quarta-feira, 9 de novembro de 2016

We shall never surrender

[numa conversa no feice - o pessoal da minha timeline acordou cedo, e estamos numa de psicoterapia de grupo desde as sete menos picos - lembrei-me deste filme. já é velhinho, com um elenco de luxo, e uma história que se torna, hoje, assustadoramente presente]



21 comentários:

  1. que dizer? já foi tudo dito. e não adiantou de nada.

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    1. Por acaso acho que agora há muito para dizer, pensar, fazer. O rastilho está aceso, e isto não se apaga tão facilmente como se pensa: o discurso do ódio é como o pavio daquelas velas de aniversário, muito teimoso e resiliente.
      Em primeiro lugar, depois de engolir o sapão, é preciso saber e explicar como ele se criou e cresceu. E assumir responsabilidade onde ela nos caiba. E se eu acho que a esquerda (por exemplo, falo só do que me é próximo) tem responsabilidade.

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    2. Tenho estado a ouvir a web summit e o tema de hoje acabou por se tornar a política, já que muitos oradores são americanos e estão em choque. Até houve um que se levantou e disse que estava muito zangado com esta m*** toda. Mas tem sido interessante ouvir esta mistura entre tecnologia e política, um ponto de vista mais pessoal e humano sobre o futuro, em vez de pura e simplesmente empresarial. Afinal de contas, se mais do que nunca temos acesso a informação e uns aos outros e ainda assim, um homem destes ganha, onde se falhou?

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    3. Educação, cidadania. Estamos a falar de um mundo em que o acesso à informação é quase globalmente democrático, mas e a forma como se selecciona a informação, como se reage perante esta está a regredir. As pessoas procuram a resposta que querem, lêem parangonas, não investigam e não questionam.
      É fazer cá o que se fez lá - desinvestimento no sistema público de educação e, já agora, permitir o home schooling - e qualquer dia também temos cá os teóricos da terra plana, os anti-vacina, e por aí fora.

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    4. E há quem esteja estranhamente optimista, com a convicção de que o presidente não tem real poder. Pois, mas ambas as câmaras ganharam maioria republicana. Ou seja, existe um sério risco de retrocesso em termos de acesso a cuidados de saúde, ivg, uniões e casamento entre pessoas do mesmo sexo, e quiçá direitos fundamentais, ou antes, direitos que até agora eram considerados fundamentais e por isso foram reconhecidos, que podem passam a ser, de novo, não-direitos.

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    5. Há quem se congratule pelo fim da dinastia Clinton e quem ache que quem elegeu o Trump foi a classe média americana. Há quem precise de lições de história.

      Não estou minimamente espantada, sempre soube que o Trump iria ganhar. Não só não idealizou os americanos, como a extrema-direita é a nova moda. Brasil, Índia, Filipinas, Inglaterra...porque haveriam os EUA de ser diferentes?

      Tal como no Brexit, quando se arrependerem da birra, será tarde.

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    6. Já agora, só uma pequena comparação acerca de as pessoas estarem cada vez mais burras.

      É algo idiota, mas olhemos para a adoração à Guerra dos Tronos: na sua essência, é uma novela mexicana, sem desprimor para estas. Só que é vendida como se fosse muito ousada e original. E maioria das pessoas engole isso.

      Ora, se as pessoas acham muito surpreendente que uma personagem óbvia como o Jon Snow morra e ressuscita- mais uma vez, este tipo de desaparecimento e volta é comum em telenovelas - como é que vão questionar o Trump milagreiro?

      Eu sei que é uma comparação imbecil, mas tenho vindo a pensar nisso. As pessoas estão a perder capacidades intelectuais.

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    7. E olha nós, quantos continuam a dizer que isto ia lá com um salazar? Que na altura de salazar os cofres estavam cheios, não havia violência na rua e não haviam gays (também já ouvi esta). Não aprendemos com a história.

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    8. Anónimo/a, o fim da dinastia Clinton? Lol. A sério, a palavra dinastia não é a apropriada, sequer, e se vamos por aí ainda falta a Chelsea.

      Anyhoo, o WP publicou isto: https://www.washingtonpost.com/graphics/politics/2016-election/exit-polls/?tid=sm_fb
      Não sei se é fiável, mas aponta para um voto maioritário tendencialmente do homem branco de meia idade e sem educação superior. Mas a percentagem de mulheres e licenciados também é assustadora.E de mulheres licenciadas? Ai.
      Enfim, acho que as pessoas - brancas, claro - libertaram o monstro. E isso assusta-me horrores, porque sou mulher branca, de classe média-alta, licenciada e hetero, ou seja, estatisticamente poderei ser uma seguidora do discurso do medo e do ódio, embora não o seja. E acho que esta tendência me/nos dá uma responsabilidade do caraças.
      Se eu fosse não branca ou lgbtq e americana, hoje acordaria com medo, e isso é horrível.

      Fuschia, salazar imprescindível só (re)conheço aquele utensílio de cozinha. E não, não se aprende nada quando somos permeáveis a discursos de eles contra nós.

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    9. Eu sei, é imbecil. Pessoas que nem percebem quem elegeu Trump acham que havia uma dinastia Clinton.

      E também tenho medo. Só os néscios não estarão assustados.

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    10. Pois, no geral estou apreensiva e assustada. Imagine se fosse um "alvo a abater".

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    11. A Praga dos parvos que acham que todos os que estão contra o Trump são uns histéricos que desprezam os americanos não pára de crescer.

      Foda-se, a pessoa até se passa.

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    12. Oh, e eu que até simpatizo com eles... Agora a sério, acho que a percentagem de americanos broncos não deverá ser muito superior à de europeus ou portugueses broncos. Sucede é que somos culturas diferentes. Rala-me muito pensar que um povo que ouviu as barbaridades que o gajo disse e fez ainda o ache apto para presidente. Muuuito preocupante. E se a tendência fosse só lá, pois. E desvalorizar agora, com o argumento (que também já ouvi) de que ele não vai fazer tudo o que disse, é a) desvalorizar toda a população que ele hostilizou e alienou, e o seu legítimo sentimento de medo; b) não perceber nadinha, que as câmaras são republicanas, há um juiz do supremo para nomear, e assuntos como o acesso à saúde, direitos reprodutivos e casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, têm alguma unanimidade entre republicanos. E a maioria no supremo quanto a casamento gay foi rés-vés.

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  2. É tão sem sentido. A Clinton teve a maioria dos votos. Os broncos nem isso conseguiram. Mas com aquele sistema...

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    1. Verdade, mas é o sistema, não se tratando de sufrágios universal directo estas coisas podem acontecer.mcmo cá os partidos sem maioria na assembleia se podem coligar e formar governo.

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  3. Pára tudo! :)
    Izzie, o homeschooling é permitido em Portugal. E o que é o que homeschooling tem a ver com a coisa explica-me lá? (Sendo que homeschooling não é estar contra o ensino público).

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    1. Salvaguardadas situações muito especiais como um grande isolamento geográfico, ou outras que a esta hora não consigo, sim, sou contra. Eu sei que não é contra o sistema público, até porque pressupõe uma avaliação por exames públicos, mas. O sistema de me schooling promove o isolamento: a criança não se integra num sistema que, à partida, é variado e diverso. Permanece numa bolha, e tantas vezes com o propósito de a isolar de ideias vistas como perniciosas, ou de uma socialização que a pode corromper. Isto é muito preocupante, na minha maneira de ver as coisas. A integração social, e convívio com pessoas de outras origens, maneiras de pensar, estar e viver promove a troca de ideias, desafia modelos pré concebidos, enfim, contribui para o desenvolvimento livre, crítico, inteiro da pessoa.
      No que respeita ao modelo pedagógico, a criança até pode ser preparada e testada segundo modelos oficiais. Mas. Saber responder ao programa oficial não significa que os educadores não lhe digam que aquilo é tudo mentira, a terra não é redonda e tem apenas seis mil anos, e descendemos todos de Adão. É isto acontece. Nos eua existe já uma grande base criacionista, anti ciência. É preocupante.
      E agora o reverso da medalha: seria tão bem visto um sistema de ensino que promovesse o isolamento entre comunidades se fosse originário de outras culturas? Seria aceite, por exemplo, um homeschooling muçulmano, tipo madrassas? Não, claro que não. Mas só se pede integração aos que vêm de fora, esses tem que assimilar e aculturar. Já os brancos evangélicos que acham que toda a resposta está na Bíblia e veem no estado federal um inimigo das suas liberdades, esses podem.

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    2. Eu tinha imensas ideias pré-concebidas sobre o ensino doméstico, até me ter verdadeiramente informado sobre o mesmo e sobretudo depois de ter conhecido pessoalmente pais que o praticam. Há esta ideia que o Ensino doméstico é praticado por pais loucos que querem fazer uma lavagem cerebral à criança.
      Curiosamente encontrei miúdos que se relacionam com os outros muito facilmente e que têm acesso a formas de aprendizagem que promovem o pensamento crítico, a autonomia, o questionamento. É que as coisas que dizes serem positivas no nosso sistema de educação são precisamente as que falham redondamente. Por princípio, sou a favor da escola pública. Acontece que a escola pública não está a funcionar e enquanto continuarmos assim os número em ED vão continuar a disparar, como está a acontecer nos últimos 3 anos. Quanto ao isolamento, esse é logo o primeiro factor que vem à baila mas e se te disser que estão a surgir pelos país vários grupos de crianças em ED que estão a aprender em conjunto com um professor/facilitador? E quantas crianças temos nas escolas a passar intervalos sozinhas? A localização geográfica é apenas um dos factores para o ensino doméstico, há tantos outros que caso a caso podem fazer todo o sentido. Mas para isso precisamos de limpar o que sabemos sobre ED nos EUA e observar o que está a acontecer no próprio país (e isso não invalida que existam pais loucos a praticar ED tal como existem pais loucos a meter os filhos na escola).

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    3. Compreendo e aceito, claro que sim. Mas faz-me muita confusão que, face a certas falhas da escola pública, os pais optem por virar costas e fazer uma escola no seu quintalinho, em vez de se empenharem, comunitariamente, por melhorar a escola pública. Há uma coisa chamada Associações de Pais, reuniões de encarregados de educação, directores de turma. Os pais desistiram da escola, desculpa, e optaram por mezinhas fora do sistema, umas porque são de elite e lhes garantem aquilo que deixaram também perder, e outras porque são caseiras e naturais. Tive esta discussão na minha família, por causa da opção pelo ensino privado, pelas mesmas razões que apontas para se optar pelo ED. E, já agora: bela merda, que o colégio é muito bom quando tudo corre bem, mas basta uma pedrinha de areia e descartam-se mais depressa que a escola pública.
      Acho um mau princípio. É como dizer que a saúde pública tem falhas, e optar por um hospital privado ou um consultório caseiro. Entretanto, por falta de utentes, o serviço público tem cada vez menos financiamento, e se um dia há uma doença a sério os chás já não resolvem, e o seguro já não cobre. Nesse dia lamenta-se a opção, e talvez já seja muito tarde.

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  4. I shall say thiz only once...

    Ando muito zangada com isto tudo. Como e' que um presidente Americano, pela primeira vez despretencioso, educado, sem escandalos ou corrupcoes, cheio de energia e forca para mudar o mundo, que fez de tudo contra todas as tendencias de apertar o cinto 'a economia para restaurar o bem estar dos Americanos, que salvou a America da bancarrota, que pos a America no terceiro milenio em termos de saude, clima, direitos da mulher, homossezxual, deficiente, cor, e todas as minorias, que finalmente se juntou as negociacoes de tratados comerciais internacionais, apoiou o medio oriente num esforco ate ele nunca visto de estabilizar e nao culpar e armar, e ainda por cima boa pessoa, bem-disposto, simples e humanitario... e o povo revolta-se contra o "establishment", as reformas dele, as "poucas vergonhas", etc.

    Sim, ha desemprego, fome, miseria nos EUA. Sim nao ha estado social. Mas ele estava a cria-lo. E podia ter havia muito mais miseria e fome e desemprego sem os estimulos 'a economia que ele fez. Os EUA foram o primeiro pais a sair da crise, com crescimo de emprego e produto notaveis, o dolar e a bolsa em claro estado positivo, acima de qq outro pais desenvolvido.

    Nao se entende. Um voto de protesto num bilionario que nao teria qualquer pudor em explorer todos os miseraveis e desgracados para ganhar mais um milhao. Que prometeu lhes tirar os subsidies e planos de saude que ja tinham conquistado. Triste.

    O que e' triste nao e' a burrice. Porque esses nao se apercebem da sua miseria. O que e' triste e' ver a burrice dos outros e ser impotente para fazer algo.

    Que os que veem nao baixem os bracos... que tenham forca para protestar, protestar, protestar, levantar barreiras e nunca se submeter.

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    1. AEnima, é isso tudo, resumiste lindamente :/

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