Dana Scully partiu no Domingo de Ramos, ao colo de me mate e no meu abraço, num consultório de veterinário.
Não foi como ela desejaria, tenho a certeza; mas foi como tinha de ser. E foi horrível, porque não podia deixar de o ser.
Dana Scully chegou a esta casa há cerca de dez anos, directamente da rua, e logo a seguir ao irmão. Foram o amparo e companhia um do outro antes, e assim permaneceram dez anos. Foi a Scully quem decidiu dar um salto de fé, dar-nos uma chance de ser a sua família, e convenceu o irmão a segui-la, sempre em pequenos passos, seguros, que acolhemos com alegria e nunca traímos. Tornou-se a Dona e Senhora da casa, a Matriarca respeitada por todos (nós incluídos, obviamente). Dava o "toque" quando era hora de ir para a cama, e gostava do pequeno almoço (patê) às seis e meia. Às vezes antes. Comia com prazer e alegria, às vezes ronronando.
Ralhava muito, resmungava, bufava, sabe-se lá porquê, estaria arreliada e decerto com razões para tanto. Dava marradinhas de respeito, ronronava up to eleven, adorava ser escovada e - lá está - ralhava se parávamos antes do que considerava aceitável, "doer o braço" é para os fracos. Festas? Sim, sempre. A mesma atitude quanto a braços doridos e/ou dormentes. Fazia sonecas épicas, sendo as caminhas preferidas a almofada de chão da sala (era dela, emprestava ocasionalmente), sofá, ou, começando o bom tempo, as cadeiras da varanda. Quando lhe apetecia, no meu colo.
Foi muito, muito boa gatinha, tão teimosa como carinhosa, tão mandona como doce. Deixou um vazio enorme, um irmão muito triste, dois irmãos adoptivos muito assarapantados - eles sabem, e dois humanos de coração partido. Mas valeu a pena, cada minuto, cada segundo.
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