Isto de um gajo resolver adoptar três gatos (porque tem muito amorrrr para darrrr) é mais ou menos como se alistar na tropa: uma cabeça cheia de ideais sobre serviço e sonhos de correr mundo, e acabamos a limpar latrinas duas vezes por dia.
A sério. A sério. Muito caga-mija aquela malta. Culpa nossa, que lhes damos de comer. E deles, que se habituaram prontinho a encher o bandulho. Eta sistemas digestivos competentes. Já fizemos o test drive de várias areias aglomerantes, agora iniciámos o de sílica, mas o meu sentido de olfacto continua um nadica insatisfeito. A sílica parece estar a tomar a dianteira, a ver se com uma de marca melhorzinha o nível de satisfação sobe. Também é mais fácil de acartar-arrumar: é que agora a gente gasta às sacas de 14 quilos, compradas aos pares, que é mais barato. Fica a dica para famílias numerosas: os entregadores da tiendanimal não sobem escadas, nem para um primeiro andar. Os da zooplus sim. Três gatos, três WC, é muito quilo.
Passando adiante do aspecto escatológico da coisa, e la nave va. A logística de férias, esse mísero bloco de quinze dias em que nos ausentámos, foi complicadota, dado que dois dos felinos não são transportáveis, mas fez-se. Haja avós e a santinha.
De resto, já estivemos mais longe de ser uma família feliz. Fox Mulder e Dana Scully parecem já se ter conformado com a coabitação humana, e até chegam, em dias bons, a demonstrar curiosidade e afecto. Vá, bonomia.
Não exageremos, pelo menos no caso de Senhor Fox: não gosta de festas nem grande proximidade. Mas já tem uma postura mais confiante e relaxada, e consegue fazer umas sonecas descansadas a metro, metro e meio dos room mates humanos. Considerando o ponto de partida, parece-me muito bem. Também já aprecia o seu snack catisfactions, e o patezinho ocasional; tal como, de quando em vez, nos vem espreitar, a ver o que os estúpidos andam a fazer.
Ms. Dana Scully já avançou de nível, e vocaliza vontadinhas, principalmente com me mate. Gosta de festas na cabeça, atrás das orelhas, no queixinho, mas não lhe toquem no lombo. É uma lambona gulosa que dá gosto, e está a ficar notoriamente redonda. Robusta, vá.
E brincam, brincam muito: entre eles, com bolinhas de papel, folhinhas ou raminhos que caiam na varanda, as canas com penas e cenas que comprámos. A brincadeira favorita continua a ser a "espera" e "perseguição", seguida de enrolanço à bruta, normalmente protagonizada entre Fox e Mad (indeed) Max. Grandes correrias, as destes monstros; nada contra, mas às quinhentas da madrugada lá calha, de quando em vez, acordar uma certa 'ssoa de sono mais leve. Scully, por norma, observa, com aquela cara de "francamente!" ou "são mesmo infantis". Volta e meia Max mete-se com ela, mas por norma é corrido com uma valente e educativa bufarda. Temos senhora.
E o Max? Bom, o Max é um capítulo à parte. Parvo que dói, não tem medo de nada, não tem um nico de noção, acorda feliz por estar vivo e demonstra-o à saciedade. Já consegue saltar do chão para as mesas e bancadas, ou seja, acabou o sossego. Para nós e para a nossa santinha: adora-a, e juro que pensa que vai lá a casa de propósito para brincar com ele (uma esfregona, weee, um pano do pó, weeee, um aspirador, weeeeeeee). Doentiamente curioso, enfia-se em todo o lado, com os resultados hilariantes que se pode esperar. Não sei quantas vezes já lhe prometi o Colégio Militar, ou ser eleito prato principal do almoço de domingo, mas depois faz aquela cara de coisinho, adormece como um anjunho, e uma pessoa derrete-se.
Em resumo, é cansativo sim senhora, uma estafa, sacos de Royal Canin de 15 quilos, latinhas às paletes, e areia às arrobas, mas não trocávamos por nada. Coijas boas do papá-mamã. A sério, são adoráveis. E quando estão a dormir?, uns anjinhos doces. Chubichubichu.





