Entre ir à oficina deixar o bicho-mobile para revisão / inspecção, e voltar lá passados quinze dias porque havia uma peça que só agora chegou, comprei encomendei uma viatura automóvel. Um - novo! - veículo ligeiro de passageiros. Um mula-mobile, derivado de ser híbrido. Não que o actual não durasse mais dois, três anos, a mecânica está óptima,;mas havia *ali* uns pontinhos de chapa, nada mais que pequenos, minúsculos, quase invisíveis zonas de carroceria a precisar de intervenção (malditos pilaretes! malditos!). Ora nunca diria, mas sucede que lixar a meretriz da ferrugem que entretanto se instalou (pilareeeeeeetes!), alisar a chapinha (se vos apanho, pilaretes) e pintar à cor natural (pilaretes são filhos de satã e tenho como provar) fica para o carote, pelo que achei que saltava esse investimento, aproveitava os descontuchos + garantia + assistência que estão a dar, e deixava de contribuir para a indústria do pitróil como gente grande, vicissitudes de quem deixou de andar de metro por causa de umas costas muito fraquinhas e definitivamente avariadas. E pronto, vou ser uma cagona dos híbridos (minha rica mulinha, que até vem em cor de burro quando foge), mas não daqueles que ligam à ficha, népias, eu não tenho onde carregar; e mais maneirinho que o prius, que não tenho onde estacionar, e pronto, estou razoavelmente satisfeita com a situação, não fora já estar a arrojar com a alma pelo chão só de pensar em ter de fazer o seguro (calvário!), trocar a via verde (agonia!), e esvaziar o porta luvas, o banco de trás, a mala de um carro para o outro (isto sim, o horror, o horror).
segunda-feira, 10 de maio de 2021
E enquanto vais e vens, Izzie Messalina?
Quo vadis, Izzie Agripina?
Agora já a seguir, não sei; de momento, venho dali do tuíta, onde o senhorrrrr dotourrrrr - mas mesmo doutorado - em leis, líder e membro único do mais recente partido com representação parlamentar, está sentado nos bancos da assistência de um tribunal deste país, mas legenda a pic com o mimimi de que está sentado no banco dos réus. Seria de esperar que o senhorrrrr dotourrrrr em leis soubesse que essa denominação serve apenas para os tribunais criminais, e que caiu (um bocadinho) em desuso quando nos processos crime o réu se passou a denominar arguido (banco dos arguidos não soa bem, sei lá - na verdade acho que o que não soa bem é o libelo inerente a dizer-se a uma pessoa para se sentar ou que se sentou no "banco dos réus"; politicamente correcto gone wild ou presunção de inocência, você decide).
No tribunal cível (onde ele está, e bastava ter assistido a audiências durante o estágio de advocacia para conhecer bem a disposição da sala de audiência), comercial, de família, marítimo, propriedade intelectual, não há banco dos réus, mas começo a achar que deveria passar a haver o cantinho dos idiotas.
segunda-feira, 3 de maio de 2021
Aqui a pensar
Se, tendo eu uma segunda habitação, por acaso situada numa zona onde há muita produção agrícola em estufas com mão de obra sazonal e estrangeira, a cederia para ocupação por trabalhadores agrícolas, para fins de isolamento profilático ou mesmo por doença Covid.
Se calhar sou uma bobona de primeira, mas não vejo grande problema. Se me pagassem os consumos (água, electricidade, gás), e uma limpeza / desinfecção (pá, o vírus, né) no final, na boa. Se, para além disso, ainda me remunerassem, tanto melhor. Apenas pediria um fim de semana para retirar objectos pessoais de valor sentimental, ficaria desolada se se partissem ou estragassem, e bastaria haver crianças na equação para essa possibilidade ser real. Ah, além da exigência de que não me sobrelotassem a casa - o que, na verdade, também contrariaria a finalidade da ocupação / requisição.
Dito isto, não, não entendo a gritaria que vai por aí à conta da possível requisição de unidades isoladas de um estabelecimento hoteleiro, por acaso em estado de insolvência, ainda mais por acaso com dívidas ao Estado, quando as unidades a requisitar e ocupar são, somente, aquelas propriedade do estabelecimento, e não as propriedade de particulares.
O medo e nojinho de pessoas em situação de emergência social e de saúde (pobres, portanto) é uma coisa lamentável, desejo melhoras para essa condição. Infelizmente ainda não há vacina nem medicação, mas era uma coisa bonita, poder injectar-se empatia directamente nas jugulares.
quinta-feira, 22 de abril de 2021
Não é esquecimento, é mais que fazer (e um tiquinho de tédio, confesso)
[uma]
Mamãe já foi vacinada, e foi caladinha e obediente. Se mamãe, que é a pessoa mais teimosa que conheço, daquelas que mesmo quando provado que não tem razão continua a ter razão, consegue mudar de atitude quanto à vacina (vide uns posts aí abaixo), há alguma esperança para os palermas dos negacionistas. Estou a brincar, pá. 10% deles, vá, e isto sendo optimista. A maioria só lá vai com medicação da forte, ou mesmo colete de forças. Eu li coijas, pah, coijas nesha neti, que já nao consigo desler, pah.
(ah, calhou-lhe a da Moderna, à marota).
[duas]
Considerando as notícias que li, não sei se vou ser vacinada. Melhor dizendo, o período para o qual está prevista a minha vacinação está num limbo, e basta um pequeno erro de interpretação, ou de introdução de dados, e vou à vida. Explico: a partir de meados de Junho vai o pessoal dos 50 aos 59, e sucede que em meados de Junho ainda não tenho 50; a partir de meados de Julho começam a aviar o povo entre os 40 e os 49, mas nessa altura eu já não tenho 49. Giro, giro, mas mesmo giro era agendarem a pica para o meu aniversário. Levava biscoitos para o pessoal da vacinação (juro!).
[três]
De resto, continuo em teletrabalho meia semana, outra meia lá na tasca a fazer papel (live!), ou a aturar fregueses. Esta semana calharam-me uns bem fresquinhos, estou, ó, que nem posso. Confinava-os até ao fim do ano e não se falava mais nisso. O teletrabalho, bom, continuo a não gostar. Dá muito mau ambiente à casa. E à minha vida. Aliás, o trabalho já me corta muito a vida, mas como não tenho outro meio de pagar o pão e a manteiga (justiça para o gluten!), tem de ser. E ainda me vai pagando os vícios e alguns desvarios.
[quatro cenas sem importância nenhuma]
Nem a propósito, ontem comprei umas jardineiras, daquelas bem baggy. Numa loja de roupa em segunda mão vintage aqui perto mas onde entrei pela primeira vez (e serendipity é eu estar a usar, na ocasião, uma camisa de flanela que já existia ainda o Kurt Cobain era vivo). Têm um stock muito, muito fixe, Levi's a 25 bombocas, por exemplo, e parecem novas. Trouxémos um par cada um. Voltando à vaca fria, as jardineiras, não foram baratas mas são oshkosh, ganga muito boa, e pagava pouco menos por umas da agá e éme num paninho que nem um ano e parecia de limpar chão. Estou doida para ver a cara de mamãe quando as usar - claro que as vou usar de propósito numa visita, a minha missão de vida é causar choque e transtorno a mamãe. Ela já não anda bem desde que deixei de pintar o cabelo, e agora que estou 100% natural e, portanto, grisalha, a senhora não se conforma. Está um bocadinho mais subtil na sua abordagem ("sim, já viste como é, até nem te fica mal" - mentirosona, odeia - "mas não vais ficar assim para sempre?"), mas caramba, é uma viagem, que começou com um directo "nem penses!". Oh, those were the days. Donde, tem uma filha pré-cinquentona com peruca que não o nega e que se veste num estilo que eu quero (muito!) cunhar como o trolha-chic. Já sou uma feroz seguidora do azeiteiro-chic (t-shirt branca, camisa de homem com estampado tchanam, jean, téne: o meu look de fim de semana preferido). Espera. Espera. Isto é tudo a mesma tandance. Trolha ao fim de semana com camisisca florida, de semana com roupinha de acartar baldes de massa. Méne, ainda acabo uma influenciadora. Trolha-chic, anotem bem. Quando andar tudo o que é 'miga de camisa de flanela / terilene estampada, calça jean coçada, téne / doc's, lembrem-se, fui eu. Ou foi um revival dos anos 90, pronto.
terça-feira, 6 de abril de 2021
De volta ao (meu) normal
Primeiro dia de trabalho desconfinado, presencial, portanto (há situações em que tem mesmo de ser); excitex já na véspera, eheheheheh, sair de casa, ihihihih, estar com 'ssoas, ohohohoh, contactar com 'ssoas, ahahahahah, trabalhar normalmente. Roupinha bonita escolhida (tenho pelo menos dois terços do guarda roupa em stand by, já vai para um ano, há que aproveitar para arejar os trapos), cara arranjadinha, yay, horário a cumprir, iupi, fazer cenas e falar com gente, hurra!
Nem são onze e meia e já estou em estado de "kill me now", "odeio 'ssoas" e "qué i pa caja".
Desconfinei, física e mentalmente. É oficial.
quarta-feira, 31 de março de 2021
Então cá estamos
Na sexta feira, ali à roda das sete e tal, acabei o que tinha ainda pendurado, fechei o computador e entrei oficialmente de férias. Hurra, uma semananinha para por em ordem coisinhas cá da minha vida, fazer arrumações há muito adiadas, desforrar-me na leitura, yay! Donde, sábado crashei e passei o dia numa espécie de nevoeiro mental e papa corporal, deitadinha no sofá, deitadinha na cama, aiaiai que estou tan cansada. Domingo arrebitei um bocadinho, até porque tinha de sair de casa (é o dia de lanche semanal com mamãe, mano e sobrinhos, é a minha bolha, constante e arduamente mantida desde o início desta maluqueira, fuck you proibição de atravessar concelhos, é tudo área metropolitana e nós, lisboetas, não somos grande coisa nisso dos limites de concelhos, mais faltava não poder ir ao leroy que me dá mais jeito, culpa tenho eu que o tenham aberto ali ao lado); segunda não me lembro de todo o que fiz (além de irmos tratar de umas papeladas), mas ontem, pá, ontem é que foi. Calcei os crocs, calças velhas e sweat, luvas, e vai de esvaziar o compostor, à pázada, para o preparar para novo ciclo de compostagem. Entrementes, espalhar o composto pelos vasos e árvore, retirando, antes, as pedras decorativas que a rodeiam (e estavam a enterrar-se). Desfiz / separei em peças um banco de madeira que estava podre e em inteiro pesava horrores; preparei a tralhinha toda para pormos na rua à hora que a Câmara mandou e antes de chegarem os senhores da camioneta dos monos. Tirámos os dois móveis do corredor, enrolámos o tapete / passadeira, levámos tudo para baixo, e provavelmente eram as serotoninas e dopaminas a falar, mas eu estava, ó, com os músculos todos aos berros, mas eu-fó-ri-ca, já a planear o trabalhinho de jardinagem e arranjo do pátio que ia continuar hoje.
No can do.
Como seria de esperar - e eu não queria acreditar - acordei toda empenada das cruzes, com uma moinha na cervical, e o ombro direito fechado para obras. Daqui a pouco talvez faça uma tarefa apropriada à minha vetusta idade e pobre condição física, como trocar plantas de vasos, se isso não implicar carregar peso, andar escada acima e abaixo, baixar-me, estar de cócoras, enfim, acho que vou tratar daquela cena da leitura. Se não adormecer. Caraças, tenho tanto soninho.
quarta-feira, 17 de março de 2021
Novidades? Não temos.
Senhora minha progenitora já anunciou que não quer e se recusa a tomar a vacina da astra zeneca, pretende a da pfizer. A minha reação foi entusiástica: eu vou contigo, digo logo que é uma pena estragar-se, e podem dá-la aqui a moi. Mano teve uma reacção mais severa (e adulta, vá): que isto não é assim que funciona, toma-se o que houver e acabou, e qual o problema com a az, os casos de coágulos são ínfimos e não está provado nexo de causalidade. Para não dar (totalmente) o ar de tolinha da família fui fazendo que sim com a cabeça, sublinhando o bom senso fraterno. Mas voltei a frisar que se ela não quer, mais fica, oras, e como filha primogénita me ofereço para herdar. Caneco, eu cá aceito o que me quiserem injectar, até a sputnik, qué lá saber; se só por si a vacina já diminui, comprovadamente, o risco de doença grave, hospitalização e morte, venha a pica. E fala daqui a caguinchas maior de picas. Mas mamãe insiste porque, ainda que tenha sobrevivido aos efeitos secundários das pílulas de primeira geração (coágulos, risco de coágulos for everybody!) parece que teve um desmaio que a médica lhe diagnosticou como um mini-avc, e coise. Quem nunca, pá. Eu sofro de mini a médios avc às dezenas, só por semana. A sério, sofro de tonturas frequentes, com sensação de corrente eléctrica a passar no cérebro, sempre atribuí ós nervos, fazem engarrafamento nas sinapses e de vez em quando chocam, mas parece que também é uma das manifestações de mini avc. 'Tá bem. Eu quero é a vacina, bácina, toda a gente vacinada. Juro, se no primeiro confinamento até levei bem a coisa, neste estou à beira de me tornar a maluquinha da freguesia. Apetece-me sair pela rua a correr, de bracinhos abertos, e a gritar iupis, e até voltar ao trabalho como ele era ali em Setembro de 2019. Depois cai a pequena réstea de sensatez que me resta, e nã, afinal estou bem em casa (não estou), não preciso mesmo de sair hoje (por acaso fazia-me bem), apesar de estar fartinha de limpar o fogão, aspirar cotão, e sentir-me numa espécie de coma mental, um nevoeiro peganhento que não levanta, se entranha até aos ossos, e me está a empenar física, emocional e intelectualmente. Já não leio, por pura anomia, já não bricolo, porque me canso só de pensar e planear. Trabalho o que posso ao ritmo de uma lesma paraplégica, e escavaco as cutículas. E é isto.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
Para o almoço, cascas de tremoço; ao jantar, bordas de alguidar*
Ah, que saudades, saudades.
Do tempo em que era jovem e tinha sonhos, e a coisa mais excitante que tinha para relatar não era o ter passado a ter um novo produto de limpeza favorito (adeus cilit, olá sanytol: o de casa de banho não só desinfecta como.... tcharam... limpa o calcário! dois em um! maravilhoso, eu sei :') claro que não dispensa o gel lixívia, mas pronto, coise, estou muito feliz e isso é que importa, né, sermos felizes e assim).
Assim de repente, também tenho muitas saudades daquele tempo em que se passava um "oh, pá, que chatice, tenho de ir outra vez ao supermercado", em vez de um "de certeza que não nos falta nada e não pecisamos de ir ao supermercado?" (conta como passeio, yay).
Falando de comes e bebes, também sinto muita nostalgia dos tempos em que no congelador cabiam, sempre, e à vontadinha, umas três ou quatro cuvetes de litro de gelado. Agora (o horror!) está a abarrotar de comida-comida; e entre a carne, peixe, legumes e sopa congelada não se consegue enfiar um magnum, quanto mais. Outros tempos.
Já que menciono outros tempos, nostalgias e saudades, nota especial para a actividade absolutamente subversiva, completamente clandestina, perigosamente activista que me mate desenvolveu ontem: foi comprar um livro. Oh! Ah! E se o apanham? Apanharam? Não, nem ao dono da loja, que lhe ligou a informar que tinha chegado a encomenda, a coisa foi muito bem combinada: multibanco da Caixa, convenientemente perto mas também afastado da loja, transferência feita, saquinho não marcado a passar de mãos. Juro. Contado ninguém acredita. (a loja é a Kingpin Books, já agora, não deixem de visitar quando esta loucura terminar - ou abrandar, que já não acredito em nada -, e depois podem ir lanchar um bolinho à Docel, hashtag naodeixemacabaromeucomerciofavorito, coração com os dedos).
(*a resposta da minha avó e mãe à catraia que lhes perguntava o que seria o repasto. linguas de perguntadeira também calhava muito)
(entretanto a pilha do rato faleceu, já tenho só uma nova, preciso de ir ao supermercado, yay!)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Cabin Fever
Já muito se escreveu sobre o drama do teletrabalho com filhos em casa.
Fica por relatar (me aguardem) a tragédia do teletrabalho com os filhos dos outros em casa.
Não apoia, não incentiva, não celebra as pequenas vitórias
Uma pessoa vai ao lidl (a um domingo, e bem cedinho), volta de lá es-tri-ta-men-te com aquilo que era necessário ir lá buscar, não traz uma oportunidade da semana, não afinfa uma ferramente, não aproveita para dar lar a (mais) uma plantinha, e ele? Faz uma festa? Dá-nos os parabéns? Nota, sequer?
Nadinha. Um bruto insensível. Um monstro totalmente desprovido de empatia. Um dia destes vou ao horto e aí ele vai ver. Ahahahahah. Vai ver.
[as ferramentas eram todas auto, e a única plantinha com um ar sim senhora já tenho, mas não interessa, é o princípio da coisa]
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Passeio higiénico, educativo, e de encher as vistinhas
Quando vim morar para estas bandas havia quem dissesse que ah, não sei quê, essa zona não é um bocadito má, e isto era as 'ssoas a tentar ser educadas, o que elas estavam a dizer é essa zona é má. Algumas eram mais directas, iam logo ao assunto, isso não é perto da sopa dos pobres; e eu que sim, é. A quem dizia isto se calhar fazia falta passar lá em frente, de vez em quando, e ver o tamanho da fila logo ali às onze e picos. Também lhes faria bem ver como vive parte da nossa população, sim, estou a falar especificamente da sem abrigo que, ou muito me engano, ou está a aumentar outra vez (aumentou muito na altura da troika). É educativo, e reforça ou ao menos exercita o músculo da empatia. Quero eu crer. Ah, não me digas que tu és daquelas vermelhuscas que acham que lhes devíamos dar casa e comida de borla, e nós a pagar. Pronto, então não digo. Envergonha-me profundamente saber que há quem viva na rua e passe fome.
Adiante.
Voltando à zona: isto aqui pelos Anjos, Arroios e zona baixa da Penha é espectacular. Primeiro, porque em 2003 ainda se conseguia (eu consegui, pelo menos) comprar casa. Até há pouco tempo também se conseguia arrendar, pelo que é uma zona que tem GENTE. Pessoas a sério, normais, de todas as idades: velhos a passarinhar e atravancar passeios e filas de supermercado; crianças de mochila a ir para a escola; tudo o resto pelo meio a ir para escola, universidade, trabalho. Gente de vários estilos, proveniências (parece que em Arroios vivem pessoas de 70 nacionalidades), muitas caras diferentes, e isso é que faz um bairro, que digo eu, uma cidade. Gosto disso. E comércio tradicional, de pessoas, para pessoas. Vieram os turistas e a loucura do imobiliário, e a coisa desmoronou-se um pedaço, mas tenho esperança que se mantenha. Por agora, voltámos à normalidade de bairro, embora com menos circulação. Certo, fizeram um condomínio de luxo ali no topo da Angelina Vidal, onde um T2 vale a pechincha de seiscentos mil e coiso, mas depois veio o PCP e pintou um mural no paredão que dá para a rua, e isso fez-me rir. Sim senhora, dito condomínio está quase todo vendido, às tantas a troco de muito visto gold, mas foi carimbadinho com exigências de justiça social. Loooove.
Bom, e é por esta zona má que fazemos os nossos passeios higénicos. Há quem prefira centros comerciais ouo ikea, mas digam lá se no monstro sueco (sem desprimor, hein, também sou freguesa e fã) encontram as verdadeiras pérolas da decoração de interiores que ainda sobrevivem na Almirante Reis:
Roam-se.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
Hoje almoçamos douradinhos
(mas com talher de peixe, que não somos uns selvagens)
Isto da alimentação saudável é muito giro, na teoria, mas os brócolos ( outras cenas verdes) não nascem nos cantos (a menos que se trate de bolores e aí, yeww), ficam amarelos com uma rapidez incrível, e nesta altura do ano a fruta não é por aí além variada ou apelativa. Acresce que uma pessoa tem de trabalhar e ainda limpar a casa toda antes de almoço, que já não dá para ignorar o estado de la-men-tá-vel acumulação de cotão e pó (daqui a nada ganha vida e depois temos um filme de terror cá em casa, fazemos a abertura noticiosa da cmtv, descoberta macabra: casal devorado por monstros de cotão. não queremos isso, não.
Entretanto irritei-me (ainda mais), eu que até sou pessoa que anda a evitar irritar-se, derivado de já ser muito doente dos nervos e não precisar de estímulos extra, quando ontem vi no telejornal imagens de pessoas alegremente passeando (isso ainda vá) e abancadas em jardins (é proibido, caraças, proibido). Já vamos no décimo segundo mês disto e basta um raiozinho de sol para se mandar às urtigas todo o sacrifício que já levamos às costas, e com resultados evidentes; pô, ontem fomos desentorpecer as pernas de e até ao atm e ainda há gente que anda alegremente sem máscara, como se vivessem sozinhos no mundo, os psicopatas. Qualquer dia faz anos que se ia bater palminhas à janela aos médicos, enfermeiros e pessoal hospitalar; agora são mais os piretes e comentários abjectos (eu sei, eu sei, tenho de deixar de abrir caixas de comentários de notícias) de eles não querem é trabalhar, é para isso que lhes pagamos e por aí fora, já nem mencionando os chalupas pela verdade lá deles, que garantem que isto é tudo um grande embuste, os hospitais estão às moscas e os médicos e enfermeiros cantando e bailando. É como diz aquele chiste muito antigo (eu sou uma pessoa antiga, ainda me lembro do metro parar em em Arroios, vejam lá), se a estupidez pagasse imposto andavas todo carimbado e, acrescento eu, a avaliar pela parvoeira que por aí anda, não precisávamos de bazuca europeia que tínhamos os cofres cheios.
Haja paciência. Hoje estou muito precisadinha.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Então isto hoje são quantos de quando?
Entrados em pleno no mês doze do ano da peste, agora sim, estou a perder a noção do tempo. Nota: hoje é quarta [iep, achei que era quarta, mas fui conferir] quinta feira, onze de Fevereiro. Um grande bem haja ao telemóvel, que cada vez que o abro mo confirma.
Mas piretes para o mau, foco no bom. Não que tenha ânsias de me tornar uma pessoa mega-hipé-positiva, a espalhar, com minhas palavras, luz por todos os recantos escuros da existência, mas porque hoje preciso. Dói-me a cabeça (outra vez), não consigo dormir oito horinhas seguidas porque acordo ainda de nôte com preocupações que não lembram a ninguém, estou fartinha do teletrabalho em especial, e do trabalho (no qual incluo a lida doméstica, é trabalho) em geral.
Vamos a isso?
Vamos.
Um: a lego vende online e a entrega não é feita pelos CTT (graçádeuz, né, que o ikea já despachou a minha dia nove, com previsão de chegada dia 10, e os CTT ainda nem sequer me mandaram o tracing da encomenda. os livros técnicos que a almedina despachou hoje devem chegar pela Páscoa, presumo). Temos até a hipótese de ir levantar em pontos de recolha (tenho um bem perto), funciona lindamente. Ah, e tu tens tempo para fazer legos? Arranjamos, ora. O lego faz parte do nosso zen conjugal. Há meia hora, monta-se mais um andar da casa da Rua Sésamo.
Dois: filmes e séries. Coros de anjos. Caraças, não fosse a tubisão e já tínhamos enlouquecido. Como tenho uma memória de peixinho, em 2020 comecei a apontar todas as séries e filmes que abatemos e, eia, de facto temos muito tempo livre. Ou ocupamo-lo bem. Os melhores filmes que vi em 2020? Parasite (top, top, top, tão bom, tão bem feito, tão marxista, tão doloroso); Jojo Rabbit (chorámos ambos); A Laranja Mecânica (um filme com a minha idade e que - choque! -nunca tinha visto; ó pá, que caneco); A Queda (também ainda não tinha visto - vergonha!); A Favorita (amor eterno por Olivia Colman), e Tropa de Elite. Diverti-me muito com Birds of Prey, mas apanhei um secão (e dormitei) com The Avengers. Apanhei o cagação mais longo e intenso - aquilo é um suspense de cortar à faca, e quando se pensa, nã, não vai piorar, piora - com Midsommar; e deleitámo-nos com terror / suspense old school de Carpenter (The Thing, um prodígio de feitos pré CGI; The Fog, que deve ter custado uma merreca mas é bem bom; e é sempre bom revisitar Escape from New York). Da produção nacional, fiquei agradavelmente surpreendida com Variações (já agora, aquele dos Queen e do Freddy Mercury é uma joça, mas o Rocketman achei um musical muito bem conseguido); e muito, muito agradavelmente surpreendida com A Herdade.
Foi um total de 55 filmes, se não me falhou tomar nota de algum.
De séries, começámos 2020 a despedir de Buffy (muito, muito fixe, e envelheceu muito bem); a degustar Good Omens (pá, é um doce muito especial e que apreciei deveras, espero que Sandman seja adaptado com tanto amor como este); e seguimos a alta velocidade com Narcos, After Life (pô, tão bom), e passámos uns bons meses na refeição gourmet que é The Americans. Que. Série. Do. Caraças. Espreitámos e ficámos fãs de Cobra Kai (terceira temporada já devidamente digerida, em 2021); e claro, euzinha, sozinha, que sou uma pessoa de gosto, adorei The Good Place e The Crown. Des (correide todos à HBO e vede, vede) já no fim do ano, seguido de The Handmaid's Tale (foram todas as disponíveis, e uma pessoa pensa ah, já li o livro, que terão estes a acrescentar, e vai na volta e têm, apesar de no início da terceira temporada bater aquela dúvida sobre se vale a pena ir à quarta, provavelmente vamos, we ain't no quiters).
No total, 15 séries. Definitivamente, temos muito tempo livre (noites e fim de semana, c'a gente trabalha com'ás outras'ssoas). Ou aproveitamo-lo mesmo bem.
2021 é que está a começar fraquinho: só dois filmes e três séries? Hum. Se bem que His Dark Materials (HBO) vale por cem, pá. O elenco é, ó do caracing, e a Ruth Wilson é a melhor vilã de sempre, sempre, sempre. Maravilhosa. De uma forma (subtilmente) aterradora, claro. Me mate é superfã dos livros, pelo que estava muito apreensivo; acabou tirando o chapéu, o que é, para ele, um grande elogio. Ansiamos pela terceira e última temporada, mas ansiamos a um nível de grande ânsia. Digo já que foi a primeira série de fantasia que me pôs a uivar de dor e revolta (literalmente: cheguem ao último da primeira temporada e depois falamos. e voltamos a falar no último da segunda. olaré. quem não chorar tem uma pedra de calçada no lugar do coração), mas também a bater palminhas e a ter reações completamente futebolísticas (I know, I know, despicable me) de Aaaaahhhh!, 'Bora, c@ra; Pá, este gajo/a, matem-me este/a gajo/a.
E hoje fico por aqui. Até porque o Três: livros, não tem tido grande andamento. Surpreendente, eu sei; mas passo o dia ao computas a ler inanidades, a cabeça não chega para tudo.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
Namasté, ou o caraças
Se já andei a "passear" em sites de venda de produtos de cabeleireiro, a pesquisar tesouras de corte e de desbaste? Sim. Se desisti a tempo? Felizmente, também sim.
Muita forcinha zen para esta lucidez me durar até à Páscoa, muita mesmo.
[cabelo fino + abundante+ pesado + extra liso + tesourada amadora = esfregona cruzada com porco espinho, só remediável a máquina zero. este é o mantra a recordar.]
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
[ a emissão segue dentro de momentos ]
[a norma das sequelas - salvo raras e honrosas excepções - é esta, não havia razões para que "Confinamento 2 - A Vingança de Corona" fosse melhor que o original. níveis de ansiedade, cansaço, cagufa, desalento a bater recordes. chatice, pá. me no like.
felizmente já ninguém anda com aquela positividade tóxica do "vai acabar tudo bem", "isto vai-nos tornar melhores pessoas", porque a) até acabar, não me doa a cabeça - a sério, não me doa; b) vai acabar bem o caralhinho, há quem já esteja acabado ainda a procissão vai no adro; c) quanto à natureza humana, bom, não tenho vontade de filosofar, é o que é.
há bocado fomos à rua, porque era preciso aviar uma receita. aproveitámos para um passeozito, a desenjoar, eu, dos meus trajectos casa - garagem - viatura - trabalho - inverso, e ele de ir ao pão e pouco mais. não contei, porque os nervos me estavam a incapacitar um bocadito, mas tivesse dado uma paulada a cada pessoa sem máscara, e ia passar uma boa temporada na cadeia.
enfim, é o que é. muita paciência, juizinho, e caaaalma. que se foda a calma, ó. chocolate. quero. mais. preciso. mais. chocolate. nunca fiquei tão contente por estar quase a ser "dia de supermercado"]
sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Calhou cocó
Aceitam-se apostas, ou meros palpites, sobre:
- Quando é que o Trampas vaga a casa alva, e se sai pelo seu pé ou ao colinho / arrastado / à mangueirada;
- Novo confinamento: sim ou não; se sim, quando e por quanto tempo;
- Quantos xanax a mais se aviaram neste país à conta dos debates presidenciais;
- Três dias a voltaren serão suficientes para repor as minhas costas num estado minimanente funcional (já não peço mais) (sim, escangalhei-me logo no segundo dia de trabalho aqui na arca frigorífica);
- O valor do acerto que a EDP me vai mandar ali para Fevereiro, Março.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
Ready to start
Toda eu sou contrariedade e amuanço, neste recomeço de hostilidades laborais; pareço os catraios no regresso à escola. E frio, muito frio: os pés parecem blocos de gelo e não há meio de os aquecer; estou encostadinha ao radiador (o que é uma maravilha para gargantas sensíveis, valha-me são brufen), vou-me mexendo como posso, mas nada resulta. O termómetro do carro acusava mais de dez graus, mas parecem-me metade disso, as minhas extremidades concordam. Tanta coisa para calhar ser, havia de me sair na rifa friorenta. E facilmente entediada.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
And in the end the love you take is equal to the love you make*
Não estão tempos para balanços e retrospectivas, que não estão: ainda ontem pensava eu, rejubilante, que esta coisa das máscaras era um fantástico silver lining, e a manter para sempre, que consegui chegar ao fim de Dezembro sem as duas constipações / dores de garganta / tosses / ranhosices da média e tau, hoje tenho aqui um piquinho na amígdala.
Sim, sim, twenny-twenny foi aquele ano que, como comunidade, já se sabe. Mas foi também o ano, não há como não frisar, o mesmo ano em que foi declarada uma pandemia e descoberta / desenvolvida / distribuída uma vacina. Isto é um bocado uau, para não dizer estupidamente yay.
Donde, e a um nível a modos que global, 'tá-se. Mais um bocadinho de paciência e em Abril, Maio mamãe já está vacinada (um peso enorme que me tiram); lá para Junho, Julho calha a moi e aos que me rodeiam (e já posso ir de manga curta, não obrigando ninguém a ter de encarar meu torso desnudo - estou a brincar, senhores, levai mangas curtas, ninguém precisa de ver mais man-boobs).
O resto logo se vê, sorry (not sorry) pelo egocentrismo, mas tenho mais com que me ralar num futuro próximo. É que twenny-twenny não levou só o meu pai e o casamento do meu irmão: a partir de amanhã a outra metade deste casal vai estar desempregada. Quer dizer, em situação de não empregada. Sem trabalho? Isso. Não se trata de uma consequência directa da covid, pois estava já a entrar no simpático e aconchegante forno do capitalismo há precisamente um ano; mas a pandemia veio reforçar e acelerar uma decisão executiva, tomada por doutores engenheiros daqueles que ganham chorudamente para pensar nestas coisas, e ainda vão levar de presente um bambúrrio em prémios por as concretizar. Parece que as empresas, mesmo as que deram lucro (e do bom) antes e durante a pandemia, não precisam de trabalhadores. Quer dizer, já não precisavam antes, que trabalhador é bicho em vias de extinção e extinto será depois de caçado até ao último exemplar; agora o que se precisa é de colaboradores (qualquer pessoa que tenha umas luzes mínimas sobre os tempos da Segunda Guerra sente arrepios ao ouvir e ler esta palavra), que são umas pessoas muito colaborantes, isto é, não chateiam com coisas de somenos importância como vínculos, estabilidade, horários, salário digno e adequado, pagamentos à Segurança Social a cargo do benfazejo empregador, helás, são pessoas muito modernas e eficientes, que fazem o que lhes pedem para fazer e não maçam quem manda fazer - que seria! - nem são entrave à mais valia para quem, nesta relação, tem de ser preservado, apaparicado, premiado - estou a falar do accionista, claro, que o aparicamento e prémio do shôr director estratega engenheiro ninguém esquece. Donde, pErtanteS, mais uma empresa que qualquer dia tem mais dirigentes que empregados colaboradores, e mesmo estes não têm qualquer parentesco com a dita empresa, mais faltava tais intimidades, são apanhados no largo da aldeia pela carrinha, manhã bem cedinho, escolhidos conforme a batata que há para cavar, pagos ao dia de jorna e cheios de sorte. É isto, é. E se, para arranjar lugar para este novel (lol) modelo de gestão de pessoal (lol) é preciso vagar os lugares ainda detidos pelos tais bichos raros dos trabalhadores, emprega-se os meios que forem adequados, ora essa. Chumbo grosso, armadilhas de urso, fossos com estacas. Ou ameaça de e de. Até a pessoa achar melhor solução a saída pela porta desengonçada que lhe abriram, mandar um sonoro fodam-se vocês, que a mim já ninguém fode** e ir.
Anyhoo, como diria um motivador / influencer de algibeira / antigo primeiro ministro com um apelido de bichinho fofinho, é uma oportunidade. De quê, ainda não sabemos. Mas vai ser, porque sim. Sou uma pessoa um bocado teimosa, e quando embico pelo optimismo, ui. Até porque não pode ser tudo mau, na puta desta vida.
Calhou também que, neste ano da desgraça, tenha tido a melhor notícia de sempre - até agora - que foi a sobrinha bomboca-linda ter ido estudar o que sempre quis para uma universidade lá fora onde nunca pensou que conseguisse entrar, que a concorrência é muita. Concluindo, preciso muito da vacina, pode ser bácina, também. Porque nos próximos quatro anos (tudo correndo bem), vamos inaugurar um corredor aéreo Lisboa - Berlim sem precedentes. Nos próximos quatro anos, tudo correndo bem, tornar-me-ei transportadora de bacalhau seco, lata de atum e sardinha, azeitona, azeite, superbock, em mala de porão. Nos próximos quatro anos, tudo correndo bem, serei capaz de perceber a menina da caixa quando me disser quanto tenho de pagar pelos 271 ritter sport (chocolate com iva a 6%!!) que estou a aviar. Nos próximos quatro anos, muito provavelmente, não conseguirei converter-me ao currywurst (aarrrrggghhhh) ou qualquer tipo de salsicha (what gives? a sério.) mas me mate ficará saciadinho e feliz. E a culpa não é só do babanço que temos pela sobrinha. A culpa, maioritariamente, é do Brexit e pó que actualmente tenho aos ingleses. E de termos ido a Berlim há quase dois anos, e nos termos apaixonado. A certo ponto olhámos um para o outro e disse eu, "é para aqui, agora?", e ele fez que sim. É para ali, agora. E onde calhar.
A ver se temos sabedoria e sorte na leitura de mapas. Não temos, eu sei; mas ao menos fazemos figura de idiota juntos. Isso é certo. Confortável, aconchegantemente certo.
*há sempre uma música dos Beatles adequada a qualquer, repito, qualquer situação. o mesmo sucede com as tirinhas da Mafalda.
**citando João César Monteiro, ídolo de me mate (eye roll), numa das poucas ocasiões em que lhe achei graça.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Contem-me tudo, não me escondam nada
Aquilo que nos antigamentes, naqueles tempos pré-pandemia, as pessoas chamavam "conference call", eram os zooms e os skypes de agoramente, não eram?
(o mundo corporate e o seu fascinante jargão sempre foram um mistério, para mim)





