Derivado de situações como sejam andar sempre à cata de sarna para me coçar e chatices para me entreter, decidi dar um ar novo à sala, mudando umas coisitas. Mentira, apaixonei-me por um tapete e zás, ofereci-mo-lo. Vai daí, o tapete é mêmo, mêmo lindo, e é um desperdício estar debaixo de umas mesas de centro/cubos com rodinhas lack que comprei aqui há atrasado, só naquela de remediar a necessidade de ter um móvel onde pousar a xícara de fina porcelana, nas minhas tardes de mantas, chá e leitura. Mentira, foi para ter um sítio onde encaixar mais tralha, como sejam caixas de dvd. Anyhoo, como estava estava bem, agora não, e decidi que queria uma mesa de centro nova. De preferência uma que deixasse ver melhor o tapete - que, não sei se já disse, é mêmo, mêmo lindo - embora a questão "vidro" seja problemática numa casa de pessoas atreitas ao acidente, mas vá, já ficava satisfeita se fosse uma mesinha jeitosa, que desse para pousar as caixas do correntemente em exibição sem ficar um bordel de desarrumação.
Estabeleci um plafond, uma margem para derrapagem orçamental, e dei uma volta às lojas do costume, as lojas perto, as lojas que me lembrava, as lojas online. Nada - que gostasse. Ou dentro do orçamento, e isto é importante mencionar, que vi uma per-fei-ta que o ultrapassava só em setecentos pastéis de bacalhau - é isto, sou filha de gente rica, com gostos caros, e fui roubada da maternidade.
E voltei-me para o olx. Nunca se sabe, um gajo até pode encontrar uma pechincha, de uma pessoa de gostos bons que tenha entrado em insolvência. Ou cenas vintage que um herdeiro esteja a despachar.
'Tá bem abelha. Concluindo, adquiri o tapete em Fevereiro, e mesa, até hoje.
E depois aconteceu esta semana. Aquela que ficará conhecida, doravante, como a semana de todos os prodígios. A semana do maná. A semana do milagre de Canaã (ou Canã, ou Caná, quero lá saber, não fiz catequese, não tenho obrigação). Ó aqui as três riquezas, as mais puras belezas que encontrei naquela benfazeja plataforma, naquele site do bem:
Eu sei. Eu sei. O vidro. Assumo o risco. Mas agora, o verdadeiro problema: onde é que ponho as outras duas, senhores? É que nem pensar em escolher só uma, aliás, como, como se pode?
quinta-feira, 23 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Battle Royale
Eu sei que ainda vamos a meio do ano, mas fica já entregue o prémio de melhor episódio - ever! - de GoT e, quiçá, melhor batalha - ever! - da tv, cinema, cassette pirata.
E a morte mais esperada e satisfatória, também. Vingados estamos.
Anyhoo, e relativamente ao conizombie do Jon Snow, que não sabe (mesmo) nada, acho que ficou claro que primeiro ouve a namorada (já não ouve, mas devia ter ouvido) ou a mana, depois age. Aliás, pelo rumo que as coisas levam, cheira-me que o conselho é válido para todos os personagens masculinos em relação aos personagens femininos.
Só não declaro já este o melhor episódio - ever! - de tv do ano da graça em curso, porque entretanto sucedeu A Blade of Grass em Penny Dreadful, que foi um momento de teatro-televisão do outro mundo.
Está a ser um ano muito bom, está.
Carry on.
E a morte mais esperada e satisfatória, também. Vingados estamos.
Anyhoo, e relativamente ao conizombie do Jon Snow, que não sabe (mesmo) nada, acho que ficou claro que primeiro ouve a namorada (já não ouve, mas devia ter ouvido) ou a mana, depois age. Aliás, pelo rumo que as coisas levam, cheira-me que o conselho é válido para todos os personagens masculinos em relação aos personagens femininos.
Só não declaro já este o melhor episódio - ever! - de tv do ano da graça em curso, porque entretanto sucedeu A Blade of Grass em Penny Dreadful, que foi um momento de teatro-televisão do outro mundo.
Está a ser um ano muito bom, está.
Carry on.
sábado, 18 de junho de 2016
Don't stop me now
Comprei um espiralizador.
Agora vou enfeirar batata doce e curgete que nem vos passa.
(era capaz de apostar que em dois dias disto já estou a suspirar por esparguete sério, com ketchup ou queijo ralado, mas vamos lá a manter um certo nível de optimismo, depois da experiência falhada da quinoa.)
quinta-feira, 16 de junho de 2016
We're not in Kansas anymore
Entretanto, fico feliz por saber que deram bom uso ao substancial aumento das minhas (e de tantos) contribuições para a ADSE. Ao que parece, não servirão para tresloucadas funcionárias públicas recauchutarem mamas, ou rebarbados funcionários públicos investirem em aumentos penianos, em luxuosos hospitais privados. Mas mais valia.
Da próxima vez que alguém me vier fornicar a mioleira com o eterno mito de que a ADSE é o luxo de uns poucos financiado pelos impostos de todos, a ver se lhes entrego este recorte, que diz que até foi ao contrário.
Da próxima vez que alguém me vier fornicar a mioleira com o eterno mito de que a ADSE é o luxo de uns poucos financiado pelos impostos de todos, a ver se lhes entrego este recorte, que diz que até foi ao contrário.
Não tenho palavras, não tenho vinho (não tenho tempo)
Mas não posso deixar de partilhar este fantástico naco de prosa, do Senhor Doutor Jovem Conservador de Direita (ide ler tudo, ide!):
O Dr. Rui Sinel de Cordes faz humor negro. Pelo que percebo, é o tipo de humor com que os adolescentes vencedores tentam ensinar os adolescentes perdedores a deixarem de ser gordos ou maricas. A esquerdalha do politicamente correcto inventou o termo depreciativo "bullying" para se referir a esta actividade formativa e é por isso que a obesidade e a homossexualidade infantis estão a aumentar. Porque os mini-Sinéis de Cordes já não podem exercer o seu bullying à vontade sem que a polícia do politicamente correcto ou, nalguns casos, a polícia a sério os chateiem. O bullying hoje é visto como algo de negativo mas é uma excelente forma de auto-regulação adolescente. Se um miúdo foge ao tipo de comportamento que a sociedade espera dele, a função do chamado "bully" é ajudá-lo a reencontrar o caminho. O bullying é a mão invisível do mercado da popularidade juvenil. Acabando com o bullying, acaba-se com a única maneira de garantir que os mais fortes são os mais populares.
O Dr. Rui Sinel de Cordes faz humor negro. Pelo que percebo, é o tipo de humor com que os adolescentes vencedores tentam ensinar os adolescentes perdedores a deixarem de ser gordos ou maricas. A esquerdalha do politicamente correcto inventou o termo depreciativo "bullying" para se referir a esta actividade formativa e é por isso que a obesidade e a homossexualidade infantis estão a aumentar. Porque os mini-Sinéis de Cordes já não podem exercer o seu bullying à vontade sem que a polícia do politicamente correcto ou, nalguns casos, a polícia a sério os chateiem. O bullying hoje é visto como algo de negativo mas é uma excelente forma de auto-regulação adolescente. Se um miúdo foge ao tipo de comportamento que a sociedade espera dele, a função do chamado "bully" é ajudá-lo a reencontrar o caminho. O bullying é a mão invisível do mercado da popularidade juvenil. Acabando com o bullying, acaba-se com a única maneira de garantir que os mais fortes são os mais populares.
sábado, 11 de junho de 2016
Uma leidi na mesa, uma louca na cama
Queria deixar só duas (ou três. ou quatro. ou mais.) palavrinhas sobre o evento de ontem, no Terreiro do Paço.
Primeiros, palminhas para a saudável e genial loucura de quem, na edilidade lisboeta, achou boa ideia oferecer aos munícipes, no dia da naçon, um espectáculo que dá pela graça de "Deixem o Pimba em Paz". Se não percebem a ironia, passem à frente. Não posso assegurar que tenha sido propositada, mas achei humoristicamente adequadíssimo.
Segundos, kudos por escolherem comemorar o dia de Portugal só com prata da casa. Acho lindamente. Tudo português, ali no palco. Artistas, letras, música. Eu, que nem sou nada dessas coisas, comovo.
Ópois, e entrando na apreciação concreta, enapá, enapá, enapá. Que maravilha. Ainda não tinha visto o espectáculo porque quando foi à cena e soube dele, puf, os bilhetes já tinham desaparecido. Não faz mal: acabei por ver de borla, num cenário maravilhoso, e com o Terreiro do Paço cheio-cheio (Fenprof, rói-te). É tudo bom, excelente de bom. A concepção, a concretização, tudo resulta. Estava à espera de uma coisa boa, mas nem tanto. Temos artistas mêmo, mêmo bons. Não digo só músicos - e se o são, os arranjos e orquestração são para lá do que se podia esperar - porque há ali muita mais gente a trabalhar. Desde logo na ideia, mas caneco, se não se tivesse juntado um montinho de gente com muito talento (vénia profunda aos músicos, quer os que fizeram os arranjos - sois grandes, na imaginação, na criatividade, na técnica, no talento - mas também os que aderiram e se juntaram à gandaia - orquestra metropolitana, o meu mais profundo respeito e amor eterno), e muita capacidade de fazer acontecer, aquilo não tinha acontecido.
E aqui entro num tema que me é muito caro: o elogio da cigarra. Como eu odeio essa fábula, credo. Aquela versão original, em que a formiga bate com a porta na cara da bicha e a deixa fenecer ao frio e à fome. Os outros não sei, mas o meu mundo - a minha vida - é muito melhor graças às cigarras. E não me importo nada, não, até agradeço que me façam companhia enquanto partilhamos a minha despensa. Benditas cigarras. Agora, vamos mais longe: as cigarras também precisam das formigas, tanto como nós, as formiguinhas, precisamos das cigarras. Não basta alguém ter a ideia maluques de e se agora a gente fizesse um espectáculo só com música pimba,com arranjos novos?, ou outra coisa qualquer, é preciso meios e gente para a por em prática. E é aqui que entram as formiguinhas que, não fazendo parte do processo criativo, se encarregam de ajudar as cigarras a montar a coisa. No fu«im, curtimos todos, verdade? É que nos escuros. longos, tristes dias de inverno é tão importante ter a pancinha cheia como coisinhas divertidas que nos façam esquecer que o verão ainda tarda. Benditas cigarras.
[sim, isto também é um elogio àquela forma muito esquerda de conceber a sociedade, em que ideias como financiamento cultural não são vistas como despesismo absurdo, desbaratamento de recursos, whatever. no dia em que privatizarmos o divertimento, sujeitarmos a criação artística somente a regras de mercado, fizermos depender os artistas das esmolas de mecenas, vamos perder tanto. depois até pode acontecer que o espectáculo se pague, ainda bem, mas enquanto se cria e se concretiza as cigarras precisam de comer, e é para isso que também serve a despensa colectiva. quando se fala em alimentar burros a pão-de-ló, prefiro que o burro não seja um banqueiro, coisas minhas.]
Primeiros, palminhas para a saudável e genial loucura de quem, na edilidade lisboeta, achou boa ideia oferecer aos munícipes, no dia da naçon, um espectáculo que dá pela graça de "Deixem o Pimba em Paz". Se não percebem a ironia, passem à frente. Não posso assegurar que tenha sido propositada, mas achei humoristicamente adequadíssimo.
Segundos, kudos por escolherem comemorar o dia de Portugal só com prata da casa. Acho lindamente. Tudo português, ali no palco. Artistas, letras, música. Eu, que nem sou nada dessas coisas, comovo.
Ópois, e entrando na apreciação concreta, enapá, enapá, enapá. Que maravilha. Ainda não tinha visto o espectáculo porque quando foi à cena e soube dele, puf, os bilhetes já tinham desaparecido. Não faz mal: acabei por ver de borla, num cenário maravilhoso, e com o Terreiro do Paço cheio-cheio (Fenprof, rói-te). É tudo bom, excelente de bom. A concepção, a concretização, tudo resulta. Estava à espera de uma coisa boa, mas nem tanto. Temos artistas mêmo, mêmo bons. Não digo só músicos - e se o são, os arranjos e orquestração são para lá do que se podia esperar - porque há ali muita mais gente a trabalhar. Desde logo na ideia, mas caneco, se não se tivesse juntado um montinho de gente com muito talento (vénia profunda aos músicos, quer os que fizeram os arranjos - sois grandes, na imaginação, na criatividade, na técnica, no talento - mas também os que aderiram e se juntaram à gandaia - orquestra metropolitana, o meu mais profundo respeito e amor eterno), e muita capacidade de fazer acontecer, aquilo não tinha acontecido.
E aqui entro num tema que me é muito caro: o elogio da cigarra. Como eu odeio essa fábula, credo. Aquela versão original, em que a formiga bate com a porta na cara da bicha e a deixa fenecer ao frio e à fome. Os outros não sei, mas o meu mundo - a minha vida - é muito melhor graças às cigarras. E não me importo nada, não, até agradeço que me façam companhia enquanto partilhamos a minha despensa. Benditas cigarras. Agora, vamos mais longe: as cigarras também precisam das formigas, tanto como nós, as formiguinhas, precisamos das cigarras. Não basta alguém ter a ideia maluques de e se agora a gente fizesse um espectáculo só com música pimba,com arranjos novos?, ou outra coisa qualquer, é preciso meios e gente para a por em prática. E é aqui que entram as formiguinhas que, não fazendo parte do processo criativo, se encarregam de ajudar as cigarras a montar a coisa. No fu«im, curtimos todos, verdade? É que nos escuros. longos, tristes dias de inverno é tão importante ter a pancinha cheia como coisinhas divertidas que nos façam esquecer que o verão ainda tarda. Benditas cigarras.
[sim, isto também é um elogio àquela forma muito esquerda de conceber a sociedade, em que ideias como financiamento cultural não são vistas como despesismo absurdo, desbaratamento de recursos, whatever. no dia em que privatizarmos o divertimento, sujeitarmos a criação artística somente a regras de mercado, fizermos depender os artistas das esmolas de mecenas, vamos perder tanto. depois até pode acontecer que o espectáculo se pague, ainda bem, mas enquanto se cria e se concretiza as cigarras precisam de comer, e é para isso que também serve a despensa colectiva. quando se fala em alimentar burros a pão-de-ló, prefiro que o burro não seja um banqueiro, coisas minhas.]
quinta-feira, 9 de junho de 2016
O triunfo dos porcos
Em lar-doce-lar uso muito a expressão esta casa está um bordel. Também uso versões mais específicas, como por exemplo este escritório está um bordel, esta cozinha idem aspas, ou, em dias bons, consegue-se restringir a coisa a uma determinada peça de mobiliário, como esta estante está um bordel (esta é recorrente). Não que aconteça entrar em casa e dar com a prática de actos de prostituição aqui ou ali, não; é uma figura de estilo, e não me perguntem qual que nem a saberia identificar nem esta tem nada de literário. É a minha forma colorida (e parva) de definir uma confusão dos diabos, local desorganizado, desarrumado. Ontem, surgindo uma determinada cena na tv, diz ele, metendo-se comigo, que aquela casa é que estava um bordel. E eu atalhei logo, ei, aquilo não está um bordel, está uma pocilga, e esta (nossa) casa pode até estar um bordel, mas chiqueiro não. E é verdade. Podemos não ter as melhores qualidades de donos-de-casa, não temos (de certezinha) a mania das arrumações e limpezas, podemos ser (ambos, os dois) umas pessoas um bocado caóticas no que diz respeito à disposição de cenas, mas calminha: porcaria é que não. Um bocado de pó a mais, concedo; um ocasional cotão que leva logo guia de marcha, acontece; um lava-loiça transitoriamente não vazio (que a máquina está cheia de loiça lavada e nós cheios de preguiça), quem nunca. Mas cocó, sujeira, nojice, parou.
E é por isso que tenho cá as minhas reservas sobre certas e determinadas situações. O que se passa portas dentro (dos outros) não me diz respeito, certíssimo, mas ele há coisas que, ahém. O ar é de todos, e os cheiros circulam. Ele há chiqueiros que é impossível restringir só ao alheio lar-doce-lar. Atacando e pondo o dedo na ferida, houve uma proposta do anterior governo que me fez dar palminhas, mas depois não foi avante, a saber, a restrição ao número de animais que se pode ter num apartamento. Ai, pá, ó Izzie, mas há pessoas que vivem num zoo mas são muito limpinhas. 'Tá bem, abelha. Até haverá, mas também acontece amiúde que quem vive numa ETAR não nota nada de estranho no ar. E também sucede que quem vive perto de uma suinicultura raramente se congratula com o aroma a campo. Nunca ouvi dizer que um gajo asseado se habituasse ao cheirinho da lixeira do vizinho.
Agora imaginemos, por pura hipótese, que dois gajos asseados partilham o seu castelo com um felino, mas até usam areia aglomerante que é diariamente inspeccionada, têm a casinha aspirada duas vezes por semana (mínimos, pá, mínimos), escovam a bicha, e tudo e tudo. Mas ópois coabitam no mesmo caixote urbano com doze almas em três assoalhadas, sendo que apenas três dessas almas são humanas, e as restantes nove não usam nem sabem usar uma retrete e respectivo autoclismo. E nota-se. Quer dizer, os tais e hipotéticos dois gajos notam, que cada (tanta, tanta!) vez que passam em frente a determinada porta, ou abrem as janelas que deitam para o espaço exterior das outras doze almas, não se conseguem abstrair do cheirinho a estrebaria. Que não incomoda, notoriamente, quem lá vive. Como também não incomoda que cinco das doze almas trepe paredes e salte muros, e, ele há dias, escolha outras retretes muito mais limpinhas que aquelas a que os humanos lá deles os sujeitam. E eu sei que são mais limpinhas, porque calham situar-se num local exterior que tais dois gajos possuem, e por acaso se vêm na contingência de limpar mais vezes que o que seria normal*. E há quem achasse uma canseira varrer folhas quinzenalmente. Saudades das folhinhas. Muita saudadinha.
Maneiras que é isto. Sim senhora, será um exagero aprovar uma lei que imponha restrições à liberdade individual, cada um manda na sua casa, é preciso é bom senso, os condomínios podem aprovar regras, mas a verdade é que não funciona. Do ai que giro, tanto bichinho, ao ai que canseira, não vou limpar isto todos os dias / todos os pares de dias / todos os fins-de-semana, é um pulinho. E viver ao pé de um pulinho destes, pessoas, pá. Às tantas um gajo já sonha com uma lei musculada, uma polícia da higiene, um tarrafal dos porcalhões onde os ponham todos.
Era só isto, por hoje.
*nunca os apanhei em flagrante, que são bichos mas não são parvos. mas há ali uma coincidência temporal do tipo "antigamente isto não acontecia". tenho a certeza, mas népia de provas a apresentar para condenar o ilícito. suspiros.
E é por isso que tenho cá as minhas reservas sobre certas e determinadas situações. O que se passa portas dentro (dos outros) não me diz respeito, certíssimo, mas ele há coisas que, ahém. O ar é de todos, e os cheiros circulam. Ele há chiqueiros que é impossível restringir só ao alheio lar-doce-lar. Atacando e pondo o dedo na ferida, houve uma proposta do anterior governo que me fez dar palminhas, mas depois não foi avante, a saber, a restrição ao número de animais que se pode ter num apartamento. Ai, pá, ó Izzie, mas há pessoas que vivem num zoo mas são muito limpinhas. 'Tá bem, abelha. Até haverá, mas também acontece amiúde que quem vive numa ETAR não nota nada de estranho no ar. E também sucede que quem vive perto de uma suinicultura raramente se congratula com o aroma a campo. Nunca ouvi dizer que um gajo asseado se habituasse ao cheirinho da lixeira do vizinho.
Agora imaginemos, por pura hipótese, que dois gajos asseados partilham o seu castelo com um felino, mas até usam areia aglomerante que é diariamente inspeccionada, têm a casinha aspirada duas vezes por semana (mínimos, pá, mínimos), escovam a bicha, e tudo e tudo. Mas ópois coabitam no mesmo caixote urbano com doze almas em três assoalhadas, sendo que apenas três dessas almas são humanas, e as restantes nove não usam nem sabem usar uma retrete e respectivo autoclismo. E nota-se. Quer dizer, os tais e hipotéticos dois gajos notam, que cada (tanta, tanta!) vez que passam em frente a determinada porta, ou abrem as janelas que deitam para o espaço exterior das outras doze almas, não se conseguem abstrair do cheirinho a estrebaria. Que não incomoda, notoriamente, quem lá vive. Como também não incomoda que cinco das doze almas trepe paredes e salte muros, e, ele há dias, escolha outras retretes muito mais limpinhas que aquelas a que os humanos lá deles os sujeitam. E eu sei que são mais limpinhas, porque calham situar-se num local exterior que tais dois gajos possuem, e por acaso se vêm na contingência de limpar mais vezes que o que seria normal*. E há quem achasse uma canseira varrer folhas quinzenalmente. Saudades das folhinhas. Muita saudadinha.
Maneiras que é isto. Sim senhora, será um exagero aprovar uma lei que imponha restrições à liberdade individual, cada um manda na sua casa, é preciso é bom senso, os condomínios podem aprovar regras, mas a verdade é que não funciona. Do ai que giro, tanto bichinho, ao ai que canseira, não vou limpar isto todos os dias / todos os pares de dias / todos os fins-de-semana, é um pulinho. E viver ao pé de um pulinho destes, pessoas, pá. Às tantas um gajo já sonha com uma lei musculada, uma polícia da higiene, um tarrafal dos porcalhões onde os ponham todos.
Era só isto, por hoje.
*nunca os apanhei em flagrante, que são bichos mas não são parvos. mas há ali uma coincidência temporal do tipo "antigamente isto não acontecia". tenho a certeza, mas népia de provas a apresentar para condenar o ilícito. suspiros.
terça-feira, 7 de junho de 2016
It's time to try defying gravity
Quem me viu [há um ano, por esta altura] e quem me vê.
[pronto, tarda nada já baixa a extrema neurose, a realização do síndrome de impostor, o medo do princípio de Peter, a agonia da vertigem, o costumeiro e resistente pessimismo. entretanto, é aproveitar. porque melhor que isto, pah, acho que não há. eu cá nunca vi.]
[pronto, tarda nada já baixa a extrema neurose, a realização do síndrome de impostor, o medo do princípio de Peter, a agonia da vertigem, o costumeiro e resistente pessimismo. entretanto, é aproveitar. porque melhor que isto, pah, acho que não há. eu cá nunca vi.]
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Life goes on
No ecrã o gebo responde, à pergunta sobre se se considera um visionário, que sim. Eu, ainda meia esmagada com o tamanho daquele ego em particular, que gentes destas que muito se considera tem este efeito em mim, de opressiva falta de ar, só consigo a reacção de bergh, quem é este, enquanto reparo que o visionário, e também, ao que parece, empreendedor, acha bem vestir uma gravata com uma camisa com botões no colarinho. Mal sabia eu o que se seguiria. Pois esta alma boa, esta pessoa de largas vistas, este insular com olhinho no futuro - o seu, obviamente - conseguiu, empresariando lá numa empresa sua, sacar um empréstimo de centro e trinta milhões de biscas ao último banco que nos calhou pagar. Garantido, claro, que a lusa banca não dá pontinho sem nó. A garantia era imobiliária, como aliás mandam as normais cautelas e usos*, mas sobre um terreno. Onde se ia construir uma coisa em grande e em bom, um empreendimento para o senhor empreender turisticamente, desenvolver a região, mas que não passou à fase de acabamentos. Presumo que a garantia se louvasse no valor daquilo em pronto e acabado e a funcionar, uma ficção portanto. Nada de anormal, é assim que funciona e sempre funcionou o sector pato-bravo da construção civil. E nem corre mal, a menos que a empresa entre em falência. Ou o mercado esteja em recessão. E o mercado estava. E esta entrou. E o banco - volto a repetir, o último que nos calhou pagar - aceitou em pagamento total da dívida o terreno e os caboucos. Nada mais**. Empreendedor saiu disto alvo como a sua camisa branca, mas com botões no colarinho, e, por baixo deste, gravata. Continua a empreender, com o seu fato que por um nico não é azul carris; a considerar-se um visionário, com a sua gravata bem presa por botões, nunca fiando, põem-se à banda tão facilmente; e a considerar tudo isto normal, normalíssimo, a dívida está paga, ora então, apesar de o terreno continuar à venda e nem sequer lhe terem pegado por trezentos e cinquenta mil patacos; e considera-se limpo como a sua camisa branca.
E nós, contribuintes, sector público, país, a carregar este rol de roupa suja que não acaba. E a discutir uns com os outros a quem calhou mais cuecas sujas para corar, e quem tem o máximo dever de estragar as mãos com lixívia. Parabéns. A nós.
*por acaso, e em situações bem menores, e até abaixo dos cento e trinta mil tustos,a banca acha por bem pedir colaterais como penhores, garantias bancárias e até, pasme-se, garantias pessoais aos gerentes / sócios; não foi o caso, pelos vistos.
**não experimente o mesmo em casa: se por acaso têm um empréstimo hipotecário para pagar, aquele que vos garantiu o tecto, e por acaso entrarem em mora e finalmente incumprimento, o banco até aceita a casita em dação, mas não em pagamento, só por conta do montante total em dívida; se por um acaso não a venderem por tal valor, ficais a pagar o resto que vos phodeis. má sorte não serdes putas.
E nós, contribuintes, sector público, país, a carregar este rol de roupa suja que não acaba. E a discutir uns com os outros a quem calhou mais cuecas sujas para corar, e quem tem o máximo dever de estragar as mãos com lixívia. Parabéns. A nós.
*por acaso, e em situações bem menores, e até abaixo dos cento e trinta mil tustos,a banca acha por bem pedir colaterais como penhores, garantias bancárias e até, pasme-se, garantias pessoais aos gerentes / sócios; não foi o caso, pelos vistos.
**não experimente o mesmo em casa: se por acaso têm um empréstimo hipotecário para pagar, aquele que vos garantiu o tecto, e por acaso entrarem em mora e finalmente incumprimento, o banco até aceita a casita em dação, mas não em pagamento, só por conta do montante total em dívida; se por um acaso não a venderem por tal valor, ficais a pagar o resto que vos phodeis. má sorte não serdes putas.
terça-feira, 31 de maio de 2016
sábado, 28 de maio de 2016
Steady as she goes, Mr. Sulu
E a vida lá segue, em piloto automático, se bem que nem o piloto tirou curso ou se formou nestas artes da navegação, e o automático nem por isso é muito auto, e menos ainda mático. Mas segue, ao sabor da corrente, e se ela nos é mansa e tranquila até se estranha, aguça-se o olhar para mais cedo detectar o remoinho que, decerto, não há-de deixar de aparecer. Bate na madeira, cruzes canhoto, isola. O pensamento mágico é uma bengala frouxa, mas está sempre lá, bendito seja. Dá azar, reconhecer, não, rejubilar com o bom. Mais vale desconfiar. Porque nunca corre tão bem como pensamos que está a correr, assim nos ensinou o passado, e somos, queremos ser o bom aluno, atento e diligente, sempre à coca da armadilha no problema demasiado fácil.
De repente, não é uma corrente cruzada, não é uma tempestade, não é um rochedo submerso: um raio de sol, uma brisa suave. Cai-nos no colo uma recompensa inesperada, abrimos a arca do tesouro à espera de uma bota velha e sai um euromilhões para a alma. Fechamos a tampa apressadamente, como que para reter a boa aventurança, não vá ela escapulir pela fresta. É demasiado bom, não pode ser, olha-se em volta à espera que nos salte de trás de uma moita a multidão aos gritos de gozo e a berrar "primeiro de abril!". Não sai. Segura-se bem o baú. Começa-se a acreditar. Mas de olhinho bom no horizonte, que os velhos mitos do monstro marinhopodem devem ser verdade e, segundo as nossas contas, não faltará muito para alguém soltar o kraken.
De repente, não é uma corrente cruzada, não é uma tempestade, não é um rochedo submerso: um raio de sol, uma brisa suave. Cai-nos no colo uma recompensa inesperada, abrimos a arca do tesouro à espera de uma bota velha e sai um euromilhões para a alma. Fechamos a tampa apressadamente, como que para reter a boa aventurança, não vá ela escapulir pela fresta. É demasiado bom, não pode ser, olha-se em volta à espera que nos salte de trás de uma moita a multidão aos gritos de gozo e a berrar "primeiro de abril!". Não sai. Segura-se bem o baú. Começa-se a acreditar. Mas de olhinho bom no horizonte, que os velhos mitos do monstro marinho
quarta-feira, 25 de maio de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
I tawt I taw a puddy tat
Em seis tapetes possíveis, e de uma só vez, a gata conseguiu gremitar em quatro.
Que rica estola vou estrear no próximo outono/inverno.
Que rica estola vou estrear no próximo outono/inverno.
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Under pressure
Fases de meltdown Izziano:
1- Sou uma pessoa muito doente dos nervos.
2- Oh que merdaputacaralhofoda.
3- Puta de vida, pá.
4- A minha vida é uma merda, uma merda!
5- Odeio a minha vida! Odeio!
A subida de 1 a 4 é relativamente suave, passando-se o tempo adequado em cada uma das etapas para a apreciar, saborear, degustar devidamente. Consigo passar bastante tempo no ponto 4. A passagem do 4 ao 5 é, por norma, súbita e imprevisível, e normalmente desencadeada por um percalço completamente fútil, corriqueiro ou insignificante. Por exemplo: num dia muito mau, depois de uma semana muito má, fui a correr ao sweet drop, de propósito, porque tinha acabado (todo!, todo!) o papel higiénico. Saí do estabelecimento ajoujada de mercearias, hortaliças e outros precisandos; chegada a casa verifiquei que tinha esquecido o papel higiénico. Fase 5plus. E, garanto, é de meter medo.
Anyhoo, estou aqui em plateau na fase 4 há coisa de três, quatro dias; aguardo ansiosa qual a merdinhância que me vai lançar na estratosfera do meltdown.
1- Sou uma pessoa muito doente dos nervos.
2- Oh que merdaputacaralhofoda.
3- Puta de vida, pá.
4- A minha vida é uma merda, uma merda!
5- Odeio a minha vida! Odeio!
A subida de 1 a 4 é relativamente suave, passando-se o tempo adequado em cada uma das etapas para a apreciar, saborear, degustar devidamente. Consigo passar bastante tempo no ponto 4. A passagem do 4 ao 5 é, por norma, súbita e imprevisível, e normalmente desencadeada por um percalço completamente fútil, corriqueiro ou insignificante. Por exemplo: num dia muito mau, depois de uma semana muito má, fui a correr ao sweet drop, de propósito, porque tinha acabado (todo!, todo!) o papel higiénico. Saí do estabelecimento ajoujada de mercearias, hortaliças e outros precisandos; chegada a casa verifiquei que tinha esquecido o papel higiénico. Fase 5plus. E, garanto, é de meter medo.
Anyhoo, estou aqui em plateau na fase 4 há coisa de três, quatro dias; aguardo ansiosa qual a merdinhância que me vai lançar na estratosfera do meltdown.
quinta-feira, 19 de maio de 2016
O Gato das Botas
Já vi expresso todo um leque de sentimentos em relação à coisa, mas o que ainda ninguém disse, e a mim faz muita confusão, muita espécie, é isto: como é que pessoas (alegadamente instruídas - pelo menos uma - moderninhas, viajadas, coise), que podem gastar dezoito mil patacas numas férias, as escolhem enterrar precisamente em Formentera.
Eu cá não sei, mas supondo que dispunha de tal pecúnia, e assim de cabeça, Capri, Sardenha, Malta, Saint Thomas, Guadalupe, Saint Marteen, Barbados, Tortuga, Zanzibar e, que se lixe, Fidji ou Vanuatu, estariam num lugar mais elegível.
Mais um bocadinho caiam em Torremolinos ou Marbella. Credo.
Eu cá não sei, mas supondo que dispunha de tal pecúnia, e assim de cabeça, Capri, Sardenha, Malta, Saint Thomas, Guadalupe, Saint Marteen, Barbados, Tortuga, Zanzibar e, que se lixe, Fidji ou Vanuatu, estariam num lugar mais elegível.
Mais um bocadinho caiam em Torremolinos ou Marbella. Credo.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
A series of unfortunate events
O acessório must have desta primavera verão? Vocêzes, não sei, o meu é este:
Para a mão direita, que na esquerda já tenho o relóge. Muito in. Fixe, fixe, era fazer-se numa bonita paleta de cores, para combinar com o autefite, mas não há visão nenhuma, zero empreendedorismo na indústria ortopédica.
Anyhoo, e como complemento, junte-se o seguinte:
Que também tenho o ombro direito todo fornicadinho. Oh, felicidade. E as dores, hein, as dores? Super trêndi, adormecer e acordar todos os dias como se tivesse um pica-pau no ombro e outro no pulso. Maravilha. Além de que estou a teclar a uma velocidade de primeiro ciclo, e a manuscrever com uma letra correspondente.
E ainda dizem que trabalhar dá saúde.
Para a mão direita, que na esquerda já tenho o relóge. Muito in. Fixe, fixe, era fazer-se numa bonita paleta de cores, para combinar com o autefite, mas não há visão nenhuma, zero empreendedorismo na indústria ortopédica.
Anyhoo, e como complemento, junte-se o seguinte:
Que também tenho o ombro direito todo fornicadinho. Oh, felicidade. E as dores, hein, as dores? Super trêndi, adormecer e acordar todos os dias como se tivesse um pica-pau no ombro e outro no pulso. Maravilha. Além de que estou a teclar a uma velocidade de primeiro ciclo, e a manuscrever com uma letra correspondente.
E ainda dizem que trabalhar dá saúde.
segunda-feira, 9 de maio de 2016
I must make amends
Querido Estado:
Dirijo-te [posso tratar-te por tu, verdade?, afinal não nos conhecemos de ontem, e nada da minha vida te escapa, tudo o que tenho vem e volta a ti, sinto-nos assim como que ser e sombra; deixa, por favor, ter esta breve ilusão de intimidade] estas breves e esperançosas palavras, no desejo e expectativa que se corrija, doravante, grave injustiça de que, como cidadã contribuinte, sujeito de direitos, sou alvo. Sem mais delongas, passo já ao(s) assunto(s), a saber, que é(são) o(s) seguinte(s):
- Desejo uma casa maior. Com jardim. Pode ser para recuperar, sempre fica ao meu gosto. Portanto, reformulando: desejo uma casa maior, com jardim, garagem (já me esquecia!) e uma verbazinha para recuperação/qualificação. Não tenho ainda propostas, mas sou pessoa modesta: qualquer meio milhão servirá. Vá, seiscentos mil, já sabemos que as obras tendem a derrapar. Visto que não sou possuidora de tal quantia, agradecia o obséquio. Afinal tenho o direito (constitucionalmente garantido!, ó o art. 65º nº1!) à habitação, ou não? E eu é que sei, eu é que estou em condições de determinar o que é isso de "uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal." Entendidos, portanto.
- Falando em habitação, também me contratavas um sistema de segurança. É um direito que eu tenho (art. 27º nº1, outra vez da Constituição), o direito à segurança. Sim, eu sei que há forças de segurança públicas; mas a menos que me prometas um polícia à porta, em permanência, não vejo como mo possas assegurar com a mesma eficiência que uma empresa privada me garante. Ficamos assim, portanto: alarmes de intrusão, videovigilância, ligação à central. A mensalidade não é assim tão alta, pá. Afinal para que servem os meus impostos?
- Já agora: quero um mini. O que me dava imenso jeito era aquele que aparenta uma carrinha, o clubman. Muito giro, jeitoso, arrumado. Em verde garrafa. Ou castanho chocolate. Depois combinamos. Dois era o ideal: um mais prático, o tipo carrinha, e outro para as voltas mais doudas, em azul real, com o union jack no tejadilho. Como? Já tenho um utilitário? E, ademais, passe social? Ó senhor, então e os meus direitos? Está na constituição, o de deslocação (art. 44º nº1). E, já que tenho esse direito, quero escolher. O dito meio. De deslocação. Uma coisa com estilo, ou não mereço? Mereço, pois.
- Não querendo agourar, mas já que não vou para nova e prevenindo: em me acontecendo uma necessidade (bate na madeira!) preferia um daqueles hospitais privados com quartos individuais. Nem em estando saudável gosto de partilhar espaço de dormida com estranhos, quanto mais. Além de que diz que têm escolha entre dois ou mais pratos, nas refeições, e eu não posso comer de tudo. E se é um direito que eu tenho (art. 64º nº1), e se há estabelecimentos que garantem uma assistência mais confortavelzinha que os teus, prefiro escolher. E, caramba, acho que tenho o direito de escolher. Ora essa.
- Finalizando, que eu sou uma pessoa que nem pede muito, mas pede em bom, queria um smartphone novo, que o meu já não sei se aguenta as novas actualizações que por aí virão. Prevenindo, portanto, queria um, a breve trecho, tipo, já. Não precisa de ser uma coisa muito fina, nem muito cara, basta que tenha acesso à net e uai-fai, de molde a me garantir o meu direito ao acesso à informação (art. 37º), e à expressão, que blogar também é isso. Já agora, também a netflix, e tomavas conta da minha continha de tv cabo (pacote de filmes incluídos), a ver se me garantes o meu (efectivo!) direito à cultura (art. 73º nº1). Uma vez que na érre-tê-pê não passa nada de jeito, e eu ainda tenho o direito a escolher o que melhor serve as minhas (aliás elevadas) exigências culturais, não fazes mais nada que a tua obrigação.
E pronto, era só. Claro que fica tudo em meu nome, afinal tenho o direito à propriedade privada, (art. 62º nº1). E o Estado quer-se uma pessoa de bem, que não viola direitos, muito menos os fundados em legítimas expectativas constitucionalmente consagradas. Em falando de direitos, mormente os adquiridos, repõe também aí o salário e horário com base no qual fui contratada. Mas só depois de me assegurares o resto, que o importante e essencial é o importante e essencial, e não quero ser responsável por um súbito descalabro das contas públicas.
Subscrevo-me, com toda a estima e consideração, e melhores votos de continuação,
Izzie
(blogger. pessoa. mulher. cidadã. contribuinte.)
[disclaimer: todas as normas citadas neste post partem de uma pessoalíssima e mui conveniente interpretação do texto Constitucional pela subscritora.]
Dirijo-te [posso tratar-te por tu, verdade?, afinal não nos conhecemos de ontem, e nada da minha vida te escapa, tudo o que tenho vem e volta a ti, sinto-nos assim como que ser e sombra; deixa, por favor, ter esta breve ilusão de intimidade] estas breves e esperançosas palavras, no desejo e expectativa que se corrija, doravante, grave injustiça de que, como cidadã contribuinte, sujeito de direitos, sou alvo. Sem mais delongas, passo já ao(s) assunto(s), a saber, que é(são) o(s) seguinte(s):
- Desejo uma casa maior. Com jardim. Pode ser para recuperar, sempre fica ao meu gosto. Portanto, reformulando: desejo uma casa maior, com jardim, garagem (já me esquecia!) e uma verbazinha para recuperação/qualificação. Não tenho ainda propostas, mas sou pessoa modesta: qualquer meio milhão servirá. Vá, seiscentos mil, já sabemos que as obras tendem a derrapar. Visto que não sou possuidora de tal quantia, agradecia o obséquio. Afinal tenho o direito (constitucionalmente garantido!, ó o art. 65º nº1!) à habitação, ou não? E eu é que sei, eu é que estou em condições de determinar o que é isso de "uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal." Entendidos, portanto.
- Falando em habitação, também me contratavas um sistema de segurança. É um direito que eu tenho (art. 27º nº1, outra vez da Constituição), o direito à segurança. Sim, eu sei que há forças de segurança públicas; mas a menos que me prometas um polícia à porta, em permanência, não vejo como mo possas assegurar com a mesma eficiência que uma empresa privada me garante. Ficamos assim, portanto: alarmes de intrusão, videovigilância, ligação à central. A mensalidade não é assim tão alta, pá. Afinal para que servem os meus impostos?
- Já agora: quero um mini. O que me dava imenso jeito era aquele que aparenta uma carrinha, o clubman. Muito giro, jeitoso, arrumado. Em verde garrafa. Ou castanho chocolate. Depois combinamos. Dois era o ideal: um mais prático, o tipo carrinha, e outro para as voltas mais doudas, em azul real, com o union jack no tejadilho. Como? Já tenho um utilitário? E, ademais, passe social? Ó senhor, então e os meus direitos? Está na constituição, o de deslocação (art. 44º nº1). E, já que tenho esse direito, quero escolher. O dito meio. De deslocação. Uma coisa com estilo, ou não mereço? Mereço, pois.
- Não querendo agourar, mas já que não vou para nova e prevenindo: em me acontecendo uma necessidade (bate na madeira!) preferia um daqueles hospitais privados com quartos individuais. Nem em estando saudável gosto de partilhar espaço de dormida com estranhos, quanto mais. Além de que diz que têm escolha entre dois ou mais pratos, nas refeições, e eu não posso comer de tudo. E se é um direito que eu tenho (art. 64º nº1), e se há estabelecimentos que garantem uma assistência mais confortavelzinha que os teus, prefiro escolher. E, caramba, acho que tenho o direito de escolher. Ora essa.
- Finalizando, que eu sou uma pessoa que nem pede muito, mas pede em bom, queria um smartphone novo, que o meu já não sei se aguenta as novas actualizações que por aí virão. Prevenindo, portanto, queria um, a breve trecho, tipo, já. Não precisa de ser uma coisa muito fina, nem muito cara, basta que tenha acesso à net e uai-fai, de molde a me garantir o meu direito ao acesso à informação (art. 37º), e à expressão, que blogar também é isso. Já agora, também a netflix, e tomavas conta da minha continha de tv cabo (pacote de filmes incluídos), a ver se me garantes o meu (efectivo!) direito à cultura (art. 73º nº1). Uma vez que na érre-tê-pê não passa nada de jeito, e eu ainda tenho o direito a escolher o que melhor serve as minhas (aliás elevadas) exigências culturais, não fazes mais nada que a tua obrigação.
E pronto, era só. Claro que fica tudo em meu nome, afinal tenho o direito à propriedade privada, (art. 62º nº1). E o Estado quer-se uma pessoa de bem, que não viola direitos, muito menos os fundados em legítimas expectativas constitucionalmente consagradas. Em falando de direitos, mormente os adquiridos, repõe também aí o salário e horário com base no qual fui contratada. Mas só depois de me assegurares o resto, que o importante e essencial é o importante e essencial, e não quero ser responsável por um súbito descalabro das contas públicas.
Subscrevo-me, com toda a estima e consideração, e melhores votos de continuação,
Izzie
(blogger. pessoa. mulher. cidadã. contribuinte.)
[disclaimer: todas as normas citadas neste post partem de uma pessoalíssima e mui conveniente interpretação do texto Constitucional pela subscritora.]
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Hello, I must be going*
Ora numa semana aqui há atrasado ganhei sete euros e trocos no euromilhões; noutra mais próxima dezasseis e coiso. Duas apostas, dois prémios. Alguém instruído nas artes dos númbaros faça aí a caridade de me facultar uma formulazita que me permita calcular quantos sorteios me faltam até me sair qualquer coisa que se veja, isto é, no mínimo o suficiente para uma viagenzita janota, ou a casa de banho forrada a mosaico hidráulico e azulejo de metro que gostaria (e, por razões puramente cois€, não dá). Não peço muito, vá. E prometo que até jogo.
*aposto que não sabiam que havia mais um irmão Marx. ó ele aqui. na excelsa companhia do Capitão Spaulding, essa lenda viva.
*aposto que não sabiam que havia mais um irmão Marx. ó ele aqui. na excelsa companhia do Capitão Spaulding, essa lenda viva.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Science, bitch
Vale (mesmo) a pena ler: alguém decidiu acompanhar os concorrentes de determinada temporada do The Biggest Loser, e os resultados de tal estudo são surpreendentes. Sim, sim, o universo estudado é muito pequeno. Mas, como se realça ao longo do artigo, é demonstrativo para situações de perda de peso rápida através de dieta e exercício. E parece que se encontram resultados semelhantes noutros estudos. Engraçado. Embora não tenha piada nenhuma.
É ler tudinho, e cada um que retire as suas conclusões. Mas talvez fosse importante para quem tenta, tenta, tenta despistar quilos e acaba com o mesmo peso, ou mais ainda, e muita culpa em cima dos ombros. E, se calhar ainda mais, para quem aponta o dedo aos "falhados" dos gordos, essa gente sem auto-controlo, auto-estima, motivação. Eu sou das semi-sortudas cujo "peso sem esforço" - ou melhor, quase sem esforço - ainda a situa abaixo do índice odioso da não menos odiosa (e infundada, e demasiado genérica, e completamente não substanciada) tabela de IMC. E depois há os outros. Que merecem melhor que o que a sociedade lhes reserva hoje. Não, fechar a boca e "queimar" não é solução. Espantoso, hein.
"Most people who have tried to lose weight know how hard it is to keep the weight off, but many blame themselves when the pounds come back. But what obesity research has consistently shown is that dieters are at the mercy of their own bodies, which muster hormones and an altered metabolic rate to pull them back to their old weights, whether that is hundreds of pounds more or that extra 10 or 15 that many people are trying to keep off.
There is always a weight a person’s body maintains without any effort. And while it is not known why that weight can change over the years — it may be an effect of aging — at any point, there is a weight that is easy to maintain, and that is the weight the body fights to defend. Finding a way to thwart these mechanisms is the goal scientists are striving for. First, though, they are trying to understand them in greater detail."
"Slower metabolisms were not the only reason the contestants regained weight, though. They constantly battled hunger, cravings and binges. The investigators found at least one reason: plummeting levels of leptin. The contestants started out with normal levels of leptin. By the season’s finale, they had almost no leptin at all, which would have made them ravenous all the time. As their weight returned, their leptin levels drifted up again, but only to about half of what they had been when the season began, the researchers found, thus helping to explain their urges to eat."
"Dr. Lee Kaplan, an obesity researcher at Harvard, says the brain sets the number of calories we consume, and it can be easy for people to miss that how much they eat matters less than the fact that their bodies want to hold on to more of those calories."
"But Dr. Ludwig said that simply cutting calories was not the answer. “There are no doubt exceptional individuals who can ignore primal biological signals and maintain weight loss for the long term by restricting calories,” he said, but he added that “for most people, the combination of incessant hunger and slowing metabolism is a recipe for weight regain — explaining why so few individuals can maintain weight loss for more than a few months.”
Dr. Rosenbaum agreed. “The difficulty in keeping weight off reflects biology, not a pathological lack of willpower affecting two-thirds of the U.S.A.,” he said."
É ler tudinho, e cada um que retire as suas conclusões. Mas talvez fosse importante para quem tenta, tenta, tenta despistar quilos e acaba com o mesmo peso, ou mais ainda, e muita culpa em cima dos ombros. E, se calhar ainda mais, para quem aponta o dedo aos "falhados" dos gordos, essa gente sem auto-controlo, auto-estima, motivação. Eu sou das semi-sortudas cujo "peso sem esforço" - ou melhor, quase sem esforço - ainda a situa abaixo do índice odioso da não menos odiosa (e infundada, e demasiado genérica, e completamente não substanciada) tabela de IMC. E depois há os outros. Que merecem melhor que o que a sociedade lhes reserva hoje. Não, fechar a boca e "queimar" não é solução. Espantoso, hein.
"Most people who have tried to lose weight know how hard it is to keep the weight off, but many blame themselves when the pounds come back. But what obesity research has consistently shown is that dieters are at the mercy of their own bodies, which muster hormones and an altered metabolic rate to pull them back to their old weights, whether that is hundreds of pounds more or that extra 10 or 15 that many people are trying to keep off.
There is always a weight a person’s body maintains without any effort. And while it is not known why that weight can change over the years — it may be an effect of aging — at any point, there is a weight that is easy to maintain, and that is the weight the body fights to defend. Finding a way to thwart these mechanisms is the goal scientists are striving for. First, though, they are trying to understand them in greater detail."
"Slower metabolisms were not the only reason the contestants regained weight, though. They constantly battled hunger, cravings and binges. The investigators found at least one reason: plummeting levels of leptin. The contestants started out with normal levels of leptin. By the season’s finale, they had almost no leptin at all, which would have made them ravenous all the time. As their weight returned, their leptin levels drifted up again, but only to about half of what they had been when the season began, the researchers found, thus helping to explain their urges to eat."
"Dr. Lee Kaplan, an obesity researcher at Harvard, says the brain sets the number of calories we consume, and it can be easy for people to miss that how much they eat matters less than the fact that their bodies want to hold on to more of those calories."
"But Dr. Ludwig said that simply cutting calories was not the answer. “There are no doubt exceptional individuals who can ignore primal biological signals and maintain weight loss for the long term by restricting calories,” he said, but he added that “for most people, the combination of incessant hunger and slowing metabolism is a recipe for weight regain — explaining why so few individuals can maintain weight loss for more than a few months.”
Dr. Rosenbaum agreed. “The difficulty in keeping weight off reflects biology, not a pathological lack of willpower affecting two-thirds of the U.S.A.,” he said."
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