Começo já este post por mandar um sentido
saravá!, acompanhado de um grito de
abençoadinhas!, a todas as pessoas pais/mães desta vida. Não, não vou por aí. Não. De modo algum venho com uma ladainha de
como vos compreendo, agora eu entendo. Pelo contrário: eu não entendo. Juro. Eu não entendo como conseguem. Sim senhora, são três gatos, três; mas não precisam de banhinho, sopas e papas, roupinha lavada, fralda mudada, colinho até adormecer, pediatra de repente, e tudo o mais que possa estar a esquecer. A comidinha é sempre a mesma, já está pronta e ensacada; vão à casa de banho sozinhos, aqui a camareira limita-se a limpar diariamente (às vezes bidiariamente, sou esquisitinha); não estragam nada (valha-nos isso); dormem mais que nós; e por aí fora. Mas a verdade é que estamos derreados. Não podemos - literalmente - com uma gata pelo rabo.
Por isso, mais uma vez, porque nunca é demais frisar, abençoadinhas ó pessoas procriadoras. Não sei como conseguem.
De resto, e já a roçar os dois meses desta experiência, há a assinalar que Fox Mulder e Scully descobriram a varanda. Finalmente deu-lhes a curiosidade de coscuvilhar o que está além daquela porta a um metro do seu ponto de refúgio, e zás, saíram. Primeiro ele, uns dias depois ela. E foi giro observar, principalmente nela, o ar de deslumbramento e deleite. Parece que saíram de um longo estupor. De manhã e, às vezes, à noite, lá vão cheirar os ares e olhar em redor. Nunca tentaram uma fuga, mas ainda assim mantemos alguma atenção.
Também já se manifestam mais curiosos, e até arriscam aproximar-se das tacinhas quando têm fome, com uns olhinhos entre o
atão?, e
o serviço nesta espelunca é uma miséria. Nem imagino a pontuação que nos atribuiriam, caso existisse um yelp felino, mas suspeito que seria muito má.
E ontem, um avanço surpreendente: sem que tenha saído do seu igloo, menina Scully não só aceitou as festas de me mate, como ofereceu a cabeça (!), a barriga (!!), e ronronou (!!!) - não vi, contaram-me, eu estava noutra divisão a a) fazer companhia e a distrair o Max; b) a tentar que o Max não abrisse a respectiva porta, que por acaso não tem trinco; c) sossegar Max que papá já vinha.
E o bebé, e o Max? Aaahhhh. Nunca nenhum nome foi tão bem atribuído, Mad Max, indeed. Sacana do puto. Raisteparta o bobão. Cruzes, como é fofão.
A caganita de 400 gramas passou a caganita de 510 gramas (pesados ontem, confesso que esperava que já tivesse mais peso); corre como um Usain Bolt; atira-se à comida dos mai'velhos (pá, juro, a gente vai logo tirar, mas como ainda não se engasgou ou percebeu que aquilo é um nível um bocadinho acima do seu tamanho de boca e dentição, jasus); percebeu que cabe debaixo do sommier (Max, Max, onde 'tá o Max, anda cá Max, viste o Max); e dedica-se com afinco à caça de tudo o que mexe e não mexe, como seja a malvada mantinha, a diabólica fitinha, o demoníaco pé, o selvagem chinelo. Também aprecia muito morder a revista/livro, trepar a colcha/calça, e fazer uma muito razoável imitação de papagaio de pirata, isto é, subir até ao nosso ombro e ficar lá a ver as vistas.
E mais, e mais? Ah, temos um paralelo 38 a meio da casa, Max habita agora o seu T1 que é o quarto-escritório; Fox e Scully na circunscrição cozinha-sala-corredor (um T1+1, portanto). Misturas, só na nossa presença, sendo que há a registar alguns incidentes de bufadelas e duas altercações de chapada, mas vamos com calma. Caaaaalma. Caaaalma. Muuuuita caaaalma. E feliway nos valha.
Ó o piqueno Max aqui, num registo de desaceleração do ai que gosto tanto de brincar e fazer coisas para cair redondo onde esteja, em dez segundos:
Bobão. Fofão. Lindão.