segunda-feira, 28 de maio de 2018

1475

Uma pessoa nem se consegue alegrar convenientemente com o que sucedeu na Irlanda, porque ficou entalado entre notícias de retirada forçada de filhos a pais/mães migrantes e respectivo "internamento" em "instalações" "específicas", e o "desaparecimento" de 1475 dessas crianças. E isto não aconteceu num país de terceiro mundo, ou um canto terreno afligido por guerra, fome ou terrorismo, aconteceu ali do outro lado do oceano, com um regime constitucional e um governo/presidente eleito.

Mil. Quatrocentas. Setenta. Cinco.

Nem consigo ter palavras para isto, nem consigo elaborar mais, é de um horror e crueldade indizíveis.

(entretanto, numa outra rubrica de horror diário, no Iraque julga-se e condena-se à morte mulheres de militantes do daesh. ele há dias em que acordar e continuar funcional é muito complicado)

2 comentários:

  1. Viver por estes lados é um exercício diário de gestão emocional entre o desespero e a obrigação de mudar o estado das coisas. Mas uma vez que a desinformação pública é um problema quase tão grande como esta administração democraticamente eleita, partilho esta correção à história das crianças "perdidas": https://twitter.com/jduffyrice/status/1000927903759110144?s=19

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Inês, já tomei conhecimento, e de facto não é um desaparecimento mas uma não localização, ou um não esforço de seguimento. Ainda assim, hum. Acho preocupante, porque acabam por ser "invisíveis".

      Eliminar