Logo que tenha vagar venho aqui contar como a Epal cometeu um erro tremendo que teve como consequência tentarem cortar-nos a água, não facturarem nem fazerem contagens durante quatro anos, e agora apresentaram-me uma factura de mil e poucos euros.
A vida é uma eterna canseira.
(primeiro, não, não dei por que me tinham deixado de mandar as facturas, recebo muitas e todas electrónicas e os pagamentos são todos por débito directo; sim, já reagi, e invoquei a prescrição dos serviços com mais de seis meses, googlem lei dos serviços essenciais; temo que isto ainda dê pano para mangas, e ainda tenho a outra canseira de marcar oficina para reparação de um pára-choques que uma motociclista atropelou e depois ainda teve a lata de se armar em histérica comigo porque, sic, «eu a podia ter matado», fia, cê é que se atravessou, if you die, you die, tá a ver, credo)
Anyhoo, completando, parece que por um erro lá deles, a Epal considerou o meu contrato «rescindido»* em 2021, capaz de apostar que foi algum do peeps que rodou pelo rés do chão e se enganaram a digitar e zás, primeiro andar não tem contrato, mas tem abastecimento.
Vai daí, há uma sexta feira pelas dezassete em que, graças a tudo e mais um par de bolas, me mate estava a trabalhar em casa, ouviu barulho na escada, uma fulana ao tufone a dizer que já cá estava, e ia então fechar a água (o escritório confina com a caixa de escadas, graças a tudo e um par de berlindes); o home resolve ir à porta, abrir, interpelar sujeita, e confirma-se, vinha fechar a nossa água, não dá justificação.
Izzie sugadita no seu local de trabalho recebe telefonema de su mate, e por sorte pode atender, o home diz que está ali uma pessoa humana para nos cortar a água e não diz porquê, mas vai passar o telefone à titular do contrato (eu); indivídua diz que não fala com ninguém, tem ordens para cumprir; eu digo a mate para transmitir que não recebemos nenhum aviso, as contas são todas pagas por débito direto, donde, não pode cortar a água, recado que é prontamente transmitido e ignorado. Entretanto, Izzie já googlou o nº da epal e está em linha, e pelo móvel dá instrução a su mate para bloquear fisicamente o coiso da iauga nas escadas e não deixar a coisinha aproximar-se, que chame a polícia e mostre ao agente a notificação para corte. Atendem Izzie na linha de apoio, identifico-me e explico a situação, que chamo a polícia, que ninguém me corta a água a uma sexta e me deixa três dias sem um bem essencial, que nunca recebi nenhum aviso, assim não pode ser; tufonista diz que vai averiguar, averigua, e informa que contrato não existe, foi dada baixa em 2021, «por quem, por mim não foi», e não sabe mais nada, diz que vai averiguar de novo, que aqui já será código para «falar com um superior», até porque já tinha aberto no computas a Lei dos Serviços Essenciais e explicado que o que estavam a fazer era ilícito e taletal, depois de uns minutos a averiguar e eu em espera, mate diz no móvel que «olha, a tipa está a ir-se embora», e no mesmo momento a tufonista diz que assunto vai ser regularizado e em dezembro me enviarão fatura [esqueci de dizer, mas antes do bloqueio físico a outra funcionária, que aliás recusou mostrar identificação que provasse trabalhar para a epal, teve acesso ao nosso contador, porque me mate achou por bem mostrar que não tínhamos uma puxada macaca, era contador legítimo e a funcionar, e brabuleta tirou a contagem.]
E pronto. Não ganhámos para o susto, juro que ia tendo um meltdown. Entretanto fiz busca na pasta «facturas electrónicas» do gmail e, de facto, não tinha facturas posteriores a 2021. Mas não sou eu que tenho a obrigação de as emitir, né. E esta está emitida de uma forma que não cumpre a lei: enuncia consumos (estimados? calculados em média?) e valores por períodos anuais e semestrais. Um total escandaloso, que me querem cobrar de uma só vez. Já enviei mail (e seguirá carta registada com AR) a exigir discriminação de valores mensais, e a invocar a prescrição de valores com mais de seis meses. É a lei, madafâquer.
Ainda tenho de pensar se cancelo o débito directo na véspera, se não me derem resposta, ou deixo ir e depois reclamo a devolução. Tenho receio de, não pagando - mesmo tendo prova de que invoquei a prescrição e ofereci pagamento de seis meses - voltem a tentar o corte.
*preciosismo de jurista, mas vamos exterminar o «rescindir». os contratos findam por denúncia ou por resolução**, neste caso terá sido uma denúncia, i.e., «então bom dia, já não quero os vossos serviços a partir de tantos do tal, fazer o favor de desligar, agradecido».
**podem findar por outros meios, mas não me pagam para dar aulas de introdução ao direito.
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