sexta-feira, 13 de julho de 2018

This is a local shop for local people. There's nothing for you here.

As opiniões são como as tal-e-tal, verdade, a cada um a sua e quem as quiser dar, que dê. Mas além de as haver para todos os gostos, e validando quaisquer posições, ideologias, pré-conceitos, whatevs, há as que prefiro: maturadas, pensadas, fundamentadas. E dessas não tenho tido muitas, ultimamente. Porque não tenho tempo, nem vagar, nem disponibilidade para as maturar, pensar, fundamentar. Vem alguém e grita: cinza!, e eu olho e parece-me mais um azulito, embora acinzentado, concedo; podia por-me logo em cima do caixote da fruta a berrar ao mundo e a quem quisesse ouvir que não é nada cinza, é azul, 'zuuuuli, mas não é assim que gosto ou costumo fazer as coisas. Precisava de tempo, vagar, disponibilidade para mais que olhar, ver. Analisar com atenção, quiçá ir investigar bem a fonte, que isto dos tons, já se sabe, podem variar com muito copy-paste, e dependendo das definições de luz do nosso receptor. E, em não tendo esse tempo, vagar, disponibilidade, opto por exercer o direito ao silêncio, em vez de arriscar fazer figura de tola. Ah, fosse toda  gente assim, permitam-me esta pequena soberba. É que se lê, ouve tanto disparate. Tanta gente a vender carapau por sardinha, porque foi por esta que o compraram. Nem notam que parece carapau, e nem sabe a sardinha. Não querem saber: eu acho que é sardinha, e tenho direito à minha opinião. Com certeza, claro que sim. Tem direito à opinião, como tem direito à ignorância, a abrir mão do espírito crítico, e a empenhar a capacidade de raciocínio, ou assassinar aquela pequena, singela capacidade de indagar o porquê. Alt-realidade: parece que é um trend. Não, é só uma epidemia de estupidez.

Vai daí, já nem me sobram dedos para contar as polémicas, mais ou menos válidas, mais ou menos néscias, que este ano deixei passar ao largo. Outras realidades falaram mais alto, e pediram mais insistentemente o meu tempo. Some-se a isto um certo cansaço de discutir a qualidade da caliça com paredes, e pronto, ficou este blog despido de discussões e querelas - das boas, aquelas em que se troca opiniões, visões, e se aprende; e das más, aquelas em que os interpelantes fazem como o Nelson, eterno bully dos Simpsons, apontam o dedo e ah-aahhh, e a gente sabendo lá porquê, se não pelo simples ou simplório gosto de ah-aahhh.

Talvez me passe, esta falta de tempo e necessária dispersão e imersão noutros e por outros assuntos. Hum, a avaliar pela lufa-lufa da última semana antes de férias, as tais que vão ser forçosamente reduzidas a metade pelo segundo ano consecutivo, não parece. Ou então, talvez baixe uma melhor gestão de tempo - agora sou a Nelson de mim mesma, ah-aahhh. Samicas me volte a curiosidade por ir ver em vez de olhar, investigar mais, escavar mais fundo; e a paixão pela exposição pública de pensamentos, em escrita. Huummm. Não sei. Ainda estou a tempo de me surpreender. Ou então não. Às vezes perdemos coisas que nos são muito valiosas e não desistimos de as tentar reencontrar; outras, acabamos por nos dar conta que afinal não são assim tão preciosas, e não merece a pena insistir no que já não volta a ser, já não retorna. Quem sabe? Nos entretantos, pois que aqui (ainda) insisto em persistir, nesta enfadonha forma de ser. Nesta miudeza poucochinha que é o relato de coisinhas de somenos importância. Nesta forma de manter alguma âncora de escrita feita, com pequenas pinceladas de trivialidade e ligeiríssima ironia, daquela que não faz mal a ninguém, não ofende, talvez arranque um sorriso ou nem isso, talvez suscite um piscar de olho cúmplice mas não comprometido.

Cá estamos.

1 comentário:

  1. Passo aqui só para dizer que tenho o segundo volume do Valerian. O segundo, em inglês, porque a Bertrand só tinha a partir do segundo :/. Vou ver se encontro o primeiro na loja de BD.

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