terça-feira, 9 de novembro de 2021

Um filme, uma série, e um bónus

 



Comecemos pela perfeição, porque é uma excelente maneira de começar. Desde já: não li o(s) livro(s), detestei a versão do Lynch (e já pouco me lembro), ia completamente em branco. Acompanhada do excitex de me mate, que não só leu e possui todos os livros (sim, mesmo os escritos pelos filhos), como os leu várias vezes. Estima ele que o primeiro foram umas cinco. E sabe recitar de cor “I must not fear. Fear is the mind-killer. Fear is the little-death that brings total obliteration. I will face my fear. I will permit it to pass over me and through me. And when it has gone past I will turn the inner eye to see its path. Where the fear has gone there will be nothing. Only I will remain.” Um fanzorro.
Resumindo: a-do-rei. Mesmo, tipo, muito, paletes, bués. Me mate também, o que é bom sinal. 
Uma única (e sentida, e chorada) crítica: a iluminação nas cenas à noite, terrível. Li pelas internets que deviam chamar ao filme "pessoas a murmurar no escuro", o que também é um exagero, lá a ver. Gostava de saber se em Imax a coisa melhora, mas neste formato só no Colombo, e eu preciso de carradas de incentivos para por os pés no Colombo. Carradas elevado a dez, num fim de semana.
Enfim, estética perfeita, conta lindamente a história, o elenco é um luxo (e eu, que embirro com o Timóteo Chamamaleto, deixei de embirrar), cenários de tirar a respiração, e é mesmo experiência imersiva que muitos falam.




E série? Esta. Portuguesa na netflix, o que já é de assinalar, yay. E com o Adriano Luz, novo yay. Realizada por Tiago Guedes, de quem adorei A Herdade, mais um yay.
Declaração de interesses: o meu avô materno trabalhou na Raret (não no retransmissor da Glória do Ribatejo, mas na Maxuqueira, onde eram recebidas as transmissões vindas da Alemanha, e depois retransmitidas para os países para lá da cortina de ferro a partir do posto da Glória). Desde miúda que palavras como Raret ou BêÓQuê faziam parte do meu léxico, e sabia, ainda que por alto, o que era aquilo. Donde, a curiosidade era imensa.
E a série, que tal. Pois que está mesmo muito bem feita, níveis de produção à estrangeira, nota-se que há muito dinheirinho ali (bem) empatado, bem hajam. Porque fica provado que cá se pode fazer coisas tão boas como lá fora, toma. A realização é, ó, daqui; o elenco é uma categoria, o texto sim senhora, os figurinos  e cenários de tirar o chapéu.
A história não se cinge apenas à actividade da Raret e inclui, digamos assim, um belíssimo retrato da época, Estado Novo, Pide, Guerra Colonial, ruralidade, resistência ao regime. Um aplauso do primeiro ao nono episódio, que engolimos entre sexta à noite e sábado à tarde (não, não temos grande vida social, so what, semos o que somos). 
A chatice é o décimo e último episódio. A última meia hora, vinte minutos, vá. A coisa estava a correr tan ben, e tau, foram armar-se em argumentistas à amaricana, a criar um final que ainda não percebi bem (nem vou contar, não sou uma spoilenta nojenta), apesar de ter criado uma explicação que para mim funciona, e não me estraga o resto da série. Digamos que às vezes as pessoas pensam que se vai fazer uma cena à Sopranos e sai um Lost. Ok, muita gente não gostou do final de Sopranos, mas a) é muito bem esgalhado; b) tem cojones; c) não pretende agradar a ninguém; d) é coerente dentro do tipo de narrativa. Aqui, bom, e sem spoilar, acho que não só deixam evidente a prostituição ao "paguem aí uma segunda temporada que a malta faz", como rasgam, não, trituram uma regra de argumento que adoro muito, a coerência da narrativa. "Ah, armada em dótóra esqueritora, mas já escreveste alguma série"; não, mas já vi muitas. "Ah, a dizer isso toda coisa, mas ósdepois adora um filme de fiquessão científica em que é tudo inventado, tudo, pah". Pois é, mas no Dune, como na melhor FC, há uma coerência sistemática, ou sistematizada que. não. falha. Crias uma realidade completamente nova, crias regras, história, um cânone, e se o rasgas só sei lá por que capricho, pumbas, estás lixado que o mundo nerd não perdoa. 
Ora numa série que é obviamente de ficção, mas baseada em acontecimentos reais, convém não esquecer a parte do "real" onde se ancora. Se foge muito, estraga. A suspension of disbelief a que o espectador está disposto não é tão elástica quanto se quer. Calminha com a imaginação a galope, rédeas nisso. E o final, conclusão, wrap up do décimo episódio é uma cagada em três actos, pardon my french. Não cola. E se eu tenho uma elasticidade nestas coisas, ó, que ainda no domingo mamãe (ela conhecia bem o trabalho do meu avô), quando lhe falávamos da série, largou uma que estragaria o macguffin todo, e sem o qual não haveria série. Ou metade dela. E não me ralou por aí além, porque ainda que inventado, está bem metido e é credível. Já o final-final?, nope.
Anyhoo. Vale muito a pena, ainda assim.    


E agora, o brinde.
Não tenho palavras quanto a este sketch, a não ser "Brava!"

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Nos entretantos

 Já tratámos de uma prenda de Natal. A nossa.


Bom, agora lá a ver das outras.


quinta-feira, 28 de outubro de 2021

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Uma série, um filme, um livro

Imaginem aquele tipo de casal que chega a casa, sexta à noite, abanca em frente à televisão, e um se lembra que nesse dia ficou disponível na netflix o Seinfeld. "Ei, e se víssemos só o primeiro, só para matar saudades?". Nove episódios depois, o canal pergunta, gentilmente, se ainda ali estamos, e vivos. Pois, parece que há pessoas assim, not that there's anything wrong with that.


Bom, mau grado imensos constrangimentos de tempo, o tal casal já vai alegremente na quinta temporada. Impressões? Envelheceu bem. Continua a ter imensa piada. O gostinho do "aahhhh, este é aquele em que...". E a Julia Louis-Dreyfus é tão espectacular.

Continuando no mood "cu alapado no sofá", o filme da Viúva Negra já está disponível no Disney, pelo que tunga. Cenas positivas: não dura os horrores que os últimos filmes de super heróis tornaram moda. Chiça, é uma cena de acção, não é preciso quatro horas para contar estas histórias. Que ricos soninhos que os Avengers me proporcionaram. E agora baixinho, para não irritar cerrrtos senhorrrres: é um filme muito feministazinho, olé se é. Como me mate resumiu, muito bem: os homens ou são vilões, ou uns inúteis, ou só aparecem para dar um jeitinho. Verdade, elas dão (muito) bem conta do recado. E há a cena do colete. Com bolsos. Lágrima de quem sofre à procura de saias e vestidos com bolsos. Se não é uma piscadela de olho ao público feminino, parece. Eu prefiro acreditar que sim. E tem a Florence Pugh. Caraças, esta miúda (25 anitos, fui googlar, ainda tem tanto para fazer, que alegria) é fantástica, maravilhosa. Faz de tudo, e bem, (Midsommar, pulizeee, a sério, façam o favor de ver). Também gostei muito da (spoiler moderado) cena em que a Florence está a ver o Moonraker na tv, quero acreditar que é outra piscadela. Uma mulher James Bond? Estou com o Daniel Craig, não. Porque não é preciso: há outras histórias para contar onde as mulheres podem ser protagonistas, e em melhor. Como este demonstra. Roubando as palavras a Indiana Jones, "it belongs in a museum", o James Bond.


E o livro? Vou ser atrevida, e recomendar um que ainda não acabei. Mas estou a gostar tanto, tanto, que não vou esperar:


(já está traduzido, mas quando comprei ainda não havia)

Pá. Pá. Oh pá. 

Tão bom. Estou a aprender tanto, e precisava / preciso de aprender tanto. Abre a mente, os olhos, novas perspectivas. E isso é importante, imprescindível:

"This is the difference between racism and prejudice. There is an unattributed definition of racism that defines it as prejudice plus power. Those disadvantaged by racism can certainly be cruel, vindictive and prejudiced. Everyone has the capacity to be nasty to other people, to judge them before they get to know them. But there simply aren't enough black people in positions of power to enact racism agaisnt white people on the kind of grand scale it currently operates at against black people. Are black people over-represented in the places and spaces where prejudice coulkd really take effect? The answer is almost always no."

(...) 

"White privilege manifests itself in everyone and no one wants to take on responsability. Challenging it can have real social implications. Because it's a many-headed hydra, you have to be careful about the white people you trust when it comes to discussing race and racism. You don't have the privilege of approaching conversations about racism with the assumption that the other participants will be on the same plane as you."

(...)

"White privilege is a manipulative, suffocating blanket of power that envelops everything we know, like a snowy day. It's brutal and oppressive, bullying you into not spreaking up for fear os losing your loved ones, or job, or flat. It scares you into silencing yourself: you don't get the privilege of speaking honestly about your feelings without extensively assessing the consequences. I have spent a lot of time biting my tongue so hard it might fall off."

E cheguei ao capítulo sobre feminismo, prevalência de mulheres brancas no movimento, resistência em falar sobre raça / racismo, e importância da interseccionalidade. O que me está a fazer questionar / problematizar se o que se passa hoje entre o movimento feminista e a comunidade trans não reflete este problema / resistência, mas ainda não cheguei a conclusões seguras.

Enfim, estímulo para as celulazinhas cinzentas, e um abrir de horizontes. Preciso. Recomendo. 


 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Perigo: altíssimo teor de bazófia

 É muito raro poder gabar-me dos bons resultados de decisões minhas, pelo que, em acontecendo, há que assinalar: parece que a cena de trocar o me-mobile em Junho por um híbrido foi mesmo, mesmo, mesmo bem jogado. 

Cada um é como cada qual, nada de julgamentos morais, mas aquela besta bebia combustível que era um disparate. A minha rica mula ruça - híbrido + cor de burro quando foge -, antes pelo contrário. De tal forma que a primeira vez que abasteci, lá para Julho, depois de gastar o quarto de depósito com que vinha do stand, fiquei cho-ca-da com o disparate do preço da gasolina, se não me engano ali à roda do euro e cinquenta e oito. Mal sabia eu, hein. De qualquer forma, um depósito cheio dá para cerca de oitocentos quilómetros (!!!), se não fizer muita estrada (final de Julho e Agosto lixei a média, adiante). Verdade. O motor eléctrico, ao contrário do que supunha e o vendedor me desenganou, funciona por defeito, a combustão só entra em cena quando o outro não dá vazão (subidas, acelerações, velocidade elevada). E não tem de ligar à tomada (isto era condição sine qua non, ou não tenho onde ligar ou paciência para me chatear com isso), a bateria carrega com o movimento. Tenho um esquentador assim, acho que é um dínamo que faz a magia, não percebo nada disso, anyhoo o esquentador é supimpa, sem dependência de pilhas ou tomadas, mas a marca faliu e já não há mais (vulcano, rip). 

Em resumo, muito satisfeita com o popó. Cada vez que volto a abastecer a gasolina está ainda mais cara, mas com juízo isso só acontece uma vez por mês ou a cada dois meses, não é mau. Consigo fazer o casa-trabalho-casa praticamente só em modo eléctrico, ando devagar para não gastar, e o carro dá pontos eco (o meu record é 84, mas dêem-me tempo); é só um bocadinho chato porque apita por tudo e por nada: ele é porque me desviei um nadinha para a faixa do lado, ele é porque me estou a aproximar muito do carro da frente, ele é porque a minha mala vai ali à solta, no banco do pendura, sem cinto; ele é porque a mochilona do trabalho devia era ir no chão, ou então na cadeirinha de bebé / com cinto posto. Mas estou tan contentinha. Eu, que sempre tive tanto azar aos carros (bate na madeira). Haja saudinha, este é para estimar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

The Cat Diaries [21]

 Uaich, mais de um ano sem actualizar notícias da gataria. Mãe desnaturada, pfffff. Que foi o que nos transmitiu aqui há horas Fox Mulder, líder inquestionável de la maison, enquanto o tentávamos apanhar. Explico: anteontem tinha uma bochecha ligeiramente inchada, ontem estava bastante pior, hoje estava tremendo. Pronto, não havia mais nada a fazer, vet com o bicho. A hora mais temida desde que o adoptámos: é que se o bichano até amansou, já gosta e pede festas, e - milagre! - até há episódios de colo a relatar, sempre se manteve bicho solto e livre, pouco amigo de agarranços. Mas quando tem de ser, tem de ser.

Telefonar para o vet, ainda têm regras covid, ou seja, marcação. Explico a situação, primeiro é preciso conseguir enfiar a fera na caixa; lá me dizem as horas livres que ainda têm, prendam o pestinha e depois liguem. Mais fácil dizer que fazer. Lá o conseguimos confinar a uma divisão, armados de manta e muita vontade, e depois de perseguição e guerra de força (mesmo doente e, seguramente, cheio de dores, continua um lutador que faz favor) conseguimos, conseguimos, conseguimos! Telefonar, podemos ir já, e vamos.

Resumindo, e como se suspeitava, abcesso. Foi sedado, drenado e, já que estava fora de combate, desparasitado e chipado. Agora anda aqui por casa aos ésses, todo drogadão, de abajour enfiado e a dar com o dito em todo o lado, a ver se aquilo sai. 

Tadinho do nosso laranjito. 


E agora dar-lhe antibiótico seis dias seguidos, hein? Outra tourada. Mas vamos conseguir, vamos superar. O grande gatinho do céu nos ajude.


terça-feira, 5 de outubro de 2021

Da cuéstion

Se ainda tivesse vocação para isso (o que a idade faz às pessoas), ou sequer ainda se usasse, sim, este blog podia ser um lindo cartaz de emoções, um sem fim de posts confessionais, cheios de sentimento e coiso, vertendo aqui inúmeras (e desinteressantes) experiências pessoais para deleite dos voyeurs, educação dos sequiosos de lições de vida (parece que se ganha bem a escrever esse tipo de "literatura"), e aborrecimento dos normais.

Mas não. Uma pessoa precisa, quer, tem de saber separar a vida pessoal da vida blogal (para rimar, pá). Quanto mais não seja, por razões de sanidade (minha e dos demais). E depois há dias em que, antes, no meio ou passado o turbilhão, já não apetece pegar no caixote da fruta, pespegar lá em cima, e mandar bojardas relativas à fachização galopante a que se vem assistindo, resultados de eleições, o estado tremendamente lamentável do país e mundo, enfim, perde-se o ímpeto. Ou se calhar é preguiça, no meu caso é bem provável. Caraças, também tenho direito a ela, pá, estive a trabalhar domingo e hoje, feriado, da parte da tarde; ando numas agonias estomacais que só o stress explica, e já pondero encomendar um mapa astral que me ensine a enfiar o Rossio que é o meu trabalho na Betesga que são as 24 horas diárias.

Já ouvi falar mas não percebo bem (nem quero) o que é isso do mercúrio retrógrado, mas gostava de acreditar. Ao menos explicava. Alguma coisa. 

Para não irem daqui sem nada, uns conselhos da titi amiga:

- Se não forem fãs hard core do James Bond, como me mate, esperem que o filme passe na tv. A culpa é dele: depois de me por a ver o Bourne e, principalmente, John Wick, o 007 sabe a novela da tarde. E é graaaande, caneco. Filminhos de acção com duas horas ou menos, hein? Ver lá disso. Não é a Anna Karenina, pá.

- Sessões da manhã ou ao fim da manhã: sim, sim, sim. Pouca gente, não é preciso dizer mais nada. Ainda assim, tivemos o azar de ficar atrás (lugares marcados, sim, ainda há disso, felizmente) de uma família com prole que, acho eu, não sei, não seria ainda da idade adequada para um Bond. Acresce que as crianças não tinham ar de ter idade para serem abrangidas pela vacinação, e estavam todos a comer pipocas, i.e., sem máscara. Fuga para fila muito atrás, o que só é possível graças ao ponto anterior. Recomendo vivamente.     

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Já fui, já vi

E estou em condições de afirmar que, de facto, a estação de Arroios existe e funciona. Não testei porque o meu destino era mais adiante, mas deu para ver a instalação neo-horrenda em que transformaram aquilo. Credo. Está tan feiinha, valha-nos Nosso Senhor do Coisinho.

Noutras notícias, acabámos a série Justified, que me mate amou de coração e eu gostei bastante (ele é um fanzaço de Elmore Leonard, e do tipo de narrativa bandidagem meio burra, meio azarada, em que tudo o que pode correr mal, corre). No dia seguinte, vimos o documentário Harlan County U.S.A., e que é do caraças. A série passa-se em Harlan County, Kentucky; e a actividade mineira é um backround constante. E o oxy. E a pobreza, em ciclo infindável. 

Pronto, agora estamos no período de nojo que observamos sempre que findamos uma série, e talvez sigamos para What We do in the Shadows, que já tem a terceira temporada disponível. E, quiçá, finalmente!, Mandalorian. 

É, este é o ponto alto das nossas tristes vidas, a tubisão. Não estamos em fase de abdicar da ficção.  

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Ena, ena

Diz que ontem deixou de ser obrigatório andar na rua de máscara, mas eu cá tenho uma coisa em comum com os negacionistas, a saber, ninguém manda em mim. Deumalibre, além da delta já anda aí a mu, qualquer dia chega a época das constipações e gripes, deixa estar que estou bem. Além de que me favorece imenso: os óculos escuros já me tapavam metade da cara, agora posso dizer que sou a cinquentona mailinda de sempre que não há provas que refutem. 

Entretanto diz que abriu a estação de Arroios, e já vi na net todas as piadas possíveis sobre o tema. Até o Metro mostrou um nico de sentido de humor e passa nos painéis luminosos a mensagem "este comboio já pára em Arroios". Sim senhora, já há relatos que atestam que é verdade, mas outra coisa que tenho em comum com os negacionistas: só acredito fazendo a minha pesquisa.

Também parece que acabou o teletrabalho, e nota-se (muito) no trânsito. Outra oportunidade perdida para diminuir emissões, aumentar a qualidade de vida de inúmeros trabalhadores, reduzir despesas de transporte e alimentação. E eu, que comecei por detestar, acabei por abraçar algumas das vantagens; quando posso (pena é que posso pouco), continuo a trabalhar em casa. Olha, tenho outra coisa em comum com os negacionistas: ninguém diz o que eu faço.

De resto, nada. de. relevante.

Não fomos à Feira do Livro porque não preciso de mais papel por ler lá em casa (inclui os teus panfletos, Medina, pára, ok, não voto em ti), e ninguém me oferece um T5 forrado a estantes. E com jardim, já que estou a pedir. 

Queríamos muito ir ver o Dune ao cinema, porque ecrã gigante, mas se estreia na disner vemos em casa, porque pessoas.  

Vimos o Tenet e a-do-rei. Na altura que estreou vi imensas críticas negativas, que era pura megalomania, a armar aos cucos, impossível e irrealista, não fazia sentido. Sim, porque na vida real há imensa coisa a fazer sentido, actualmente; por onde começo, pela retirada dos 'maricanos do Afeganistão?, pela lei do aborto aprovada no Texas?, pelo facto de me mate estar a mandar cv há oito meses, até para ofertas abaixo das suas qualificações, e nem para uma entrevista o chamarem? É. E claro que é irrealista e impossível: chama-se ficção. A boa, reconfortante, alegre ficção. Se eu consigo escrever um texto coerente a explicar a história? Népia, mas desafio qualquer pessoa a explicar com clareza o Inception, o Interstellar, vá, o 2001 (todos bem bons, já agora) ou, se estiverem mesmo a sentir-se corajosos, a linha ideológica e pensamento político do Nuno Graciano.

E pronto. Vinha aqui só abrir uma nesguinha de uma janela, a ver se o tasco não ganha mofo, e acabo a deixar um testamento que faz favor. Há quem diga que isto dos blogs já acabou, é muito 2005, mas ainda é onde gosto de estar. O twitter (pelo menos o tuga) é um esgoto a céu aberto; o instagram uma novela de época, só guarda roupa, só adereços; o facebook é só intervalos para anúncios, e já não tenho idade para entrar no tik tok (nem faço questão). Aqui é ainda gosto de estar, embora a melhor vizinhança tenha emigrado. 

Há dias em que me vai faltando a palavra, ou a vontade de lhe dar corpo; há dias (muitos) em que não sei o que é e para que serve isto; há dias assim, dias de alma vaga; há dias assim assim, em que julgo que me encontro e me defino um bocadinho entre o que quero, me apetece e afinal consigo escrever. Há dias, pronto. Mas cá estamos vamos estando.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Silly season

Quase no topo da rua Angelina Vidal há uma lavandaria que se chama "Soap Opera", e cujo nome já entrou para o primeiro lugar do (meu) top de nomes de estabelecimentos, modalidade lavandarias, destronando a "Cotton Club" (rua Andrade) para um honroso segundo lugar.

[o facto de a modalidade "lavandarias" (ainda) só ter estas duas entradas não interessa nada]

Já no top generalista, está no segundo lugar, atrás da "Boutique dos Parafusos" (rua Morais Soares) que é, como o nome não deixa enganar, uma loja de quinquilharia. Melhor nome de sempre para uma loja. Até agora [região Lisboa, que me lembrei agora da loja do chinês "Glamour Contagiante" em Beja e caneco, pá, bolas].

[e sim, faço tops de nomes de lojas, como também tenho o meu completíssimo top de lojas do chinês, Leroy Merlin, ou Lidl; um dia dedico-me a publicar resenhas fundamentadíssimas e ilustradas, e não me fico por menos que uma publicação Taschen, ó]


  

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Pica #2: check

E, mais uma vez, foi chegar, dar o nome, entrar, e demais trâmites. Uns quarenta minutos, contando com o recobro. Na semana que passou diz que ia havendo motins, no meu centro de vacinação, derivado das filas e horas de espera, mas ao menos nisto tenho sorte (euromilhões, é que nem vê-lo).

Pronto, feito. Agora os senhores da moderna já inventavam uma coisa que batesse menos, desta vez foi coisa de duas horas e já estava toda partida, que não me tinha nas pernas, e cheia de dores de cabeça. Vejam lá isso, que parece que para o ano temos pica#3.  

quinta-feira, 8 de julho de 2021

The big five'oh

Há exactamente dez dias que ando a fazer a rodagem dos 50 - cinquenta -50 anos e, há que dizê-lo com frontalidade (referência que só gente da minha idade entende), que é um desapontamento, uma desilusão.

Em primeiro lugar, ainda não me ofereceram a reforma, quando é evidente que estou em excelentes condições para a aproveitar. Um desperdício! Querem que me reforme quando, aos setenta?, quando estiver saturada da vida em geral e da minha em particular? Fazer assim: reformo-me já, quando ainda tenho saúde, vontade (e pernas) para dar uns belos passeios, e prometo que volto aos setenta, vale? Aí até se junta o útil ao agradável, que assim com'assim passo dos dias sentada, a ouvir conversas de bélho caduco, e a resolver problemas de bélho exigente, chatinho, refilão, e cheio de razão.

Segundos, não, não noto diferença nenhuma. Parece que esta é pergunta obrigatória ao aniversariante da quinquagésima década. Nopes, tudo igual. Não é da idade, eu já não tinha paciência antes. Idem para as dores de costas, stress crónico, cabelo branco, ocasional vontade de bater em toda a gente ou praguejar violenta e audivelmente. 

Terceiro, preciso de mais férias. Mas sempre precisei. Sou uma pessoa especial, com necessidades especiais: mais férias, maior quota de chocolate (diz que o cacau vai acabar em 20 anos, tenho de me precaver). 

Quarto, nada. Tá-se. 

Mais uma vez: é tudo igual. Mas podia não ser, ver ponto primeiro. Era um jeitão que me faziam.  

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Vou deixar isto aqui

 porque é absolutamente magnífico: uma música maravilhosa de George Harrison, o filho que é a cara do pai, dois soberbos músicos que já foram levados nas asas do maldito fentanyl, e um deles - Prince, caneco - a dar um show de estilo, virtuosidade, e de pura, intensa, potente alegria de fazer música.  


 


 Já agora, não esquecendo:



domingo, 27 de junho de 2021

O que eu queria era um taco de baseball e carta branca para o usar

Fartinha, fartinha, ó, de ver nas redes (sociais) piadolas sobre os pobres lisboetas, buhuhu, coitadinhos, a queixar-se que não podem sair da área metropolitana (AML) ao fim de semaninha, buhuhuuuu. Muitas delas, note-se, a escorrer aquela satisfaçãozinha tão tuga de "toma!". Ou, em termos mais intelequetuais, peçoas a instruir-nos, do alto da sua pesporrência, que uma pessoa queixar-se de não poder sair da AML ao fim de semana é o supra sumo do privilégio. 'tão não é?, claro que é, afinal até um mafrense pode ir a Setúbal almoçar choco frito, que bando de piegas.

Só que. Só que. (suspiro)

Imaginem que são uma pessoa que, pelo menos há ano e meio, não faz outra coisa que não preocupar-se (porque sempre achou que a situação não era para brincadeiras), informar-se (junto de fontes credíveis, i.e., entidades de saúde pública, artigos de cientistas, médicos e pessoal de saúde), e seguir todas, mas mesmo todas as regras que foram sendo ditadas, a bem da sua e da saúde pública, e sem discussão porque em situações de crise aguda não se contam feijões. Imaginem que são uma pessoa que há ano e meio só contacta de perto e sem máscara (mas em ambiente arejado e com alguma distância) com uma bolha familiar, e com colegas de trabalho (com máscara e uma distância de dois metros). Imaginem que são uma pessoa que usa e abusa de álcool gel, lava mãos, não se aproxima de pessoas, nunca sai sem máscara e só a tira quando chega a casa, respeita lotações, lock downs, proibições de deslocação, teletrabalho, tudo escrupulosamente. Imaginem que são uma pessoa que nunca duvidou e até ansiou pela vacina, e que, ainda que vacinada, vai continuar a respeitar normas de higiene, uso de máscara e distanciamento social. Imaginem que essa pessoa  esperou pacientemente por um fim de semana já com calor para, a um mês das férias, ir passar dois dias longe da pesada rotina, na casa que esteve fechada um ano e que visitou duas ou três vezes, umas horitas, em dia de semana, só para arejar e recolher e pagar as contas. Que essa pessoa contava com esses dois diazitos para adiantar uma limpeza, levar umas tralhinhas, enfim, ver e cheirar o mar, dormir um pouco mais. E, praticamente de vésoera, por uma vintena de quilómetros, e à conta do desleixo e descaso de milhares de outras pessoas, essa pessoa  volta a ficar presa em casa. Sem pespectivas de poder largar um fim de semana, pelo menos até às férias oficiais - e ainda aí, vamos lá a ver, porque começam a uma sexta feira, supostamente ao fim da tarde. Claro que essa pessoa pode ir almoçar choco frito a Setúbal, lanchar fofos a Belas ou queijadas a Sintra, mas.

Mas digo eu, pode essa pessoa, ao menos, queixar-se? Deixam? Permitem? Por favor? Obrigadinha. Ao menos que nos possamos queixar, porra. 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

PDEM recruta ajuda do público

Aqui em casa encetei um revolucionário PDEM - Processo de Destralhamento Em Curso. Bom, em termos temporais digamos que já começou há algum tempo (a palavra chave é "processo"), e ainda se encontra em curso, o que retira um bocadinho a carga revolucionária à coisa mas, considerando que temos ambos um fortíssimo gene hoarder, é revoluconário q.b. 

O que não é revolucionário, nem social, nem prático é a questão do destino a dar à tralha. Em sacos de roupa a coisa divide-se em três categorias: roupa em bom / muito bom estado; roupa assim-assim; traparia. A última categoria vai sendo descartada nos contentores da Junta, pelo que não acumula. O problema são as restantes, que já estão a ocupar um espaço jeitoso. A roupa em bom / muito bom estado é pecado colocar naqueles contentores. São peças que foram guardadas porque um dia poderiam voltar a usar-se ou servir-me; aquelas em que nenhum dos requisitos se verifica há uns bons anos, fora. Nem sequer dá para apertar, tenho ali calças uns quatro números acima, é impraticável. As que simplesmente desgostei, pronto, deslarguei, e olhem que não é um processo fácil, derivado do tal gene. Mas há limites para o apego a coisas, e eu atingi o meu. Mentira, o limite que estoirou foi o do espaço disponível.  

Donde, o problema actual é onde, a quem dar? Pois. 

A minha primeira ideia foi deixar tudo numa loja Humana: eles aceitam donativos, vendem a preços bem acessíveis, e empregam o dinheiro em obra social. Tudo bom: pessoas com menos meios teriam acesso a roupa boa e em bom estado, e geraria dinheiro para bons fins. Sucede que, entretanto, ouvi uns zunzuns que uma betalhada muito empreendedora andava a passar a pente fino as lojas Humana, comprava barato, e depois vendia no face e insta como "vintage". Pá, não. As minhas cenas, não - e algumas delas são mesmo boas, e foram caras. Que as comprem pessoas mais desfavorecidas por 5 euros, sim senhora, mas servirem para encher bolsos a manhosos, nem pensar.

Pensei entretanto na loja social da minha freguesia, e encarreguei me mate de contactar. A loja funciona fornecendo bens, entre os quais vestuário e calçado, a pessoas carenciadas e sinalizadas. Tudo bom, portanto. Excepto na parte em que não aceitam donativos de roupa, foi essa a resposta. Pá. 'Tão, pá? 

Estou, portanto, num impasse. E com três sacalhões a ocupar espaço. Agradeço qualquer ideia.

Problema semelhante relativamente a livros. Comecei a triar e destralhar, e este processo ainda é mais doloroso que com roupa, apre. Mas há livros que nunca irei reler, ou de que não gostei, e alguém pode tirar proveito. Pensei na biblioteca da freguesia, de novo me mate encarregue de contactar. Ah, a pandemia, fechados, de momento não aceitam donativos (méne, não é preciso oferecerem-nos um café, um abraço, um beijinho, a gente deixava o saco e ponto; e não são livros velhos ou podres, são livros manuseados e em bom estado, canudo); resumindo, também não esclarecem se alguma vez aceitaram ou aceitarão donativos. Mais dois sacos a ocupar espaço.

Portanto, e apelando ao amável público que ainda frequenta blogues e este em particular: ajuda. Por favor. Bibliotecas menos comichosas. Associações que aceitem roupa. Por amor da divindade que vos guia, ajuda, por favor. Agradecida.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

A cabeça não dá para mais

 


Pelo que andamos a dar guia de marcha, furiosamente, a esta série policial. Sim, já perdemos umas valentes horas de sono, começar o/um episódio 8 (cada temporada tem 10) à noite é um risco, porque ósdespois uma pessoa fica com comichões ao nível do suspense e precisa de avançar, e já não quer saber a que horas o despertador (ou o gatinho filho do demo, Max) nos vai acordar no dia seguinte.

É um policial muito bem escrito, com personagens que valem por si (e a dinâmica entre si), várias sub-plots (na segunda temporada até eram de mais, adiante), muita ação e bem filmada, uma banda sonora soberba (e eu que detesto - detestava? - jazz), e um sentido moral muito farrusco, que a menina destesta coisas ao nível da clivagem bons / maus.

Entretanto, e acho que é de assinalar, passei de uma suprema forreta que nem pensar em pagar mais que um canal de streaming, julgam o quê, que transpiro dinheiro?, bandidos, meliantes, traficantes de conteúdos a querer apanhar uma pessoa na droga pesada da ficção, como ilusória panaceia para o tédio da sua vida em particular e desesperança do mundo em geral, a mim não apanham nessa teia, para uma quero lá saber, viva a alienação.  

[yup, assinamos todos] 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Moderna mas fraquinha

 Desde segunda feira que me pergunto: se não tirei uma selfie no local / foto ao boletim com a data de primeira e segunda dose, e publicado nas redes sociais, terei mesmo sido vacinada? "Sim", responde o meu braço esquerdo, latejando de dor (que me desapareceu, assim mesmo de repente, hoje ali à roda das onze). "Sim", insiste o meu corpitxo, encalorado, cansado e moído como se tivesse levado uma tareia. "Siiiiiim", geme a minha cabeça, que parece cheia de hélio. E tomei paracetamol, que faria se. Temente pelos efeitos da segunda dose: se não morro da cura, o bitxo já não me apanha. Chatice ser florzinha de estufa, mas aliviadíssima, e sem baixar a guarda, até e mesmo depois da segunda dose. Pode ser que isto seja o fim do princípio, ou mesmo o princípio do fim (toda a gente colaborando, já lá podíamos estar, sim, no princípio do fim, mas não há como o tuga para ser pessimista ou optimista em excesso precisamente na ocasião errada).

Anyhoo, semi-vacinada. Yeah science, bitch.