Não, não ia: não tenho muito para dizer. Estou viva, e acho que isso já é de notar. Tudo o mais é assoberbamento, cansaço acumulado e extremo, um stress que paralisa. Não faltam temas, não; nem opiniões sobre os ditos. Mas a realidade desenvolve-se a uma tal rapidez que uma pessoa está a maturar o que pensa sobre x e já y tomou conta da actualidade. De permeio, o trabalho, embora interrompido uma semana, volta a receber-me como o fantasma da casa: sem susto, sem surpresa, mas responsável pela habitual sensação de desconforto e constante inquietação. É então que entra o stress, agudo, pesado, a pregar-me e não deixar sequer começar, evoluir e muito menos acabar. Hoje foi o dia de olhar para o ecrã e texto e não sair de onde se ficou. Ontem foi bonzinho, daqui a quinze dias melhor será, espera-se.
Vou parar quinze dias, portanto. Ainda não decidi que livros me acompanharão, mas serão decerto mais que os que conseguirei ler e menos dos que me apetecia. Não acabo um livro desde a Páscoa, as minhas últimas férias. Não que isso me preocupe, faz parte da saturação de letras que se torna a minha vida, nesta altura. Mas aborrece-me. Porque ler era, e quero que continue (sempre) a ser, o escape, a alegre fuga. E tenho tanto para ler, e desse tanto quero muito ler tudo. Mas o vício de comprar livros, fruto de uma insaciedade constante, está a tornar-se francamente embaraçoso, face a esta inércia. Caramba, não preciso do stress da pilha a crescer. Não preciso, mas isso não me impediu de carregar uma mala com mais sete quilos que à partida - ainda me dói o braço direito, o fideputa do metro de Londres tem sempre uma escadinha a galgar ou descer, com vinte quilos ainda que em cima de rodas é dose. E não trouxe uns três que bem me apetecia (dois eram repetidos, mas são clássicos em edições bem mais bonitas que as que tenho, canudo, grande tentação, à qual não cedi, e não me arrependo, quando topei com um capa dura de Good Omens que quero, tenho de reler), e nem tive o tempo que gostaria para vasculhar tudo ao que ia.
Fui, de novo, a Londres, voltar onde sou sempre feliz. Desta vez com companhia nova, um par de olhos virgens. E fui, de novo, muito feliz. Melhor que regressar aos nossos portos preferidos é ter o privilégio de os partilhar. Já quero regressar. Agora para conhecer a Londres pós- Johnson (piada seca), voltar aos sítios de sempre e acabar em sítios onde nunca antes. Há-os, ainda. Esta certeza acalma enquanto entusiasma. Pode levar dois, três anos, mas volto sempre. Cruzando os dedos para voltar a acontecer com um voo Tap que sai a horas tanto à ida como à volta (sim, aconteceu; estou cá eu para testemunhar. já não me lembrava da última.)
Nos entretantos, até já.
sexta-feira, 26 de julho de 2019
segunda-feira, 15 de julho de 2019
sexta-feira, 12 de julho de 2019
The Cat Diaries (19) Mother of Cats
Tenho o equivalente a um cadáver bem encorpado na mala do carro: dois sacos de areia (15l cada), dois sacos de ração (10kg + 3 kg). O espaço ocupado é seguramente o mesmo, e o peso, atrevo-me a alvitrar, andará por perto: a raça da areia é fina e compacta, pesa que se farta. Visto que aquilo terá de ser acartado da garagem (atenção, não é no prédio, avença mas vá, na mesma rua) e subido até ao primeiro andar, tenho os instintos maternais um bocadinho em baixo. É que se a vantagem de ter gatos é que vão à casa de banho sozinhos, a desvantagem é que somos nós a levar a casa de banho até aos gatos. Finórios.
O que também não ajuda o enlevo maternal é o facto de Mad (indeed!) Max viver num fuso horário diferente do nosso, e achar que às cinco da matina já chega de cama. Ou antes, já é hora do pequeno almoço. Some-se a isto o facto de este meliante se ter tornado o mentor de Selina Kyle, que aprendeu com o melhor todas as patifarias possíveis, e está o circo armado. Quer dizer, os dois que vieram da rua não partem um prato; tinha de vir um pequeno demónio adoptado em bebé e uma ladra trepadora (mais uma vez, acertámos no nome) que esteve ali vai-não-vai duas vezes, e que tratámos com tanto amorrrr, tanto desvelo, para nos acabar com o sossego. E a paciência.
Anyhoo, um resumo e um update: a Selina, encontrada a miar debaixo de um carro, trazia consigo uma pneumonia; por duas vezes achámos que se finava, mas em tempo a levámos ao vet. Da segunda ficou internada, e a fazer um ciclo de dois antibióticos, com o risco de ficar com o crescimento comprometido. Antes anã e viva, e viva está ela. Dois meses, dois!, a dar antibiótico de manhã e à noite, misturado com o paté; aqui a ursa sentada no quarto de colher estendida enquanto ela se fazia rogada, por vezes a segui-la de gatas, porta fechada com o Max a miar do outro lado e a distrair a pequena, e nem pensar em deixar o Max na mesma divisão porque é um gatuno lambão que comia o paté todo, com ou sem antibiótico. Ao fim de dois meses e uma última radiografia temos ordem de suspender, e manter vigilância. Estava fina. E com o cio. Marcou-se logo a esterilização, que correu lindamente, excepto a parte do body, que a pequena odiou. Andava como se estivesse aleijadinha, fazia uns olhares que davam dó, aqui a estronça pensa que se calhar tem dói-dói na cicatriz e abre o body para ver, e a pequenita filha de satã saltou-me do colo como uma pulga atómica, sacudiu a vestimenta, e quem é que a apanhava para lha vestir? Pois. Na consulta de revisão lá aparece esta incompetente com uma gata embrulhada numa manta dentro da caixa (única forma de a apanhar, a manta), o body na outra, e um sorriso de "perdão, sou estúpida e deixei-me enganar por um nico de gata". Tudo bem, a bichinha sarou lindamente, e pronto. Fica a faltar as vacinas, mas tomámos a decisão de a deixar estar uns tempos, a ganhar confiança (é mesmo, mesmo muito difícil apanhá-la, topa à légua que vai haver asneira, e arranha que é uma beleza).
Suspirámos de alívio, a besuga está viva e de saúde, agora é engordá-la e deixá-la habituar-se à casa e nova família. E eis que na véspera de termos um avião para apanhar, a biscas vomita um líquido claro mas rosado (em cima do tapete, claro. só temos 3 tapetes naquela casa, mas é sempre em cima do tapete, faz parte do livro de estilo da gataria, e este ainda por cima é clarinho). Fui buscar toalhetes para limpar, um bocado ralada com o rosado, e noto que nos toalhetes estão uma espécie de grãos quase brancos, com um rabinho, parecem sementes de quinoa, aiminhanossasenhora, a quinoa está viva e a desenrolar-se. Yep. Lombrigas. E muitas. Pânico. Ligámos para o vet, tentámos apanhá-la, fomos lavar o sangue dos braços e mãos, desistimos de a apanhar, metemo-nos no carro e vamos ao vet para ao menos comprar desparasitante. E yay, somos informados que temos de desparasitar todos. Todos, incluindo os bons selvagens a quem não é possível agarrar e enfiar um comprimido goelas abaixo, nem tampouco disfarçar em paté, porque topam e não comem. E yay, somos informados que já há desparasitante em pipeta, e not-yay, bem mais caro, mas yay, resolve o problema. Dão-nos o calendário de desparasitação, e abalamos cheios de pipetas e comprimidos (a Selina só assim, ninguém a segura, nem à traição). Já agora, havendo parasitas, comprovadamente, não chega administrar uma vez, o desparasitante só mata a bicheza adulta. É preciso esperar 21 (acho) dias para que os ovos e júniores cheguem à idade de serem massacrados, e pumba, segunda dose.
Bom, conseguimos pipetar e comprimidar toda a gente, e fomos de férias. Voltámos, esperámos, repetimos, e quero crer que não há mais inquilinos indesejados.
E a Selina, passado tudo isto? Continua um bocadinho mini - quando a trouxemos aparentava uns 3, 4 meses, mas já teria passado dos seis, segundo a vet, porque não sei quê placas fechadas que se via no raio x - mas, é com orgulho e baba escorrendo, que anuncio que ganhou corpo e peso. O que também se deverá a já não ter de alimentar uma comuna de ocupas. Está linda, fofa, mimosa, mas continua fugidia e desconfiada. Vem para o nosso colo raramente, aceita festas mas só se sentir segura (sapatos da rua calçados? get thee behind me, satan), o seu spot preferido é deitadinha numa almofada do sofá ao lado do papá, e dorme em cima de mamã - ela e Max, fui promovida a colchão de gatos, e já acordei com nós nas costas e pescoço à conta da graça. Está uma brincalhona, adora bolinhas, e imita toda a asneira que o Max entende fazer. O Max adora-a, fazem corridas - às vezes de obstáculos, calhando esses obstáculos serem os corpos adormecidos de papais, suspiros - e envolvem-se em lutas acrobáticas que fariam inveja a um wrestler.
Tudo a correr bem, portanto. Até ao dia em que formos de férias - já decidimos que ela e Max vêm. Aí teremos mais histórias para contar e braços e mãos para desinfectar, mas não me rale agora com isso.
O que também não ajuda o enlevo maternal é o facto de Mad (indeed!) Max viver num fuso horário diferente do nosso, e achar que às cinco da matina já chega de cama. Ou antes, já é hora do pequeno almoço. Some-se a isto o facto de este meliante se ter tornado o mentor de Selina Kyle, que aprendeu com o melhor todas as patifarias possíveis, e está o circo armado. Quer dizer, os dois que vieram da rua não partem um prato; tinha de vir um pequeno demónio adoptado em bebé e uma ladra trepadora (mais uma vez, acertámos no nome) que esteve ali vai-não-vai duas vezes, e que tratámos com tanto amorrrr, tanto desvelo, para nos acabar com o sossego. E a paciência.
Max inspecionando a máquina da loiça, e achando tudo conforme
no início da nossa relação, pucanina, pucanina
Suspirámos de alívio, a besuga está viva e de saúde, agora é engordá-la e deixá-la habituar-se à casa e nova família. E eis que na véspera de termos um avião para apanhar, a biscas vomita um líquido claro mas rosado (em cima do tapete, claro. só temos 3 tapetes naquela casa, mas é sempre em cima do tapete, faz parte do livro de estilo da gataria, e este ainda por cima é clarinho). Fui buscar toalhetes para limpar, um bocado ralada com o rosado, e noto que nos toalhetes estão uma espécie de grãos quase brancos, com um rabinho, parecem sementes de quinoa, aiminhanossasenhora, a quinoa está viva e a desenrolar-se. Yep. Lombrigas. E muitas. Pânico. Ligámos para o vet, tentámos apanhá-la, fomos lavar o sangue dos braços e mãos, desistimos de a apanhar, metemo-nos no carro e vamos ao vet para ao menos comprar desparasitante. E yay, somos informados que temos de desparasitar todos. Todos, incluindo os bons selvagens a quem não é possível agarrar e enfiar um comprimido goelas abaixo, nem tampouco disfarçar em paté, porque topam e não comem. E yay, somos informados que já há desparasitante em pipeta, e not-yay, bem mais caro, mas yay, resolve o problema. Dão-nos o calendário de desparasitação, e abalamos cheios de pipetas e comprimidos (a Selina só assim, ninguém a segura, nem à traição). Já agora, havendo parasitas, comprovadamente, não chega administrar uma vez, o desparasitante só mata a bicheza adulta. É preciso esperar 21 (acho) dias para que os ovos e júniores cheguem à idade de serem massacrados, e pumba, segunda dose.
Bom, conseguimos pipetar e comprimidar toda a gente, e fomos de férias. Voltámos, esperámos, repetimos, e quero crer que não há mais inquilinos indesejados.
Selina pós-op, ao colo de mamãe
E a Selina, passado tudo isto? Continua um bocadinho mini - quando a trouxemos aparentava uns 3, 4 meses, mas já teria passado dos seis, segundo a vet, porque não sei quê placas fechadas que se via no raio x - mas, é com orgulho e baba escorrendo, que anuncio que ganhou corpo e peso. O que também se deverá a já não ter de alimentar uma comuna de ocupas. Está linda, fofa, mimosa, mas continua fugidia e desconfiada. Vem para o nosso colo raramente, aceita festas mas só se sentir segura (sapatos da rua calçados? get thee behind me, satan), o seu spot preferido é deitadinha numa almofada do sofá ao lado do papá, e dorme em cima de mamã - ela e Max, fui promovida a colchão de gatos, e já acordei com nós nas costas e pescoço à conta da graça. Está uma brincalhona, adora bolinhas, e imita toda a asneira que o Max entende fazer. O Max adora-a, fazem corridas - às vezes de obstáculos, calhando esses obstáculos serem os corpos adormecidos de papais, suspiros - e envolvem-se em lutas acrobáticas que fariam inveja a um wrestler.
Max e Selina, bff
Tudo a correr bem, portanto. Até ao dia em que formos de férias - já decidimos que ela e Max vêm. Aí teremos mais histórias para contar e braços e mãos para desinfectar, mas não me rale agora com isso.
coija má boa
quarta-feira, 3 de julho de 2019
A thing of beauty
Foi um dia merdoso elevado ao quadrado, com stresses vários e muito legítimos de parte a parte. Some-se a isto uma logística que obrigou a uma deslocação de carro (bof), uma opção por ir à volta em vez de atravessar a cidade em hora de ponta, para acabar a encalhar numa fila (ao que parece) pré-acidente, uma saída estratégica para Sacavém, ir dar a volta aos cus de Judas, entrar no parque a quinze minutos da hora, mais filas porque parece que ainda há gente (notoriamente sem gosto) que escolhe ir passar fins de tarde, inícios de noite, naquele suburbão e entope os estacionamentos disponíveis e muito estreitos, diga-se, e há sempre os cognitivamente subdesenvolvidos que insistem mas não sabem estacionar de rabo, ou os que não têm acuidade visual para reconhecer linhas delimitadoras e desenham as suas, enfim, passámos a porta às oito em ponto, ainda há música ambiente, ufa, uma ida ao bengaleiro porque fomos uns dos felizes e aleatoriamente seleccionados para deixar mochila (alegadamente de dimensões não sei quê) lá, subida, escolher lugares que ainda há muitos, abençoado nacional atrasadismo, sentar. Aaaahhhh.
Menos stressado? Sim. E tu, menos stressada? Sim. Tudo bem.
Banda de apoio, porreirinha, intervalo e home parte na sua demanda pela habitual t-shirt (compra sempre), liga a avisar que está na fila da cerveja, sem stress, volta um minuto antes de baixarem as luzes.
E depois. Depois. Caneco. Melhor. Concerto. Ever.
E tive a felicidade de, pela primeira vez na vida (que já conta com alguns concertos naquele espaço) experimentar uma acústica se não perfeita, lá perto; não sei porque no segundo balcão (que já não me lembro porque escolhi, se por forretice ou porque já não havia mais, os bilhetes já contavam mais de meio ano de existência lá em casa) é onde se deve estar, ou se alguém soube engenheirar o som como deve ser; a verificar-se a última, abençoado seja por toda a eternidade, e saiba passar o seu conhecimento às gerações vindouras. Hoje, zero tinidos, zero zumbidos, e caraças o que tememos, sofremos em antecipação quanto à possível qualidade do som, Tool é para ouvir (sentir, fluir, entrar, revolver) nas mesmas condições que merece uma orquestra sinfónica. E assim foi e assim aconteceu.
Tão, tão, tão bom. Alma cheia.
Ainda não estou velha para isto.
Menos stressado? Sim. E tu, menos stressada? Sim. Tudo bem.
Banda de apoio, porreirinha, intervalo e home parte na sua demanda pela habitual t-shirt (compra sempre), liga a avisar que está na fila da cerveja, sem stress, volta um minuto antes de baixarem as luzes.
E depois. Depois. Caneco. Melhor. Concerto. Ever.
E tive a felicidade de, pela primeira vez na vida (que já conta com alguns concertos naquele espaço) experimentar uma acústica se não perfeita, lá perto; não sei porque no segundo balcão (que já não me lembro porque escolhi, se por forretice ou porque já não havia mais, os bilhetes já contavam mais de meio ano de existência lá em casa) é onde se deve estar, ou se alguém soube engenheirar o som como deve ser; a verificar-se a última, abençoado seja por toda a eternidade, e saiba passar o seu conhecimento às gerações vindouras. Hoje, zero tinidos, zero zumbidos, e caraças o que tememos, sofremos em antecipação quanto à possível qualidade do som, Tool é para ouvir (sentir, fluir, entrar, revolver) nas mesmas condições que merece uma orquestra sinfónica. E assim foi e assim aconteceu.
Tão, tão, tão bom. Alma cheia.
Ainda não estou velha para isto.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Cá se vai andando
Uns dias melhor, outros pior, sendo que esta aqui, depois de duas levas de grupos de ingleses xófens no airbnb de baixo, estava vai não vai para ter um ataque de tremuras que deixava o da tia Angela a um canto. Juro, pá, que gente. Andaram os antepassados a morrer em Dunquerque (e não só) para isto.
Mudando completamente de assunto, calhou ontem ter ido a uma livraria e ali só de relance dei com três romances (?) em cujo título se mencionava a pessoa x (a saber, tatuador, bailarina, bibliotecária) de Auschwitz. Ó pá. Vinha já eu toda lançada para largar aqui umas bojardas a propósito, que passavam - mas não só - pelo facto de, assim de repente, ter havido mais campos que podiam servir de tema, porquêêêê sempre este, mas fui antes pesquisar online, e parece que se baseiam todos em histórias reais. Ups. Verdade ou não, tira um bocadinho a vontade de gozar, e assim de repente sugerir temas como O Sapateiro do Gulag ou O Acordeonista do Tarrafal deixa de ter piada.
O que teve mesmo piada, ao contrário das graçolas do envolvido, foi ter-me apercebido que adquiriu alguma "viralidade" um post do Nilton, com uma foto de um carro de um amigo vandalizado por uma trotinete. O que tem piada não é este facto, em si, mas o pateta ter logo saltado a perorar sobre a praga das ditas trotinetes, apontando o dedo à Câmara de Lisboa, ao google e à uber. Sucede que nem a uber nem a google comercializam ou exploram o negócio das trotinetes, e atirar responsabilidades para a câmara por um acto de vandalismo praticado por um qualquer desconhecido, huuum, é esticar a corda. E se há onde e o que os responsabilizar. Hilário, mesmo hilário, é uma pessoa atentar na foto que o coisinho publicou e verificar que o amiguinho fez o favor de estacionar a viatura to-ta-men-te em cima de um passeio, encostadinho a um muro, ou seja, alguém ter-se passado dos carretos e rebentar com o rodinhas armado de uma troti, aiaiaiai, mas pensar um bocadinho que o amigalhaço vandalizou espaço público, destinado a peões, não senhora. Não está bem, que não está, mas confesso que é sonho húmido de muito lisboeta, eu incluída, ter um sólido taco de baseball - ou um cajado, valorizemos o produto nacional - quando se depara com um popó a fazer o seu ó-ó no passeio, e se é obrigado a circular na estrada. Ah, mas não há onde estacionar, ó Izzie, onde é que a gente há-de meter o carro? Bom, eu dava uma sugestão, daquelas que envolve cavidades, mas a melhor de todas é pensar nisso antes de comprar a latinha. É que o conceito de aqui não estorva é muito subjectivo, e no caso dos passeios, não é negociável, lamento.
Mudando completamente de assunto, calhou ontem ter ido a uma livraria e ali só de relance dei com três romances (?) em cujo título se mencionava a pessoa x (a saber, tatuador, bailarina, bibliotecária) de Auschwitz. Ó pá. Vinha já eu toda lançada para largar aqui umas bojardas a propósito, que passavam - mas não só - pelo facto de, assim de repente, ter havido mais campos que podiam servir de tema, porquêêêê sempre este, mas fui antes pesquisar online, e parece que se baseiam todos em histórias reais. Ups. Verdade ou não, tira um bocadinho a vontade de gozar, e assim de repente sugerir temas como O Sapateiro do Gulag ou O Acordeonista do Tarrafal deixa de ter piada.
O que teve mesmo piada, ao contrário das graçolas do envolvido, foi ter-me apercebido que adquiriu alguma "viralidade" um post do Nilton, com uma foto de um carro de um amigo vandalizado por uma trotinete. O que tem piada não é este facto, em si, mas o pateta ter logo saltado a perorar sobre a praga das ditas trotinetes, apontando o dedo à Câmara de Lisboa, ao google e à uber. Sucede que nem a uber nem a google comercializam ou exploram o negócio das trotinetes, e atirar responsabilidades para a câmara por um acto de vandalismo praticado por um qualquer desconhecido, huuum, é esticar a corda. E se há onde e o que os responsabilizar. Hilário, mesmo hilário, é uma pessoa atentar na foto que o coisinho publicou e verificar que o amiguinho fez o favor de estacionar a viatura to-ta-men-te em cima de um passeio, encostadinho a um muro, ou seja, alguém ter-se passado dos carretos e rebentar com o rodinhas armado de uma troti, aiaiaiai, mas pensar um bocadinho que o amigalhaço vandalizou espaço público, destinado a peões, não senhora. Não está bem, que não está, mas confesso que é sonho húmido de muito lisboeta, eu incluída, ter um sólido taco de baseball - ou um cajado, valorizemos o produto nacional - quando se depara com um popó a fazer o seu ó-ó no passeio, e se é obrigado a circular na estrada. Ah, mas não há onde estacionar, ó Izzie, onde é que a gente há-de meter o carro? Bom, eu dava uma sugestão, daquelas que envolve cavidades, mas a melhor de todas é pensar nisso antes de comprar a latinha. É que o conceito de aqui não estorva é muito subjectivo, e no caso dos passeios, não é negociável, lamento.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Há quanto tempo não alinha numa boa teoria de conspiração?
Por mim falo, nunca; mas ele há dias em que a realidade me assoberba e (quase) cedo ao menor denominador comum, alinho os neurónios por baixo e zás, sai-me a parvoeira. A última que me vem agastando e tomando forma é de que a Câmara Municipal de Lisboa foi toda tomada por uma seita de odiadores de lisboetas e, secretamente - ou nem tanto, tururu, música dos X Files - anda a dar o tudo por tudo para que os lisboetas desistam de o ser, e abalem de vez para o subúrbio, o campo, ou um asilo de loucos. Novamente, por mim falo: ele há dias em que a tentação é grande, a de por uma tabuleta à porta, agrafar uns valentes cobres e ir para outras paragens. Onde também iria ter de desembolsar uns valentes cobres por uma habitação equivalente (a loucura imobiliária já se alastrou por toda a grande Lisboa, e não estou - não estamos - nessa de mudar radicalmente de vida), passar outras valentes horas no trânsito. Abdicar, enfim, da vida que escolhi, dos quinze, vinte minutos de trajecto casa-trabalho-casa, do verde nas traseiras, do metro ali perto, do bairro que tem tudo, do luxo de (querendo) ir à Baixa ou Alvalade a pé (conta como exercício, e de borla), Feira da Ladra ao sábado de manhã e almoço de peixe grelhado do bom, fresquinho, numa tasca ainda não muito conhecida mas onde já nos conhecem, e onde os portugueses ainda fazem a grande maioria dos comensais. Dos passeios de eléctrico já abdiquei há muito, nem no inverno se consegue uma viagem agradável; aflige, para além das multidões de turistas, a sua rudeza, ninguém diria que são oriundos, na maior parte, dos tão afamados países nórdicos hipercivilizados, mas onde pelos vistos também sabem ignorar uma mulher grávida e com um pequenito pela mão, uma idosa que mal se tem de pé, São Turista no seu lugar sentado, como se de uma conquista intocável se tratasse. Chiado e Baixa no verão, só se tiver mesmo de ser; e durante os Santos, se possível, sair - este ano não deu, mas por obra e graça meteorológica o vento não favoreceu o banzé, e apenas os selvagens brit no airbnb nos estragaram o feriado. Apenas, diz ela já quase conformada, quando a verdade é que, quanto mais turistas ingleses lhe calham ao caminho, mais cai no furioso e revanchista desejo que lhes saia o Boris e um hard brexit na rifa, a ver se levam o tratamento e afastamento que merecem (depois arrependo-me, mas só um bocadinho, por todos os nossos que lá fazem vida).
E como se encaixa a CML nisto tudo, ora, é a economia, Izzie Maria da Conceição, habitua-te, está a entrar dinheiro, aguenta e não chora, quem está mal que se mude. Sim, sim. Então não. Só que não.
A CML, essa, deixou de fazer parte da solução, e parece querer fazer parte do problema, abdicando de exercer os seus deveres de defender a cidade e quem cá vive. A CML está como aqueles polícias que vêem roubar e nada fazem, é o que é. A CML bate palminhas ao dinheiro que entra, mas não se percebe muito bem o que faz com ele, que as papeleiras abarrotam e têm pilhas de lixo na base, as eco-ilhas idem aspas, o chão mete nojo, os tags alastram (até a minha zona, tantos anos virgem, já serve de pasto ao c@br@o do geco e outros tantos anónimos), o lixo dos alojamentos empilha-se à porta dos prédios, sem ser separado. Autuações, fiscalização?, cá agora. A CML, agora gestora da carris, e querendo ser também gestora do metro, não reforça carreiras, nem batalha por reforço de comboios. A CML e a sua polícia municipal faz vista grossa a infracções de ruído de vizinhança, desvaloriza, que tenhamos um bocadinho de paciência, falemos com eles, afinal se os turistas vêm para cá para se encabrar durante toda a estadia, ao som de colunas portáteis que incomodam toda a vizinhança e a impedem de também aproveitar varandas ou pátios, os incomodados que tentem resolver - e o giro que é, (tentar) falar civilizadamente com ingleses ou alemães grandes que nem postes e embrutecidos de grades e grades. E o ruído de vizinhança nem é o pior, embora seja o que mais me aflige. Mas há que ser justo, há o resto, e o resto é de doidos. É que hoje em dia, a avaliar pelo pouco que vejo (e o muito que passei a ver, num grupo sobre o problema no feicebuque, e me deixou verdadeiramente chocada) a CML emite licenças especiais de ruído como se estivessem em saldo. Bailaricos e festarolas, com música ao vivo ou gravada, amplificada, e transmitida por potentes PA? Vale, afinal é o mês das festas, yay, e somos um povo bonacheirão e folião. Obras ao fim-de-semana? Vale, afinal a reabilitação urbana é tão necessária (que é), e ali vai nascer um novo hotel para termos mais turistada, yay, queremos mais eurotostão a pingar, e que se lixe se o martelo pneumático a britar em full power incomoda tanto o habitante como o turista. Barcos de cruzeiro que parecem blocos de prédios, atracados no porto e com música noite fora? Qual o problema, francamente, turista, eurotostão, etc, é o mercado, a economia, tal como também deve ser o mercado e a economia o horror de poluição que estas embarcações cá deixam.
Enfim. Em cima de tudo isto, um regulamento de alojamento local que tarda em aparecer, coroando decerto uma lei que, na prática, por falta de meios (e quiçá vontade) de fiscalização já deixa os habitantes na base da cadeia alimentar, mercê da mercantilização predatória do alojamento baratinho.
Como lisboeta, aqui nascida e aqui retornada após uma infância e adolescência nos subúrbios, sinto-me tratada como uma excrescência, um incómodo, um estorvo. Que esta cidade já não é para mim nem para os muitos que, com algum sacrifício, aqui compraram ou arrendaram habitação, e aqui desejavam permanecer. Que mais valia ir para longe, fazer o trajecto de ida e vinda apenas para trabalhar, deixando mais espaço e à-vontade para quem nos visita. Como lisboeta sinto-me mal amada, muitas vezes mal tratada, posta em segundo plano. Sinto-me triste, desmoralizada.
Já como cidadã dotada de um intenso mau feitio e personalidade teimosona, sinto-me tomada de um sério espírito de contradição, uma feroz vontade de resistência. Não passarão, carago, não passarão. Como os irredutíveis gauleses, resistir. Até quando, essa é a questão. Que uma pessoa é de ideias fixas, mas não é super.
E como se encaixa a CML nisto tudo, ora, é a economia, Izzie Maria da Conceição, habitua-te, está a entrar dinheiro, aguenta e não chora, quem está mal que se mude. Sim, sim. Então não. Só que não.
A CML, essa, deixou de fazer parte da solução, e parece querer fazer parte do problema, abdicando de exercer os seus deveres de defender a cidade e quem cá vive. A CML está como aqueles polícias que vêem roubar e nada fazem, é o que é. A CML bate palminhas ao dinheiro que entra, mas não se percebe muito bem o que faz com ele, que as papeleiras abarrotam e têm pilhas de lixo na base, as eco-ilhas idem aspas, o chão mete nojo, os tags alastram (até a minha zona, tantos anos virgem, já serve de pasto ao c@br@o do geco e outros tantos anónimos), o lixo dos alojamentos empilha-se à porta dos prédios, sem ser separado. Autuações, fiscalização?, cá agora. A CML, agora gestora da carris, e querendo ser também gestora do metro, não reforça carreiras, nem batalha por reforço de comboios. A CML e a sua polícia municipal faz vista grossa a infracções de ruído de vizinhança, desvaloriza, que tenhamos um bocadinho de paciência, falemos com eles, afinal se os turistas vêm para cá para se encabrar durante toda a estadia, ao som de colunas portáteis que incomodam toda a vizinhança e a impedem de também aproveitar varandas ou pátios, os incomodados que tentem resolver - e o giro que é, (tentar) falar civilizadamente com ingleses ou alemães grandes que nem postes e embrutecidos de grades e grades. E o ruído de vizinhança nem é o pior, embora seja o que mais me aflige. Mas há que ser justo, há o resto, e o resto é de doidos. É que hoje em dia, a avaliar pelo pouco que vejo (e o muito que passei a ver, num grupo sobre o problema no feicebuque, e me deixou verdadeiramente chocada) a CML emite licenças especiais de ruído como se estivessem em saldo. Bailaricos e festarolas, com música ao vivo ou gravada, amplificada, e transmitida por potentes PA? Vale, afinal é o mês das festas, yay, e somos um povo bonacheirão e folião. Obras ao fim-de-semana? Vale, afinal a reabilitação urbana é tão necessária (que é), e ali vai nascer um novo hotel para termos mais turistada, yay, queremos mais eurotostão a pingar, e que se lixe se o martelo pneumático a britar em full power incomoda tanto o habitante como o turista. Barcos de cruzeiro que parecem blocos de prédios, atracados no porto e com música noite fora? Qual o problema, francamente, turista, eurotostão, etc, é o mercado, a economia, tal como também deve ser o mercado e a economia o horror de poluição que estas embarcações cá deixam.
Enfim. Em cima de tudo isto, um regulamento de alojamento local que tarda em aparecer, coroando decerto uma lei que, na prática, por falta de meios (e quiçá vontade) de fiscalização já deixa os habitantes na base da cadeia alimentar, mercê da mercantilização predatória do alojamento baratinho.
Como lisboeta, aqui nascida e aqui retornada após uma infância e adolescência nos subúrbios, sinto-me tratada como uma excrescência, um incómodo, um estorvo. Que esta cidade já não é para mim nem para os muitos que, com algum sacrifício, aqui compraram ou arrendaram habitação, e aqui desejavam permanecer. Que mais valia ir para longe, fazer o trajecto de ida e vinda apenas para trabalhar, deixando mais espaço e à-vontade para quem nos visita. Como lisboeta sinto-me mal amada, muitas vezes mal tratada, posta em segundo plano. Sinto-me triste, desmoralizada.
Já como cidadã dotada de um intenso mau feitio e personalidade teimosona, sinto-me tomada de um sério espírito de contradição, uma feroz vontade de resistência. Não passarão, carago, não passarão. Como os irredutíveis gauleses, resistir. Até quando, essa é a questão. Que uma pessoa é de ideias fixas, mas não é super.
sexta-feira, 7 de junho de 2019
A modos que não sei quê
Ainda a ressacar violentamente das duas semanas de trabalho mais alucinante, stressante, e intenso que, e ainda sem ter a certeza se preciso de dormir 24 horas seguidas, um balde de gelado ou um dia de spa, penso que posso riscar esta última, porque descobri, recentemente, que não tenho categoria, finura, pedigree para coisas boas que fazem bem a pessoas de categoria, finura e pedigree.
De facto aqui há tempos, num daqueles rasgos que me dão de quando em vez, do tipo "eu mereço!", com ponto de exclamação e tudo, decidi que bem podia investir mais uns cobres nos meus cuidados capilares, considerando até que isto de ter cabelo pintado o torna um bicho exigente e estragadiço.
Vai daí, e embora não esteja de todo insatisfeita com os resultados obtidos com produto de supermercado, encomendei um pack kérastase, champô, amaciador e um óleo. Toda ufana, testei e o cabelo sim senhora, pareceu gostar do mimo: uma lindeza, todo brilhante, soltinho, fácil de pentear.
Segunda lavagem, e o entusiasmo capilar desce uns pontos: cabelo brilantezinho, sim, mas mais pesadote, e ao segundo dia a evidenciar um aspecto de que já via outra dose de água-champô-amaciador-coiso. Chatice, pá, eu que costumo aguentar dois dias impecável, um terceiro aceitável, e um quarto que ou não há tempo e ainda disfarça apanhado ou se lava de novo. Insisto, ainda assim, que afinal a coisa é suposto ser de qualidade ali supé, ao menos a avaliar pelo preço, muitas vezes o que normalmente pago pelo anterior, que por acaso até aproveito descontos de 50% e tudo. Uma desgraça: começo a ficar com um ar de cabelo oleoso de quem passou o dia a fritar rissóis, e logo ao fim do dia da lavagem.
Donde, passei a alternar o kéras com o gliss, e acabando aquele acabou a peneira. Com franqueza. Sinceramente. Olha que coisa. Uma pessoa a querer doutorar o cabelum em cosmética de primeira, e o malandro a exigir o reles comum, está como as outras, não distingue a manteiga whizzo de um caranguejo morto,
Não posso ter nada bom, que o bom não quer nada comigo, é o que é. De um ponto de vista positivo, ao menos não me calhou uma peruca que só se dá com sabão macaco, demos graças pelas pequenas coisas (ou então, se calhar, às tantas...)
De facto aqui há tempos, num daqueles rasgos que me dão de quando em vez, do tipo "eu mereço!", com ponto de exclamação e tudo, decidi que bem podia investir mais uns cobres nos meus cuidados capilares, considerando até que isto de ter cabelo pintado o torna um bicho exigente e estragadiço.
Vai daí, e embora não esteja de todo insatisfeita com os resultados obtidos com produto de supermercado, encomendei um pack kérastase, champô, amaciador e um óleo. Toda ufana, testei e o cabelo sim senhora, pareceu gostar do mimo: uma lindeza, todo brilhante, soltinho, fácil de pentear.
Segunda lavagem, e o entusiasmo capilar desce uns pontos: cabelo brilantezinho, sim, mas mais pesadote, e ao segundo dia a evidenciar um aspecto de que já via outra dose de água-champô-amaciador-coiso. Chatice, pá, eu que costumo aguentar dois dias impecável, um terceiro aceitável, e um quarto que ou não há tempo e ainda disfarça apanhado ou se lava de novo. Insisto, ainda assim, que afinal a coisa é suposto ser de qualidade ali supé, ao menos a avaliar pelo preço, muitas vezes o que normalmente pago pelo anterior, que por acaso até aproveito descontos de 50% e tudo. Uma desgraça: começo a ficar com um ar de cabelo oleoso de quem passou o dia a fritar rissóis, e logo ao fim do dia da lavagem.
Donde, passei a alternar o kéras com o gliss, e acabando aquele acabou a peneira. Com franqueza. Sinceramente. Olha que coisa. Uma pessoa a querer doutorar o cabelum em cosmética de primeira, e o malandro a exigir o reles comum, está como as outras, não distingue a manteiga whizzo de um caranguejo morto,
Não posso ter nada bom, que o bom não quer nada comigo, é o que é. De um ponto de vista positivo, ao menos não me calhou uma peruca que só se dá com sabão macaco, demos graças pelas pequenas coisas (ou então, se calhar, às tantas...)
quarta-feira, 29 de maio de 2019
sexta-feira, 24 de maio de 2019
The Cat Diaries (18) The Dude Abides
Caramba, long time no write sobre gatunfos, aposto que algumas almas mal intencionadas já pensam que os fizemos em estufado e estolas.
Nope, tudo vivo e de saúde.
Cumpre, portanto, actualizar este boletim, que qualquer dia já não tenho direito a usar a faixa de cat-blogger.
Comecemos pelo mais velho, 'tadinho, tantas vezes esquecidinho e relegado para último plano, é a sina dos sossegados e paz d'alma, concentrados e arreliados que andamos com as loucuras dos mai'novos.
A notícia que importa: deve ter sido lá para meados de Novembro passado, a mesma altura em que encontrámos a nossa (espero que) ultima e mai'nova, que senhor Fox Mulder nos resolveu brindar com o primeiro ronronar. Começou como uma espécie de pigarro, estava a ligar a máquina e devia precisar de ser oleada, ou exercitada, porque foram muitas as discussões lá em casa: "eieieieiei" me mate, todo entusiasmado "fiz uma festa ao Fox e ele começou a ronronar. E eu, senhora dona Tomé, fui ver, fiz festa, e ou zero ronrom, ou um som que era tudo menos semelhante a. "Não ronrona nada", dizia aqui a péssima mother of cats, e espoNZa ainda pior, a seu mate, que continuava a insistir que era sim senhor.
E era. Como disse, começou rouco e baixinho, hoje em dia é um definitivo, audível, expresso ronrom. Depois de mais de ano e meio com a mesma rotina - falar sempre com voz delicodoce; iniciar aproximações com vara com penas; abordá-lo sempre de lado ou por trás, nunca de frente; iniciar tentativas de escovagem e perceber em que parte do corpo era mais receptivo (cabeça); estender a mão, deixá-lo cheirar e, se a postura corporal o manifestasse, festa com a mão - chegou ao ponto em que estendia a mão, ele cheirava, e baixava a cabeça: hurra!, sinal inequívoco de que quer a festinha, não a vai meramente tolerar. E assim fomos, até que se soltou e se entregou.
Actualmente senhor Fox já pede festas e escovinha. Sim, pede. Gosta de estar no mesmo plano que nós, portanto salta para cima da mesa da sala, fica a olhaaaar fixamente, e pronto, já sabemos, valente escovadela e festunças na cabeça, atrás das orelhas, queixo, tudo ao ritmo de um ronrom muito quentinho.
Caraças, foi um longo caminho, mas valeu a pena. Se ele não capitulasse também não fazia mal, cada um é como cada qual, gostaríamos dele à mesma. É que mesmo quando esquivo e desconfiado o Fox sempre revelou ter um feitio muito especial, e muito adorável. Primeiro, não é nada briguento, nem maniento, e tampouco caprichoso. Desde que chegou à nossa casa que se mostrou muito protector da sua companheira Scully, e depois do Max (apesar de este ser um chatinho). Observou-nos sempre, SEMPRE, com muita atenção, quando interagíamos com a Scully e com o Max, e agora com a Selina já baixou um bocadinho a guarda. Quando o Max fazia asneira ficava especialmente atento à nossa reacção (que nunca foi violenta, apesar de muito se ter ralhado). Espera sempre que os manos estejam servidos e de tacinha à frente para atacar a sua parte de paté.
Gosta muito de dormir e, no verão, ao sol, de preferência numa cadeira com almofada. Mesmo com os 40º que fizeram o ano passado preferia estar na varanda, à sombra, vá lá, que dentro de casa. Não dispensa a sua voltinha pelos logradouros - ainda me lembro do clique, da alegria dele quando se apercebeu do local, da vastidão, e pode matar saudades da liberdade. Já sei que muita gente condena estas voltinhas mas volto a avisar: a) ele é um gato de rua; b) estes logradouros não têm acesso à rua-rua; c) não é um gato briguento, a colónia está esterilizada e ele também. E volta sempre. E já responde ao nosso chamado. Às vezes com mais vagar, afinal é gato, suspiro, e que atire a primeira pedra quem, numa situação semelhante, também não seria apanhado a argumentar com um calmeirão laranjão, sentado num muro a fingir que nos ignora, que já são horas de ir para casa.
É um tipo bestial, o nosso Fox.
Um bonzão.
Um pachola bon-vivant.
Um amorzão.
E forjou com me mate uma amizade muito especial: são ambos os (feitios) protectores da casa, e já sabe que o home nunca deixará algo de mau acontecer-lhes. Aliás, é me mate o "chamado" à escovadela vespertina, função que cumpre com muito zelo e gosto. E a mim dá gosto vê-los.
Nope, tudo vivo e de saúde.
Cumpre, portanto, actualizar este boletim, que qualquer dia já não tenho direito a usar a faixa de cat-blogger.
Comecemos pelo mais velho, 'tadinho, tantas vezes esquecidinho e relegado para último plano, é a sina dos sossegados e paz d'alma, concentrados e arreliados que andamos com as loucuras dos mai'novos.
A notícia que importa: deve ter sido lá para meados de Novembro passado, a mesma altura em que encontrámos a nossa (espero que) ultima e mai'nova, que senhor Fox Mulder nos resolveu brindar com o primeiro ronronar. Começou como uma espécie de pigarro, estava a ligar a máquina e devia precisar de ser oleada, ou exercitada, porque foram muitas as discussões lá em casa: "eieieieiei" me mate, todo entusiasmado "fiz uma festa ao Fox e ele começou a ronronar. E eu, senhora dona Tomé, fui ver, fiz festa, e ou zero ronrom, ou um som que era tudo menos semelhante a. "Não ronrona nada", dizia aqui a péssima mother of cats, e espoNZa ainda pior, a seu mate, que continuava a insistir que era sim senhor.
E era. Como disse, começou rouco e baixinho, hoje em dia é um definitivo, audível, expresso ronrom. Depois de mais de ano e meio com a mesma rotina - falar sempre com voz delicodoce; iniciar aproximações com vara com penas; abordá-lo sempre de lado ou por trás, nunca de frente; iniciar tentativas de escovagem e perceber em que parte do corpo era mais receptivo (cabeça); estender a mão, deixá-lo cheirar e, se a postura corporal o manifestasse, festa com a mão - chegou ao ponto em que estendia a mão, ele cheirava, e baixava a cabeça: hurra!, sinal inequívoco de que quer a festinha, não a vai meramente tolerar. E assim fomos, até que se soltou e se entregou.
Actualmente senhor Fox já pede festas e escovinha. Sim, pede. Gosta de estar no mesmo plano que nós, portanto salta para cima da mesa da sala, fica a olhaaaar fixamente, e pronto, já sabemos, valente escovadela e festunças na cabeça, atrás das orelhas, queixo, tudo ao ritmo de um ronrom muito quentinho.
O seu primeiro amor: o aquecedor
Mantendo os idiotas dos humanos debaixo de olho, like a boss
Curtindo o ar livre, like a boss
Gosta muito de dormir e, no verão, ao sol, de preferência numa cadeira com almofada. Mesmo com os 40º que fizeram o ano passado preferia estar na varanda, à sombra, vá lá, que dentro de casa. Não dispensa a sua voltinha pelos logradouros - ainda me lembro do clique, da alegria dele quando se apercebeu do local, da vastidão, e pode matar saudades da liberdade. Já sei que muita gente condena estas voltinhas mas volto a avisar: a) ele é um gato de rua; b) estes logradouros não têm acesso à rua-rua; c) não é um gato briguento, a colónia está esterilizada e ele também. E volta sempre. E já responde ao nosso chamado. Às vezes com mais vagar, afinal é gato, suspiro, e que atire a primeira pedra quem, numa situação semelhante, também não seria apanhado a argumentar com um calmeirão laranjão, sentado num muro a fingir que nos ignora, que já são horas de ir para casa.
Pose "eu não conhecho echta chenhoura"
Um bonzão.
Um pachola bon-vivant.
Um amorzão.
Curtindo uma soneca no braço do sofá, like a boss
E forjou com me mate uma amizade muito especial: são ambos os (feitios) protectores da casa, e já sabe que o home nunca deixará algo de mau acontecer-lhes. Aliás, é me mate o "chamado" à escovadela vespertina, função que cumpre com muito zelo e gosto. E a mim dá gosto vê-los.
Enfim, like a boss
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Portanto, resumindo
Carros estacionados em cima de passadeiras, deixa 'tar;
Passadeiras quase apagadas, num faz mal;
Passadeiras em locais mal iluminados, paciência;
Pessoal a circular a mais de 50 k/h em localidades, e perto de locais onde se prevê atravessamento de peões pelas, tcharaaaaam, passadeiras que lá existem, que s'a lixe;
Haver gente encartada que desconhece aquela regra de que em mudando de direcção, mesmo à direita, têm de dar prioridade ao peão, cagámos;
Existirem alminhas que acham que estando verde para popó o sinal intermitente amarelo com um peão desenhado é para eles terem cuidado a atravessar, s'a foda.
Agora pintar cores entre as riscas brancas da passadeira???? Nem pensar, que seria!!! E não, não é homofobia básica e enrustida, é mesmo ralação com segurança rodoviária e direitos dos peões e assim.
Sniff. Passem-me um lencinho, que sinto uma lágrima a aproximar-se.
[camiões, camiões de piretes para esta gente]
Passadeiras quase apagadas, num faz mal;
Passadeiras em locais mal iluminados, paciência;
Pessoal a circular a mais de 50 k/h em localidades, e perto de locais onde se prevê atravessamento de peões pelas, tcharaaaaam, passadeiras que lá existem, que s'a lixe;
Haver gente encartada que desconhece aquela regra de que em mudando de direcção, mesmo à direita, têm de dar prioridade ao peão, cagámos;
Existirem alminhas que acham que estando verde para popó o sinal intermitente amarelo com um peão desenhado é para eles terem cuidado a atravessar, s'a foda.
Agora pintar cores entre as riscas brancas da passadeira???? Nem pensar, que seria!!! E não, não é homofobia básica e enrustida, é mesmo ralação com segurança rodoviária e direitos dos peões e assim.
Sniff. Passem-me um lencinho, que sinto uma lágrima a aproximar-se.
[camiões, camiões de piretes para esta gente]
terça-feira, 14 de maio de 2019
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Irritação de fim de tarde
Põe-me doida, mas assim de cabeça perdida, a girar como a da menina do exorcista (e só não vomito uma papa verdonga porque a) noja; b) não aprecio creme de ervilhas), ver alguém que vive da escrita ou vá, alguém em cuja actividade profissional a escrita tem um peso muito grande, a usar "quanto muito". Pumbas, paro logo de ler e, em calhando ser um blog ( e ó, se já vi disto em blogs de dizáine irrepreensível, daqueles que não devem facturar pouco), tau, clique na cruzinha.
"Quanto muito": não. Nope. Néri. É "quando". Quando muito. Repetir cem vezes. E, cada vez que vos sentirdes tentados, lembrai: a quanto está a chaputa, quanto muito. Ou outro disparate qualquer, que vos lembre que não faz sentido.
A quem não acredita, é googlar, agora tenho aqui uma cena para acabar e não tenho tempo para links.
Pronto, já desabafei, já estou melhorzinha, não vou continuar com o assunto ou tarda nada lembro-me do pessoal que acha que nãoseiquê foi uma grande perca, e aí arranjo um problema de nervos que me dura o fim-de-semana todo.
"Quanto muito": não. Nope. Néri. É "quando". Quando muito. Repetir cem vezes. E, cada vez que vos sentirdes tentados, lembrai: a quanto está a chaputa, quanto muito. Ou outro disparate qualquer, que vos lembre que não faz sentido.
A quem não acredita, é googlar, agora tenho aqui uma cena para acabar e não tenho tempo para links.
Pronto, já desabafei, já estou melhorzinha, não vou continuar com o assunto ou tarda nada lembro-me do pessoal que acha que nãoseiquê foi uma grande perca, e aí arranjo um problema de nervos que me dura o fim-de-semana todo.
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Prosaicamente, que eu sou uma 'soa mui prosaica
Gostava que a amável audiência me esclarecesse se é um problema só da minha zona, ou, mais especificamente, só lá de casa, de propósito para me chatear; ou se em outros pontos de Lisboa cidade, grande Lisboa ou mesmo do país, andam a ser avistadas irritantes, enormes, assustadoras traças nocturnas, em tons de castanho e pintalgados laranja, que se alapam à roupa estendida (assim entrando, à traição, à sorrelfa, na casa de uma 'soa), ou aproveitam qualquer janela aberta sinalizada por luz interior para nos invadir lar, doce lar, provocando inerentes sustos, e uma perseguição e extermínio que dispensava.
É que, tirando a gataria júnior, para quem a coisa é uma sorte grande e arredondamento, dada a diversão proporcionada com as caçadas, os habitantes andam com uns nervos que já não se pode.
É que, tirando a gataria júnior, para quem a coisa é uma sorte grande e arredondamento, dada a diversão proporcionada com as caçadas, os habitantes andam com uns nervos que já não se pode.
quarta-feira, 8 de maio de 2019
sexta-feira, 3 de maio de 2019
You will never find a more wretched hive of scum and villany
A espécie humana, aquela que caminha a passos largos para a própria extinção, e por mérito próprio, atenção, que nenhuma outra é dotada da necessária racionalidade que lhe permita planear e executar tão metódica e eficazmente a destruição do seu habitat, a espécie humana, dizia eu, da qual nem tenho um rol infinito de queixas porque a) ou sou uma anjinha; b) ou ando muito distraída; c) ou tenho tido uma boa quota de sorte; d) não me dou muito (introverts unite, each in its own home), tem dias em que (me) consegue provar que de facto a misantropia não é uma escolha, uma característica dos excêntricos ou falha de carácter, mas sim uma absoluta necessidade. A espécie humana, e sim, sei que estou a generalizar, que corro o risco de ser injusta, que se calhar isto se deve às actuais (e miseráveis) circunstâncias, essas que há dois anos não sentia na pele porque, lá está, e estou mesmo convencida disso, tive muita sorte com as pessoas que me calharam (e até sabia), por tudo o apontado e mais umas coisas, de facto não merece melhor destino que o que vem traçando, incapaz que é de, nas mais pequenas coisas, ser solidária, empática, colaborante ou até, vá, é pedir muito, ter um mínimo sentido de dever e de comunidade, a espécie humana, dizia, neste momento não me merece qualquer consideração ou simpatia, excepção feita a dois seres que in extremis, mesmo contra os próprios interesses e sem obrigação disso me salvaram o couro, e o que se me oferece dizer sobre a espécie humana em geral, e gente que me calhou desde que tive a estúpida ideia de me mudar de onde até estava bem para onde agora estou, é que estimo que se foda.
terça-feira, 23 de abril de 2019
Não posso ir a lado nenhum
Que só acontecem desgraças, caneco, ora arde uma catedral, ora há uma greve de distribuição que deixa o país à míngua de combustível, ora há um acidente onde morrem três dezenas de turistas, e nem falando já do Sri Lanka, coisa mais horrível, pavorosa, nem há palavras para descrever o que se sente perante aquele terror.
De qualquer forma, e de volta à rotina, que me recebeu de braços abertos e cheios de papelada, cá estamos. Os gatos sobreviveram, e receberam-nos com a normal euforia felina, que é como quem diz, quem aguenta quatro pares de olhos frios de desprezo, aguenta uma enxurrada de trolls que vieram cá parar só esta manhã, saberá uma qualquer divindade vindas de onde. E logo hoje que não dormi nada de jeito (a box não deixa gravar o GoT!), e tenho aqui trolls a sério que me vão render o dia todo.
De qualquer forma, e de volta à rotina, que me recebeu de braços abertos e cheios de papelada, cá estamos. Os gatos sobreviveram, e receberam-nos com a normal euforia felina, que é como quem diz, quem aguenta quatro pares de olhos frios de desprezo, aguenta uma enxurrada de trolls que vieram cá parar só esta manhã, saberá uma qualquer divindade vindas de onde. E logo hoje que não dormi nada de jeito (a box não deixa gravar o GoT!), e tenho aqui trolls a sério que me vão render o dia todo.
sexta-feira, 12 de abril de 2019
E é por isto que não posso ter coisas boas
Ou vá, gabar-me falar das coisas boas que tenho na meretriz da vida: vem o universo e zumba, castiga-me logo severamente a soberba. Ai já andas aí toda tagarela a falar da viagenzinha?, então pega lá uma revisão + inspecção + mudança de pneus do carro para equilibrar. E que grande equilíbrio: vou deixar na oficina o equivalente ao que custa a viagem e estadia, que bom, apre, mas caraças, tinham os pneus da viatura de se escalavrar todos, hã, uns deles com fissuras que, valha-me isso, foram descobertas antes de meter numa auto-estrada? Bom, já devia esperar, parece que a vida útil do pneumático é de sete anos, confere.
É para isto que um gajo trabalha e ganha dinheiro: para depois o atirar todo pela janela, abençoadinho.
Vou ficar aqui caladinha, mazé. Chiu. A partir de agora faz de conta que vivo de côdeas de pão e visto trapos.
É para isto que um gajo trabalha e ganha dinheiro: para depois o atirar todo pela janela, abençoadinho.
Vou ficar aqui caladinha, mazé. Chiu. A partir de agora faz de conta que vivo de côdeas de pão e visto trapos.
quarta-feira, 10 de abril de 2019
A minha vida é isto, uma luta de classes constante, se calhar Marx explica
Ora pois então sucede que, embora mui apreciadores do passeanço, não saímos da pátria mãe desde 2015, por vicissitudes várias que não cabe aqui explicar. Sucede ainda que não tenho férias desde 30 de Julho do passado ano (chuif), já estive menos rebentada, e se não me ponho a andar daqui para fora já sei que nas férias acabo a fazer uma perninha. Vai daí, vamos uns dias lá fora, ver se chove.
A escolha faz-se sempre da mesma forma científica: lista de sítios que não conhecemos (ainda são muitos), pesquisa de voos, escolher o que mais conv€m. Não que seja o único factor, no caso a passagem até nem é a mais barata, mas para os dias livres era jeitosa, havia vagas, e o preço do alojamento por lá foi uma alegre surpresa.
Agora entra a parte rezinga, muito derivada da minha luta interior de Olívia patroa, Olívia costureira. Por exemplo, é verdade que a vontade de ver Veneza é imensa, mas eu tambémsou sinto-me uma vítima da turistificação, e tenho mesmo imensa pena dos venezianos. Donde, corta. Nem calhando, a nossa última saída foi para Praga, cidade que nos parecia fazer caretas a cada esquina, toma, toma, é nisto que se está a transformar a vossa Lisboa. Sou solidária, portanto, com os nativos. Todos, mas nem tanto que me abstenha de ir seja onde for. De qualquer forma, quero crer que lá fora me comporto - e sempre comportei - de forma a representar um incómodo menor: sim senhora, ocupo espaço, mas não faço más figuras, não sou mal educada, tento passar despercebida. Ao contrário do que tenho sentido da mole humana e estrangeira que nestes últimos três anos tem invadido Lisboa. Porcões, arrogantões, gritões, malcriadões, beberrões de merda, pardon my french. Eurotrash, pura e simples. O facto de ter um alojamento local debaixo da minha alegre casinha (cuja lotação é superior aos actuais habitantes do prédio) não ajuda. Mesmo nada. O brexit já foi uma bela gota de água, mas ter um grupo de ingleses por baixo uma semana, ui, nem vos digo o que aumentou a minha xenofobia selectiva. Os alemães também benzós, mas para chegar ao nível destes ingleses ainda têm de beber muita cerveja. Literalmente.
E agora continuem comigo, por favor, sim, isto tem uma lógica, embora não pareça do raciocínio tortuoso supra: nunca tive aquela cagança de dizer que não sou turista, mas sim uma viajante, porque, noção. Claro que sou turista. Zero vergonha nisso. Posso não ser o tipo de turista da viagem organizada, autopullman do ponto A ao ponto B, resort fechado TI, etc, mas sou turista. Não sou é lixo*. E também não sou uma pedante que compra aquelas neo-tretas de ah, e tal, vou ao sítio x e quero sentir-me como se fosse de lá, tázaver, ter as experiências dos locais e coise, p'cebes, ver as cenas pelos olhos deles, dormir onde dormem, comer onde comem. Treta, treta, treta: somos sempre estrangeiros numa terra desconhecida, ainda que seja a décima quarta ida, e até já topemos as tourist traps à légua; não, não somos assimiláveis aos locais, e não, não teremos a experiência de ser local, a isso chama-se emigrar, e ainda assim só se for por uns anos valentes. Donde, a tal local experience que é vendida com o alojamento local, ei, ei, ei, venha viver num bairro local, durma com eles, compre onde eles compram, os nativos, é dos maiores golpes publicitários de sempre, e o pior é que pegou. Os grandecíssimos poios que se alojam lá no prédio são, por norma, uns valentes pés rapados, forretas, ou sei lá eu o quê, e pior, arruaceiros que se estão nas tintas para o descanso e bem-estar dos locais. Sim, sete alminhas num T2+1 (onde enfiaram duas camas de casal, uma single, e um sofá cama), a pagar uma diária, à cabeça, que nem um hostel cobra, são o quê, viajantes, curiosos do mundo e suas pessoas? Poupem-me. E se lhes devo a aliás oportuna abertura de duas lojas auchan nas proximidades, que sempre dão para desenrascar, a verdade é que ali o que mais têm para venda e os camelórios de facto compram são cenas para sandes, cerveja, e vinho mais caro que na concorrência, ao menos isso, chulem os motherfuckers.
Donde, orgulhosamente: não contem comigo para me alojar via airbnb. Ne-ver. Hotel, é que é. O hotel, ou qualquer estabelecimento de hotelaria, paga licenças, compra a fornecedores locais, emprega pessoas (ainda que paguem mal, essa é outra luta), paga impostos e contribuições, tem inspecções, enfim, trata-se de uma unidade económica que contribui para a criação de riqueza. Um AL (e estou a falar de apartamentos ou quartos destinados a tal, não a pequenos hostel) criam o quê? Temos de um lado, a maior parte das vezes, um proprietário que, em vez de arrendar a habitantes, arrenda a uma empresa parasita, afinal até paga menos imposto sobre o que recebe. A empresa parasita (muitas são estrangeiras, o caso da nossa é uma unipessoal cujo sócio é uma outra sociedade com sede em offshore, sim, eu fui investigar, e eu descubro tudo, assim esteja motivada) tem uma sede que não passa de uma domiciliação para correspondência, contrata tarefeiros, a recibo, para cargos tão pomposos e ocos como property manager ou host/ess, contrata empresas de limpeza cujas empregadas são tantas vezes trabalhadoras estrangeiras, a ganhar fortunas de €2 à hora, e uns trolhas para arranjos que aposto não passam facturinha.
É isto. Pedindo, de novo, antecipado perdão pelo meu francês, uma autêntica casa de putas, tudo pela porta do cavalo, por baixo da mesa, nada de emprego, nada de rendimento que acrescenta, apenas lucro fácil que, no fim, feitas as contas, e em termos globais, são trocos. E um dia, que vai chegar, mais cedo ou mais tarde, rebenta. Já aconteceu, e nessa altura fazem o quê às casas, que as pessoas que lá queriam viver não tiveram outro remédio que não se endividar na banca para comprar no subúrbio. Suspiros.
Donde, pqp, turista serei, em hotel me alojarei, e pequeno almoço fufê degustarei. E com um incomensurável menor risco de voltar com um camadão de sarna ou marcas de percevejo. Poizé. Cá por coisas que eu cá sei.
*não, não vamos tirar selfies ou fotos-recuerdo pessoais no memorial do Holocausto. não estou a brincar: já vi dissoem blogs, feice, instagrã: lixo.
A escolha faz-se sempre da mesma forma científica: lista de sítios que não conhecemos (ainda são muitos), pesquisa de voos, escolher o que mais conv€m. Não que seja o único factor, no caso a passagem até nem é a mais barata, mas para os dias livres era jeitosa, havia vagas, e o preço do alojamento por lá foi uma alegre surpresa.
Agora entra a parte rezinga, muito derivada da minha luta interior de Olívia patroa, Olívia costureira. Por exemplo, é verdade que a vontade de ver Veneza é imensa, mas eu também
E agora continuem comigo, por favor, sim, isto tem uma lógica, embora não pareça do raciocínio tortuoso supra: nunca tive aquela cagança de dizer que não sou turista, mas sim uma viajante, porque, noção. Claro que sou turista. Zero vergonha nisso. Posso não ser o tipo de turista da viagem organizada, autopullman do ponto A ao ponto B, resort fechado TI, etc, mas sou turista. Não sou é lixo*. E também não sou uma pedante que compra aquelas neo-tretas de ah, e tal, vou ao sítio x e quero sentir-me como se fosse de lá, tázaver, ter as experiências dos locais e coise, p'cebes, ver as cenas pelos olhos deles, dormir onde dormem, comer onde comem. Treta, treta, treta: somos sempre estrangeiros numa terra desconhecida, ainda que seja a décima quarta ida, e até já topemos as tourist traps à légua; não, não somos assimiláveis aos locais, e não, não teremos a experiência de ser local, a isso chama-se emigrar, e ainda assim só se for por uns anos valentes. Donde, a tal local experience que é vendida com o alojamento local, ei, ei, ei, venha viver num bairro local, durma com eles, compre onde eles compram, os nativos, é dos maiores golpes publicitários de sempre, e o pior é que pegou. Os grandecíssimos poios que se alojam lá no prédio são, por norma, uns valentes pés rapados, forretas, ou sei lá eu o quê, e pior, arruaceiros que se estão nas tintas para o descanso e bem-estar dos locais. Sim, sete alminhas num T2+1 (onde enfiaram duas camas de casal, uma single, e um sofá cama), a pagar uma diária, à cabeça, que nem um hostel cobra, são o quê, viajantes, curiosos do mundo e suas pessoas? Poupem-me. E se lhes devo a aliás oportuna abertura de duas lojas auchan nas proximidades, que sempre dão para desenrascar, a verdade é que ali o que mais têm para venda e os camelórios de facto compram são cenas para sandes, cerveja, e vinho mais caro que na concorrência, ao menos isso, chulem os motherfuckers.
Donde, orgulhosamente: não contem comigo para me alojar via airbnb. Ne-ver. Hotel, é que é. O hotel, ou qualquer estabelecimento de hotelaria, paga licenças, compra a fornecedores locais, emprega pessoas (ainda que paguem mal, essa é outra luta), paga impostos e contribuições, tem inspecções, enfim, trata-se de uma unidade económica que contribui para a criação de riqueza. Um AL (e estou a falar de apartamentos ou quartos destinados a tal, não a pequenos hostel) criam o quê? Temos de um lado, a maior parte das vezes, um proprietário que, em vez de arrendar a habitantes, arrenda a uma empresa parasita, afinal até paga menos imposto sobre o que recebe. A empresa parasita (muitas são estrangeiras, o caso da nossa é uma unipessoal cujo sócio é uma outra sociedade com sede em offshore, sim, eu fui investigar, e eu descubro tudo, assim esteja motivada) tem uma sede que não passa de uma domiciliação para correspondência, contrata tarefeiros, a recibo, para cargos tão pomposos e ocos como property manager ou host/ess, contrata empresas de limpeza cujas empregadas são tantas vezes trabalhadoras estrangeiras, a ganhar fortunas de €2 à hora, e uns trolhas para arranjos que aposto não passam facturinha.
É isto. Pedindo, de novo, antecipado perdão pelo meu francês, uma autêntica casa de putas, tudo pela porta do cavalo, por baixo da mesa, nada de emprego, nada de rendimento que acrescenta, apenas lucro fácil que, no fim, feitas as contas, e em termos globais, são trocos. E um dia, que vai chegar, mais cedo ou mais tarde, rebenta. Já aconteceu, e nessa altura fazem o quê às casas, que as pessoas que lá queriam viver não tiveram outro remédio que não se endividar na banca para comprar no subúrbio. Suspiros.
Donde, pqp, turista serei, em hotel me alojarei, e pequeno almoço fufê degustarei. E com um incomensurável menor risco de voltar com um camadão de sarna ou marcas de percevejo. Poizé. Cá por coisas que eu cá sei.
*não, não vamos tirar selfies ou fotos-recuerdo pessoais no memorial do Holocausto. não estou a brincar: já vi dissoem blogs, feice, instagrã: lixo.
sábado, 6 de abril de 2019
Entretanto comprei uma cinta lombar, a minha vida é uma féchion-excitação
Nós no ECI, rés-do-chão, entretidíssima a ver a malaria, ele a acompanhar (e não faz mais que a sua obrigação, lesse o contrato antes de assinar), quando vejo e lhe mostro olha, olha, voltou a usar-se estas bolsas de cintura, e ele isso não é uma "bolsa de cintura" [juro lhe lhe ouvi umas aspas sarcásticas], é uma fanny pack, reviro os olhos, eu sei, mas é um bocadinho diferente das antigas, e ele, é uma fanny pack, uma fanny pack é uma fanny pack, e eu, paciente, pá, reconhece que dá um certo jeito quando uma pessoa vai de viagem ou assim e é mais segu..., e ele insiste, é uma fanny pack, eu até sou muito tolerante, mas não aceito uma fanny pack, e eu, cândida, ok, pronto, mas há umas que são giras, que eu já vi, tipo uma malinha pequena com alças atrás e se prende no cinto, e ele, bruto, é uma fanny pack à mesma, e eu, eloquente, é que não consigo encontrar uma mochila jeitosa, com uma mala a tiracolo e como estão as minhas costas..., e ele, indiferente, eu amo-te muito, mas és tu a aparecer com uma fanny pack e eu fico no aeroporto, vais sozinha, e eu odeio-te tanto, não disse mas pensei, mas entretanto lembrei-me que o moinante já anunciou que vai levar a mochilona, e adivinhem quem vai carregar com os pertences aqui da menina que é uma beleza.
sexta-feira, 5 de abril de 2019
[...]
Vinha para aqui com um relambório infindável que na verdade não interessa a ninguém senão a mim mesma, mas entretanto lembrei-me que a) odeio pity parties, (embora nas minhas se coma e beba muito bem, nem falando na música, mas, lamento, não trouxe chocolate para todos); b) prometi a mim mesma acabar com esta quedazinha para o oversharing (bom, na verdade foi mais um diálogo interior do tipo ó minha grande estúpida com tendência para o dramático ali a cair para a tragédia grega, filha, deixa-te disso, as pessoas estão a olhar); c) esta coisa de um blogger ser um livro aberto é muito 2015 (quoth the raven, "nevermore").
Donde, e resumindo, levou o seu sweet time, desta vez, mas vai passando.
E não, ainda não acabei. Posso estar um bocadinho acabada das cruzes, nem falando de outras pequenas maleitas, algumas até de nervos, mas ainda não acabei.
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