quinta-feira, 13 de outubro de 2016

It's allright

E depois vês que um escritor medíocre tuga*, daqueles que não sabe que é medíocre, e até ensina outros a ser tão medíocres como ele, um que nunca entrará nem para a long quanto mais a short list do Nobel, faz pouco da atribuição deste ano, com a piada de que tem os livros todos**.


Querias, pois querias. Mas não há.


*outro lido e doado.
**segui um link plantado noutro mural, olh'aí.

Something is happening here

E eu acho bem, que isto é uma das melhores coisas que já foi escrita, ao contrário de uma cena com um gato preto na capa, que comprei por pura peer pressure de crítica hype, li com muito mal empregue esforço, e despachei num molho para doação a uma biblioteca, que não quero que quem me entre lá em casa e espiolhe as estantes fique com ideias erradas sobre mim*.


*e se aquela estante tem coisas que parecem inexplicáveis, bizarras, incompatíveis por lá plantadas, mas nenhuma que me envergonhe ou não saiba justificar.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

[every woman]



Estive a ver uns pedaços do debate, felizmente com a digestão feita. Estou mais apreensiva que nunca.

Como sou uma naba a copiar imagens, e por mais que tente não consegui chapar aqui alguns dos tweets, remeto para a fonte. Resumem taliqual o mal-estar que senti, e esta imagem supra penso traduzirá. Para tantas.


[Trying to get shit done while a man lurks disapprovingly behind you pretty much sums up womanhood]

[Hillary Clinton is every competent, experienced woman who's had to fight to be heard over an underqualified, overconfident man.]

[Hillary Clinton had the look every woman ever has on her face when her male boss who's a 1000 times dumber than her is talking.]

[Hillary's face right now is every woman when everyday sexism is dismissed as "lockerroom talk"]

[Hillary is proof a woman can work hard, rise to the top of her field & still have to compete against a less qualified man for the same job.]


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Hell is empty and all the devils are here



Ele há séries que começam chochinhas e que só lá a partir do segundo, terceiro episódio ganham balanço, isto se não for já a meio da primeira temporada (tipo Sons of Anarchy*, ainda andaram ali aos papéis um bom tempo, até encontrarem a velocidade e trajecto ideais), mas esta, caraças, já nos deixou a roer unhas e de olhinhos abertos e fixos desde o primeiro.
Tomara não se perca.

*também recomendo

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Obladi, oblada (life - really - goes on)

- Uma mulher, escritora, opta livre e conscientemente por se manter anónima, escolhendo publicar sob pseudónimo. Dá entrevistas por escrito, sem contacto pessoal, nunca revelando a sua identidade; reafirma inúmeras vezes que não se quer dar a conhecer, o importante é a obra e não a pessoa. Depois vem um jornalista que desconsidera tudo isto, arregaça as mangas, e decide investigar quem é a pessoa atrás do pseudónimo. Diz que descobriu, e publica nome e fotografia. Um exemplo [pseudo]literato desta cultura:


Realmente, qué lá isto, uma mulher com vontadinhas próprias, e qual respeito por essa autonomia e tal. Modernices. Ela até gosta.

- Diz que o Cavaco, aquele a quem bastou nascer para ser mais sério ca gente, andou a pagar menos imposto que devia derivado de umas informações erradas às finanças. Não m'acardito. Impossível. E também nunca teve interesses no BPN. Lá agora.

- Falando em fuga aos impostos, este fim-de-semana apostava eu perante me mate que a situação fiscal do Trump ia ser a sua derrota. Ele garante-me que não, mais depressa os eleitores se aborrecem com o facto de ele ter furado o embargo a Cuba e lucrado com isso. Não acerto uma, de facto parece que sim senhora. Lá, como cá, quem engana as finanças é visto como um melhor. Alguém que jurou ou quer jurar servir o bem público. Tenho um bocado de vergonha disto. É pena ainda faltar tanto tempo para construírem a Enterprise, ou eu oferecia-me para ir.

- Isto é só uma divagação final, mas tenho p'ra mim que o Elon Musk dava um super-vilão de BD bestial. Ou vice-versa. Ou coiso.

Obladi oblada (life goes on)

- Entrar no hiper para comprar gelado meia dúzia de imprescindíveis, dar com uma feira de queijo e vinhos, sair com um carrinho de crise de meia idade. O Cortes de Cima (tinto) estava só com 20%, mas vale cada cêntimo. Melhor alentejano que já provámos (deve haver melhor, mas tenho a lembrar que não somos target para o imposto Mortágua).

- Trouxemos também o livro do Jovem Conservador de Direita. Me mate faz, há dois dias, uma bonita sinfonia de risos e fungadelas que interferem com a minha leitura nocturna. quase a pedir divórcio.

- A propósito de divórcio, já é o enésimo ano seguido que somos lembrados do nosso aniversário de casamento por mamãe querida. Não, eu não estava a fazer caixinha para depois preparar uma birra se ele não se lembrasse. Passou-me completamente. A ele também. E não foi a primeira vez. (e não, nunca comemoramos)

- Falando em leitura, entrámos na Bertrand para fazer tempo e ver umas capas, saímos ajoujados e com uma conta superior ao hiper. Conto a novidade (já saiu, já saiu, já saiu!):


- Já tinha visto na tv, em vhs, em dvd e até em hd; no cinema ainda não. Snif. Me so happy. Chuck? It's your cousin, Marvon Berry. Daqui a 15 dias segue, fica por fazer o back to back (num fim de semana frio de inverno, prometido):



- Até podem ser o amor maior da vossa vida, o milagre da vossa existência, o centro e a vossa razão de existir mas, adultos quarentões pais tardios bananas, os filhos são vossos, não nos cabe adorar aturar os meninos e suas patetices intrusivas idiossincrasias, tá? Tá.

E pronto, é isto. Não podia terminar sem ser desagradavelzinha, certo? Pois.




Good grief

Recebi isto por mail:


E recordo que aqui há tempos já tinha havido uma "onda" de descobertas de posts desta senhora indivídua, no seu perfil de feicebuque, tudo gamadinho de blogs. Pelos vistos calha a todos. Desta feita, calhou a esta aqui.

Sim, estou indignada q.b., mas depois tomou-me assim uma espécie de tristeza e piedade por quem é assim. A sério, que tristeza de pessoa, que tem tão pouco de seu que precisa de se apropriar do que os outros sentem e pensam para existir.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

É p'ra amanhã


OMG, OMG, em pele de cordeiro, e pela módica quantia de €299,00! A zara nunca desilude. A poupar a minha carteira há meses, e meses, e meses.

(espero que tenham dado bom uso à carne do bichinho, que quanto ao resto, bom, estamos conversados. paz à sua alma.)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Amarra o tchan

Se há coisa de que os médicos têm mais medo que um p'cesso por negligência, é passar uma baixa ou um atestado. Eu sei, eu sei que não sou uma drama queen a expor sintomas (sou noutras coisas mais importantes, por exemplo, não tenho chocolate em casa nem vagar para o ir comprar, e da onu não ouço nada, nem uma palavra de conforto, nem uma missão de auxílio, nicles), mas quando digo que estou toda apanhadinha, é porque estou mesmo apanhadinha; e se o Choutor não viu a forma grotesca como me sentei e levantei, ei, já íamos ver desses olhos.
Anyhoo, estou feliz, não porque matei o presidente, mas porque hoje acaba o ordálio do anti-inflamatório + relaxante muscular, que me estão a fecundar tooodo o sistema digestivo. Como a felicidade não dura, nuuunca me dura (draaama), estou infeliz porque ainda me doem as costas. Ali na parte onde devia começar a caudinha que perdemos para a evolução, e um nico mais acima. Não quero roubar a ribalta a quem entrou com melhor média que eu para a fac e ainda estudou mais um par de anos que moi, mas era capaz de jurar que isto ia lá com remédios E repouso, daquele que implica não ter metade do corpo apoiado no local em questão.
Sa foda. Se o Choutor acha que tudo bem, tudo bem, vamos ter fé. Nas costas, no ombro, no pulso, no esqueleto todo, que ando há três meses a acumular um horror de berbequinagens e outros diy, e este fim-de-semana é que é. À cautela, tiro já senha das urgências. Nunca fiando.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Senile delinquents

[não, não é um post autobiográfico, mas pouco falta]

Sou tontinha, tolinha, muito atraidinha por livros infantis. Freud explicaria, mas agora não tem vagar. Adoro. Não daqueles com letra muito grande e super-ilustrados, apesar de serem muito adequados à minha idade mental, mas coisas para leitores um bocadinho mais avançados, ali a partir dos nove, dez anos, altura em que os putos já começam a ter mais à-vontade com a leitura, gostos mais exigentes, e raciocínio e sentido de humor mais sofisticado. Assim de repente, lembrei-me do meu sobrinho de oito anos, que pediu emprestado a me mate os filmes do Star Trek. Os antigos, nas palavras dele. Os com pessoas a fazer de monstros com máscaras de plástico, outra vez as palavras dele. E eu comovi. Temos nerdzinho, abençoado seja.

Adiante, tenho esta tara por literatura infantil, começou na idade certa, em que a comecei a consumir, e nunca parou. Já crescida e com idade para ter o juízo que não tenho, descobri o maravilhoso mundo da literatura infantil inglesa, raramente traduzida por cá quando eu estava na faixa etária indicada. Mas nunca é tarde, e graças à querida amazon lá veio a colecção da Anne of Green Gables e Little House on the Prairie. Esta última tem mais interesse enquanto relato do que era a vida de colonos, naqueles tempos, mas a primeira encantou-me, apaixonou-me, deliciou-me. Seguiram-se outros títulos também mui amados, como A Little Princess, The Secret Garden, The Wind in the Willows, Heidi, clássicos que recomendo vivamente. Mais recente e numa onda do mais bizarro, papei toda a colecção de A Series of Unfortunate Events, que em boa hora me mate resolveu abarbatar em Nova Iorque (e o que eu o chateei por causa do volume e peso; sorry, mate). Só recentemente me afundei em Roald Dahl (imperdoável, eu sei), mas a minha desculpa para ainda não ter lido mais que um é que a) vale mesmo a pena comprar o livro físico, por causa das ilustrações; b) na próxima ida a Londres trago todos, em vez de pedir às mijinhas pela net.

E depois veio esta descoberta. Com o meu histórico de compras era inevitável que o monstro capitalista das vendas de entretenimento pela net mo recomendasse, e acabou por ficar na wishlist a marinar; depois fiz uma promessa parecida com a do Dahl, finalmente desisti e mandei vir dois. O actual estado da situação é o seguinte: já li um, comecei imediatamente o segundo, e quero todos.
Falo disto:



Yep. Livros infantis escritos por um dos grandes malucos responsáveis pelo Little Britain. E sim, são bons, bem bons, pelo menos a avaliar pela amostra. Muito na linha da narrativa improvável, bizarra, inesperada de Roald Dahl, e com o mesmo sentido de humor desconcertante e agudo.

Estou mega fã. Aconselho a toda a gente, crianças incluídas. E está traduzido, olha a sorte dos petizes de hoje, os moinantes. No meu tempo não havia disto, tinhas Os Cinco e a Anita e já gozavas.

Bones

Sentido de oportunidade é copular violentamente as costas em vésperas de consulta de ortopedista.

[outra vez a anti-inflamatório e relaxante muscular, alguém me dê um tiro, de certeza não dói mais que isto]

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Your mother was a hamster and your father smelt of elderberries

Se algum dia me apanharem a falar / escrever sobre a Assunção Cristas com a mesma verrina ad hominem e epítetos que já ouvi / li nestes últimos dias usados a propósito da Mariana Mortágua, estão expressamente autorizados a fazer fila e esbofetear-me violentamente.

[ou então façam queixa à minha mãezinha, que ela trata do assunto]

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Are you ready to be heartbroken? (2)

Detesto ser a portadora de más notícias, que detesto, mas preciso de espalhar a palavra, divulgar a boa nova: a esquerda - pelo menos a "minha" esquerda - não quer acabar com os ricos (ou com o capital, ou com a propriedade privada), não. A esquerda - e nisto incluo toda, e acho que não incluo mal - quer é acabar com a pobreza.

Agora a má notícia, em si mesma. Como o pessoal de direita é o primeiro a dizer, e a esquerda já reconhece, o problema é que os recursos são escassos.
Ora se temos dez pães, e tanto o Joãozinho como o Pedrinho têm fome, há quem ache mal, se revolte até, quando o Joãozinho tem nove (que nem precisa disso tudo para matar a fome, até se estraga) e o Pedrinho tem um. E, em olhando bem, se calhar até encontramos um Luisinho sem nenhum.
Impõe-se redistribuir, diz a mais elementar justiça. E, para tanto, não é preciso tirar os nove ao Joãozinho, digo eu e a "minha" esquerda; basta que o Joãozinho ceda uma parte do que tem para um fundo comunitário, que se encarregará de fazer chegar o arrecadado a quem precisa e não tem.

Simples. É assim que funcionam os impostos. Eu sei que há quem prefira aquele modelo da caridade, quem tem muito pãozinho lá decide dar meia carcaça a quem não tem; mas aí caímos na perversidade do "não gastes tudo em vinho", i.e., quem tem o pão é que decide qual o esfomeado que lhe merece protecção, em que medida, e como, e tudo em função da maior ou menor simpatia (e conformação do peticionante aos padrões do ofertante) que este lhe suscite. E isto é muito alarmante, acho eu - e penso que para toda a esquerda, que ainda se preocupa com a dignidade da pessoa.

Redistribuir é reconhecer que, por circunstâncias várias da vida (entre as quais o facto de a igualdade de oportunidades ser uma utopia, e muitos partem de uma posição de privilégio, a tal sorte na vida), nem todos temos a mesma capacidade de obter rendimentos que permitem a satisfação das nossas necessidades. E portanto quem mais gera mais cede. Dá para a caixa da comunidade de forma "cega", e esta redistribui também de forma "cega": sem preferências, sem exigências, sem condicionar a liberdade e dignidade de quem recebe.

Acho isto muito simples, claro, intuitivo, até. Por isso não me queixo se dou muito, quer dizer que tenho muito para dar. E, acreditem, no nosso sistema, quem dá muito ainda fica com muito, bastante, para si. Posso até não concordar com a forma como a redistribuição é feita, ou como é calculado o que se contribui - e ó se há tanto com que não concordo - mas barafustar pelo sistema em si, nem pensar. Afinal hoje saio daqui e vou num automóvel pago para uma casa confortável, onde posso escolher o que vou comer. E se cheguei a este ponto de abastança em parte por mérito, também o devo - e tanto! - ao facto de ter tido uma vida em que nada do essencial me faltou, porque tinha pais com um emprego estável, instrução e educação q.b., que me proporcionaram acesso a alimentação que me permitia funcionar; cuidados de saúde que me permitiram crescer sem sobressaltos e incapacidades; abrigo onde podia descansar, divertir, enfim, desenvolver em segurança; instrução e educação que me permitiram evoluir e alcançar. Nem todos o têm. E é para limar essas arestas de degraus injustos, que não foram criados por quem tem de os galgar, que existe a redistribuição.

Por isso, e finalmente: quem  tem de contribuir muito é porque pode. Ou preferiam contribuir pouco porque pouco tinham? Calem-se um bocadinho, sim? Agradecida.

[e se têm guita para adquirir ou manter um imóvel com VP igual ou superior a quinhentas mil bombocas, pá, aproveitem-no bem, e calem-se outra vez]

Are you ready to be heartbroken?

Não, não estava: acabo de descobrir que, para a direita portuguesa, o valor global do meu património imobiliário me deixa abaixo, e muito abaixo, da classe média. Oh. Uma vida de mentira que se desvanece.

[#pobrezinhamashonrada]

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coitadinho do crocodilo

Aquele momento em que o feicebuque te recomenda um artigo de um casal de turistas, que ficaram muito insatisfeitos com Lisboa.
E, claro, tu vais ler.
Quais as queixas do casalito, que escolheu o mês de Agosto (inteiro) para veranear por cá, e se foi alojar num airbnb no Bairro Alto?
- Demasiados turistas, a cidade cheia de turistas, o horror;
- Não há mercearias e supermercados no centro de Lisboa, só tinham um minipreço a dez (longos, extenuantes, intensos) minutos a pé, que estava sempre cheio de turistas, e para comprarem desodorizantes e cremes tiveram de ir ao colombo*;
- A comida não era tão barata nem tão boa como esperavam, principalmente nos restaurantes*;
- As pessoas** não eram tão simpáticas como no Porto, onde já estiveram;
- Muitos traficantes na Baixa;
- O prédio onde estavam, todo ele airbnbizado, era velho, os outros hóspedes muito barulhentos, e ouvia-se os passos no andar de cima*.

Por onde começar, não é?
Pois. Nem me dou ao trabalho.
[que faria, que diriam se vivessem cá e tivessem de vos aturar]

*tansus turistus, ou, "a sério, se nem se deram ao trabalho de investigar, tipo, na net, onde ir e onde ficar, bem merecem cair em todas as tourist traps que vos apareçam pela frente"
**em Agosto? quais pessoas?

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

[mira técnica]

Sucede que depois de 45 anos de vida e 20 de trabalho que consiste, basicamente, em bater em teclas e escrevinhar, forniquei o braço direito. Está todo empenadinho, todo enferrujadinho, todo doridinho, donde, passei os últimos tempos a fazer o que é preciso, tipo anti-inflamatórios, emplastros, e os examezinhos da ordem para perceber a coisa, que enfim, não é do pior mas também não é do melhor, tenho pela frente uns mesitos de recuperação a ver se não fico entrevadinha do meu ganha-pão, e bora cruzar os dedos para o canal cárpico estar chuchu, caso contrário vou cortar os pulsos mesmo, e contra vontade. Nos entretantos, e entrada em férias, e já antes, deixei de fazer tudo o que possa piorar a coisa, a ver se na rentrée (foi hoje!, foi hoje!) ainda dava para o gasto. Portanto, computador só para trabalhar, escrever à mão idem, e nos mínimos. Não tricoto, não crocheto, não pinto, não rabisco, não carrego pesos, não levanto o braço acima da linha do ombro, não durmo sobre o lado direito (nem consigo), não seguro o livro com a mão direita, ou seja não posso fazer das coisas que mais gosto, mas yay, também não faço a ponta de um pénis das coisas que não gosto (mentira, ainda aqui há atrasado tive de andar a passar o chão a pano e a passar roupa, mas pronto, agora acabou mesmo).
E é isto.
Como esta coisa não me paga os vícios, tenho de me guardar, qual noiva virtuosa, para a cópula não apaixonada e apenas para procriação que é aqui a minha remunerada ocupação. Ou isso ou aprendo a postar em rapidinhas. Não se me afigura viável, que sou de grandes conversas e não tuítadas. Anyhoo, espero milagres da fisio. Até lá, aqui a crente pede desculpa por qualquer coisinha, designadamente a menor comparência. Fazer o quê, né?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Twenty twenty twenty four hours to go [I wanna be sedated]

Primeiro achei que não me podia dar ao luxo de parar.
Entretanto apercebi-me que não posso dar-me ao luxo de não parar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Horrible Bosses

No fundo eles têm é muita sortinha de eu não ser a primeira ministra, dizia eu a me mate, que não só devolviam a guita da viagem à Galp, como ainda entregavam três vezes isso a instituições, à minha ordem. E ainda faziam uma declaraçãozinha pública de retratação, a pedir desculpa. Responde ele ó pá, não podes obrigar ninguém a pedir desculpa, ao que respondo de imediato pois não, mas ou isso ou cartinha de demissão no dia seguinte, às nove, na minha secretária.

Fica portanto explicado porque nunca mandarei em porra nenhuma nem em ninguém, na meretriz da minha vida. Mau feitiozinho. Muito.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

I needed money 'cause I had none

Depois de ter lido as notícias, naturalmente exaltadas, vinha aqui largar umas postinhas de pescada sobre a cena do aumento do IMI e, também naturalmente, barafustar, que nenhum cidadão gosta de pagar mais do que (acha que) deve, e eu cá sou muito cidadã. Mas depois pensei que se calhar era melhor ler as afamadas e divulgadas alterações ao Código do IMI, que isto de falar apoiada em parangonas nunca foi a minha cena, olh'aí o rigor, e se eu sou rigorosa; forreta, sim senhora, mas rigorosa.

Dito e feito, fui ao portal das finanças e ao Diário da República electrónico, abri e comparei, mais concretamente, o art. 43º do CIMI, que é onde reside a polémica. 

Primeira conclusão: o critério de localização excepcional (definido assim, na alínea i) do nº2 do art. 43º: "Considera-se haver localização excepcional quando o prédio ou parte do prédio possua vistas panorâmicas sobre o mar, rios, montanhas ou outros elementos visuais que influenciem o respectivo valor de mercado; (…)"), enquanto critério de majoração para cálculo de IMI, não é uma novidade, já existia, e ao tempo. E não foi agravado o respectivo coeficiente, que se mantém em 0,10; sendo este um máximo. Portanto, e quanto a vistas panorâmicas, tudo na mesma, não houve aumento nenhum.

O que, sim senhora, foi alterado foi o coeficiente de majoração por localização e operacionalidade relativas (definido pelo CIMI assim na alínea n) do nº2 do art. 43º: “Considera-se haver localização e operacionalidade relativas quando o prédio ou parte do prédio se situa em local que influencia positiva ou negativamente o respectivo valor de mercado ou quando o mesmo é beneficiado ou prejudicado por características de proximidade, envolvência e funcionalidade, considerando-se para esse efeito, designadamente, a existência de telheiros, terraços e a orientação da construção; (…)”). Ou seja, este critério de majoração, que pode ser accionado quando a casa tenha uma boa / melhor orientação solar, por exemplo, já existia, mas o máximo era de 0,05 e passou para 0,20. É um bocado, que é. Mas note-se que o minorativo do mesmo item também aumentou de 0,05 para 0,10.

Ou seja, e na prática:
- O coeficiente de majoração por (boas) vistas não foi inventado agora;
- Não aumentou o coeficiente de majoração por (boas) vistas, ficou na mesma.
- O coeficiente máximo de majoração por boa exposição solar, existência de terraços e até, vamos fazer uma interpretação simpática de funcionalidade, situar-se num primeiro andar soalheiro em vez de cave (húmida, bolorenta, infecta, escura, uhu, baixou Dickens em mim) aumentou substancialmente, mas cabe ao órgão competente fixá-lo, concretamente; MAS
- O coeficiente máximo de minoração por má exposição solar, inexistência de terraços e até, seguindo a mesma interpretação simpática de funcionalidade, situar-se numa cave  em vez de um primeiro andar também aumentou, o que pode significar, na prática, desagravamento fiscal para proprietários de casas nessas condições.

Tudo visto, e se é verdade que esta alteração pode conduzir a um aumento de IMI para alguns proprietários (entre os quais eu, porca burguesa de fachada socialista, proprietária de imóvel com terraço, que por acaso até faz parte da fracção, e cuja área, portanto, já é considerada no cálculo de valor patrimonial); tal depende da fixação em concreto do coeficiente a aplicar, o que cabe ao CNAPU – Comissão Nacional de Avaliação de Prédios Urbanos (art. 43º nº3 e 62º nº1 al. c) do CIMI), “com base em critérios dotados de objectividade e, sempre que possível, com base em fundamentos técnico-científicos adequados.”; sendo que a composição deste CNAPU é muito diversa e até contempla representantes de proprietários e coiso (ver art. 61º). Caso o contribuinte não concorde com a avaliação do seu imóvel, pode pedir segunda avaliação e, não se conformando com esta, impugnar judicialmente. O normal, portanto.

Finalmente, estou preocupada? Um bocadinho. Vamos lá a ver. No final, é o município que decide as taxas, sendo que o de Lisboa tem sido simpático, ultimamente. Estou em pânico, pronta a vociferar contra este governo malvado, lançando perdigotos de pura indignação? Não. Depois de me ter informado convenientemente, não. Já dizia não sei quem, informação é poder. E, caso suceda o pior, reclamar é dever. Mas já me poupavam essa maçada, vejam lá isso, que se é para me agravarem o imposto por causa do terraço, também passam a ir lá regar as plantas e varrer as folhinhas, boa?

[disclaimer: este texto baseia-se na leitura e comparação feita por mim dos diplomas legais, e numa interpretação pessoal mas o mais objectiva possível, embora não isenta de falhas ou crítica. por isso, caso as detectem, força aí.]