Uma pessoa percebe que o casaquinho deve ser upa-upa gostoso quando se dá conta que, apesar de todos os seis meses gastar umas boas coroas a renovar as pendurezas anti-bicheza, o maldito está todo traçado.
Que desgosto. E se ainda ao menos houvesse costureiras daquelas que sabem virar casacos, mas nem isso.
(vou virar-me para as parkas em poliéster e penas, ó, ó)
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Micro Machinhos
Já lá vão mais de uma vintena (não vou contar para não deprimir) de anos de volante, devidamente encartada, e já perdi a conta a sermões, interpelações, e outros ões oferecidos por senhores condutores: ou me mandam tirar a carta (lamento, já tenho; nunca tive muita queda para fora-da-lei), ou perguntam onde a tirei (eh pá, nem sei se ainda existe, e também não recomendava); piretes (dois, que destes guardo perfeita recordação: um taxista e um sôtor com a respectiva no banco do pendura); e, o top dos tops, mandaram-me para casa coser meias. Nunca veio à baila a dita carta ter-me saído por sorteio ou na farinha amparo, e tenho pena, que os clássicos não deviam morrer.
Não sou imune a auto-asneirada, também as faço. Por norma (isto é, se der tempo) peço desculpa, faço aquele ar encavado de "ai, já fiz merda", acompanhado da mãozinha direita levantada. Por casualidade, as três últimas interpelações (e, já agora, todas as que resultaram em sermão) vieram de quem, na situação concreta, estava a fazer merda. E da boa, do tipo, basta ter levemente presentes regras básicas para lá chegar.
Então porque fui eu o alvo de mimos como "vai estudar o código da estrada" (vindo de um ciclista que circulava num passeio sem ciclovia, e resolveu atravessar numa passadeira sem passagem de ciclistas assinalada, depois de levar uma valente buizinadela); ou "quando tirou a carta não lhe ensinaram a marcha atrás?" (de um sujeito que circulava na via obstruída mas achava que eu, já encostada ao lancil do lado direito, é que tinha de lhe fazer o jeitinho). Excesso de confiança no seu conhecimento de normas estradais? Burrice pura e dura? Má-criação congénita? Ou algo mais? Porque acharão estes exemplares, todos eles do género masculino*, que num país em que as raparigas e mulheres os ultrapassam à vontadinha nas pautas escolares; que já são uma confortável e em tantos casos larga maioria nas universidades; que já dão cartas em áreas de trabalho onde há uns tempos nem pensavam e muito menos sonhavam aceder; porque presumem eles que numa situação concreta o conhecimento e a identificação da norma a aplicar, bem como a correcta interpretação da mesma, é a deles? Juro que isto me deixa perplexa. Estatisticamente, ao menos, não.
Mas pronto, é o que é. Ou uma pessoa desenvolve uma elevada resistência à frustração, ou começa a andar com um taco de baseball no carro. Daqueles de alumínio.
*claro que há condutoras ineptas, mas esta aqui nunca teve o desprazer de ser descomposta por uma, e muito menos nos termos descritos. lá ficarão a refilar dentro do seu habitáculo, mas a retinta lata de abordar a contraparte, nunca me aconteceu.
Não sou imune a auto-asneirada, também as faço. Por norma (isto é, se der tempo) peço desculpa, faço aquele ar encavado de "ai, já fiz merda", acompanhado da mãozinha direita levantada. Por casualidade, as três últimas interpelações (e, já agora, todas as que resultaram em sermão) vieram de quem, na situação concreta, estava a fazer merda. E da boa, do tipo, basta ter levemente presentes regras básicas para lá chegar.
Então porque fui eu o alvo de mimos como "vai estudar o código da estrada" (vindo de um ciclista que circulava num passeio sem ciclovia, e resolveu atravessar numa passadeira sem passagem de ciclistas assinalada, depois de levar uma valente buizinadela); ou "quando tirou a carta não lhe ensinaram a marcha atrás?" (de um sujeito que circulava na via obstruída mas achava que eu, já encostada ao lancil do lado direito, é que tinha de lhe fazer o jeitinho). Excesso de confiança no seu conhecimento de normas estradais? Burrice pura e dura? Má-criação congénita? Ou algo mais? Porque acharão estes exemplares, todos eles do género masculino*, que num país em que as raparigas e mulheres os ultrapassam à vontadinha nas pautas escolares; que já são uma confortável e em tantos casos larga maioria nas universidades; que já dão cartas em áreas de trabalho onde há uns tempos nem pensavam e muito menos sonhavam aceder; porque presumem eles que numa situação concreta o conhecimento e a identificação da norma a aplicar, bem como a correcta interpretação da mesma, é a deles? Juro que isto me deixa perplexa. Estatisticamente, ao menos, não.
Mas pronto, é o que é. Ou uma pessoa desenvolve uma elevada resistência à frustração, ou começa a andar com um taco de baseball no carro. Daqueles de alumínio.
*claro que há condutoras ineptas, mas esta aqui nunca teve o desprazer de ser descomposta por uma, e muito menos nos termos descritos. lá ficarão a refilar dentro do seu habitáculo, mas a retinta lata de abordar a contraparte, nunca me aconteceu.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
[até me esqueci de dar um título a isto]
Ah, as pausas.
No trabalho, quero eu dizer. Todos precisam; diz que é higiénico, há quem
defenda que retempera e faz recuperar a capacidade produtiva, e depois há os realistas
como eu, que as aproveitam para reflectir no horror existencial que é esta rat
race, a escravatura do ordenado, e no tanto – ou nada – a que nos poderíamos
dedicar não fosse haver continhas para pagar. Ah, a chafurdice em
auto-comiseração – quem nunca?
Mais saudável
que o cigarrinho é um hábito de pausa que adquiri. Ou daí não, porque poderá
advogar-se tratar-se de uma prática um nadica obsessiva-compulsiva. Mas
adiante: passear naquele site de venda de cenas, que começa por “O” (não faço
pub, que não me pagam para isso). Assim a título de exemplo, podemos escolher
pesquisar imóveis em Lisboa, e rir muito quando nos pedem 450 mil batatas por um apartamento com quarenta anos e que se viu uma camadinha de tinta desde que foi construído é já ser
optimista. Ou então, ruma-se aos móveis, escreve-se como critério de busca “vintage”,
e depois gargalhamos à parva quando se constata que, nos tempos que correm, há
quem tenha um conceito tão lato da palavra que até inclui na categoria uma bola
de cotão com mais de cinco anos. Enfim, um fartote.
No entretanto,
e como ainda não perdi a esperança de arranjar uma coffe table mêmo, mêmo gira,
ainda que a precisar de uma mãozinha, esta é uma das minhas opções. Já tropecei
em coisas inacreditáveis, como gente a tentar despachar coisas do Ikea a preço
de custo (ou mais), ou foleiradas que nem dadas, mas esta minha última
descoberta, oh pá.
Vede, vede:
A descrição
que acompanha o anúncio:
“Mesa de
centro com Mosaico de Azulejos Centenários (mosaico abstrato de Azulejos
clássicos, branco e azul cobalto). A estrutura da mesa é em Madeira de
Carvalho. Peça única (exclusiva), de autor.”
Tradução:
Por “azulejos
centenários” entenda-se cacos dos ditos, ou apanhados numa demolição (opção
optimista), ou deliberadamente partidos a partir da peça gamada / comprada a
quem gamou ou receptou. “Peça única” porque, r’almente, quem se lembrava disto.
“De autor”, sim, alguém é autor do crime, embora não digam quem. Pelo preço
proposto, fica a suspeita, a insinuação, a esperança que se trate de artista
consagrado, quiçá um Pomar, talvez um Cargaleiro, poderei sonhar uma Vieira da
Silva, ou mesmo um… Gaudi? Que por acaso até é um sujeito que se lembrou disto.
O preço? Oh,
uma pechincha. Só 720 biscas. Isso mesmo: setecentos e vinte. Sete nas
centenas, dois nas dezenas. Sete, dois, zero.
Fica à
consideração do amável leitor, que eu passo. Mas só porque as medidas não me
satisfazem, só por isso.
Corram, corram que ainda a apanham!
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Ai não, que não me pirava
Nota prévia: não aprecio filmes de terror. Mentira, a verdade é que detesto. Sangue e tripas, pá, não. Se quiser uma emoção valente, vou ao site das finanças ver quanto me retêm em impostos por ano. Se, além disso, quiser ficar enojada, com o estômago colado, e um fastio de quinze dias, é ler a revista da amnistia.
Portanto, não, não gosto, não aprecio, dispenso. Ainda assim, se for um terror levezinho, do tipo "susto", ainda me levam. Claro que corro o risco de não dormir uma semana, andar a gritar por dentro, e a dar pulos de metro a qualquer ruído, mas quem me manda ser caguinchas. Mas sou uma pessoa tão curiosa, diabos me carreguem.
Donde, com a promessa de ausência de sangue e tripas, puseram-me a ver isto:
Oh. Meu. Deus. Em quem não acredito, já agora.
Ainda não viram? E estão à espera do quê, exactamente?
Não vou estar aqui a mandar toques e elaborar opiniões sobre o filme, que ainda me sai um spoiler maior e mais feio que a Sé de Braga (é quase impossível não spoilar). Mas caraças, que belo, bom, sumarento filme. Ele há cagaço? Há, sim senhora, e do bom. Ele há uma inquietação muito, muito visceral, ali dos dez minutos ao fim? Ui. E eu já conhecia o twist (me mate tem uma espécie de incontinência verbal que eu às vezes estimulo), que faria se não soubesse.
Uma maravilha.
Portanto, não, não gosto, não aprecio, dispenso. Ainda assim, se for um terror levezinho, do tipo "susto", ainda me levam. Claro que corro o risco de não dormir uma semana, andar a gritar por dentro, e a dar pulos de metro a qualquer ruído, mas quem me manda ser caguinchas. Mas sou uma pessoa tão curiosa, diabos me carreguem.
Donde, com a promessa de ausência de sangue e tripas, puseram-me a ver isto:
Oh. Meu. Deus. Em quem não acredito, já agora.
Ainda não viram? E estão à espera do quê, exactamente?
Não vou estar aqui a mandar toques e elaborar opiniões sobre o filme, que ainda me sai um spoiler maior e mais feio que a Sé de Braga (é quase impossível não spoilar). Mas caraças, que belo, bom, sumarento filme. Ele há cagaço? Há, sim senhora, e do bom. Ele há uma inquietação muito, muito visceral, ali dos dez minutos ao fim? Ui. E eu já conhecia o twist (me mate tem uma espécie de incontinência verbal que eu às vezes estimulo), que faria se não soubesse.
Uma maravilha.
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Como perder 1h57m de vida
É verem isto:
Havia tanto para dizer sobre este filme. Desnecessário, redundante, inútil, são algumas das coisas que me ocorrem. A menos que se seja uma daquelas pessoas que tem absoluta necessidade de saber o que vai acontecer a seguir, ou dali a vint'anos, né. Dispenso: não vou a sequelas, e por norma não o lamento. Não confundir com trilogias ou coisas do género, histórias em que faz sentido haver seguimento. Mas, por exemplo, Matrix 2? E 3? Para quê, perguntei-me eu na altura, e pronto, nunca vi. Diz que fiz bem. Anyhoo, se também se for uma pessoa muito nostálgica, daquelas que lacrimejam ao ver um daqueles brinquedos foleiríssimos e provavelmente perigosíssimos (cheios de arestas em lata - tétano! - e, capaz de apostar, tinta de chumbo) com que se passava os tempos livres ali nas décadas de 70/80 do século passado, também podem ver. Aaaah, que bonito, os fléch-béques de uns forty-something sobre os bons velhos tempos de camaradagem, em que eram uns agarrados, gatunos, por aí fora.
Pá. A sério. Maldita seja a minha curiosidade.
Havia tanto para dizer sobre este filme. Desnecessário, redundante, inútil, são algumas das coisas que me ocorrem. A menos que se seja uma daquelas pessoas que tem absoluta necessidade de saber o que vai acontecer a seguir, ou dali a vint'anos, né. Dispenso: não vou a sequelas, e por norma não o lamento. Não confundir com trilogias ou coisas do género, histórias em que faz sentido haver seguimento. Mas, por exemplo, Matrix 2? E 3? Para quê, perguntei-me eu na altura, e pronto, nunca vi. Diz que fiz bem. Anyhoo, se também se for uma pessoa muito nostálgica, daquelas que lacrimejam ao ver um daqueles brinquedos foleiríssimos e provavelmente perigosíssimos (cheios de arestas em lata - tétano! - e, capaz de apostar, tinta de chumbo) com que se passava os tempos livres ali nas décadas de 70/80 do século passado, também podem ver. Aaaah, que bonito, os fléch-béques de uns forty-something sobre os bons velhos tempos de camaradagem, em que eram uns agarrados, gatunos, por aí fora.
Pá. A sério. Maldita seja a minha curiosidade.
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Resumo de uma semana*
*e ainda hoje é quinta.
Tanto barro, tão pouca parede.
(até me daria para rir, não se dando o caso de a parede ser eu)
Tanto barro, tão pouca parede.
(até me daria para rir, não se dando o caso de a parede ser eu)
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
Porque sou uma pessoa insistentemente positiva, que persiste em trilhar os caminhos da felicidade diária e em manifestar sincera gratidão por cada nova alvorada
Onde alguns diriam "que chatice [ou pior, um palavrão! daqueles gordalhufos! e cabeludos!] a máquina da louça avariou";
A Izzie borboletas coloridas a avoar, zen e florinhas diz:
"Ena, um lago interior, isto dá imenso cachet à casa!";
ou
"Uau, que bela oportunidade para um exercício de braços-pernas e agachamentos pós jantar!"
ou
"Ufa, ao menos a iauga não chegou ao corredor, onde decerto me estragaria o soalho! Grata, universo!"
ou
"Ui, que bom, de volta à simplicidade da vida, sem téquenologias massificadoras, barriga encostada ao lava louça, comunhão mágica entre mãos e binómio água quente - detergente!"
ou
"Obrigada, maquineta, por nos teres servido tão fielmente e sem percalços estes quinze anos! Respeito pelo teu leal e gostoso labor!".
Sinto-me tão mindful e assim e coise.
A Izzie borboletas coloridas a avoar, zen e florinhas diz:
"Ena, um lago interior, isto dá imenso cachet à casa!";
ou
"Uau, que bela oportunidade para um exercício de braços-pernas e agachamentos pós jantar!"
ou
"Ufa, ao menos a iauga não chegou ao corredor, onde decerto me estragaria o soalho! Grata, universo!"
ou
"Ui, que bom, de volta à simplicidade da vida, sem téquenologias massificadoras, barriga encostada ao lava louça, comunhão mágica entre mãos e binómio água quente - detergente!"
ou
"Obrigada, maquineta, por nos teres servido tão fielmente e sem percalços estes quinze anos! Respeito pelo teu leal e gostoso labor!".
Sinto-me tão mindful e assim e coise.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Tudo na mesma, como a lesma
Nem uma semana de ano novo, e temos dois líderes mundiais com poder de disposição sobre armas de destruição maciça engajados numa guerra de pilas.
[não que tivesse grande esperança na humanidade, desde aquele dia em que tive de contornar um carro estacionado em terceira fila na Paiva Couceiro, mas ainda assim]
[não que tivesse grande esperança na humanidade, desde aquele dia em que tive de contornar um carro estacionado em terceira fila na Paiva Couceiro, mas ainda assim]
sábado, 30 de dezembro de 2017
I'm a constant fucking delight
Deu-me a coragem, mergulhei na piscina dos crescidos, e parece que ainda sei nadar - umas vezes com mais estilo, outras à cão, mas respira-se e avança-se, ainda à tona. O síndrome do impostor continua a zunir aos meus ouvidos, a meretriz da ansiedade tem dado ares da sua graça, não tenho tempo para nada e adio tudo, mas voltei a estudar, a aprender, e a sentir as rodas dentadas do cérebro a funcionar - com muita guincharia, mas valha-me o DW40, bof.
Rendi-me à evidência e comprei óculos de ver ao perto. É só uma dioptria mas incomoda muito, e avacalhou completamente os meus hábitos de leitura. Nem falando na eventual e necessária costura, ou o crochet e tricot, que estão em pausa. Ainda não me conformei, é das poucas inevitabilidades da idade que me custa.
Li algures que cada português consome anualmente, em média, dois quilos de chocolate. Fiz contas por alto e deu-me uma pena imensa dos outros portugueses que não sabem o que andam a perder.
Continuo a receber e a comprar mais livros que os que consigo ler, e isso angustia-me muito.
Já não tenho paciência para lojas e compras.
Levei uma estocada que não me matou mas moeu muito, vinda de quem nunca o esperaria. A pessoa foi à vida dela, eu também, e um bocadinho mais triste por ver a minha misantropia confirmada, embora espere sempre que a realidade ma desminta.
De qualquer forma, tenho mais sorte que juízo nas pessoas que me calharam como companheiros de estrada no trabalho.
Ainda me surpreendo e comovo muito quando calha alguém me manifestar carinho e me verbalizar consideração - e acho sempre que estão a exagerar.
Persistem o peso e as sequelas de um grande choque e uma monumental decisão, que não me arrependo de ter tomado.
Acredito que o amor salva e muda, ao menos o nosso mundo, ou a forma como o vemos e entendemos. E isso já é tanto.
Continuo a recusar ceder à facilidade do ódio, a sucumbir à ignorância das avaliações superficiais e fáceis: se acho algo errado, antes da pura rejeição informo-me e educo-me. Muitas vezes é doloroso abrir a mente a realidades que nos são estranhas, por implicar o reconhecimento de que estávamos errados, mas é muito libertador.
Adoptamos três gatos, e ainda não nos arrependemos - apesar de não passar um dia em que não me apeteça estrangular o mai'novo. Eles dão e ensinam muito mais do que vale o abrigo e paparoca que proporcionamos.
Insisto em reciclar furiosamente, e mordo a língua cada vez que pessoas, muitas vezes com filhos que vão herdar esta monumental lixeira, acham imeeeeensa piada a esta militância.
Ainda não foi este ano que aderi ou me filiei em algum partido, clube desportivo, congregação, movimento, religião, ou sequer um ginásio. Live free or die trying.
Vi muitos, muitos filmes, a maior parte dos quais bons ou excelentes - maldita seja a curiosidade, o tempo que perdi com o Batman vs. Superman já ninguém mo devolve. Nunca me apeteceu escrever sobre eles, embora ache eu muitas pessoas nesta blogolândia devessem ser obrigadas a assistir a alguns.
Arranjei coragem e prometi-me a assinar o Netflix - adeus mundo, não contem comigo para mais nada - além do trabalho, claro, porque
Ainda não ganhei o Euromilhões e acho mal, que tinha planos fantásticos para a guita, e nenhum deles passava pela aquisição de um bólide amarelo canário.
Tenho pena de ver e estar menos com algumas pessoas que estimo muito, e tenho medo de não lhos dizer directamente tanto quanto devia.
Sinto um vazio enorme na "minha" blogosfera, com a ausência de alguns espaços que sentia tão meus - a vida, essa grande cabra, levou as pessoas para melhores entreténs e outras paragens, onde também tenho a sorte de as acompanhar, mas esta nostalgia ficará sempre.
Continuo a alternar uma alimentação de sopas e saladas com os maiores enfardanços de calorias vazias, mas curiosamente parece que mantenho o mesmo tamanho - para alguma coisa servirá o stress.
Aboli o objecto balança, e vivo melhor - e menos obcecada - assim.
E continuo a achar que podia ser bem mais feliz a viver da jardinagem e bricolage, mas diz que paga muito mal.
(O ano que vem? Bom, a ver vamos, venha de lá isso.)
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
sábado, 23 de dezembro de 2017
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
The Omen
Dado que o meu carro atingiu hoje - e ultrapassou - a marca dos 66666 quilómetros, achei que se calhar já dizia qualquer coisa (não necessariamente maléfica, embora até me apeteça). Ah, e que tem uma coisa a ver com a outra? Nada, acho eu. Cada um vê sinais onde lhe apetece: uma luz a atravessar neblina e a dar ideia de uma forma humana feérica em cima de uma azinheira, uma gaivota na cabeça do Marquês de Pombal, um 66666 no tablier, você decide, e as duas últimas vão aos lugares cimeiros do meu top, a primeira nem por isso. E é assim, hoje temos este pretexto, é agarrá-lo.
Então desenferrujando e desbloqueando conversa, que não se me ocorre mainada, outro dia me mate dava-me nota que lá num grupo a que pertence no tuíta, de aficionados de filmes de terror, se discutia se o Die Hard era um filme de Natal ou não, e eu duh, qual a dúvida, ho, ho, ho, motherfucker.
Vai daí, e sugestões de filmes natalícios? Vá, eu começo (a ordem é aleatória e não de preferência):
Die Hard (pá. é um filme de Natal);
Nightmare Before Christmas (um clássico, já);
A Vida de Brian (oras, outro clássico).
Upa. Upa daí a mandar bitaites.
Então desenferrujando e desbloqueando conversa, que não se me ocorre mainada, outro dia me mate dava-me nota que lá num grupo a que pertence no tuíta, de aficionados de filmes de terror, se discutia se o Die Hard era um filme de Natal ou não, e eu duh, qual a dúvida, ho, ho, ho, motherfucker.
Vai daí, e sugestões de filmes natalícios? Vá, eu começo (a ordem é aleatória e não de preferência):
Die Hard (pá. é um filme de Natal);
Nightmare Before Christmas (um clássico, já);
A Vida de Brian (oras, outro clássico).
Upa. Upa daí a mandar bitaites.
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
The Cat Diaries (11)
Muito telegraficamente, Mad (indeed!) Max descobriu todo o potencial lúdico de um rolo de papel higiénico (abocanha! esgatanha! olha, ele rola! weeee, papel fofo para esgadanhar! restinhos de papel fofo pela casa! weeee!), donde, ou vem aí giveaway ou temos coelho à caçador no almoço de domingo.
(nah, porta fechada, s-e-m-p-r-e)
Entrementes, Senhor Fox Mulder conseguiu uma fuga digna de Houdini e partiu à descoberta dos mistérios dos quintais e logradouros, onde também teve decerto a oportunidade de travar conhecimento com a muita descendência do seu paizinho, um senhor vadiola que por aqui andou a espalhar genes até alguém o conseguir apanhar e por fim definitivo a tal vocação reprodutora. Foram dois dias e duas noites de desassossego, até que voltou todo esguedelhado, esfomeado e esfalfado (passou um dia inteiro a dormir). Passou-se (duas vezes!) enquanto ainda havia algum calor; entretanto chegou o fresquinho e parece que já percebeu que ir à varanda apanhar ar, sim senhor, mas quentinho debaixo de telha é que é. Foi por isso e por os roomates humanos terem perdido a ingenuidade, barricando melhor a dita varanda, não sem que, ainda numa fase intermédia da fortificação, sua excelência tenha tentado uma nova fuga pela beira de um varandim de 1,5 cm, com resultados hilariantes.
Enfim, procuro cardiologista competente para guardar contacto na agenda, só naquela.
Gajos, pá. O cromossoma Y deve vir carregadinho de genes de parvoíce, só pode. Sim, que menina Scully, essa, além de ralhar com toda a gente mas principalmente com manos felinos, e cheia de razão, é um pilar de juízo, fofice e sensatez. Sai à humanamãe. Haja alguém.
(nah, porta fechada, s-e-m-p-r-e)
Entrementes, Senhor Fox Mulder conseguiu uma fuga digna de Houdini e partiu à descoberta dos mistérios dos quintais e logradouros, onde também teve decerto a oportunidade de travar conhecimento com a muita descendência do seu paizinho, um senhor vadiola que por aqui andou a espalhar genes até alguém o conseguir apanhar e por fim definitivo a tal vocação reprodutora. Foram dois dias e duas noites de desassossego, até que voltou todo esguedelhado, esfomeado e esfalfado (passou um dia inteiro a dormir). Passou-se (duas vezes!) enquanto ainda havia algum calor; entretanto chegou o fresquinho e parece que já percebeu que ir à varanda apanhar ar, sim senhor, mas quentinho debaixo de telha é que é. Foi por isso e por os roomates humanos terem perdido a ingenuidade, barricando melhor a dita varanda, não sem que, ainda numa fase intermédia da fortificação, sua excelência tenha tentado uma nova fuga pela beira de um varandim de 1,5 cm, com resultados hilariantes.
Enfim, procuro cardiologista competente para guardar contacto na agenda, só naquela.
Gajos, pá. O cromossoma Y deve vir carregadinho de genes de parvoíce, só pode. Sim, que menina Scully, essa, além de ralhar com toda a gente mas principalmente com manos felinos, e cheia de razão, é um pilar de juízo, fofice e sensatez. Sai à humanamãe. Haja alguém.
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
[ ]
[existe uma séria possibilidade de eu não ter existência para além de trabalho-casa-trabalho. prometo debruçar-me sobre o assunto, quando tiver vagar.]
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Tudo isto é triste, tudo isto é fado
- Obras um ano depois das obras, para a) eliminar defeitos das primeiras obras; b) eliminar danos de uma infiltração cujo responsável levou um ano (um ano!) a reparar; c) acabar as obras.
- Derivado de supra, duas pessoas sem duche são obrigadas a exílio para aliás aprazível localidade, mas a uma hora mais longe que lar, doce lar.
- Duas pessoas a acordar às cinco e picos há uma semana.
- Duas pessoas confrontadas com o facto de que a infiltração causou mais danos que o que se podia adivinhar, e o que se podia adivinhar já era mauzinho suficiente, obrigadinha por nada.
- Três gatos que não percebem um cu do que se passa, sendo que um deles se sente bastante surpreendido por também ter sido desterrado e viver aos meios dias sem a companhia a que já se tinha habituado, e os outros dois não entendem a injustiça de terem de viver meio dia confinados a uma divisão que já foi uma sala, e agora é um gatil.
- Um dos dois supra mencionados gatos que entrou em pânico e se pirou, numa manobra de escapismo e equilibrismo digna de Houdini, e andou a monte dois dias seguidos, em triste exílio pelos quintais e logradouros, voltando apenas para comer e beber o que as duas pessoas lhe deixavam, até ao dia em que se dignou a voltar a entrar e ficar, finalmente, retido debaixo de telha.
- Uma pessoa extremamente engripada (não sou eu, felizmente, alguém tem de comandar as tropas e, como sempre, calha à gentil espoNZa e mânhi).
- Uma companhia de seguros que não sabe / não responde, e nem adivinha o que lhe vai acontecer se continua nestes modos, um ano nisto e uma pessoa manda às malvas o seu já parco espírito conciliador.
- Uma pessoa trabalha e dorme, vai comendo - e mal - nos intervalos, já pondera converter-se a qualquer coisa cuja divindade lhe assegure que este ordálio acaba mesmo na próxima semana, e ao menos já conseguiu lembrar-se / arranjar cinco minutos para ligar ao cabeleireiro, ao menos amanhã acaba esta triste miséria de quase centímetro e meio de grisalhos.
E é isto.
- Derivado de supra, duas pessoas sem duche são obrigadas a exílio para aliás aprazível localidade, mas a uma hora mais longe que lar, doce lar.
- Duas pessoas a acordar às cinco e picos há uma semana.
- Duas pessoas confrontadas com o facto de que a infiltração causou mais danos que o que se podia adivinhar, e o que se podia adivinhar já era mauzinho suficiente, obrigadinha por nada.
- Três gatos que não percebem um cu do que se passa, sendo que um deles se sente bastante surpreendido por também ter sido desterrado e viver aos meios dias sem a companhia a que já se tinha habituado, e os outros dois não entendem a injustiça de terem de viver meio dia confinados a uma divisão que já foi uma sala, e agora é um gatil.
- Um dos dois supra mencionados gatos que entrou em pânico e se pirou, numa manobra de escapismo e equilibrismo digna de Houdini, e andou a monte dois dias seguidos, em triste exílio pelos quintais e logradouros, voltando apenas para comer e beber o que as duas pessoas lhe deixavam, até ao dia em que se dignou a voltar a entrar e ficar, finalmente, retido debaixo de telha.
- Uma pessoa extremamente engripada (não sou eu, felizmente, alguém tem de comandar as tropas e, como sempre, calha à gentil espoNZa e mânhi).
- Uma companhia de seguros que não sabe / não responde, e nem adivinha o que lhe vai acontecer se continua nestes modos, um ano nisto e uma pessoa manda às malvas o seu já parco espírito conciliador.
- Uma pessoa trabalha e dorme, vai comendo - e mal - nos intervalos, já pondera converter-se a qualquer coisa cuja divindade lhe assegure que este ordálio acaba mesmo na próxima semana, e ao menos já conseguiu lembrar-se / arranjar cinco minutos para ligar ao cabeleireiro, ao menos amanhã acaba esta triste miséria de quase centímetro e meio de grisalhos.
E é isto.
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
Alistem-se, diziam eles
Ando aqui a magicar como é que vou conseguir enfiar, nesta semana, mais um dia de trabalho útil, para além do resto dos dias e horas de (muito) trabalho útil já prestados, e que têm sido muito úteis no sentido de apresentar trabalho, mas não úteis o suficiente, considerando ainda que tenho precisado mesmo, e muito, dos dias inúteis, designadamente para a) dormir; b) cenas; c) tentar curar, em regime intensivo, a bruta constipação que me caiu em cima - sem efeito útil, diga-se.
Em cima disso, e porque já não me falta sarna para me coçar, avizinham-se obras, com inerentes quinze dias de desterro e uma logística complicadíssima em termos de acompanhamento felino / acompanhamento de obra / o tal do trabalho, ou lá o que é, que não cabe nos dias e horas úteis de que disponho (e estico) actualmente, quanto mais.
Nos entretantos, porque nada ajuda mais à boa disposição já reinante que uma fantástica obsessão, ando loucamente encasquetada na missão de descobrir qual a graça de determinada espécie de ave que, na mesma semana, me apareceu perto do trabalho, e um outro exemplar (presumo) igualinho que ouvi e consegui ver nas minhas traseiras.
Maneiras que nas minhas voltas de sábado, e antes de uma visita de estudo à almedina, me enfiei na bertrand e trouxe de lá isto:
Ainda não descobri que raios se chama o p'ssareco.
Estou naturalmente abalada dos nervos.
Em cima disso, e porque já não me falta sarna para me coçar, avizinham-se obras, com inerentes quinze dias de desterro e uma logística complicadíssima em termos de acompanhamento felino / acompanhamento de obra / o tal do trabalho, ou lá o que é, que não cabe nos dias e horas úteis de que disponho (e estico) actualmente, quanto mais.
Nos entretantos, porque nada ajuda mais à boa disposição já reinante que uma fantástica obsessão, ando loucamente encasquetada na missão de descobrir qual a graça de determinada espécie de ave que, na mesma semana, me apareceu perto do trabalho, e um outro exemplar (presumo) igualinho que ouvi e consegui ver nas minhas traseiras.
Maneiras que nas minhas voltas de sábado, e antes de uma visita de estudo à almedina, me enfiei na bertrand e trouxe de lá isto:
Ainda não descobri que raios se chama o p'ssareco.
Estou naturalmente abalada dos nervos.
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Ól iu nide
[e agora, fotos de gatos fofinhos, que é para isso que se inventou a internet]
[que para gente doida, odienta, a espumar da boca com tanta razão que tem, já tenho muito com que me entreter, e ao menos pagam-me]
[que para gente doida, odienta, a espumar da boca com tanta razão que tem, já tenho muito com que me entreter, e ao menos pagam-me]
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Enjoy the Silence
Manifestação silenciosa? Pois claro que vou, é daqui a dois anos, mais coisa menos coisa, chama-se "eleições".
[tenham paciência, que eu não engulo patranhas nem à esquerda nem à direita. já engoli muitas, mas também fiz os meus mea culpa - é mais do que muitos se podem gabar. já agora, se é para manifestar, há que vocalizar, faz parte do étimo. se levam velas, ficam todos plantados no mesmo sítio, e é em silêncio, chama-se "vigília". totalmente diferente, tanto em significado como em finalidade.]
[tenham paciência, que eu não engulo patranhas nem à esquerda nem à direita. já engoli muitas, mas também fiz os meus mea culpa - é mais do que muitos se podem gabar. já agora, se é para manifestar, há que vocalizar, faz parte do étimo. se levam velas, ficam todos plantados no mesmo sítio, e é em silêncio, chama-se "vigília". totalmente diferente, tanto em significado como em finalidade.]
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
[eu não tenho palavras]
Não sou ministra de porra nenhuma - nem quero ser - mas fosse, e tinha-me demitido no rescaldo de Pedrógão. Durante, não; vagar a cadeira a meio de uma catástrofe criaria um vazio de poder executivo na área em que era essencial que não o houvesse. Mas depois, e ainda antes do primeiro funeral, tau, não falhava. Fiquei genuinamente surpreendida quando a demissão não aconteceu, e não gostei. Não que ache que a ministra tenha alguma responsabilidade directa ou indirecta nos fogos, ou tragédia que sobreveio, mas canudo, é ministra, tem responsabilidade política sobre como se reagiu e geriu a situação. Mesmo que não haja culpa em sentido estrito ou formal, há culpa em sentido político, que é como quem diz, face a um resultado catastrófico, alguém tem de assumir responsabilidade. E quem assume a responsabilidade é, deve ser, sempre, o chefe máximo da tasca.
E depois acontece outra vez. Que sim senhora, pode não ter domínio sobre a ocorrência dos fogos, o clima tem estado impossível, a maioria dos bombeiros - voluntários - já está a trabalhar, este problema não é de hoje ou de há dois, cinco, dez anos, mas domina e/ou tem obrigação de dominar a gestão dos meios, a reacção. Morreu gente, porra. Outra vez. Uma vida perdida já era demais, e aquelas pessoas, as que morreram, ficaram feridas, perderam bens, se viram em situações impossíveis, sós, somos nós. O Estado falhou-lhes. Falhou-nos. O Estado deve-lhes, deve-nos, ainda que tarde, uma reacção, uma assunção de responsabilidade, ainda que esta tenha um efeito meramente paliativo ou simbólico.
Estou à espera. O meu futuro voto vai depender disso, e eu tenho uma memória que, ó.
E depois acontece outra vez. Que sim senhora, pode não ter domínio sobre a ocorrência dos fogos, o clima tem estado impossível, a maioria dos bombeiros - voluntários - já está a trabalhar, este problema não é de hoje ou de há dois, cinco, dez anos, mas domina e/ou tem obrigação de dominar a gestão dos meios, a reacção. Morreu gente, porra. Outra vez. Uma vida perdida já era demais, e aquelas pessoas, as que morreram, ficaram feridas, perderam bens, se viram em situações impossíveis, sós, somos nós. O Estado falhou-lhes. Falhou-nos. O Estado deve-lhes, deve-nos, ainda que tarde, uma reacção, uma assunção de responsabilidade, ainda que esta tenha um efeito meramente paliativo ou simbólico.
Estou à espera. O meu futuro voto vai depender disso, e eu tenho uma memória que, ó.
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