia contemporizar, e impunha-me. E ela, bom, reagia como reage uma criança habituada a levar a sua avante, pouco habituada a colocar-se no lugar do outro, ou a tentar perceber outras perspectivas. Zangava-se. Deixava de me falar, "já não sou tua amiga!", um drama do caralho. Mas não se ficava por aí. Acto contínuo, lançava-se na campanha de se eleger a vítima da malvada da Izzie, buhuuu, que a contrariou, e houve ainda aquela vez que. Isso mesmo: ia de coleguinha em coleguinha, fazendo o número de coitadinha, contando agravos presentes e passados, como eu era má, feia, e que não se dessem comigo, porque "tu és minha amiga, não és?".
E eu? Bom, eu ficava triste, claro que ficava. E não fazia mais nada. Para além de não nunca ter sido uma criança propriamente expansiva, que tivesse lata de andar, depois de uma zanga com a bff, a angariar um piquete de piedade e amizade com a minha pessoa, achava aquilo tudo muito palerma e desnecessário. E ficava no meu canto. Triste. Mas sem o deixar transparecer, às tantas - sim, estas cenas repetiam-se, assim como se repetiam a reconciliações e posteriores recidivas. E, se ficava triste com a atitude dela, mais triste ficava com a atitude das demais que, sem se cansarem a impor-se, ou averiguar seja o que for, se colocavam do seu lado. Achava uma injustiça. Aos poucos, e à custa de repetições, percebi que não o fazia por maldade ou pura parcialidade; era apenas um descaso, um desinteresse, um não se querer chatear com uma briga que não era delas. Entender isto capacitou-me para lhes perdoar um bocadinho. Afinal, não era mesmo com elas, pois não? Mas, ainda assim, magoava-me que fossem assim deixa-andar. Que fossem permeáveis à primeira - e única - abordagem, e tão facilmente deixassem de fazer caso de quem não tem estrutura para andar a cativar simpatias,a exigir solidariedade absoluta, a açambarcar a companhia com o propósito de também me privar dela.
Lembro-me de muitas vezes pensar que era tudo tão estúpido, tão poucochinho. De me animar pensando que um dia as coisas deixariam de ser assim, a vida já não seria um recreio de escola, as pessoas seriam crescidas e capazes de dizer a alguém, com estas atitudes, "hei, calma aí, resolve os teus assuntos com quem tens de resolver, mas não venhas tentar antagonizar, eu gosto da X e vou continuar a dar-me com ela." Mas não, parece que ninguém faz isto. É engraçado, porque eu faço. Se calhar (?) sou muito, muito estúpida, mas se alguém me tenta encurralar, isolar de outra pessoa só por causa de um diferendo lá entre elas, reajo mal, muito mal. Nunca me peçam para escolher entre a espada e a parede. Nunca me tentem afastar de alguém só porque passou a ser pessoa non grata a alguém do grupo. Nunca.
Ainda assim, percebo quem não reaja da mesma forma. É a tal coisa da paz social. As pessoas já têm muito que as rale, vão agora tomar posição numa situação destas. Deixam andar. A sério, percebo. Desprezo um bocadinho a falta de espinha, mas percebo. Afinal haverá muito quem pense que, se calhar, e porque eu não o mostro, se calhar também não me importo. E como não faço campanhas, se calhar também pensam que mais vale ficarem com quem se aproximou, e não com quem ficou ali, na boa, a ver o que acontecia, a confiar que, nã, vai lá ser tudo igual outra vez. Mas é. É uma constante. O elo mais fraco é descartado - não, esquecido. Como não se faz notado, é natural, ou habitual que assim seja.
E pronto, as coisas seguem. São como são. Tudo na mesma, como a lesma. E eu vejo-os a ir. E razão tinham os romanos, uma paliçada dá uma trabalheira a levantar, mas a probabilidade de se apanhar pancada lá dentro é muito menor.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Welcome to the Twilight Zone (4)
- Qual é a vantagem competitiva de uma low cost quando uma passagem aérea, para exactissimamente os mesmos dias, custa apenas menos cinquenta parrecos que na companhia nacional - onde temos direito a lugar marcado e bagagem de porão, e aterramos num sítio muito mais central, com ligação de metro ao centro da cidade?
- Devo estar mal habituada, residente que sou numa cidade onde os hotéis nascem como cogumelos, mas por que caraças é tão complicado encontrar uma instalação hoteleira em Londres que leve ali à roda (ou menos) dos cem pastéis por diária, e tenha uma classificação igual ou superior a sete em dez?
- E agora perguntariam vós, ó fulana, Londres, Londres, tu tens problemas, caneco, sempre Londres. Ora, porque sim. E derivado disto:
David Suchet, como Lady Bracknell. Sim, eu recebo newsletters com novidades destas. Sim, eu gosto de sofrer.
- Devo estar mal habituada, residente que sou numa cidade onde os hotéis nascem como cogumelos, mas por que caraças é tão complicado encontrar uma instalação hoteleira em Londres que leve ali à roda (ou menos) dos cem pastéis por diária, e tenha uma classificação igual ou superior a sete em dez?
- E agora perguntariam vós, ó fulana, Londres, Londres, tu tens problemas, caneco, sempre Londres. Ora, porque sim. E derivado disto:
David Suchet, como Lady Bracknell. Sim, eu recebo newsletters com novidades destas. Sim, eu gosto de sofrer.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Houston, we have a problem
Se alguma vez vos perguntarem se é possível andar coisa de quinze dias com a mesma dor de cabeça / moinha, respondam que sim. Se vos exigirem provas, arrolem-me como testemunha.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine
Que seca, hein? Primeiros a gaija desaparece, depois a gaja aparece, e anda neste mói que remói, adondes anda a fermosa mas segura, a da verborreia verrinosa, a especialista em assuntos imbecis e entediantes, a dos quotidianos sempre maçadoramente iguais, a das birras estridentes, a dos sarcasmos acutilantes, a dos resmungos inconsequentes, adondes anda essa tal de Izzie? Não faço ideia. É um mistério tão denso como sempre foram outros, tais como a exacta localização de Avalon ou a secção de perdidos e achados da carris. A Izzie anda por aí, à procura das migalhinhas que traçam o caminho, o X que marca o local. Perdeu-se, a mafarrica. E, pasme-se, já não lhe apetece rir todos os dias, a parvalhona. Está feita uma matrafona de angústias e incertezas e, pior, nota-se. Se-ca. Qualquer dia volta a carregar demasiado no eyeliner e a vestir-se de preto integral, querem lá ver. Demodée. Out. Dorme-se aqui, à espera que lhe caia um raio que a electrize, ou a mande de vez para o mesmo raio que a parta. Cha-ta. Assim não vale a pena, realmente. Tss tss tss.
terça-feira, 23 de junho de 2015
I can't go on. I'll go on.
Se um dia me perguntarem qual foi o momento mais triste da minha vida, e se esse dia for amanhã, já sei que resposta darei.
Always look on the bright side of life
Coração ao alto, que isto um dia ainda vai dar um romance do caracinhas, é preciso é aproveitar enquanto o hype das autobiografias trágico-psicoanalíticas está em alta.
[e talento! talento e alento para a escrever! bolas, lá estou eu outra vez em curva descendente]
domingo, 21 de junho de 2015
Hope is the thing with feathers
Quando era miúda e me chateavam com a conversa do "então em que acreditas tu?" - ser agnóstico ou ateu é sofrer, as pessoas crêem, com toda a sua força, que toda a gente tem de acreditar em alguma coisa, pun intended - eu, enfadada com o interrogatório, e sem força para me defender do que seguiria a um "nada", acabava por responder "na humanidade". Era mais verdade do que gostaria. E continua a ser. Chame- se espírito humano, humanidade, sim, creio. E um humanista também tem os seus desafios e provas de fé, que tem. Seja uma pessoa, um percalço, um acontecimento particular, ou algo maior. Se pomos fé em algo tão difuso também é verdade que temos fé em pessoas mais concretas, e às vezes, tantas vezes, basta falhar-nos uma destas para termos o nosso momento gólgota, levantar a cabeça para o alto, e questionar porque nós abandonaram.
E depois há as coisas grandes, terrificamente grandes. Sei lá se é tpm, uma especial ou sazonal sensibilidade, mas as notícias de Charleston tocaram um nervo muito especial, aquele que faz fechar a garganta e apertar os sacos lacrimais. Podia ter acontecido numa igreja, num jantar de família, numa reunião de amigos, o que me tocou lá no fundo foi o horror de gente pacificamente reunida poder cair assim, vítima do ódio absurdo de um cabraozeco qualquer, um canalha consumido por ignorância torpe, e o mais vil desrespeito pelo próximo. O meu mal estar adensou-se enquanto a história se desenrolava: a idade do... Coiso, que nem animal se pode chamar àquilo. As circunstâncias em que se viu na posse de um instrumento de matar célere e arbitrariamente. O ideário que cultivava. A bandeira da confederação a ondular, indiferente, num edifício governamental (não fazia ideia, nem queria acreditar!). E, por fim, o aparato da detenção do indivíduo, sendo conduzido, pacificamente, pelas forças da ordem, escoltado e protegido pelos corpos dos seus membros, torso blindado por um colete à prova de bala, ou não fosse um celerado (de um "preto"?) desfazê-lo à bala. E, tão próximas, outras imagens, a de uma garota de bikini a ser atirada ao chão, manietada, algemada. Um garoto a brincar com uma pistola de brinquedo abatido como uma ameaça iminente. Policias sentados em cima de um "suspeito" que implora "I can't breathe". Tantas imagens. Uma pessoa sente um golpe, nestas alturas. Perde-se, mesmo. Não vale a pena, sente-se.
Mas depois, lê-se as palavras de um familiar de uma vítima, perante a notícia da prisão do carrasco, e são palavras de perdão. De repente, uma pessoa que não conhecemos, nunca veremos à nossa frente, uma só pessoa, de quem nem sabemos o nome, essa pessoa prova que afinal vale a pena, isto de crer nas pessoas. E essa pessoa, sem saber, faz-nos ter vontade de ultrapassar qualquer dor, que nem de longe se aproximará da sua, e voltar a ter a tal fé. Que não é só no outro, mas naquilo que representa, na sua centelha de humanidade. E é também uma fé em nós, na nossa capacidade de persistir em acreditar, por oposição ao desistir.
Se calhar é verdade, todos precisamos de acreditar em alguma coisa.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Rubber Soul
Como aquelas bolinhas saltitonas, muito rijas, muito chatas, que atiradas com demasiada força se tornavam um projéctil muito giro; toing-toing-toing, nas paredes, tecto, móvel, ai a jarra, ai a cabeça do mano; aquilo era indestrutível, por mais uso que se lhes desse nunca perdiam a capacidade de saltitar, sempre com a mesma energia inicial, depois esmorecendo aos poucos, a física explica, eu é que não; com o tempo iam perdendo o brilho e ficavam de uma cor pardacenta, foscas, algumas nicas aqui e ali - a jarra, a esquina da mesa - mas saltitavam ainda, todavia, quanto maior a força de arremesso maior a força e duração do saltitar, tau-tau-tau.
Claro que um dia perdiam a graça, a novidade; uma pessoa larga-as não sei onde, perde-as de vista, anos depois volta a encontrá-las numa caixa onde ficaram esquecidas, olha a bolinha, e atira-a, e ainda salta, ena. Antes assim rija, chata, fosca, que elástico; o elástico fica lasso, o elástico rebenta, o elástico não salta e ressalta, e nunca ninguém voltou a guardar um elástico velho, depois de o encontrar, esquecido, numa caixa qualquer.
Claro que um dia perdiam a graça, a novidade; uma pessoa larga-as não sei onde, perde-as de vista, anos depois volta a encontrá-las numa caixa onde ficaram esquecidas, olha a bolinha, e atira-a, e ainda salta, ena. Antes assim rija, chata, fosca, que elástico; o elástico fica lasso, o elástico rebenta, o elástico não salta e ressalta, e nunca ninguém voltou a guardar um elástico velho, depois de o encontrar, esquecido, numa caixa qualquer.
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