Não, não é a iminência dos dias tristes e frios (adoro a meia estação, por mim vivia sempre em primavera e outono), ou o tempo em geral: é o início do ano lectivo, mais concretamente, o universitário, e a inevitabilidade das praxes.
Ó caneco, pá, com franqueza, sinceramente, já não os posso ver. Ou ouvir, que aquilo é gente muito ruidosa.
Ainda há pedaço, vinda de almoço, me cruzei com uma súcia trajada de negro, a escoltar meia dúzia de mascarrados, e o ridículo da coisa é não só o todo, mas principalmente o facto de serem mais os veteranos (ou nem por isso, aposto que aquilo é gente que em Junho acabou o primeiro ano e foi logo encomendar o fatinho) que os praxados. Que figurinhas.
Outro dia, eram ali rés-vés oito da madrugada, e já o jardim do Campo Grande estava pejadinho de bípedes de negro, e tantos outros de t-shirt branca e penico/cone na cabeça. Revirar de olhos. Havia de ser a filha da minha mãe, a levantar de madrugada para estar na cidade àquelas tristes e não ledas horas da madrugada, para tão triste recompensa. Se ao menos houvesse bolo. Mas não; só um mequedonalde, cujo franchisado deve andar a esfregar as mãozinhas de contente, por estes dias. Mais uma hora de almoço, uma passagem no Campo Grande (tenho dado muitas voltas, nestes dias) e verifico que lá continuam, mas ainda mais, vultos de negro: espero que ao menos apanhem o lixo. Deves.
Se ao menos se restringissem àquele espaço, mas não, há que alardear a boçalidade para que qualquer incauto da mesma fique ciente: juro que já vi - e ouvi - bandos de morceguinhos a esvoaçar em locais que nem faço ideia se há uma faculdade a menos de um quilómetro.
Já nem abordando o princípio da coisa (epá, não me façam entrar por aí, que tarda nada a coisa deriva e ainda me chateio mais), isto é de uma tristeza, de uma rafeirice, de uma indigência que não se espera de universitários. E para quê, para integração? Ora, façam festas. Quemer e buer, that's the portuguese way. E, se querem associar uma actividade de alguma dureza e exigência, pois sigam o exemplo do pessoal de medicina veterinária, que foram para a União Zoófila limpar merda, encher comedouros e bebedouros, e, de caminho, dar uma alegria a pessoas e bichos. Isto sim. Lacrimejei. Comovi. Foi bonito saber, pá. Lá a ver.







