quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Que las hay?

 Sou zero adepta de teorias de conspiração, embora tenha de admitir um fraquinho pelo terraplanismo, caramba, elevar a ignorância ao nível da 4ª classe a "teoria" é obra. A cena da inteligência artificial assusta-me q.b., afinal vi o 2001 e o Terminator, mas ainda morro antes dos computas nos exterminarem. As cenas dos algoritmos até me dá jeito, quando funciona, confesso que até os alimento para que me sugiram cenas que sejam a "minha onda". A coisa de estarmos a ser vigiados e ouvidos e filmados, uhuhu, nunca me preocupou muito, a minha vida é extremamente aborrecida e não interessa a ninguém.

E eis que. Acho que toda a gente já passou pela experiência de andar a pesquisar, por exemplo, qual o desumidificador melhor / mais eficiente / mais em conta, e, de repente, ter as redes inundadas de anúncios do dito produto, vendido por A, B, ou C. Mas o que vou contar não se seguiu a uma pesquisa na net. Foi uma conversa de dois, três minutos, sobre um produto muito específico, cuja existência desconhecia, aliás, capaz de apostar que em Portugal não se vende ou sequer existe, a menos que o tenham trazido do estrangeiro, como foi o caso. Limitei-me a notar que dava muito jeito, sim senhora; não me importava de ter em casa; onde se arranja disto?; e responderam-me que tinha sido trazido do país tal, pela fulana de tal (por acaso natural de lá). E eu, oh, que pena, mas deve ser coisa que se arranja na @m@zzzzoin, a alemã, pelo menos. Dia seguinte, intervalo de um jogo no telemóvel, a cadeia de ferramentas e utilidades do lar de que sou freguesa mais que habitual informa, com fotografia do zingarelho, que o tem à venda no seu site / marketplace. Sim senhora. Pois está bem.

Acho que vou comprar mais papel de alumínio e forrar os meus chapéus e boinas. E telemóvel.

   

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Cenas dos próximos capítulos

 Logo que tenha vagar venho aqui contar como a Epal cometeu um erro tremendo que teve como consequência tentarem cortar-nos a água, não facturarem nem fazerem contagens durante quatro anos, e agora apresentaram-me uma factura de mil e poucos euros.

A vida é uma eterna canseira. 

(primeiro, não, não dei por que me tinham deixado de mandar as facturas, recebo muitas e todas electrónicas e os pagamentos são todos por débito directo; sim, já reagi, e invoquei a prescrição dos serviços com mais de seis meses, googlem lei dos serviços essenciais; temo que isto ainda dê pano para mangas, e ainda tenho a outra canseira de marcar oficina para reparação de um pára-choques que uma motociclista atropelou e depois ainda teve a lata de se armar em histérica comigo porque, sic, «eu a podia ter matado», fia, cê é que se atravessou, if you die, you die, tá a ver, credo)

Anyhoo, completando, parece que por um erro lá deles, a Epal considerou o meu contrato «rescindido»* em 2021, capaz de apostar que foi algum do peeps que rodou pelo rés do chão e se enganaram a digitar e zás, primeiro andar não tem contrato, mas tem abastecimento. 

Vai daí, há uma sexta feira pelas dezassete em que, graças a tudo e mais um par de bolas, me mate estava a trabalhar em casa, ouviu barulho na escada, uma fulana ao tufone a dizer que já cá estava, e ia então fechar a água (o escritório confina com a caixa de escadas, graças a tudo e um par de berlindes); o home resolve ir à porta, abrir, interpelar sujeita, e confirma-se, vinha fechar a nossa água, não dá justificação.

Izzie sugadita no seu local de trabalho recebe telefonema de su mate, e por sorte pode atender, o home diz que está ali uma pessoa humana para nos cortar a água e não diz porquê, mas vai passar o telefone à titular do contrato (eu); indivídua diz que não fala com ninguém, tem ordens para cumprir; eu digo a mate para transmitir que não recebemos nenhum aviso, as contas são todas pagas por débito direto, donde, não pode cortar a água, recado que é prontamente transmitido e ignorado. Entretanto, Izzie já googlou o nº da epal e está em linha, e pelo móvel dá instrução a su mate para bloquear fisicamente o coiso da iauga nas escadas e não deixar a coisinha aproximar-se, que chame a polícia e mostre ao agente a notificação para corte. Atendem Izzie na linha de apoio, identifico-me e explico a situação, que chamo a polícia, que ninguém me corta a água a uma sexta e me deixa três dias sem um bem essencial, que nunca recebi nenhum aviso, assim não pode ser; tufonista diz que vai averiguar, averigua, e informa que contrato não existe, foi dada baixa em 2021, «por quem, por mim não foi», e não sabe mais nada, diz que vai averiguar de novo, que aqui já será código para «falar com um superior», até porque já tinha aberto no computas a Lei dos Serviços Essenciais e explicado que o que estavam a fazer era ilícito e taletal, depois de uns minutos a averiguar e eu em espera, mate diz no móvel que «olha, a tipa está a ir-se embora», e no mesmo momento a tufonista diz que assunto vai ser regularizado e em dezembro me enviarão fatura [esqueci de dizer, mas antes do bloqueio físico a outra funcionária, que aliás recusou mostrar identificação que provasse trabalhar para a epal, teve acesso ao nosso contador, porque me mate achou por bem mostrar que não tínhamos uma puxada macaca, era contador legítimo e a funcionar, e brabuleta tirou a contagem.]  

E pronto. Não ganhámos para o susto, juro que ia tendo um meltdown. Entretanto fiz busca na pasta «facturas electrónicas» do gmail e, de facto, não tinha facturas posteriores a 2021. Mas não sou eu que tenho a obrigação de as emitir, né. E esta está emitida de uma forma que não cumpre a lei: enuncia consumos (estimados? calculados em média?) e valores por períodos anuais e semestrais. Um total escandaloso, que me querem cobrar de uma só vez. Já enviei mail (e seguirá carta registada com AR) a exigir discriminação de valores mensais, e a invocar a prescrição de valores com mais de seis meses. É a lei, madafâquer. 

Ainda tenho de pensar se cancelo o débito directo na véspera, se não me derem resposta, ou deixo ir e depois reclamo a devolução. Tenho receio de, não pagando - mesmo tendo prova de que invoquei a prescrição e ofereci pagamento de seis meses - voltem a tentar o corte.

*preciosismo de jurista, mas vamos exterminar o «rescindir». os contratos findam por denúncia ou por resolução**, neste caso terá sido uma denúncia, i.e., «então bom dia, já não quero os vossos serviços a partir de tantos do tal, fazer o favor de desligar, agradecido».  

**podem findar por outros meios, mas não me pagam para dar aulas de introdução ao direito.

   

domingo, 4 de janeiro de 2026

Nem uma semana de uso regular e normal

Zás, já se estragou o ano novo.

Duas sugestões, duas alternativas: ou se devolve (espero que alguém tenha guardado o recibo) e esperamos por um novo (avançando já para 2027 sem parar na casa partida e prescindido dos dois mil paus); ou põe-se de parte e bem vindos a 35 de dezembro de 2026.

Estou aqui para lá de indecisa.


[Arriscando o cancelamento, mas não me consigo segurar: espero que as pessoas que agora proclamam que se pode ser contra o Maduro e contra a intervenção dos EUA na Venezuela (nada contra, idem aspas); agora entendam que: 

a) se pode apoiar a existência do Estado de Israel e não querer o "desaparecimento", (ou sequer mal, pelo contrário, paz e tudo de bom, e, já agora, melhor governo) do povo palestino; 

b) se pode condenar veementemente a atuação do H*m*s em 07.10, considerá-la aliás um ato de guerra (invasão de território e morte de cidadãos de outro Estado, anyone?), entender como lícita e até legítima a resposta de Israel (como dizia o outro, eles é que começaram), mas não aprovar a forma como tal guerra foi conduzida e achar que em muitas situações foi empregue um excesso de força, mas ei, é um dos riscos da guerra; 

c) se pode estar convencidíssima que a palavra genocídio tem costas largas (na guerra morrem civis, muitos. perguntem aos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, Dresden e até Berlim, e reparem que estou a mencionar, deliberadamente, só cidades dos "maus"), que a informação vinda daquele lado era deturpada e sem credibilidade e, infelizmente, como se veio a comprovar, muita da ajuda humanitária acabou na lixeira, mas também detestar visceralmente o Bibi, as suas posições e ideologia extremada, e achar que devia estar preso.

Aaaahhhh, que alívio. Ufa, até vou dormir melhor.

(quando tentei explicar aquilo ali em cima ao meu irmão, não ouviu metade, acusou-me de apoiar o massacre de crianças e civis, e chamou-me genocida. foi um almoço muito alegre.)