terça-feira, 8 de setembro de 2015

So long, and thanks for all the fish

Sim senhora, isto é tudo muito giro, muito engraçado, mas, passada esta semana e um dia, já chegámos à conclusão que não é para mim, paciência, até ver, arranjem alguém que ainda se interesse e tenha gosto em aturar estes maluques todos, esta chusma de celerados que não pára de me bater à porta, caneco, tanta coisa boa em que ocupar o tempo e escolhem perturbar a santa paz em que esta desgraçada podia viver, francamente, cadê esse espírito cristão e tal e tal, ide, ide, desamparai, e amanhã logo se vê se eu volto, que seria desta vida sem um bocadinho de suspense, hein.

(claro que volto, o ordenado ainda dá jeito) (para coisas e assim) (como o quemer, diz que é um vício que se tem, e logo umas três vezes por dia) (a culpa é dos meus pais, que não me fizeram herdeira ryca) (ainda os processo)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Aconteceu no Oeste

Ai as férias, ai que saudadinhas, ai que estou aqui que nem posso, reformava-me amanhã se pudesse. Pudera. Trabalhar, iaca, que coisa de pobre. Ainda se me pagassem para mandar vir (wait...), digo, para mandar vir (melhor), e em part time, isso é que era. Entra às nove, bitaites, bitaites, bitaites, agora vou ali tratar de coisas realmente importantes, até amanhã. Olha, inscrevesses-te num partido a tempo, escolhesses melhor as amizades na faculdade, e quem sabe; agora, chucha.

Anyhoo, porque recordar é viver (mentira, é sofrer, mas um sofrer manso e nostálgico do que já não temos), vamos lá voltar ao bom que foi. E como passei eu as férias? O mais possível na horizontal, que sou uma pessoa muito doente. Inclusivamente dos nervos. Vai daí, escolhi a melhor psicoterapia possível: letrinhas juntas a formar palavras, que por sua vez se juntam em simpáticas frases, que formam lindas histórias.

A abrir, algo leve e alegremente pateta (ei, eu gosto do Zink, é o tipo de pateta que faz muita faltinha, abençoados sejam os desta estirpe, que dos outros até sobram). Leitura risonha.

Diz que na blogosfera ele há muitas personagens. Mas antes disso existir, na vida real já as havia. E se o Pacheco era uma personagem. Mais: uma figura. Adorei esta colectânea de entrevistas, e estou agora mortinha por lhe ler os escritos (já na minha quilométrica wishlist).

Como a vida não são só alegrias, não podia faltar a leiturinha para cortar pulsos enquanto se inala gás e se espera que os soníferos façam efeito. Isto não é bem um livro, é uma experiência. Daquelas que envolvem uma carga de porrada, e somos nós a apanhar. Caneco, pá, tão bom, tão bem escrito, tão pungente, tão cortante, que nada que diga lhe pode fazer justiça. Uma Obra, com maiúscula e tudo. São letras e letras que nos escorrem pela consciência deixando sulcos indeléveis. O bloquinho é para tirar notas: e tirei muitas, citações inteiras que não quero perder (sou contra sublinhar livros).
Esta foi a leitura principal, intervalada pelas outras, e ainda em curso. Os outros não sei, mas disto tenho de consumir doseadamente, sob pena de cortar pulsos enquanto enfio a cabeça no forno com o bucho cheio de comprimidos, e isso era uma chatice, que não gosto de deixar livros bons a meio.


Why so serious? Ora, também comprei a Vogue Brit. Não por cagança, mas porque se uma pessoa vai gastar guito em futilidades, que sejam das melhores. Não me façam falar das publicações "femininas" tugas, aquelas que têm por missão ensinar-nos a ser mulheres fortes, decididas e independentes, com carreiras brilhantes e compensadoras, mas muito bem vestidas, calçadas e maquilhadas, nunca esquecendo o nosso lado feminino de mulher, amiga, amante, espoNZa e mãããããe. Dispenso. Isto é para entreter as vistinhas, a Brit tem anúncios mais catitas, produções de moda mais jeitosas. E tinha uma entrevista à Emma Watson (que nem era nada de jeito, mas prontes).
Mas aprendi uma coisa: não é que o Maiquél Córes afinal faz maluchas bem lindas? Tirando o facto de não serem para a minha carteira, até aposto que destas não se vende cá. Nem têm símbolo nem nada, pschhhh. Assim não vale. Ópois cuméquié c'a vaca do terceiro frente sabe que sou mais ryca e estilosa que ela, a invejosona?

terça-feira, 1 de setembro de 2015

And now, for something completely different

Bom, já que cá estamos, embora nessa de abrir hostilidades com a abordagem de mais um tema relevantíssimo e excepcionalmente fracturante. Embora? Embora.

E que tal chegar à conclusão que já chega de fazer sofrer as retinas, e decretar-se o decesso dos sapatos/sandálias/botas com sola de toucinho?
Sim, estas assim:



(olha alguém a prever este movimento e a tentar empandeirá-las no olx. boa sorte e tudo de bom, saudinha.)

Não, não é bonito, não favorece, não fica bem a ninguém. Pronto. A ver lá disso.

And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger

Sim, voltei. Ontem. Não, não ganhei o euromilhões, tenho de continuar a trabalhar para o sustento. Sim, ainda estou em estado de choque. Não, não estou feliz e até excitada com este novo período que se abre perante o meu horizonte, e não, não pretendo enfrentá-lo com mantras gostosos e motivadores. Sim, consegui passar de um tom branco-albino para um branco-norueguês. Não, não dormi/li/borreguei tudo o que queria/precisava. Sim, é melhor que nada. Não, não acho bem. Sim, tenho muito sono. Sim, desaprendi o ofício. Não, não me lembro como é que se faz o básico, quanto mais. Sim, a minha vida não interessa nada. Não, ninguém me perguntou nada. Sim, eu calo-me.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Wild Wild West

Calções e sandálias por militância, sweatshirt por noção da realidade.


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Orange is the new black

É impressão minha, ou as maiquél córes destronaram as luís bitão no pedestal das preferências wannabe, titias e similares? Caneco, o mercado da contrafacção sempre a dar cartas.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Então pode ser um copinho de vinho branco

Ou a cola zero sem cafeína é uma grandecíssima aldrabice, ou temos aqui um problema de insónia crónica que uó-ó. A minha vida é uma tragédia numa rua sem flores.

Rosemary's baby

O problema da feiura interior é que não há sabão que a desencarda, lixívia que a branqueie, amaciador que a perfume.

The Itchy and Scratchy Show

Por razões que não vêm ao caso, calhou os mês bracinhos terem sido sujeitos a um bom período de exposição solar sem protector. Os resultados são menos que hilariantes, e acho que a minha relação com o astro rei entrou em processo litigioso. Já era a branquela de protector 50, agora segue-se a praia das nove às onze, chapéu de sol e tampinha de abas largas, tudo ao mesmo tempo, e cheia de sorte de não ter de adoptar o burkini. Sofro horrores.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Obladi oblada, life goes oooooonnnnnn

-então essas férias, Izzie?, bom, as da minha empregada devem estar a correr bem, obrigada.

-a próxima vez que alguém me vier com teorias parvas sobre a imigração, lembrem-se que eu sou a pessoa que conseguiu um maço de tabaco a um domingo, às nove da noite; só à terceira loja, amigos bengali, vamos lá a ver disso, luckies não deviam ser produto raro, mas kudos, de qualquer forma, amo-vos muito, beijocas.

-ainda pensei que devia haver alguma razão mística para cobrarem um euro e dez por uma bica no starbucks, mas afinal não.

-o desespero já era tal que estava preparada para largar trinta e muitos euros num furminator, mas no lidl encontrei um coiso parecido por cinco - 5 - cinco aerios, e funciona!, com o selo de aprovação de Sua Excelência Imperial, claro. 

-falando em pechinchas, as pessoas que têm preconceito em comprar no Martim Moniz lá saberão da sua vida, mas dois pares de brincos e dois conjuntos de pulseiras indianas por dezanove oitenta, I rest my case.

-como nas grandes superfícies dedicadas a bricolage em geral e jardinagem em nicho desconhecem o produto designado por tela geotextil, lá me desenrasquei com filtros de café; yay for me, e já me pagavam a peso de ouro como chefe de compras das ditas superfícies, é que eu até sei o que é uma adirondack chair e onde se arranja uns knock-off a preços mui jeitosos.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Fierce creatures

Pergunto-me se as pessoas que desejam ou defendem a morte, por vezes com requintes de malvadez, de um indivíduo que, cruel e deliberadamente, e para gozo próprio, causou a morte de um outro ser vivo, no caso, um animal, têm noção da contradição ética que a sua posição encerra. Entendo e/ou defendo a actuação deste fulano? Nem por sombras. Acho que qualquer tipo de actividade que causa sofrimento deliberado e injustificado noutro ser deva ser liminarmente proibida? Claríssimo. Mesmo sendo, por princípio, contra uma certa forma de justicialismo público, através de redes sociais, até consigo achar alguma piada à ironia de ter sido descoberto, e estar a ser encurralado, obrigado a deixar de exercer a sua profissão - aquela que lhe permitiu ter cinquenta mil bombocas para pagar subornar quem lhe proporcionasse a satisfação de perseguir, ferir e matar um bicho raro - nunca disse que sou boa pessoa. Mas defender que lhe devia acontecer o mesmo? Que devia morrer? Pior: que se pudesse, o matava, porque gente desta não faz falta? Ora, ora, ora. Não. Porque não me coloco no mesmo patamar sociopata de quem faz uma cena destas, ponto.
Já agora, novidades. O que não falta por aí são movimentos e ideologias que defendem a morte de certo tipo de "gente", por considerarem que a dita "gente" ofende certos princípios ou regras éticas que são bandeira desses movimentos. Estado islâmico, anyone? Ah, mas esses são maus, e os defensores dos bichinhos são bons. Sim, sim, convençam-se disso. Nós, os nossos ideais, somos tão bons como os meios que escolhemos para os impor, defender, divulgar. Julguei que já toda a gente sabia.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Glengarry Glen Ross

Como eu ando aqui só para ajudar, mormente as gerações mai'novas, e como a minha vocação é a instrução, pus-me a matutar, a congeminar, e arranjei um teste muito, muito giro, para aferir a vossa capacidade de sobrevivência neste novel-mundo do empreendedorismo, em que, como todos sabemos, porque já nos disseram milhentas vezes - e não nos iam mentir, lá agora - o privado é que é - yay! - no privado é que encontramos verdadeiros e bons modelos de gestão - yay! - e no público - buuuuuu - não sabem nada de jeito, andam lá só a gastar os nossos ricos impostos - buuuuuu - aquela gente não só dá despesa, é despasa.
Ora cá vai.

Problema: Asdrúbal Ernestino, vigoroso e dedicado trabalhador in/diferenciado, tem seis empreitadas para realizar. Uma delas, especialmente complexa, tomará cinco dias úteis; nas restantes, não gastará mais que um dia útil em cada.

a) É segunda feira. Que empreitada/s deverá Asdrúbal Ernestino realizar nesta semana? Justifique.

b) Pondere agora a seguinte variável: Asdrúbal Ernestino aufere vencimento mensal, cujo valor não sofre qualquer alteração conforme finalize cinco ou uma empreitada. A sua resposta mantém-se? Justifique, e contraponha com a hipótese de Asdrúbal Ernestino auferir vencimento à tarefa (igual para cada empreitada).

c) Considere agora a possibilidade de a empreitada mais complexa ser também a que foi pedida em primeiro lugar. Como deverá agir Asdrúbal Ernestino? Considere as hipóteses de auferir vencimento fixo, ou ser pago à tarefa.

d) Admitamos que Asdrúbal Ernestino aufere vencimento fixo, mas é fortemente pressionado pelas chefias a apresentar resultados, e que estes são analisados estatisticamente. Como priorizaria o seu trabalho, no lugar de Asdrúbal Ernestino? Justifique.

e) Hipotize agora que Asdrúbal Ernestino, além da pressão dos resultados, aufere, para além do salário fixo, ainda uma remuneração variável, um incentivo em função dos resultados, medidos estes pela redução estatística das tarefas pendentes. Mantém a resposta anterior? Justifique.

f) Finalmente, considere, por hipótese, que Asdrúbal Ernestino trabalha num serviço público essencial, aufere vencimento fixo sem incentivos, é fortemente pressionado pelas chefias a apresentar resultados, a empreitada mais complexa foi pedida em primeiro lugar, e da sua finalização depende a concretização de um interesse vital. A conjugação destas variáveis altera a sua resposta? Justifique.

E pronto, é isto.
Pontos extra a quem conseguir:
i) Animar o Asdrúbal Ernestino;
ii) Convencer o Asdrúbal Ernestino que a sua vida laboral faz algum sentido e tem importância;
iii) Demover o Asdrúbal Ernestino de se jogar do último andar.




segunda-feira, 27 de julho de 2015

Titanic

Um gajo compra casa numa zona central, verdade, mas ali na parte mais recuada: rua secundaríssima, de sentido único, pouquíssimo trânsito, um sossego. Um gajo dorme ali virado para a rua, e um gajo aprecia oxigénio em estado novo; logo, um gajo tem janelas abertas desde que pode até dar. Um dia, um gajo apercebe-se que foi ultrapassado pelos acontecimentos, e isso sucede mais ou menos quando, após o compreensível e até apreciado banzé do camião do lixo - que se traduz, por norma, num já apagavas a luz e dormias - o barulho se mantém. Não de trânsito automóvel, mas do outro, bem pior: gente. Acima-abaixo, mas, a partir de certa hora, mais abaixo. Uma Babel, que a tal gente fala de tudo: nativês, brasileirês, inglês, italianês, francês. P#ta-que-pariu-o-airbnb-os-hostels-e-o-falo-que-os-fecunde. Outro dia, o sobressalto: estava quase-quase a vencer a habitual insónia e sou despertada do doce resvalar no ó-ó por um teutónico aos berros na rua. E isto pouco depois daquela cena c'a Grécia, pronto, começou a invasão. Afinal não, foi só exagero de uma pessoa muito, muito cansada, muito, muito ensonada e, porque não dizê-lo, muito, muito germanofóbica.

Anyhoo, pus-me eu a pensar, ou isto perde o gostinho rústico-patusco-colonial e a estrangeirada abranda, ou começam a augar a superbock, ou eu mudo o quarto. E zás, desperta a musa Kridumudêkasias que habita em mim. É isso mesmo: vou mudar o quarto. Afinal, porquê nesta divisão, se tenho outra semi-interior, sugadita, mais pequena, tão adequada, que serve de depósito a um exagerado espólio (tralha)? Caraças, ter aqui um roupeiro não me deterá: mudam-se as portas do dito para uma coisa menos roupeiral, estante, uma chaise longue, aquele cadeirão, o tapete dacolá. Não. E o que faço à mobília da outra divisão? Desfazer-me dela? Olha quem. Faço o quarto no armazém, passo a estante e cama-sofá deste para o escritório, fica uma espécie de zona relax e acomodação extra, o escritório passa para o agora-quarto, e componho ainda no futuro-ex-quarto uma zona de estar e leitura. Eureka! Brilhante: passo a esboços e medidas, fita métrica em punho. Cabe tudo, hurra!

E pronto. O problema é o que se segue à euforia, a saber, o planeamento: assim comássim precisava de pintar o futuro-ex-quarto, pinta-se também o futuro-ex-escritório e o futuro-quarto. Zás, já estou um bocadinho cansada. Até porque, entretanto, ponho-me a pensar na prateleirada já fixa nas paredes do futuro-quarto actual armazém, vão ser uns 459 buracos para betumar, e uma resma de tábuas a dar destino. No problem, já sei onde vou por tudo. Penso, de seguida, no avc que provocarei a papai, quando lhe mencionar planos de voltar a furar tudo o que é preciso furar, e no meu avc, depois de andar de fita métrica e bolha de nível a marcar tudo. Mas há pior: esvaziar duas estantes. Grandotas. Cheiotas. Enfiar tudo em caixotes. Desmontar minimamente as estantes - alguns corpos passarão nas portas, quero crer, e creio com muita força, a fé não move estantes mas ajudará. E, durante as pinturas, onde é que eu durmo? Sim, também é preciso desmontar a cama, esvaziando previamente o que está guardado no sommier, e, para ser uma coisa mesmo bem feita, aproveitava-se para afagar o chão. Ai mãe. Não, que quando lhe contar estes planos, nem a rica mãe me vai valer. Provavelmente deserda-me, só para eu aprender a não ser parva.

Ocorreu-me isto tudo há coisa de dez dias e é oficial: sinto-me mal. Muito doente, aliás. Fraquinha, fraquinha. Bom, fica para o ano. Boa.

[eu queria é ser ryca para me poder dar ao luxo de empandeirar uma série de mobília e começar de novo, mas a) sou forreta; b) a mobília é uma boa mobília, não arranjo equivalente pelo que estou disposta a pagar, e substituir cenas boas por cenas ikea é parvo; c) aposto que ninguém da família tem serventia para meus cacarecos. suspiros. vou jogar no eurocoiso.]

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Shiny happy people

- Yay! Calor! Solinho! Calções! Vestidinhos leves! Saldos fantáááásticos! Não. Nope. Siga.

- Falando de solinho, a publicidade pode-nos matraquear até à exaustão, as 'ssoas menitas até nos podem garantir felicidade eterna e constante e etc., mas não recomendava piz buin a ninguém, ou, pelo menos, a alguém com pele esquisitinha e atópica. Foram uns quatro dias de intensa comichão e coçanço, até ver a luz.

- Por amor da santinha alguém me garanta que o tricot e crochet estão in, para que eu possa discorrer sobre a problemática das agulhas sem número impresso e me gabar de já conseguir tricotar em círculo (yay!), sem me sentir um nadinha deslocada e anacrónica.

- A nova imagem do Tiny-Price está bem catita, o que de certa forma (me) compensa o facto de a Dica da Semana corrente não ter satisfeito as habituais expectativas.

- A propósito de imprensa de cólidade, um jornalista da Visão fez uma caixa onde sumariava o tema do artigo, a saber, o tráfego de mulheres. Ainda não me decidi se inicio uma colecta para lhes oferecer um dicionário, ou se deixe de matutar nisso e vá antes cedo para casa, antes que o tráfico ali nas avenidas se intensifique.

- Ontem a chegar tarde e más horas à minha vizinhança, um gatito minúsculo atravessou-se à frente do carro. Foficho que doía, tive o súbito impulso de largar o carro, ir atrás dele, e levá-lo lá para casa. Estás bonita, estás. Deteve-me a imagem da senhora gata residente, com a xícara de chá levantada, presa entre indicador e polegar, e ar horrorizado. Sim, aconteceria. Sim, estás bonita, estás.

- Li uma notícia que informava que, a manter-se o ritmo de consumo actual, em 2020 não haverá chocolate. Chocante, eu sei. Parem. Por favor. Há pessoas muito doentes que precisam daquilo para viver, não querem esse peso na vossa consciência.

- Agora lembrei-me de outra: semelhante a / parecido com. Repitam 50 vezes todos os dias, logo ao acordar. Agradecida.

- Há dias em que gostava muito de ter nascido tolinha, a acreditar em mantras e soluções impressas em letra munita com fundos floridos. Talvez isso me resolvesse o sempiterno problema existencial de saber diferenciar estados de felicidade daquilo do "ser" feliz. Ninguém "é" feliz. Um terço da nossa vida é passada a dormir, e ninguém pode "ser" um determinado estado de espírito sem consciência. Ganhei. Não ganhei nada, se fosse tolinha e não pensasse nestas merdas é que ganhava alguma coisa. Tempo, por exemplo, tempo para "ser" feliz, segundo alguns teóricos. Ou cozinhar coisas bonitas e fotogénicas. Que iria comer antes de fotografar, anyhoo.