Comecemos bem, com uma imagem completamente clickbait:
Oooooohhh, que fofinho, o 'chaninho a mimir, tan fofinho, qu'inbeija, tens um xuxu tan lindo, êsse tê Maxito é uma coijinha mêmo boa.
Pronto, agora que já passámos as necessárias formalidades iniciais, vamos ao que interessa: o felino que ali vedes posto em sossego, e com um ar de quem não parte um prato, é o legítimo filho de satã, a semente do demo, descendência de belzebu.
Que é muito riquinho quando lhe cai o cansaço, que é; a dormir é uma belezura, em estando acordado é que nem tanto. A bem da verdade, nem sempre, pronto, ele há situações em que estando acordado até pede festas e se estica como um lombinho, a querer mimos e ternuras, mas senhoras e senhores, ó senhoras e senhores, sabedes lá da nossa vida. Desde piquirruchito sempre foi um mordedor implacável, e a gente perdoava, que o bitxo quer brincar e não mede a força, isto há-se passar. Passou um bocadinho, verdade. Principalmente porque há tropelias maléficas mais divertidas, e que entretanto descobriu.
Como saltar para todo o lado, principalmente os lados onde não o queremos, como seja a mesa da cozinha ou bancada da mesma divisão. Em estando em casa e na cozinha, já sabemos que temos o jogo de pega gatinho / põe gatinho no chão, agora repete mil vezes, até alguém desistir. Como não se sabe o que acontece estando nós fora (a lutar p'la vida), não fica nada "sensível" nos ditos lugares. Ainda assim, ele há um ramo de flores secas que vivia plácida e descansadamente numa jarra na mesa da cozinha, e já não é o mesmo, aparenta ter envelhecido uma década.
Admito, confesso, que não sendo perfeita às vezes faço de conta que não vi certas e determinadas coisas. Pá, ao quadragésimo quinto pega gatinho / põe gatinho no chão um gajo só quer é tomar o pequeno almoço sossegado. Aqui há dias, juro que aconteceu, ouvimos um barulhito a vir do fogão: tau, lá estava ele, o cabra da peste, lambendo a frigideira onde fora confeccionado bife com natas de me mate. Tirou-se gatinho, tirou-se frigideira; nem cinco minutos depois, tau, lá estava ele, lambendo frigideira onde fora confeccionado esparregado de me mate. Ignorámos, afinal são verduras.
Também gosta muito de saltar e enfiar-se no lava loiças, porque anda completamente obcecado com água da torneira. Um gajo está a lavar qualquer coisa e tau, lá está o emplastro. Um gajo fecha a torneira, tira o emplastro. Aqui há dias, juro que aconteceu, ouvimos um barulhito a vir do lava loiça, e tau, era o carcará sanguinolento a dar dentadinhas no manípulo da torneira. Sim, ele já aprendeu que se mexe no manípulo e tcharan, água. Medo. Já fecho a torneira de segurança antes de sair de casa.
Ahahahahah, que fofinho, são coisas de gatinho bebé!!!
Ah, ainda não chega, é? Ok. Havia de ser convosco, queria ver.
Anteontem me mate vestia-se no quarto, quando ouço um valente berro: a encarnação do mal atirou-se-lhe ao lombo. Verdade, me mate estava a por a gravata; verdade, já tinha sido avisado que gravata = fitinha = logo, brinquedo de Max. Mas notai: o bandoleiro saltou e agarrou-se, à força de unha, à barriga e costas de me mate. E rasgou-lhe a camisa. Vá lá. Foi só a camisa. Sim, que ele saltou, cravou, e começou a descer por mate abaixo.
Outra também muito gira, só que ao contrário, foi o dia em que estava de traseiro confortavelmente alapado, quando ouço um persistente ruído plástico: toc-toc-toc. Abdiquei do meu merecido conforto e lá fui desempenhar o meu papel de educadora atenta e diligente: estava o patife em cima da mesa da cozinha, nariz enfiado na caixa dos treats whiskas. A tampa, perguntais? Pois a tampa, à força de patada, saiu. Voltei a colocar a tampa, e pus a caixa na fruteira. Pois um pouco mais tarde fui dar com a caixinha whiskas no chão. Vazia. Sim, chutou-a, e na queda abriu-se. Tomei nota: ficar pelo catisfactions e seu saquito reforçado com fecho à prova de felidemónio. Ou não. No dia seguinte cheguei a casa e mate tinha uma coisa para me mostrar. Isto:

Iup, fotografei que contado ninguém acredita: o atl diário do pequeno Damien foi este, à força de unhada e dentada rebentou a embalagem. De novo, anotado. Treats todos acondicionados em caixinha plástica com fecho, nada de encaixe, fecho de pressão. Mas ele tentou, que tentou.
E é isto, a nossa vida. Nem falo das noites boas que o pequeno nos dá. Se entende que é hora de desenvolver competências lúdicas, é porque é, cá três ou quatro da manhã. Patadas na cara, dentadas nos pés. Já acordei com o adorável lúcifer deitado na minha cabeça, patitas estendidas ao longo da minha cara. A-do-rá-vel.
Estamos assim, portanto, muito precisados de um exorcista. E já não há páginas amarelas.