segunda-feira, 25 de maio de 2020

A cidade está deserta

Sim senhoras que acabou o confinamento a modos que obrigatório, e eu lá arranjei coragem para ir ao cabeleireiro tratar da piruca que, ela sim, já estava em estado de emergência, a parecer uma esfregona com muito uso.
Para além de tratar da fachada e ganhar confiança na circulação e entrada de serviços, acrescia o teste de esforço ao uso da máscara (quatro horas, no total, non-stop, credo). Já a questão da deslocação confesso-me caguinchas e não consegui ir de metro: a pé, ida e volta, um total de seis mil oitocentos e poucos passos, até nem é aterrador.
De caminho comovi e entristeci, por voltar a ver uma cidade que já não conhecia assim há anos, e nunca num mês de Maio. Eléctricos vazios e sem filas na paragem, ruas só com autóctones (muitos sem máscara, meliantes) e, ainda assim, uma meia dúzia de turistas que não faço ideia de onde vieram, como ou porquê. Ao passar à porta de um café sai um senhor a falar ao telemóvel e que "isto não está mau, está péssimo"; as poucas lojas abertas quase sem freguesia - tirando a zara, tinha fila à porta, pode comprar-se na net, pá - é um bocadinho desolador.
Ali à roda das cinco e meia, seis, era este o panorama na Baixa, num dos semáforos e passadeira mais concorridos todo o ano:





Mas os jacarandás estão lindos.
Isso estão.
E zero encontrões. E é possível caminhar em linha recta.
Ainda não sei se gosto deste oito, se bem que a verdadinha é que não gostava mesmo nada do oitenta.

(e tenho uma grande e sincera pena de quem trabalha ou depende do turismo, que tenho)

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Atira-me água benta

Uma pessoa, depois do assédio inusitado e mesmo cruel a que foi sujeita segunda e terça por ocasião de trabalho presencial, decide reconfinar-se e teletrabalhar quarta e quinta, a ver se faz alguma coisa de jeito sem que esteja constantemente a ser interrompida. Uma pessoa levanta-se às horas do costume (muito cedo, é sempre demasiado cedo), deixa cara-metade no trabalho, volta a casa e, devidamente fardada de jeans e sweater, está pronta a produzir, a contribuir para a sociedade, a justificar a remuneração auferida.
Disto ninguém fala, mas há um poderoso inimigo do teletrabalhador. Não é o pijama e a falta de vontade de o trocar (pelamorsasanta, somos adultos, pijama durante o dia só no hospital, we'll always have jean&sweater/t-shirt), não é a proximidade do frigorífico, não é a preguicinha. É o bicho, o monstro do Antes-Porém.
Passo a explicar.
O Antes-Porém é um ser inefável que paira nas nossas existências, mas incorpora com extrema rapidez, precisamente quando mais desatentos e desguardados estamos, ali no exacto momento em que esquecemos a sua ubiquidade, a sua uber maldade, e achamos estar a salvo do ataque.
Exemplifico.
Uma pessoa está ali motivadinha e mortinha por trabalhar, já se orienta na direção do escritório para abrir o computador quando PUMBAS, Antes-Porém vou ali apanhar a roupa, que já deve estar seca. Claro que se apanha a roupa, que nem leva assim tanto tempo, e já pego ali no serviço, mas ainda se está a dobrar a última toalha e já nos cai a ideia que Antes-Porém, aproveito estar aqui no quarto de vestir e arrumo os cachecóis e troco-os pelas écharpes. Realizada esta tarefa, e ainda antes de termos tempo de começar a programar a tarefa laboral que primeiramente iremos executar, eis que nos surge o Antes-Porém já agora também arrumas as roupas interiores de inverno e as substituis pelas t-shirts e tal.
Acho que me fiz entender.
Esta manhã tive umas cinco aparições de Antes-Porém e, julgando eu já estar safa da sua influência nefasta, baixa-me Entretanto (esse outro bicho maléfico e oportunista) já se fez hora de almoço, e pronto; vitória, vitória, era bom que se tivesse acabado a história, mas cheira-me que nem o mais reputado exorcista me livra desta triste desdita. 

terça-feira, 19 de maio de 2020

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Inspira

Finalmente a OMS veio dizer publicamente aquilo que o meu pessimismo (esperançoso sempre que se engane) já me sussurrava ao ouvido: a situação passou de "o novo normal" para "o normal". A doença existe e vai ficar, é lidar e aprender a viver nesta realidade. Ainda me lembro muito bem do pânico da SIDA (era adolescente), de não se saber bem o que era, como se transmitia, como se tratava, e tantos anos depois não temos vacinas mas temos tratamentos muitíssimo eficazes, e temos práticas incutidas para evitar contágio e disseminação. Sim, esta transmite-se pelo ar, o que nos limita muito mais; não se conhece tratamentos eficazes nem se sabe bem os efeitos a médio e longo prazo da doença, mesmo nos recuperados. Mas ainda agora isto começou. E é preciso viver, se não da forma como antes o fazíamos, pelo menos é preciso continuar. De boquinha e nariz tapado, mãozinhas constantemente lavadas e higienizadas, mas continuar.

Donde, adiante. Curiosamente, ter a confirmação oficial deste estado de coisas acalmou-me. Não sou exemplo para ninguém, nunca seria, mas estar a viver esta situação a par e passo com um processo de luto pesado tem sido bastante complicado. Mas há mais de uma semana que não tenho crises súbitas de ansiedade, voltei a trabalhar com intensidade (acaba o confinamento e os fregueses não nos largam), e insisti por retomar rotinas. Ir ao supermercado é a pior de todas, já não tenho o luxo de poder dar um pulinho ao Lidl / Continente / Pingo Doce só por meia dúzia de coisas, e confesso que tenho quase de fazer um retiro meditacional antes de me meter ao caminho. Ter de planear com muito rigor tudo o que se come e consome é uma chatice das boas para qualquer desorganizadona adepta do improviso alimentar e domestico como eu, mas cá estamos. Já tenho a empregada a funcionar (minharicasantinha), e o que isso me alivia, caneco, mesmo ateia até ia a Fátima a pé só para comemorar. O cenário é, portanto, pastoso, nubloso, mas possível, exequível. Haja paciência e determinação. 

Cumprindo então o nobre desiderato da normalização da vidinha, prometi-me retomar a emissão normal aqui da chafarica. Haverá ocasionais desabafos e mimimis, que somos todos humanos e toda a gente tem direito a ir-se abaixo, nem que seja pela casca de um alho, mas 'bora lá.

Dou o mote:
Qual foi a cena mais querida, fofinha, ternurenta, alegre, boa onda, comovente, enfim, mêmo, mêmo fixe que vos aconteceu na última semana (ou duas)?

Eu começo:
Ontem, parada num semáforo das Avenidas Novas, vi um casal de patos real à porta de uma pastelaria. Tal e qual como se estivessem à espera de ser atendidos, a um metro e pouco das pessoas, muito sossegados e pacientes. Da pastelaria sai uma senhora de màscara e tigela na mão; acocora-se junto aos patos e começa a dar-lhes pão húmido, que eles comem com evidente satisfação.
Aqueceu-me o coração por uns três quinze dias.


segunda-feira, 27 de abril de 2020

Pragmatismo é o novo ismo

Tirando da equação o cagaço que admito que tenho com o inevitável levantamento de algumas das restrições covidianas,

(pá, qué lá saber do aspecto, não me apanham num cabeleireiro tão cedo, vapor de água a movimentar-se alta velocidade, hein, nope, nope, é desta que grisalho mesmo, e até estou a gostar do tom das minhas pratinhas, toma)

A falta de fé no juizinho e na cidadania alheia 

(méne, fui ao continente - teve mesmo de ser, e envelheci dois anos naquelas três horas - vi luvas descartáveis descartadas em cima do quê, pois, carrinhos de compras, e com uma papeleira ali a cinco metros, a papeleira onde coloquei as minhas, e não morri de enfarte por lá ter ido; e não me puxem o assunto de o pessoal achar que a máscara é para usar com o nariz de fora, ou puxar para o queixo se estão a falar com alguém, mesmo à distância de segurança, que baixa um carroceiro em mim)

Achei por bem fazer por mim e pelos meus (e também pelos outros, né) e já encomendei uma quantidade jeitosa de máscaras de protecção reutilizáveis. Heroicamente, diga-se, não cedi à tentação de encomendar umas todas féchion, com estampados e coise, e mandei vir em branco, preto e azul escuro, ao menos faço pandâ.
Como o seguro morreu de velho e para alguma coisa servem as entidades oficiais, comecei por pesquisar das certificadas. À venda online encontrei duas, uma com as tais coloridas e estampadas, outra com as normaizinhas. Escolhi esta, depois de ler que são produzidas por uma fábrica textil cujos funcionários se encontram todos em lay off, e que vai começar a laborar em pleno graças a esta adaptação.
Ou seja, vou ter um produto certificado, nem por isso caro ainda que inclua IVA (€20 por lote de 5), que vai devolver produção a uma unidade actualmente parada. Tudo somado, cliente fica bem servida com um produto de qualidade, e contribui-se para que entrem impostos nos cofres, que é bem preciso, e que a segurança social deixe de arcar com uma despesa e volte a receber contribuições. Tudo bom.

Para quem compra nas lojas de feicebuque desta vida paninhos feitos por jeitosos/as, lembrem-se disto: segurança, impostos, contribuições, por o estaminé a mexer, a economia a funcionar. O SNS não se financia com boa vontade, isto está para durar, e pronto, welcome to my ted talk, obrigada pela atenção e saudinha.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Até ver

Ainda não fiz pão. Ainda não pintei o cabelo em casa. Ainda não limpei o pó. Ainda não parti o aspirador, a loiça, ou o fogão à marretada. Ainda não apanhei um pifão. Ainda não arrumei as gavetas todas (ou as estantes, ou o roupeiro, ou a papelada, ou, ou). Ainda não li nada de jeito. Ainda não pus o sono em dia.
Também ainda não dei em maluca, mas estou por pouco.
Vai daí, e desde segunda, passei a fazer quarentena e distanciamento social (também) no local de trabalho. Lavo as mãos infinitas mais vezes? Que remédio. Mas a) isto agora é um sossego, mais ainda que no verão; b) não há trânsito; c) não há quase ninguém; d) consigo trabalhar. 

segunda-feira, 20 de abril de 2020

(suspiro)

Este fim de semana sonhei que a minha empregada tinha voltado (saudade!) e, chegando lá a casa, me dava os parabéns por a ter mantido tão arrumadinha e limpa.
Sarcasticozinho, o meu inconsciente, hein.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Irritações covidianas (parte 2, e desconfio que não última)

Não sei se mais alguém deu conta do fenómeno, mas a mim aparecem anúncios de jogo online, com imensa frequência, nas nets desta vida. Entretanto reparei que também na tv há anúncios a esta praga.

Ora. Portanto. O jogo, sim senhor, só joga quem quer, só que não é bem assim. Também só bebe quem quer, só fuma quem quer, só consome drogas quem quer, desde que tenha a sorte de não ter uma adição / personalidade aditiva. Isto não é ficção, é realidade. Se, para mim, ir ao casino é uma actividade inofensiva e até muito entediante, para algumas pessoas significa um turbilhão do qual podem sair com conta limpa, cartões de crédito no máximo e, no pior do cenários, uma bela dívida a agiotas. Se calhar essas pessoas não fumam, e ó eu, não consigo largar o tabaquinho. É o que é, e não, não se trata de uma questão de força de vontade. Há quem consiga fazer e gerir um consumo razoável de bebidas alcoolicas ou drogas leves, e há quem não pare enquanto não veja o fundo à garrafa - ou garrafeira.

Junte-se a isto a situação actual: pessoas isoladas em casa, muito provavelmente sem acesso aos normais recursos que, em caso de adição em tratamento, as podem aguentar, e a coisa torna-se apenas obscena. Aproveitar o actual estado de lockdown para tentar quem luta contra esta adição e ainda captar mais alguns clientes, parte deles provavelmente com um problema de adição latente e que desconhecem, mas ei, que bela oportunidade para acordar o monstro, hein, e fazer uns cobres à custa da desgraça alheia. Isto também é repugnante, e se há coisas repugnantes que este tempo de excepção tem revelado.

Se há proibição de publicidade a tabaco, restrções imensas à publicidade a álcool, e (óbvia) inexistência de publicidade a drogas, não entendo porque o jogo goza este livre trânsito. Não tenho agora vagar para isso, mas basta uma pesquisa e encontram-se números que demonstram que se trata da adição comportamental mais vulgar, ou seja, não é uma actividade inócua, neutra, e sem qualquer impacto social. Se toda a gente sabe que, no jogo, a casa ganha sempre, é porque o cliente perde. Isto pode ser um entretém passageiro que alguém decide experimentar, ou o princípio do fim da vida de alguém. Já merecia que se pensasse sobre isso com pés e cabeça, e acabasse com esta pornografia publicitária.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

It's not a wonderful life, mas tem dias

Já marquei na agenda do telemóvel a nova data do Nick Cave. Agora é cruzar os dedos para que o Cleese marque nova data, e não se limite a cancelar. Perdi a esperança de em Julho haver condições para um concerto de estádio, mas não perdi a esperança que os Iron Maiden (também) remarquem. É a esperança das pequenas (grandes, grandes!) alegrias, ainda que adiadas, que também nos segura. 

Me mate entra em férias hoje e eu estou yay!, nada nay! OK, é um teste estarmos 24/24 na mesma casa, mas há espaço para todos, e temos ambos uma claríssima noção de que a) primeiro que tudo, respeitar e pagear gatinhos; b) respeitar o espaço um do outro e os respectivos me time; c) o aspirador quando nasce é para todos, e havendo um total de quatro bracinhos os quatro bracinhos limpam, passam, asseiam; d) a promessa de um filme por dia é sagrada; e) dou dois dias para estarmos a almoçar às quatro da tarde e a lanchar ao jantar; f) whatevs, já não vou ficar sozinha o dia todo, yay.

Continua a custar-me muito trabalhar em casa, levo o dobro do tempo a concentrar-me, a pensar e a fazer. Nunca pensei ter saudades da chafarica laboral, mas tenho.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Irritações covidianas

Aquelas pessoas que vão para as redes sociais queixar-se da quantidade (absurda!, anormal!, inconsciente!) de pessoas que andam na rua, documentar com foto, deixando ainda mais claro que também elas estavam na rua.

[ah, mas ó Izzie, eu tinha uma justificação válida. pois, pois. às tantas, também os outros.]

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Everyday is like sunday

E agora vinha aqui fazer beicinho e birrinha de ai que chatice estar em casa, mas não, lamento, checked my privilege e tenho tudo o que preciso (menos chocolate, está a acabar.  vinho também. a tragédia, o horror, vou tentar manter a serenidade). Não caem bombas lá fora, o ordenado cai por inteiro, eu gosto mesmo de mi casita, e dispenso a (maior parte da) interacção social. Descobri entretanto que sou como os cãezinhos e me faz muita falta ir dar uma volta à rua, mas varanda. Agora não, que está frio, mas varanda. Donde, 'tá-se, pelo menos por aqui.

O que não implica que admita algumas dificuldades. A ansiedade está controlada, mas houve dois dias que exigiram um esforço extra. A deprê é o pior (passei três dias seguidos em que fiz nada, nenhum, nestum, para além de ter o rabo colado ao sofá e a tv ligada), mas eu já cheguei a um nível avançado, sei a) reconhecer; b) perceber que em grande parte é reactiva, derivado de situações; c) dar-me tempo; d) ser generosa e paciente comigo; e) estratégias para reagir, sempre considerando as alineas c) e d).

Tirando a parte psicopatológica da coisa (it is what it is), a coisa faz-se. Não obstante e apesar de
- custar-me imenso não ver a minha mãe (o meu irmão, os meus sobrinhos) desde o funeral, mas we'll always have tufone;
- me mate continua a trabalhar presencialmente lá no bordel onde ganha o tostão; como não conduz eu saio duas vezes por dia (ooohhhhhhhhhh) para o levar e trazer, o que também me obriga a manter uma rotina (que a minha velha amiga neurose se empenha em destabilizar);
- só de pensar nas filas (aawwwwww) cada vez tenho menos vontade de ir às compras, mas também é menos que se gasta em porcarias;
[falando em compras, a situação mêmo, mêmo crítica não se prende com chocolate e vinho, mas com os biscoitos dos gatos. estão a acabar, e temo uma sublevação que faça da revolução francesa uma brincadeira de carnaval. e aqui a estúpida esqueceu-se deste pormenor quando mandou vir cerca de meia tonelada de areia da zooplus.]
- o home vai ter de cortar o cabelo e aparar a barba em casa, e isto roça a tragédia porque está em causa um exemplar que tem por hábito ir ao barbeiro de três em três semanas e eu já não o posso ouvir [a menina cheia de raízes e a menina, estóica, não bule, não bulha, não bufa], mas chegou hoje a encomenda de máquina de corte, haja piedade;
- esta casa precisa mesmo, mesmo, mesmo de ser aspirada com frequência, isto de quatro gatos é muito giro mas apre;
- continuo a ter imensa dificuldade em me concentrar e trabalhar em casa mas, felizmente, também não tenho muito para fazer, graças à falta de entradas e solicitações derivado da (quase) ausência de fregueses; assim se mantenha, mas o depois é que vai ser, credos, penso nisso depois;
- agora que era uma óptima oportunidade para fazer umas senhoras arrumações e me livrar de monos é que a Câmara limita a recolha de lixo; eu percebo, sou empática, o pessoal da higiene urbana está muitíssimo exposto, ganha mal que se farta e ninguém lhes dá valor (pelo menos fora destas épocas de excepção), mas eu sou uma fã de longa data e, se mandasse, não levavam menos de mil líquidos para casa, mais subsídos;
- os cafés estão todos fechados, pelo que não há aquele magnum cor de rosa para ninguém, e isso aflige-me muito, do que me fui lembrar, já não consigo dormir hoje;
- eu cá não sou de intrigas nem de andar a fomentar feique nius, mas tenho p'ra mim que esta casa tem um poltergeist que se entretem a sujá-la, só isso explica que o casal residente faça a lida de ponta a ponta, com todo o brio, e no dia seguinte já esteja tudo com um ar apocilgado.
 

E depois há as partes muito, muito boas, tais como
- Parasitas é mesmo um grande filme, e ainda não percebo como levou o oscar, desconfio que muita gente lá nos states não tenha percebido bem, porque, pá, sejamos francos, um povo que premeia esta pérola mas ao mesmo tempo mantém intenções de eleger o Cheeto in Chief de novo, pá, não computa;
- ontem vimos uma chanfradice com o Vincent Price e a Diana Rigg que aconselho muitíssimo porque a) é uma chanfradice; b) Vincent Price; c) Diana Rigg; d) é uma farsa que ó, com uma estética brilhante, um tom e um over acting comoventes, Theatre of Blood, superb;
- praticamente não leio, mas não é de agora (tenho a meio um livro, aliás belíssimo e que estou a adorar, desde as últimas férias de verão), nem se explica depressa, mas como acho este estado de coisas uma tristeza, virei-me para a graphic novel e, chegando agora ao ponto, Blankets is a thing of beauty, e me aguardjem que tenho ainda o Habibi por encetar [não recomendo Sabrina, apesar de ser mesmo muito bom, porque para ter vontade de cortar os pulsos já basta o que basta];
- o quarto extra começa a ganhar forma e até já parece uma divisão normal, em vez da caverna tenebrosa que servia de depósito de livros, action figures, lego, ferramentas, DVD (sim a gente ainda usa disso, experimentem encontrar aí nos vossos streamings coisas omo aquela que citei ali acima, ou o Phantom of the Paradise, uma senhora maradice em formato musical que é um diamantezinho que ó) e outras cangalhadas de bricolage e DIY;
- não tenho metade do apetite que tinha antes disto começar, as calças ainda me servem, e até estou a comer melhorzinho. ahahahahah, comer melhorzinho. pois, ignorar esta parte, mas o resto é verdade. a sério, como é que se tem fome se um gajo não faz nadinha, para além da caminhada sala - cozinha -quarto- casa de banho? nem fome nem gula. [não conheço esta pessoa. não sei se a quero no meu inner circle].


domingo, 29 de março de 2020

A princípio não é simples

Nas suas lições de bricolage, de que eu era diligente aprendiz, o meu pai sublinhava sempre as três principais regras: 1) Ler as instruções / fazer um plano; 2) Segurança, sempre cuidado com a segurança; 3) O material tem sempre razão. Ou seja, 1) não começar nada sem saber muito bem como funcionam ferramentas e materiais, e sem ter delineado os passos necessários para alcançar o resultado pretendido; 2) deriva da primeira, porque quem sabe como fincionam materiais e ferramentas já tem meia segurança assegurada, mas de qualquer maneira é fixe uns cuidaditos extra como desligar o berbequim da corrente quando se muda a broca, já nem falando de desliguar disjuntor ou quadro quando se mexe em cenas eléctricas, enfim, é planear; 3) se tudo correr mal, a culpa é nossa, e falhou alguma coisa no primeiro passo. Perante um cenário destes impõe-se um valente palavrão, e depois,  como dizem os militares, reagrupar. Olhar para o bonito serviço que fizémos, voltar ao passo um, pensar, adaptar ou fazer um novo plano, minimizar o estrago.

Nunca falha. Eu sei, e posso afirmá-lo convictamente, porque já falhei imensas vezes. Pode parecer contraditório, mas é mesmo assim: quando tudo falha, se desmorona, ou nos rebenta na cara, é quando percebemos que aquelas regras são essenciais, que descuramos alguma delas em algum ponto, e que não voltaremos a fazer esse erro. Desde que, claro, se tenha assumido o passo da resolução que já adiantei: dado que o material tem sempre razão (dogma, não discutam), fomos nós que fizémos asneira, portanto, ou se tem uma reacção infantil de partir tudo à biqueirada, ou se é uma pessoa crescidinha e se analisa todo o processo para ver o que (nos) falhou e como podemos resolver a cagada sem grande prejuízo.

Isto tudo para dizer que, depois de uma semana muito difícil em que cu alapado no sofá e um pucatchinho de trabalho foi a definição do meu diário de isolamento, comecei a reagir, fui-me ao berbequim, caixa de parafusos e buchas, martelos, alicates, fita métrica e régua de nível (o meu nível laser não tem pilha, e não posso sair de casa à procura de uma. mas já me faltou mais, que o nível é também detector de canos e fios eléctricos, e preciso dele para fazer ali uns furos que me faltam numa parede onde não tenho a certeza a que altura passam os fios, tenho uma ideia, mas regra nº1 e nº2).
Já fiz cenas que tinha na to do list desde circa 2012. Umas correram muito bem, dei-me muitas palmadinhas nas costas. Outra correu bem mas deu luta, mais palmadinhas nas costas. Uma correu mal e, depois de mais que um palavrão, não demorei a perceber onde é que tinha feito asneira, já tenho novo plano que vou testar antes (foi o meu erro, devia ter testado), e já tenho remédio para os dois furos inúteis que vão deixar de o ser. 

E melhor de tudo, senti-me bem. Muito bem. Bricolar é uma das minhas tarefas preferidas, ali quase a par e passo do lego de adultos que é montar móveis. É giro também constatar que tenho alguns dos tiques do meu pai: o de falar sozinha para um buraco acabado de fazer gabando-lhe a perfeição e redondez; virar-me para o Max, que me observa, e explicar-lhe o totoloto que é furar paredes numa casa com quase 90 anos, aqui calhou areia, com uma broca de quatro fez-se um furo de cinco (o pretendido, ver regra 1 e 3) e ainda sobrou (dica: palitos); quando alguma coisa corre extremamente bem ou extremamente mal, dizer um palavrão baixinho e, acto contínuo, virar-me para o assistentes (que antes era eu, agora, pelos vistos, é o Max) e dizer "tu não ouviste nada, hã".

Isto vai passar.
Isto vai correr bem.

[o seu corpo desistiu no dia 13 deste mês, e o meu pai é agora memória. e ela está em todo o lado, em inúmeros objetos mas também paredes que ainda pintou, quadros, suportes de cortinados, e candeeiros que pendurou. são muitas e boas memórias, e as melhores são as não corporizadas. estão sempre comigo e alegram-me, embora às vezes com lágrimas.]

quinta-feira, 12 de março de 2020

Do the Right Thing (2)



Estou oficialmente liberada para teletrabalhar. Na verdade já podia, mas não todos ou quase todos os dias, e além disso odeio teletrabalhar. Se é para sofrer, que não seja em casa, dá muito mau ambiente ao nosso sagrado refúgio.
Mas mais que poder, tem de ser. E vai ser. Silver linings: tenho muito furo para abrir em paredes, pode ser que agora vá. E há chocolate.
Os meus sobrinhos continuam a ter aulas (aaarrrrghhh!, e não digo mais nada), mas na eventualidade de serem fechadas as respectivas escolas estou disponível para coordenadora de ATL de um adolescente e um pré. Andar na rua é que nem pensar, ficam a aturar a chata da tia, a ver um filme, a receber uma formaçãozinha em bricolage, jardinagem, passar o chão a pano, super a favor de trabalho infantil familiar. Induca.
Me mate, assalariado de uma empresa hipercapitalista e, nem por acaso, bastante rentável, que nem se dignou a forjar um plano de contingência a não ser para os top-chefes, que presta zero informação aos trabalhadores além de uns lamirés no mínimo insultuosos, tal é a falta de respeito pela sua saúde e bem-estar de quem ali trabalha, nem falando dos fregueses com quem contactam, continua a laborar fora. Vai ter serviço de transporte porta a porta por uber-eu, apesar dos seus protestos, porque somos uma família e tem quatro felinos para criar.
Falando de felinos, temos quinze quilos de ração e trinta de areia, acho que sobrevivemos todos.

Se alguém, porventura, acha isto alarmista ou palerma, ponderai que alguém pode ter um pai com mais de 75 anos, diabético, com insuficiência cardíaca e respiratória, e que, azar dos Távoras, está neste preciso momento internado com uma pneumonia. É por essas e tantas outras pessoas vulneráveis que o fazemos. A umas conhecemos os nomes e temos afectos, a outras não mas isso não interessa nada. Somos todos por todos.

E por amor da santinha, ou acabam com o fetiche de acumular papel higiénico ou me explicam o racional da coisa, porque, que eu saiba, a epal não vai cortar fornecimento, vamos todos sobreviver, e limpinhos.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Do the Right Thing (1)

Ou valha-me a Nossa Senhora dos Aflitos, que ontem o home começou com espirradeira e tossidela, arrepios de frio, dores nas articulações. Já nos constipámos ambos (primeiro ele, depois eu, um viva ao casamento com comunhão de vírus), pelo que estar outra vez na mesma é um bocado chato. Só que a constipação inicial ocorreu antes de cá chegar o bitcho mau covid de sua graça, e esta aparece numa péssima altura.
Vai daí, reunido o conselho familiar de dois, discutimos se era caso para alarme, ou se aguardava. Ele não queria estar a ligar para o saúde 24 e fazer figura de idiota alarmista. Eu, ainda que achando que não era caso para preocupação, apelei ao civismo, liga-se e eles é que sabem. Até porque me mate tem uma maior exposição a 'ssoas que eu, e no xervixo dele não há qualquer plano, zero instruções sobre o que fazer. Já eu, aqui na xafarica do tão mal visto e vilipendiado sector público, estou sempre a receber actualizações por email sobre procedimentos, há um plano exaustivo e sei o que fazer caso tenha qualquer suspeita de contágio.
Anyhoo, me mate lá cede e vai ligar. Eu espero. E espero. Natural, a linha deve estar apinhada. Continuo à espera. Ouço-o a falar (finalmente!) e, de repente, palavrões, vou ver, iam passar a chamada para alguém e a linha caiu. Mate volta a ligar. Mais tempo. Não contei, mas cerca de 20 minutos, no mínimo, para ser atendido, de cada vez. Explica-se de novo, vão passar a chamada, e esta cai.
Pá, não há condições. Já era hora do ó-ó, os senhores ficaram com todos os dados dele, se acharem que é caso disso que liguem de volta. Hoje viemos ambos trabalhar, aconselhei-o a dizer ao superior hierárquico como estava e este que decidisse, assim já ninguém o pode acusar de ser uma Typhoid Mary. Ligou-me há pouco: cagaram.
Sim senhora, assim seja.
Considero cumprido o nosso dever cívico, mas não me venham cá com coisas que estamos preparadíssimos.

[não, não sou - mesmo nada - histérica ou alarmista, mas estar a desvalorizar qualquer possibilidade de contágio não é sério nem é responsável. verdade que ele não tem febre nem dificuldade em respirar, mas já foi divulgado que há formas leves de manifestação, sei lá eu. e sucede que tenho três familiares com elevado risco - doenças respiratórias crónicas, sendo que no caso do meu pai acumula diabetes e insuficiência cardíaca - e era muito simpático poder ficar sossegada, e não estar a preocupar-me que os vou matar ou coise. e não, não faço questão de ficar de quarentena - se ele fica, eu também tenho de ficar, né - porque isso implica um verdadeiro pesadelo logístico, dado que nem mamãe nos poderia vir trazer uma sopinha. oh well. ao menos temos papel higiénico. comida nem por isso, mas haja papel higiénico, não é?]

sexta-feira, 6 de março de 2020

Palavra da Senhora

Vinde, vinde a mim, pequenitas e bondosas almas sequiosas de conhecimento, que titi Izzie tem algo mui premente, mui gigante para partilhar.

Adivinho uma certa estranheza, e até suspeita, ó minha estrúspida, tu não estavas aí atada pelo pé numa caverna a escavar um túnel para não sei onde e tinhas até anteontem para o terminar?, qué lá isso de agora apareceres aqui cheia de urgências comunicativas? Titi explica, titi apazigua: pobre titi Izzie, essa assalariada oprimida e torturada pelas exigências de uma sociedade individualista, insensível, e indiferente, de facto está há coisa de um mês a pão e auga, amarrada por correntes a uma empresa quasi impossível e um prazo desumano. Mas titi Izzie prevalecerá, titi Izzie já passou a fase inicial do ohraisparta isto é impossível eu vou falhar porque sou uma falhada eu vou morrer porque não aguento eu vou desistir porque não consigo; passou para a etapa do enaenaena já a meio só mais um bocadinho vá, upa upa arriba; seguiu para o túnel - sem uaifai! - do ohquecaraças que o quase no fim é o pior eu vou mazé falecer na praia encravei isto não há meio de de acabar deem-me um tiro por caridade e aprovem lá a eutanásia que é a minha única esperança de uma morte digna; e está agora nos finalmentes, a aproveitar a energia desta espécie de melhoras da morte, e confiante que domingo termina esta porra nojenta, esta caca fedorenta, esta gigantesca e pulsante chaga, esta pústula agoniante, e segunda chegará ao lugar infecto onde passa horas a ganhar a vida de costas direitas, olhar triunfante, cabeça erguida, e também olheiras até ao joelho, ojolhos raiados, uma espécie de vazio cerebral, e um fio de baba a escorrer pelo canto da boca, entregará a encomendinha, e dirá qualquer coisa memorável como está feito, que vini, vidi, vici já foi usado por outrem e, na verdade, é um bocado mentira.

Explicado isto e, espero eu, conseguida uma quantidade mui apreciável de simpatia e comiseração pela minha lamentável e atormentada pessoa, passemos à boa nova que me faz suspender a minha laboriosa actividade.
Ahééém.
A máquina de cortar pão do Lidl. Eu repito, devagarinho. A. Máquina. De. Cortar. Pão. Do. Lidl.
[pausa dramática]
Quem conhece já está aí desse lado fremente, aos pulinhos de excitação infantil - espero.
Quem não conhece, é correr - correide, correide! - ao Lidl mais próximo e ficar de mãos postas perante tal portento.

Ó pá. Óóóóó pááááá. A minha semana não é bem sucedida se não for, pelo menos uma vez, comprar pão ao Lidl e fatiá-lo na dita máquina. É um milagre da téquenologia, é uma maravilha do engenho humano, é um mash up da bricolage e panificação, pura arte do quotidiano, um bálsamo para alma ver aquela lâmina potente, possante, poderosa a transformar um pãozão em fatias fininhas - ou mais grossas, no caso da broa, sim, esta máquina corta broa na per-fei-ção, sem esboroar - é, de facto, aquela máquina de que falavam os profetas, o princípio e o fim das coisas, o instrumento que traz sentido à vida, o elemento primordial da existência.
Acalmem-me, por favor: digam-me que não estou sozinha neste êxtase.
Ou então indiquem-me um bom grupo de auto-ajuda.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

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[estou numa corrida contra o tempo e a minha capacidade de dar resposta a um deadline que é mais uma line que dead, que não morre ninguém se não conseguir, embora exista a possibilidade de me lixar com f maiúsculo se não cortar a meta, anyhoo, suspeito que dead é o estado em que estarei se o fizer dentro dos tempos fixados, mas hoje almocei uma sopa o que foi uma fofa e saudável alternativa ao meu variado menu - sandes de queijo / tosta de queijo - dos últimos tempos; vegetais, do your work, que quem percebe disso diz que tomar vitaminas só contribui para uma urina mais cara, mas neste momento eu já me agarrava a qualquer crença que me mantenha de pé, pensante, e dedinhos ágeis e teclantes, mas o chocolate também é - maioritariamente - vegetal, e se não resulta mêmo, mêmo, ao menos consola, vamos a isso, mais uma volta e se isto correr bem até acabo antes da tal linha de morte, pausa para gargalhadas, ahahahahah, chuif]

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Um subsídio, uma bolsa para estudar isto e arranjar uma cura

Me mate está constipadíssimo, e pronto, podia acabar aqui e ficava o post e imagem sobre este difícil momento familiar já completo.
Não fosse um pequeno senão, uma pequena nuance, uma mínima divergência: decerto fartinho de me ouvir fazer pouco da man flu, e encaixando todo esse gozo como justíssimo, merecidíssimo, e assente em factos reais, desta vez prometeu-me que não senhora, não ia fazer fita, nada de gemidos de sofrimento, népia de suspiros, muito menos queixumes lânguidos, pieguices em geral e birrinhas em particular.
Está a cumprir. Em 90%, vá, sejamos magnânimas.
Mas desde que começou com os primeiros sintomas, naquele malfafado e aziago sábado, que não se cala com a constatação de que "hã, olha que desta vez, hã, estou a portar-me bem, hã, ainda não me queixei, hã".
Se alguém não consegue ver a ironia da coisa, pá, juntem-se a ele, fundem um grupo, reunam de preferência já, e tirem-mo de casa, antes que os meus olhos saltem das órbitas de tanto os girar. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Se calhar é por isto que ninguém me atura, e não os tenho :(

Tenho de desafafar, tirar esta pedra que carrego no peito: não entendo, não gosto, e não entendo quem gosta de Friends. Não percebo o hype, a fandom, a loucura, e quem dê dinheiro por uma techérte com o logo. Ou pior, as fotos dos moinantes.

Aaaaaahhhhh. O alívio.

Atenção, não quero com isto insinuar que sou uma pessoa com melhor cómico-série-gosto que azoutras (que até sou); não estou a desfazer, intelequetualmente, em quem gosta de Friends (too easy), não me estou a por num pedestal de superioridade relativamente a quem gosta, idolatra, ama Friends (já lá estava)*.

Não, agora a sério. Porquê?
E não me venham com o "ah, se calhar nem viste", porque vi.

Quer dizer, fui vendo. Estava a passar num canal qualquer, calhou apanhar e pensei "ora aqui está uma oportunidade de por à prova o meu preconceito" - que existia, sou çinçera. Dei, portanto, uma oportunidade à coisa. Não é a primeira "coisa" relativamente à qual tenho a ideia que vou odiar e, em dando uma oportunidade, até passo a gostar. Exhibit A: Brooklyn 99. Odeio o Samberg, ergo, já odiava a série antes de ver um segundo. Vi um só episódio e já adorava a série, e considerava a hipótese de, numa realidade paralela, até ser amiga do Samberg. Friso: realidade paralela.

Voltando à vaca fria, Friends. Não vi só um episódio, porque ao fim de um continuava a não perceber/gostar. As personagens pareciam-me desinteressantes, zero empatia, zero vontade de as conhecer melhor, planas, unidimensionais, superficiais, sem interesse de maior ou sequer.

Insisti, portanto, vivas ao método científico. Não correu bem.
Para além de confirmar o que já intuía acerca das personagens, soma-se a banalidade do texto. A pesada, aborrecidíssima, patente banalidade. Piadas óbvias, ao nível zero da inteligência, muitas delas abaixo de zero, sim, estou a falar do humor (?) sobre aspectos físicos, por exemplo. Quantas piadas sobre gordas é possível fazer até matar alguém de tédio? Para quem escrevia aquilo, infinito mais um, ao que parece.

Isto é inédito, mas nunca ri, física ou mentalmente - os outros não sei, mas muitas vezes as minhas gargalhadas são apenas mentais. Exhibit B: Seinfeld e Curb Your Enthusiasm.
Ou seja, no total devo ter visto uns vinte episódios (pronto, já aí vem a turba do "aaahhhhh, sem ver tudo não percebes a dinâmica, o entrosamento, a táctica, a ligação"; lamento mas percebi, tão óbvio aquilo é, como na maioria das telenovelas uma pessoa pode saltar n episódios que apanha logo no seguinte, temos pena) e é tempo que não recupero, mas ao menos não morro inguinorante.
Pronto, posso afirmar de cátedra que aquilo é uma real, valente, fumegante poia**.
No hard feeelings.


*estou evidentemente a gozar. vejo, consciente e deliberadamente, muita merdinha e pasme-se, gosto de imensa merduncha. ainda anteontem assistimos, felicíssimos como dois basbaques com severo atraso cognitivo, ao Con Air. e está a dar Murder She Wrote?, vejo e ainda me gabo. e por aqui me fico, que já têm material para me gozar daqui à lua. mas sei que é merdéque, e não a quero fazer passar por alta arte ou coisa de merecimento. é o que é. 

**não é única, no meu rol de "séries com aclamado sucesso que odeio", Exhibit C: Cheers, que é uma farpa no meu casamento, mas é lidar.