terça-feira, 14 de setembro de 2021

Ena, ena

Diz que ontem deixou de ser obrigatório andar na rua de máscara, mas eu cá tenho uma coisa em comum com os negacionistas, a saber, ninguém manda em mim. Deumalibre, além da delta já anda aí a mu, qualquer dia chega a época das constipações e gripes, deixa estar que estou bem. Além de que me favorece imenso: os óculos escuros já me tapavam metade da cara, agora posso dizer que sou a cinquentona mailinda de sempre que não há provas que refutem. 

Entretanto diz que abriu a estação de Arroios, e já vi na net todas as piadas possíveis sobre o tema. Até o Metro mostrou um nico de sentido de humor e passa nos painéis luminosos a mensagem "este comboio já pára em Arroios". Sim senhora, já há relatos que atestam que é verdade, mas outra coisa que tenho em comum com os negacionistas: só acredito fazendo a minha pesquisa.

Também parece que acabou o teletrabalho, e nota-se (muito) no trânsito. Outra oportunidade perdida para diminuir emissões, aumentar a qualidade de vida de inúmeros trabalhadores, reduzir despesas de transporte e alimentação. E eu, que comecei por detestar, acabei por abraçar algumas das vantagens; quando posso (pena é que posso pouco), continuo a trabalhar em casa. Olha, tenho outra coisa em comum com os negacionistas: ninguém diz o que eu faço.

De resto, nada. de. relevante.

Não fomos à Feira do Livro porque não preciso de mais papel por ler lá em casa (inclui os teus panfletos, Medina, pára, ok, não voto em ti), e ninguém me oferece um T5 forrado a estantes. E com jardim, já que estou a pedir. 

Queríamos muito ir ver o Dune ao cinema, porque ecrã gigante, mas se estreia na disner vemos em casa, porque pessoas.  

Vimos o Tenet e a-do-rei. Na altura que estreou vi imensas críticas negativas, que era pura megalomania, a armar aos cucos, impossível e irrealista, não fazia sentido. Sim, porque na vida real há imensa coisa a fazer sentido, actualmente; por onde começo, pela retirada dos 'maricanos do Afeganistão?, pela lei do aborto aprovada no Texas?, pelo facto de me mate estar a mandar cv há oito meses, até para ofertas abaixo das suas qualificações, e nem para uma entrevista o chamarem? É. E claro que é irrealista e impossível: chama-se ficção. A boa, reconfortante, alegre ficção. Se eu consigo escrever um texto coerente a explicar a história? Népia, mas desafio qualquer pessoa a explicar com clareza o Inception, o Interstellar, vá, o 2001 (todos bem bons, já agora) ou, se estiverem mesmo a sentir-se corajosos, a linha ideológica e pensamento político do Nuno Graciano.

E pronto. Vinha aqui só abrir uma nesguinha de uma janela, a ver se o tasco não ganha mofo, e acabo a deixar um testamento que faz favor. Há quem diga que isto dos blogs já acabou, é muito 2005, mas ainda é onde gosto de estar. O twitter (pelo menos o tuga) é um esgoto a céu aberto; o instagram uma novela de época, só guarda roupa, só adereços; o facebook é só intervalos para anúncios, e já não tenho idade para entrar no tik tok (nem faço questão). Aqui é ainda gosto de estar, embora a melhor vizinhança tenha emigrado. 

Há dias em que me vai faltando a palavra, ou a vontade de lhe dar corpo; há dias (muitos) em que não sei o que é e para que serve isto; há dias assim, dias de alma vaga; há dias assim assim, em que julgo que me encontro e me defino um bocadinho entre o que quero, me apetece e afinal consigo escrever. Há dias, pronto. Mas cá estamos vamos estando.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Silly season

Quase no topo da rua Angelina Vidal há uma lavandaria que se chama "Soap Opera", e cujo nome já entrou para o primeiro lugar do (meu) top de nomes de estabelecimentos, modalidade lavandarias, destronando a "Cotton Club" (rua Andrade) para um honroso segundo lugar.

[o facto de a modalidade "lavandarias" (ainda) só ter estas duas entradas não interessa nada]

Já no top generalista, está no segundo lugar, atrás da "Boutique dos Parafusos" (rua Morais Soares) que é, como o nome não deixa enganar, uma loja de quinquilharia. Melhor nome de sempre para uma loja. Até agora [região Lisboa, que me lembrei agora da loja do chinês "Glamour Contagiante" em Beja e caneco, pá, bolas].

[e sim, faço tops de nomes de lojas, como também tenho o meu completíssimo top de lojas do chinês, Leroy Merlin, ou Lidl; um dia dedico-me a publicar resenhas fundamentadíssimas e ilustradas, e não me fico por menos que uma publicação Taschen, ó]


  

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Pica #2: check

E, mais uma vez, foi chegar, dar o nome, entrar, e demais trâmites. Uns quarenta minutos, contando com o recobro. Na semana que passou diz que ia havendo motins, no meu centro de vacinação, derivado das filas e horas de espera, mas ao menos nisto tenho sorte (euromilhões, é que nem vê-lo).

Pronto, feito. Agora os senhores da moderna já inventavam uma coisa que batesse menos, desta vez foi coisa de duas horas e já estava toda partida, que não me tinha nas pernas, e cheia de dores de cabeça. Vejam lá isso, que parece que para o ano temos pica#3.  

quinta-feira, 8 de julho de 2021

The big five'oh

Há exactamente dez dias que ando a fazer a rodagem dos 50 - cinquenta -50 anos e, há que dizê-lo com frontalidade (referência que só gente da minha idade entende), que é um desapontamento, uma desilusão.

Em primeiro lugar, ainda não me ofereceram a reforma, quando é evidente que estou em excelentes condições para a aproveitar. Um desperdício! Querem que me reforme quando, aos setenta?, quando estiver saturada da vida em geral e da minha em particular? Fazer assim: reformo-me já, quando ainda tenho saúde, vontade (e pernas) para dar uns belos passeios, e prometo que volto aos setenta, vale? Aí até se junta o útil ao agradável, que assim com'assim passo dos dias sentada, a ouvir conversas de bélho caduco, e a resolver problemas de bélho exigente, chatinho, refilão, e cheio de razão.

Segundos, não, não noto diferença nenhuma. Parece que esta é pergunta obrigatória ao aniversariante da quinquagésima década. Nopes, tudo igual. Não é da idade, eu já não tinha paciência antes. Idem para as dores de costas, stress crónico, cabelo branco, ocasional vontade de bater em toda a gente ou praguejar violenta e audivelmente. 

Terceiro, preciso de mais férias. Mas sempre precisei. Sou uma pessoa especial, com necessidades especiais: mais férias, maior quota de chocolate (diz que o cacau vai acabar em 20 anos, tenho de me precaver). 

Quarto, nada. Tá-se. 

Mais uma vez: é tudo igual. Mas podia não ser, ver ponto primeiro. Era um jeitão que me faziam.  

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Vou deixar isto aqui

 porque é absolutamente magnífico: uma música maravilhosa de George Harrison, o filho que é a cara do pai, dois soberbos músicos que já foram levados nas asas do maldito fentanyl, e um deles - Prince, caneco - a dar um show de estilo, virtuosidade, e de pura, intensa, potente alegria de fazer música.  


 


 Já agora, não esquecendo:



domingo, 27 de junho de 2021

O que eu queria era um taco de baseball e carta branca para o usar

Fartinha, fartinha, ó, de ver nas redes (sociais) piadolas sobre os pobres lisboetas, buhuhu, coitadinhos, a queixar-se que não podem sair da área metropolitana (AML) ao fim de semaninha, buhuhuuuu. Muitas delas, note-se, a escorrer aquela satisfaçãozinha tão tuga de "toma!". Ou, em termos mais intelequetuais, peçoas a instruir-nos, do alto da sua pesporrência, que uma pessoa queixar-se de não poder sair da AML ao fim de semana é o supra sumo do privilégio. 'tão não é?, claro que é, afinal até um mafrense pode ir a Setúbal almoçar choco frito, que bando de piegas.

Só que. Só que. (suspiro)

Imaginem que são uma pessoa que, pelo menos há ano e meio, não faz outra coisa que não preocupar-se (porque sempre achou que a situação não era para brincadeiras), informar-se (junto de fontes credíveis, i.e., entidades de saúde pública, artigos de cientistas, médicos e pessoal de saúde), e seguir todas, mas mesmo todas as regras que foram sendo ditadas, a bem da sua e da saúde pública, e sem discussão porque em situações de crise aguda não se contam feijões. Imaginem que são uma pessoa que há ano e meio só contacta de perto e sem máscara (mas em ambiente arejado e com alguma distância) com uma bolha familiar, e com colegas de trabalho (com máscara e uma distância de dois metros). Imaginem que são uma pessoa que usa e abusa de álcool gel, lava mãos, não se aproxima de pessoas, nunca sai sem máscara e só a tira quando chega a casa, respeita lotações, lock downs, proibições de deslocação, teletrabalho, tudo escrupulosamente. Imaginem que são uma pessoa que nunca duvidou e até ansiou pela vacina, e que, ainda que vacinada, vai continuar a respeitar normas de higiene, uso de máscara e distanciamento social. Imaginem que essa pessoa  esperou pacientemente por um fim de semana já com calor para, a um mês das férias, ir passar dois dias longe da pesada rotina, na casa que esteve fechada um ano e que visitou duas ou três vezes, umas horitas, em dia de semana, só para arejar e recolher e pagar as contas. Que essa pessoa contava com esses dois diazitos para adiantar uma limpeza, levar umas tralhinhas, enfim, ver e cheirar o mar, dormir um pouco mais. E, praticamente de vésoera, por uma vintena de quilómetros, e à conta do desleixo e descaso de milhares de outras pessoas, essa pessoa  volta a ficar presa em casa. Sem pespectivas de poder largar um fim de semana, pelo menos até às férias oficiais - e ainda aí, vamos lá a ver, porque começam a uma sexta feira, supostamente ao fim da tarde. Claro que essa pessoa pode ir almoçar choco frito a Setúbal, lanchar fofos a Belas ou queijadas a Sintra, mas.

Mas digo eu, pode essa pessoa, ao menos, queixar-se? Deixam? Permitem? Por favor? Obrigadinha. Ao menos que nos possamos queixar, porra. 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

PDEM recruta ajuda do público

Aqui em casa encetei um revolucionário PDEM - Processo de Destralhamento Em Curso. Bom, em termos temporais digamos que já começou há algum tempo (a palavra chave é "processo"), e ainda se encontra em curso, o que retira um bocadinho a carga revolucionária à coisa mas, considerando que temos ambos um fortíssimo gene hoarder, é revoluconário q.b. 

O que não é revolucionário, nem social, nem prático é a questão do destino a dar à tralha. Em sacos de roupa a coisa divide-se em três categorias: roupa em bom / muito bom estado; roupa assim-assim; traparia. A última categoria vai sendo descartada nos contentores da Junta, pelo que não acumula. O problema são as restantes, que já estão a ocupar um espaço jeitoso. A roupa em bom / muito bom estado é pecado colocar naqueles contentores. São peças que foram guardadas porque um dia poderiam voltar a usar-se ou servir-me; aquelas em que nenhum dos requisitos se verifica há uns bons anos, fora. Nem sequer dá para apertar, tenho ali calças uns quatro números acima, é impraticável. As que simplesmente desgostei, pronto, deslarguei, e olhem que não é um processo fácil, derivado do tal gene. Mas há limites para o apego a coisas, e eu atingi o meu. Mentira, o limite que estoirou foi o do espaço disponível.  

Donde, o problema actual é onde, a quem dar? Pois. 

A minha primeira ideia foi deixar tudo numa loja Humana: eles aceitam donativos, vendem a preços bem acessíveis, e empregam o dinheiro em obra social. Tudo bom: pessoas com menos meios teriam acesso a roupa boa e em bom estado, e geraria dinheiro para bons fins. Sucede que, entretanto, ouvi uns zunzuns que uma betalhada muito empreendedora andava a passar a pente fino as lojas Humana, comprava barato, e depois vendia no face e insta como "vintage". Pá, não. As minhas cenas, não - e algumas delas são mesmo boas, e foram caras. Que as comprem pessoas mais desfavorecidas por 5 euros, sim senhora, mas servirem para encher bolsos a manhosos, nem pensar.

Pensei entretanto na loja social da minha freguesia, e encarreguei me mate de contactar. A loja funciona fornecendo bens, entre os quais vestuário e calçado, a pessoas carenciadas e sinalizadas. Tudo bom, portanto. Excepto na parte em que não aceitam donativos de roupa, foi essa a resposta. Pá. 'Tão, pá? 

Estou, portanto, num impasse. E com três sacalhões a ocupar espaço. Agradeço qualquer ideia.

Problema semelhante relativamente a livros. Comecei a triar e destralhar, e este processo ainda é mais doloroso que com roupa, apre. Mas há livros que nunca irei reler, ou de que não gostei, e alguém pode tirar proveito. Pensei na biblioteca da freguesia, de novo me mate encarregue de contactar. Ah, a pandemia, fechados, de momento não aceitam donativos (méne, não é preciso oferecerem-nos um café, um abraço, um beijinho, a gente deixava o saco e ponto; e não são livros velhos ou podres, são livros manuseados e em bom estado, canudo); resumindo, também não esclarecem se alguma vez aceitaram ou aceitarão donativos. Mais dois sacos a ocupar espaço.

Portanto, e apelando ao amável público que ainda frequenta blogues e este em particular: ajuda. Por favor. Bibliotecas menos comichosas. Associações que aceitem roupa. Por amor da divindade que vos guia, ajuda, por favor. Agradecida.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

A cabeça não dá para mais

 


Pelo que andamos a dar guia de marcha, furiosamente, a esta série policial. Sim, já perdemos umas valentes horas de sono, começar o/um episódio 8 (cada temporada tem 10) à noite é um risco, porque ósdespois uma pessoa fica com comichões ao nível do suspense e precisa de avançar, e já não quer saber a que horas o despertador (ou o gatinho filho do demo, Max) nos vai acordar no dia seguinte.

É um policial muito bem escrito, com personagens que valem por si (e a dinâmica entre si), várias sub-plots (na segunda temporada até eram de mais, adiante), muita ação e bem filmada, uma banda sonora soberba (e eu que detesto - detestava? - jazz), e um sentido moral muito farrusco, que a menina destesta coisas ao nível da clivagem bons / maus.

Entretanto, e acho que é de assinalar, passei de uma suprema forreta que nem pensar em pagar mais que um canal de streaming, julgam o quê, que transpiro dinheiro?, bandidos, meliantes, traficantes de conteúdos a querer apanhar uma pessoa na droga pesada da ficção, como ilusória panaceia para o tédio da sua vida em particular e desesperança do mundo em geral, a mim não apanham nessa teia, para uma quero lá saber, viva a alienação.  

[yup, assinamos todos] 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Moderna mas fraquinha

 Desde segunda feira que me pergunto: se não tirei uma selfie no local / foto ao boletim com a data de primeira e segunda dose, e publicado nas redes sociais, terei mesmo sido vacinada? "Sim", responde o meu braço esquerdo, latejando de dor (que me desapareceu, assim mesmo de repente, hoje ali à roda das onze). "Sim", insiste o meu corpitxo, encalorado, cansado e moído como se tivesse levado uma tareia. "Siiiiiim", geme a minha cabeça, que parece cheia de hélio. E tomei paracetamol, que faria se. Temente pelos efeitos da segunda dose: se não morro da cura, o bitxo já não me apanha. Chatice ser florzinha de estufa, mas aliviadíssima, e sem baixar a guarda, até e mesmo depois da segunda dose. Pode ser que isto seja o fim do princípio, ou mesmo o princípio do fim (toda a gente colaborando, já lá podíamos estar, sim, no princípio do fim, mas não há como o tuga para ser pessimista ou optimista em excesso precisamente na ocasião errada).

Anyhoo, semi-vacinada. Yeah science, bitch. 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

[ ]

 


As coisas devem estar a voltar ao tal "normal", que hoje vi e ouvi uma senhora descompor o caixa pela demora. De mão na anca, cara feia, exigia saber o que se passava e porque estava a demorar tanto, a saber, o despachar da cliente lá da frente. Que deviam abrir outra caixa, ooooohhhh, temos potencial gerente de loja, alguém ofereça o cargo à senhora. 

Já não via uma cena destas há muito tempo. Se calhar tenho andado distraída, saio pouco, ou simplesmente tenho tido sorte. Provavelmente confundi a relativa paz nas interacções com uma espécie de prevalência de bem querer e bem fazer, derivada, sei lá, da tribulação dos últimos tempos. Na qual nunca acreditei, note-se. Ainda assim, benefício da dúvida, blablablá. Mas não, não vamos sair disto melhores. Não dou um ano para andar tudo (outra vez) à compita pelo título do ser mais malcriado e desagradável.

Dito isto, e pessoalmente, já me vai faltando a pachorra para disputas. A menos que receba por isso, ou seja, a menos que seja em ambiente laboral e no estritamente necessário ao desempenho das minhas funções. As outras, vade retro. Fico só a assistir, a uma distância confortável, comendo o meu cornetto de chocolate (não aprecio pipocas). Zero disponibilidade para intervir, reivindicar, explicar, sequer apaziguar. Como se diz mais lá para cima, fodeibos, a vida já se faz curta e demasado imprevisível para me meter em salsadas.

A menos que seja uma coisa que mereça mesmo a pena. Palavra de quem já se viu assim de apanhar uma sova de um hooligan bêbado a quem fez frente, ou ser apoucada com muita soberba e acrimónia (quem me manda sair de casa de jeans, techérte e converse, tira toda a credibilidade a uma pessoa) por um casal de boomers-betos a quem dei um lamiré seguido de um francamente, que vergonha, porque estacionaram num lugar reservado. Se fosse hoje, às tantas, cornetto. De resto, passem lá à frente, não digam bom dia, se faz favor ou obrigado, a ver se me ralo. Chamem-se nomes nas redes sociais, defendam o absurdo, advoguem o maltrato ou destrato, quero lá saber, não me meto, não falo. Nem tomo iniciativa de levantar certos temas, note-se. Não tenho tempo nem vocação para me dedicar ao ensino especial de adultos, e a idade vem-me consumindo a pouca paciência de que dispunha. Donde: não, not, nope, acabou o activismo, ao menos em plataformas públicas, redes sociais em geral, e este blog em particular. 

Pode ser é que me apanhe(m) num dia mau, e aí não prometo nada.   


sexta-feira, 14 de maio de 2021

Crazy catplant lady

Anormal é ir ao Lidl enão voltar com (pelo menos) uma plantinha.

O que já é não só normal como perfeitamente previsível é eu por a linda plantinha (uma begónia wiiiinda) no local ideal e de repente ouvir um som de crunch-crunch e dar com Mad Max todo esticado a degustar a bela salada verde. 

Ainda por cima é tóxica. Sacana do bicho.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Coisas que aprendi com esta pandemia

- Tenho mais paciência do que pensava;

- Tenho mais capacidade de adaptação do que imaginava;

- O que não impede que haja dias que #$§%&, ó que {#@&% da minha vida;

- Não precisamos de ter hipermercados abertos ao domingo;

- E ao sábado, pelo menos de tarde, também já tenho dúvidas;

- Definitivamente, os centros comerciais não fazem falta nenhuma;

- Se calhar tenho roupa e calçado a mais;

[se calhar, hein]

- Consigo (sobre)viver sem empregada, mas não quero;

- Também consigo (sobre)viver em teletrabalho, mas não me apetece;

- Só a carne do lidl é que se safa, mas não bate a do talho da zona onde passei a ter horário para me ir aviar;

- Quem diria que a fobia a multidões um dia seria um life saving skill, hein;

- O silêncio e a quietude de em Lisboa são um luxo maravilhoso;

- As pessoas fazem muitas obras em casa, e todas envolvem a utilização de martelos pneumáticos, deve haver um concurso e ninguém me avisou.



segunda-feira, 10 de maio de 2021

E enquanto vais e vens, Izzie Messalina?

Entre ir à oficina deixar o bicho-mobile para revisão / inspecção, e voltar lá passados quinze dias porque havia uma peça que só agora chegou, comprei encomendei uma viatura automóvel. Um - novo! - veículo ligeiro de passageiros. Um mula-mobile, derivado de ser híbrido. Não que o actual não durasse mais dois, três anos, a mecânica está óptima,;mas havia *ali* uns pontinhos de chapa, nada mais que pequenos, minúsculos, quase invisíveis zonas de carroceria a precisar de intervenção (malditos pilaretes! malditos!). Ora nunca diria, mas sucede que lixar a meretriz da ferrugem que entretanto se instalou (pilareeeeeeetes!), alisar a chapinha (se vos apanho, pilaretes) e pintar à cor natural (pilaretes são filhos de satã e tenho como provar) fica para o carote, pelo que achei que saltava esse investimento, aproveitava os descontuchos + garantia + assistência que estão a dar, e deixava de contribuir para a indústria do pitróil como gente grande, vicissitudes de quem deixou de andar de metro por causa de umas costas muito fraquinhas e definitivamente avariadas. E pronto, vou ser uma cagona dos híbridos (minha rica mulinha, que até vem em cor de burro quando foge), mas não daqueles que ligam à ficha, népias, eu não tenho onde carregar; e mais maneirinho que o prius, que não tenho onde estacionar, e pronto, estou razoavelmente satisfeita com a situação, não fora já estar a arrojar com a alma pelo chão só de pensar em ter de fazer o seguro (calvário!), trocar a via verde (agonia!), e esvaziar o porta luvas, o banco de trás, a mala de um carro para o outro (isto sim, o horror, o horror). 

Quo vadis, Izzie Agripina?

Agora já a seguir, não sei; de momento, venho dali do tuíta, onde o senhorrrrr dotourrrrr - mas mesmo doutorado - em leis, líder e membro único do mais recente partido com representação parlamentar, está sentado nos bancos da assistência de um tribunal deste país, mas legenda a pic com o mimimi de que está sentado no banco dos réus. Seria de esperar que o senhorrrrr dotourrrrr em leis soubesse que essa denominação serve apenas para os tribunais criminais, e que caiu (um bocadinho) em desuso quando nos processos crime o réu se passou a denominar arguido (banco dos arguidos não soa bem, sei lá - na verdade acho que o que não soa bem é o libelo inerente a dizer-se a uma pessoa para se sentar ou que se sentou no "banco dos réus"; politicamente correcto gone wild ou presunção de inocência, você decide). 

No tribunal cível (onde ele está, e bastava ter assistido a audiências durante o estágio de advocacia para conhecer bem a disposição da sala de audiência), comercial, de família, marítimo, propriedade intelectual, não há banco dos réus, mas começo a achar que deveria passar a haver o cantinho dos idiotas.  

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Aqui a pensar

Se, tendo eu uma segunda habitação, por acaso situada numa zona onde há muita produção agrícola em estufas com mão de obra sazonal e estrangeira, a cederia para ocupação por trabalhadores agrícolas, para fins de isolamento profilático ou mesmo por doença Covid.

Se calhar sou uma bobona de primeira, mas não vejo grande problema. Se me pagassem os consumos (água, electricidade, gás), e uma limpeza / desinfecção (pá, o vírus, né) no final, na boa. Se, para além disso, ainda me remunerassem, tanto melhor. Apenas pediria um fim de semana para retirar objectos pessoais de valor sentimental, ficaria desolada se se partissem ou estragassem, e bastaria haver crianças na equação para essa possibilidade ser real. Ah, além da exigência de que não me sobrelotassem a casa - o que, na verdade, também contrariaria a finalidade da ocupação / requisição.

Dito isto, não, não entendo a gritaria que vai por aí à conta da possível requisição de unidades isoladas de um estabelecimento hoteleiro, por acaso em estado de insolvência, ainda mais por acaso com dívidas ao Estado, quando as unidades a requisitar e ocupar são, somente, aquelas propriedade do estabelecimento, e não as propriedade de particulares.

O medo e nojinho de pessoas em situação de emergência social e de saúde (pobres, portanto) é uma coisa lamentável, desejo melhoras para essa condição. Infelizmente ainda não há vacina nem medicação, mas era uma coisa bonita, poder injectar-se empatia directamente nas jugulares.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Não é esquecimento, é mais que fazer (e um tiquinho de tédio, confesso)

[uma]

Mamãe já foi vacinada, e foi caladinha e obediente. Se mamãe, que é a pessoa mais teimosa que conheço, daquelas que mesmo quando provado que não tem razão continua a ter razão, consegue mudar de atitude quanto à vacina (vide uns posts aí abaixo), há alguma esperança para os palermas dos negacionistas. Estou a brincar, pá. 10% deles, vá, e isto sendo optimista. A maioria só lá vai com medicação da forte, ou mesmo colete de forças. Eu li coijas, pah, coijas nesha neti, que já nao consigo desler, pah. 

(ah, calhou-lhe a da Moderna, à marota). 

[duas]

Considerando as notícias que li, não sei se vou ser vacinada. Melhor dizendo, o período para o qual está prevista a minha vacinação está num limbo, e basta um pequeno erro de interpretação, ou de introdução de dados, e vou à vida. Explico: a partir de meados de Junho vai o pessoal dos 50 aos 59, e sucede que em meados de Junho ainda não tenho 50;  a partir de meados de Julho começam a aviar o povo entre os 40 e os 49, mas nessa altura eu já não tenho 49. Giro, giro, mas mesmo giro era agendarem a pica para o meu aniversário. Levava biscoitos para o pessoal da vacinação (juro!).

[três]

De resto, continuo em teletrabalho meia semana, outra meia lá na tasca a fazer papel (live!), ou a aturar fregueses. Esta semana calharam-me uns bem fresquinhos, estou, ó, que nem posso. Confinava-os até ao fim do ano e não se falava mais nisso. O teletrabalho, bom, continuo a não gostar. Dá muito mau ambiente à casa. E à minha vida. Aliás, o trabalho já me corta muito a vida, mas como não tenho outro meio de pagar o pão e a manteiga (justiça para o gluten!), tem de ser. E ainda me vai pagando os vícios e alguns desvarios. 

[quatro cenas sem importância nenhuma]

Nem a propósito, ontem comprei umas jardineiras, daquelas bem baggy. Numa loja de roupa em segunda mão vintage aqui perto mas onde entrei pela primeira vez (e serendipity é eu estar a usar, na ocasião, uma camisa de flanela que já existia ainda o Kurt Cobain era vivo). Têm um stock muito, muito fixe, Levi's a 25 bombocas, por exemplo, e parecem novas. Trouxémos um par cada um. Voltando à vaca fria, as jardineiras, não foram baratas mas são oshkosh, ganga muito boa, e pagava pouco menos por umas da agá e éme num paninho que nem um ano e parecia de limpar chão. Estou doida para ver a cara de mamãe quando as usar - claro que as vou usar de propósito numa visita, a minha missão de vida é causar choque e transtorno a mamãe. Ela já não anda bem desde que deixei de pintar o cabelo, e agora que estou 100% natural e, portanto, grisalha, a senhora não se conforma. Está um bocadinho mais subtil na sua abordagem ("sim, já viste como é, até nem te fica mal" - mentirosona, odeia - "mas não vais ficar assim para sempre?"), mas caramba, é uma viagem, que começou com um directo "nem penses!". Oh, those were the days. Donde, tem uma filha pré-cinquentona com peruca que não o nega e que se veste num estilo que eu quero (muito!) cunhar como o trolha-chic. Já sou uma feroz seguidora do azeiteiro-chic (t-shirt branca, camisa de homem com estampado tchanam, jean, téne: o meu look de fim de semana preferido). Espera. Espera. Isto é tudo a mesma tandance. Trolha ao fim de semana com camisisca florida, de semana com roupinha de acartar baldes de massa. Méne, ainda acabo uma influenciadora. Trolha-chic, anotem bem. Quando andar tudo o que é 'miga de camisa de flanela / terilene estampada, calça jean coçada, téne / doc's, lembrem-se, fui eu. Ou foi um revival dos anos 90, pronto.


terça-feira, 6 de abril de 2021

De volta ao (meu) normal

 Primeiro dia de trabalho desconfinado, presencial, portanto (há situações em que tem mesmo de ser); excitex já na véspera, eheheheheh, sair de casa, ihihihih, estar com 'ssoas, ohohohoh, contactar com 'ssoas, ahahahahah, trabalhar normalmente. Roupinha bonita escolhida (tenho pelo menos dois terços do guarda roupa em stand by, já vai para um ano, há que aproveitar para arejar os trapos), cara arranjadinha, yay, horário a cumprir, iupi, fazer cenas e falar com gente, hurra! 

Nem são onze e meia e já estou em estado de "kill me now", "odeio 'ssoas" e "qué i pa caja".

Desconfinei, física e mentalmente. É oficial.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Então cá estamos

 


Na sexta feira, ali à roda das sete e tal, acabei o que tinha ainda pendurado, fechei o computador e entrei oficialmente de férias. Hurra, uma semananinha para por em ordem coisinhas cá da minha vida, fazer arrumações há muito adiadas, desforrar-me na leitura, yay! Donde, sábado crashei e passei o dia numa espécie de nevoeiro mental e papa corporal, deitadinha no sofá, deitadinha na cama, aiaiai que estou tan cansada. Domingo arrebitei um bocadinho, até porque tinha de sair de casa (é o dia de lanche semanal com mamãe, mano e sobrinhos, é a minha bolha, constante e arduamente mantida desde o início desta maluqueira, fuck you proibição de atravessar concelhos, é tudo área metropolitana e nós, lisboetas, não somos grande coisa nisso dos limites de concelhos, mais faltava não poder ir ao leroy que me dá mais jeito, culpa tenho eu que o tenham aberto ali ao lado); segunda não me lembro de todo o que fiz (além de irmos tratar de umas papeladas), mas ontem, pá, ontem é que foi. Calcei os crocs, calças velhas e sweat, luvas, e vai de esvaziar o compostor, à pázada, para o preparar para novo ciclo de compostagem. Entrementes, espalhar o composto pelos vasos e árvore, retirando, antes, as pedras decorativas que a rodeiam (e estavam a enterrar-se). Desfiz / separei em peças um banco de madeira que estava podre e em inteiro pesava horrores; preparei a tralhinha toda para pormos na rua à hora que a Câmara mandou e antes de chegarem os senhores da camioneta dos monos. Tirámos os dois móveis do corredor, enrolámos o tapete / passadeira, levámos tudo para baixo, e provavelmente eram as serotoninas e dopaminas a falar, mas eu estava, ó, com os músculos todos aos berros, mas eu-fó-ri-ca, já a planear o trabalhinho de jardinagem e arranjo do pátio que ia continuar hoje.


No can do. 

Como seria de esperar - e eu não queria acreditar - acordei toda empenada das cruzes, com uma moinha na cervical, e o ombro direito fechado para obras. Daqui a pouco talvez faça uma tarefa apropriada à minha vetusta idade e pobre condição física, como trocar plantas de vasos, se isso não implicar carregar peso, andar escada acima e abaixo, baixar-me, estar de cócoras, enfim, acho que vou tratar daquela cena da leitura. Se não adormecer. Caraças, tenho tanto soninho.


quarta-feira, 17 de março de 2021

Novidades? Não temos.

Senhora minha progenitora já anunciou que não quer e se recusa a tomar a vacina da astra zeneca, pretende a da pfizer. A minha reação foi entusiástica: eu vou contigo, digo logo que é uma pena estragar-se, e podem dá-la aqui a moi. Mano teve uma reacção mais severa (e adulta, vá): que isto não é assim que funciona, toma-se o que houver e acabou, e qual o problema com a az, os casos de coágulos são ínfimos e não está provado nexo de causalidade. Para não dar (totalmente) o ar de tolinha da família fui fazendo que sim com a cabeça, sublinhando o bom senso fraterno. Mas voltei a frisar que se ela não quer, mais fica, oras, e como filha primogénita me ofereço para herdar. Caneco, eu cá aceito o que me quiserem injectar, até a sputnik, qué lá saber; se só por si a vacina já diminui, comprovadamente, o risco de doença grave, hospitalização e morte, venha a pica. E fala daqui a caguinchas maior de picas. Mas mamãe insiste porque, ainda que tenha sobrevivido aos efeitos secundários das pílulas de primeira geração (coágulos, risco de coágulos for everybody!) parece que teve um desmaio que a médica lhe diagnosticou como um mini-avc, e coise. Quem nunca, pá. Eu sofro de mini a médios avc às dezenas, só por semana. A sério, sofro de tonturas frequentes, com sensação de corrente eléctrica a passar no cérebro, sempre atribuí ós nervos, fazem engarrafamento nas sinapses e de vez em quando chocam, mas parece que também é uma das manifestações de mini avc. 'Tá bem. Eu quero é a vacina, bácina, toda a gente vacinada. Juro, se no primeiro confinamento até levei bem a coisa, neste estou à beira de me tornar a maluquinha da freguesia. Apetece-me sair pela rua a correr, de bracinhos abertos, e a gritar iupis, e até voltar ao trabalho como ele era ali em Setembro de 2019. Depois cai a pequena réstea de sensatez que me resta, e nã, afinal estou bem em casa (não estou), não preciso mesmo de sair hoje (por acaso fazia-me bem), apesar de estar fartinha de limpar o fogão, aspirar cotão, e sentir-me numa espécie de coma mental, um nevoeiro peganhento que não levanta, se entranha até aos ossos, e me está a empenar física, emocional e intelectualmente. Já não leio, por pura anomia, já não bricolo, porque me canso só de pensar e planear. Trabalho o que posso ao ritmo de uma lesma paraplégica, e escavaco as cutículas.  E é isto.