segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Televisivamente falando

 Não temos passado muito tempo em frente ao aparelho, coisas da vida de adulto, outro dia o cansaço era tal que fomos para a caminha às 20.30 e que bem que me soube, sempre que posso e se proporciona aviso as crianças: aproveitai bem todas as sestinhas, um dia vais chorareis por não as fazerdes.

Ainda assim, num dia mais desperto espreitámos "The Beast in Me" e já estamos enganchados. Há ali um clima super inquietante, a Claire Danes e o Matthew Rhys fazem um belo trabalho, e é um gosto vê-los a interagir num texto bem escrito. O Matthew Rhys conhecia de Os Americanos, uma belíssima série que não é suficientemente conhecida, aplaudida, levada em braços.  A Claire Danes toda a gente conhece, e pronto, não desilude, além de que é muito refrescante ver uma mulher, ahém, madura no ecrã, com um mínimo de maquilhagem, e sinais de tempo na cara. E até está muito benzinho, diga-se, quem me dera, mas não andou a repuxar peles e a encher cavidades, conseguindo ter expressões de ser humano e não boneca inanimada. Hoje em dia é muito refrescante.

Entretanto me mate descobriu uma velharia que nos está a divertir imenso, até porque ainda não vimos um episódio que, fosse hoje, nunquinha seria feito, autorizado, sequer pensado. Digamos que não cumpre (mesmo nada) a pauta woke. E não faz mal: podemos rir de tudo, e isso, às vezes, é que nos faz avançar.  Bom, a antiguidade é It's always sunny in Philadelphia, e contém alergéneos.

Fora da TV, anunciaram um espectáculo do Ricardo Araújo Pereira lá para Junho do ano que vem, e eu 'bora, até ver que o senhor cobra preços de Ricky Gervais. Wrong Ric, tem lá paciência, e ao menos o outro dá milhões a causas animais, não estou a sugerir nada, mas para o casal Dumb&Dumber largar cento e cinquenta paus em fins recreativos, têm de me prometer mais qualquer coisinha, até agora conto três ou quatro vezes que pagámos isso ou acima - mas valeu cada tostão. O Rap, pah, o Rap dá na tubisão. De borla.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Monstrinho

 Bom, logo na estreia a aviar o Frankenstein, do senhor que fez aquela coisa inenarrável a querer ser a história de amor do século entre um indivíduo com guelras e cara de peixe e uma senhora da limpeza, enfim, toda a gente tem direito a fazer merda ao menos uma vez na vida, mas com este o home queimou três chances, pelo menos. 

Mas falava do outro, o monstro de retalhos e sem nome, que Frankenstein é o senhoure doutore que o cria, e pronto, vantagens, pontos positivos, o filme não é enooooorme (parece que a tendência já passou, atenção, eu não viro costas a um Ben Hur, um Os Dez Mandamentos, até fui ver a Cleópatra ao cinema - 4 horas - e, com muita pena, não fui ver o 1900 - 5 ou 6 horas, acho - porque estávamos de férias, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é filmes chatos e realizadores sem capacidade de edição). 

É uma fita lindíssima, que é, esteticamente a bater no topo, em tudo: cenários, guarda roupa, caracterização. As interpretações começam por prometer, mas ali a meio do filme já não podia com o ar sofrido do Isaac, e no fim estava com um verdadeiro enjoo das vozes dramáticas, olhares sofridos, histórias trágicas for the ages daquela gente toda. Grande surpresa (positiva) com a mocinha, Mia Goth, mas também foi trucidada pelo tadinhamento. 

Se pudesse resumir, diria que é um filme sentimentalão, ali a roçar o choninhas demasiadas vezes. Me mate adorei, muda alguma coisa do original, mas acho que a Mary Shelley não ficaria aborrecida (ele leu, eu não), e a aqui a feminista ball breaker, talvez. A surpresa, o horror: não gostaste

Explico-me. Gostei, mas... é demasiado coisinho, percebo que tu, como homem, tenhas gostado, porque anda tudo à roda dos sentimentos, as motivações, os ímpetos, os ideais, os dramas, as emoções do criador e da criatura. Me mate estava ficar um bocadinho chateado. Mas expliquei melhor: tanto o Frankenstein como o monstro são criaturas de péssimos sentimentos, diria mesmo má índole, um enquanto adulto mal formado, o outro como criança abandonada e negligenciada; em ambos domina a raiva doente, a força bruta, o instinto predador; mas aqui tudo é suavizado, entendido, perdoado, porque coitadinhos. E o pior, fiquei muito desconfortável com o fio e o fim da personagem da Mia Roth, uma bela que quer salvar o/s monstro/s, sempre a mesma efabulação masculina, irra, o amor de uma boa (e bela) mulher me redimirá - que, ainda por cima, não é fiel ao livro, e torna tudo pior.

Se este blogue fosse um divã arriscava dizer que o Gui do Toiro anda com uma ideação e/ou identificação esquisita, mas quem sou eu. Olha, se calhar beneficiaria da ideia não do xanax mas um antidepressivozito na água da rede. 

Mas gostei, sim, é muito lindo, muito perfeitinho, e tinha resultado muito melhor não fosse, mais uma vez, a rameira da visão masculina sobre o masculino (e um certo feminino), é coisa que com os anos (décadas, séculos, já não tenho esperança) talvez comece a desentranhar.    


Aditamento:

Já agora, o meu monstro de Frankenstein preferido foi o Rory Kinnear, no Penny Dreadfull;

Outra opinião sobre este filme, por um crítico que apreciamos muito, lá em casa: 


 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Bom dia e boa sorte

As pessoas andam, genericamente, todas malucas, irritadíssimas, malcriadonas, e que se calhar era boa ideia começar a misturar xanax na água da rede.