quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Pequena interrupção na vida actual*

Para vir dizer, a quem ainda não saiba (espero que entre zero e nenhuma pessoas), que Wuthering Heights não é uma história de amor. Dê-se as voltas que se der, lamento. 

Até compreendo que a realizadora da última bostice "baseada em" que deu à costa se tenha justificado (desculpado?) com o facto de querer transmitir o que sentiu quando leu o livro com 14 anos. É natural, aos 14 anos (ainda) não sabemos nada, e temos o disco rígido todo formatado para aceitar o pior dos piores, no que diz respeito a relações, porque, e muitas aspas nisto "uma boa mulher muda o pior dos homens", (vide A Bela e o Monstro). Não muda. 

E, no caso, nem Heathcliff nem Catherine querem mudar. São pessoas muito mal formadas, que vivem um episódio de cio / obsessão / domínio / poder que não é normal, potenciado pelo isolamento, negligência e abandono, falta de role models positivos e, principalmente, preconceitos de classe e de raça. Porque, newsflash, Heathcliff não é branco. Não se deduz, está lá escrito. Um dia talvez se faça justiça a este elemento essencial da história - não que esteja desejosa de outra adaptação cinematográfica sendo que, até agora, e deste romance, vi nenhuma. E muito menos verei uma em que Catherine é loura e trintona, há limites.

Vi, por curiosidade, alguns vídeos no youtube de pessoal que se dedica a canais sobre livros, a malhar forte e feio no filme, e fiquei surpreendida não com este facto, mas com alguns dizerem que detestaram Wuthering Heights - eram millenials ou z, coincidência?, não sei. Achei, das opiniões formuladas, que levaram o livro muito literalmente, pelo que, claro, acharam as personagens horríveis, o tom tenebroso, etc e tal. Espero estar enganada, mas suspeito que a nuance se perdeu a partir da geração X. A nuance e a estética gótica, lagriminha. 

Bom, fica a dica da semana, e aproveito ainda para juntar que Jane Eyre também não é uma história de amor, e Rochester é um homem asqueroso, um pulha nojento, e não valia a pena terem escrito Wide Sargasso Sea para perceber; aliás, para livro pucarrucho custou-me horrores a acabar, maçou-me imenso. Mas o livro é melhor que Villete. Muito à frente é The Tennant of Wildfell Hall, e pronto, já dei a volta a todos os que li das manas Brontë, aconselho todos, até os que não li, mais uma lagriminha.

(E Better Man não é uma canção de amor, juro que termino aqui.)


*que tem sido feita de stress e depressão sazonal