terça-feira, 7 de junho de 2016

It's time to try defying gravity

Quem me viu [há um ano, por esta altura] e quem me vê.

[pronto, tarda nada já baixa a extrema neurose, a realização do síndrome de impostor, o medo do princípio de Peter, a agonia da vertigem, o costumeiro e resistente pessimismo. entretanto, é aproveitar. porque melhor que isto, pah, acho que não há. eu cá nunca vi.]


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Life goes on

No ecrã o gebo responde, à pergunta sobre se se considera um visionário, que sim. Eu, ainda meia esmagada com o tamanho daquele ego em particular, que gentes destas que muito se considera tem este efeito em mim, de opressiva falta de ar, só consigo a reacção de bergh, quem é este, enquanto reparo que o visionário, e também, ao que parece, empreendedor, acha bem vestir uma gravata com uma camisa com botões no colarinho. Mal sabia eu o que se seguiria. Pois esta alma boa, esta pessoa de largas vistas, este insular com olhinho no futuro - o seu, obviamente - conseguiu, empresariando lá numa empresa sua, sacar um empréstimo de centro e trinta milhões de biscas ao último banco que nos calhou pagar. Garantido, claro, que a lusa banca não dá pontinho sem nó. A garantia era imobiliária, como aliás mandam as normais cautelas e usos*, mas sobre um terreno. Onde se ia construir uma coisa em grande e em bom, um empreendimento para o senhor empreender turisticamente, desenvolver a região, mas que não passou à fase de acabamentos. Presumo que a garantia se louvasse no valor daquilo em pronto e acabado e a funcionar, uma ficção portanto. Nada de anormal, é assim que funciona e sempre funcionou o sector pato-bravo da construção civil. E nem corre mal, a menos que a empresa entre em falência. Ou o mercado esteja em recessão. E o mercado estava. E esta entrou. E o banco - volto a repetir, o último que nos calhou pagar - aceitou em pagamento total da dívida o terreno e os caboucos. Nada mais**. Empreendedor saiu disto alvo como a sua camisa branca, mas com botões no colarinho, e, por baixo deste, gravata. Continua a empreender, com o seu fato que por um nico não é azul carris; a considerar-se um visionário, com a sua gravata bem presa por botões, nunca fiando, põem-se à banda tão facilmente; e a considerar tudo isto normal, normalíssimo, a dívida está paga, ora então, apesar de o terreno continuar à venda e nem sequer lhe terem pegado por trezentos e cinquenta mil patacos; e considera-se limpo como a sua camisa branca.
E nós, contribuintes, sector público, país, a carregar este rol de roupa suja que não acaba. E a discutir uns com os outros a quem calhou mais cuecas sujas para corar, e quem tem o máximo dever de estragar as mãos com lixívia. Parabéns. A nós.



*por acaso, e em situações bem menores, e até abaixo dos cento e trinta mil tustos,a banca acha por bem pedir colaterais como penhores, garantias bancárias e até, pasme-se, garantias pessoais aos gerentes / sócios; não foi o caso, pelos vistos.

**não experimente o mesmo em casa: se por acaso têm um empréstimo hipotecário para pagar, aquele que vos garantiu o tecto, e por acaso entrarem em mora e finalmente incumprimento, o banco até aceita a casita em dação, mas não em pagamento, só por conta do montante total em dívida; se por um acaso não a venderem por tal valor, ficais a pagar o resto que vos phodeis. má sorte não serdes putas.

sábado, 28 de maio de 2016

Steady as she goes, Mr. Sulu

E a vida lá segue, em piloto automático, se bem que nem o piloto tirou curso ou se formou nestas artes da navegação, e o automático nem por isso é muito auto, e menos ainda mático. Mas segue, ao sabor da corrente, e se ela nos é mansa e tranquila até se estranha, aguça-se o olhar para mais cedo detectar o remoinho que, decerto, não há-de deixar de aparecer. Bate na madeira, cruzes canhoto, isola. O pensamento mágico é uma bengala frouxa, mas está sempre lá, bendito seja. Dá azar, reconhecer, não, rejubilar com o bom. Mais vale desconfiar. Porque nunca corre tão bem como pensamos que está a correr, assim nos ensinou o passado, e somos, queremos ser o bom aluno, atento e diligente, sempre à coca da armadilha no problema demasiado fácil.
De repente, não é uma corrente cruzada, não é uma tempestade, não é um rochedo submerso: um raio de sol, uma brisa suave. Cai-nos no colo uma recompensa inesperada, abrimos a arca do tesouro à espera de uma bota velha e sai um euromilhões para a alma. Fechamos a tampa apressadamente, como que para reter a boa aventurança, não vá ela escapulir pela fresta. É demasiado bom, não pode ser, olha-se em volta à espera que nos salte de trás de uma moita a multidão aos gritos de gozo e a berrar "primeiro de abril!". Não sai. Segura-se bem o baú. Começa-se a acreditar. Mas de olhinho bom no horizonte, que os velhos mitos do monstro marinho podem devem ser verdade e, segundo as nossas contas, não faltará muito para alguém soltar o kraken.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

segunda-feira, 23 de maio de 2016

I tawt I taw a puddy tat

Em seis tapetes possíveis, e de uma só vez, a gata conseguiu gremitar em quatro.
Que rica estola vou estrear no próximo outono/inverno.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Under pressure

Fases de meltdown Izziano:

1- Sou uma pessoa muito doente dos nervos.
2- Oh que merdaputacaralhofoda.
3- Puta de vida, pá.
4- A minha vida é uma merda, uma merda!
5- Odeio a minha vida! Odeio!

A subida de 1 a 4 é relativamente suave, passando-se o tempo adequado em cada uma das etapas para a apreciar, saborear, degustar devidamente. Consigo passar bastante tempo no ponto 4. A passagem do 4 ao 5 é, por norma, súbita e imprevisível, e normalmente desencadeada por um percalço completamente fútil, corriqueiro ou insignificante. Por exemplo: num dia muito mau, depois de uma semana muito má, fui a correr ao sweet drop, de propósito, porque tinha acabado (todo!, todo!) o papel higiénico. Saí do estabelecimento ajoujada de mercearias, hortaliças e outros precisandos; chegada a casa verifiquei que tinha esquecido o papel higiénico. Fase 5plus. E, garanto, é de meter medo.
Anyhoo, estou aqui em plateau na fase 4 há coisa de três, quatro dias; aguardo ansiosa qual a merdinhância que me vai lançar na estratosfera do meltdown.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Gato das Botas

Já vi expresso todo um leque de sentimentos em relação à coisa, mas o que ainda ninguém disse, e a mim faz muita confusão, muita espécie, é isto: como é que pessoas (alegadamente instruídas - pelo menos uma - moderninhas, viajadas, coise), que podem gastar dezoito mil patacas numas férias, as escolhem enterrar precisamente em Formentera.
Eu cá não sei, mas supondo que dispunha de tal pecúnia, e assim de cabeça, Capri, Sardenha, Malta, Saint Thomas, Guadalupe, Saint Marteen, Barbados, Tortuga, Zanzibar e, que se lixe, Fidji ou Vanuatu, estariam num lugar mais elegível.
Mais um bocadinho caiam em Torremolinos ou Marbella. Credo.

Salad Days

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A series of unfortunate events

O acessório must have desta primavera verão? Vocêzes, não sei, o meu é este:

Para a mão direita, que na esquerda já tenho o relóge. Muito in. Fixe, fixe, era fazer-se numa bonita paleta de cores, para combinar com o autefite, mas não há visão nenhuma, zero empreendedorismo na indústria ortopédica.

Anyhoo, e como complemento, junte-se o seguinte:

Que também tenho o ombro direito todo fornicadinho. Oh, felicidade. E as dores, hein, as dores? Super trêndi, adormecer e acordar todos os dias como se tivesse um pica-pau no ombro e outro no pulso. Maravilha. Além de que estou a teclar a uma velocidade de primeiro ciclo, e a manuscrever com uma letra correspondente.

E ainda dizem que trabalhar dá saúde.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

I must make amends

Querido Estado:

Dirijo-te [posso tratar-te por tu, verdade?, afinal não nos conhecemos de ontem, e nada da minha vida te escapa, tudo o que tenho vem e volta a ti, sinto-nos assim como que ser e sombra; deixa, por favor, ter esta breve ilusão de intimidade] estas breves e esperançosas palavras, no desejo e expectativa que se corrija, doravante, grave injustiça de que, como cidadã contribuinte, sujeito de direitos, sou alvo. Sem mais delongas, passo já ao(s) assunto(s), a saber, que é(são) o(s) seguinte(s):

- Desejo uma casa maior. Com jardim. Pode ser para recuperar, sempre fica ao meu gosto. Portanto, reformulando: desejo uma casa maior, com jardim, garagem (já me esquecia!) e uma verbazinha para recuperação/qualificação. Não tenho ainda propostas, mas sou pessoa modesta: qualquer meio milhão servirá. Vá, seiscentos mil, já sabemos que as obras tendem a derrapar. Visto que não sou possuidora de tal quantia, agradecia o obséquio. Afinal tenho o direito (constitucionalmente garantido!, ó o art. 65º nº1!) à habitação, ou não? E eu é que sei, eu é que estou em condições de determinar o que é isso de "uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal." Entendidos, portanto.

- Falando em habitação, também me contratavas um sistema de segurança. É um direito que eu tenho (art. 27º nº1, outra vez da Constituição), o direito à segurança. Sim, eu sei que há forças de segurança públicas; mas a menos que me prometas um polícia à porta, em permanência, não vejo como mo possas assegurar com a mesma eficiência que uma empresa privada me garante. Ficamos assim, portanto: alarmes de intrusão, videovigilância, ligação à central. A mensalidade não é assim tão alta, pá. Afinal para que servem os meus impostos?

- Já agora: quero um mini. O que me dava imenso jeito era aquele que aparenta uma carrinha, o clubman. Muito giro, jeitoso, arrumado. Em verde garrafa. Ou castanho chocolate. Depois combinamos. Dois era o ideal: um mais prático, o tipo carrinha, e outro para as voltas mais doudas, em azul real, com o union jack no tejadilho. Como? Já tenho um utilitário? E, ademais, passe social? Ó senhor, então e os meus direitos? Está na constituição, o de deslocação (art. 44º nº1). E, já que tenho esse direito, quero escolher. O dito meio. De deslocação. Uma coisa com estilo, ou não mereço? Mereço, pois.

- Não querendo agourar, mas já que não vou para nova e prevenindo: em me acontecendo uma necessidade (bate na madeira!) preferia um daqueles hospitais privados com quartos individuais. Nem em estando saudável gosto de partilhar espaço de dormida com estranhos, quanto mais. Além de que diz que têm escolha entre dois ou mais pratos, nas refeições, e eu não posso comer de tudo. E se é um direito que eu tenho (art. 64º nº1), e se há estabelecimentos que garantem uma assistência mais confortavelzinha que os teus, prefiro escolher. E, caramba, acho que tenho o direito de escolher. Ora essa.

- Finalizando, que eu sou uma pessoa que nem pede muito, mas pede em bom, queria um smartphone novo, que o meu já não sei se aguenta as novas actualizações que por aí virão. Prevenindo, portanto, queria um, a breve trecho, tipo, já. Não precisa de ser uma coisa muito fina, nem muito cara, basta que tenha acesso à net e uai-fai, de molde a me garantir o meu direito ao acesso à informação (art. 37º), e à expressão, que blogar também é isso. Já agora, também a netflix, e tomavas conta da minha continha de tv cabo (pacote de filmes incluídos), a ver se me garantes o meu (efectivo!) direito à cultura (art. 73º nº1). Uma vez que na érre-tê-pê não passa nada de jeito, e eu ainda tenho o direito a escolher o que melhor serve as minhas (aliás elevadas) exigências culturais, não fazes mais nada que a tua obrigação.

E pronto, era só. Claro que fica tudo em meu nome, afinal tenho o direito à propriedade privada, (art. 62º nº1). E o Estado quer-se uma pessoa de bem, que não viola direitos, muito menos os fundados em legítimas expectativas constitucionalmente consagradas. Em falando de direitos, mormente os adquiridos, repõe também aí o salário e horário com base no qual fui contratada. Mas só depois de me assegurares o resto, que o importante e essencial é o importante e essencial, e não quero ser responsável por um súbito descalabro das contas públicas.

Subscrevo-me, com toda a estima e consideração, e melhores votos de continuação,
Izzie
(blogger. pessoa. mulher. cidadã. contribuinte.)


[disclaimer: todas as normas citadas neste post partem de uma pessoalíssima e mui conveniente interpretação do texto Constitucional pela subscritora.]

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Hello, I must be going*

Ora numa semana aqui há atrasado ganhei sete euros e trocos no euromilhões; noutra mais próxima dezasseis e coiso. Duas apostas, dois prémios. Alguém instruído nas artes dos númbaros faça aí a caridade de me facultar uma formulazita que me permita calcular quantos sorteios me faltam até me sair qualquer coisa que se veja, isto é, no mínimo o suficiente para uma viagenzita janota, ou a casa de banho forrada a mosaico hidráulico e azulejo de metro que gostaria (e, por razões puramente cois€, não dá). Não peço muito, vá. E prometo que até jogo.

*aposto que não sabiam que havia mais um irmão Marx. ó ele aqui. na excelsa companhia do Capitão Spaulding, essa lenda viva.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Science, bitch

Vale (mesmo) a pena ler: alguém decidiu acompanhar os concorrentes de determinada temporada do The Biggest Loser, e os resultados de tal estudo são surpreendentes. Sim, sim, o universo estudado é muito pequeno. Mas, como se realça ao longo do artigo, é demonstrativo para situações de perda de peso rápida através de dieta e exercício. E parece que se encontram resultados semelhantes noutros estudos. Engraçado. Embora não tenha piada nenhuma.
É ler tudinho, e cada um que retire as suas conclusões. Mas talvez fosse importante para quem tenta, tenta, tenta despistar quilos e acaba com o mesmo peso, ou mais ainda, e muita culpa em cima dos ombros. E, se calhar ainda mais, para quem aponta o dedo aos "falhados" dos gordos, essa gente sem auto-controlo, auto-estima, motivação. Eu sou das semi-sortudas cujo "peso sem esforço" - ou melhor, quase sem esforço - ainda a situa abaixo do índice odioso da não menos odiosa (e infundada, e demasiado genérica, e completamente não substanciada) tabela de IMC. E depois há os outros. Que merecem melhor que o que a sociedade lhes reserva hoje. Não, fechar a boca e "queimar" não é solução. Espantoso, hein.

"Most people who have tried to lose weight know how hard it is to keep the weight off, but many blame themselves when the pounds come back. But what obesity research has consistently shown is that dieters are at the mercy of their own bodies, which muster hormones and an altered metabolic rate to pull them back to their old weights, whether that is hundreds of pounds more or that extra 10 or 15 that many people are trying to keep off.
There is always a weight a person’s body maintains without any effort. And while it is not known why that weight can change over the years — it may be an effect of aging — at any point, there is a weight that is easy to maintain, and that is the weight the body fights to defend. Finding a way to thwart these mechanisms is the goal scientists are striving for. First, though, they are trying to understand them in greater detail."

"Slower metabolisms were not the only reason the contestants regained weight, though. They constantly battled hunger, cravings and binges. The investigators found at least one reason: plummeting levels of leptin. The contestants started out with normal levels of leptin. By the season’s finale, they had almost no leptin at all, which would have made them ravenous all the time. As their weight returned, their leptin levels drifted up again, but only to about half of what they had been when the season began, the researchers found, thus helping to explain their urges to eat."

"Dr. Lee Kaplan, an obesity researcher at Harvard, says the brain sets the number of calories we consume, and it can be easy for people to miss that how much they eat matters less than the fact that their bodies want to hold on to more of those calories."

"But Dr. Ludwig said that simply cutting calories was not the answer. “There are no doubt exceptional individuals who can ignore primal biological signals and maintain weight loss for the long term by restricting calories,” he said, but he added that “for most people, the combination of incessant hunger and slowing metabolism is a recipe for weight regain — explaining why so few individuals can maintain weight loss for more than a few months.”
Dr. Rosenbaum agreed. “The difficulty in keeping weight off reflects biology, not a pathological lack of willpower affecting two-thirds of the U.S.A.,” he said."

sexta-feira, 29 de abril de 2016

How to get away with murder

Ainda tenho aqui muitas ponta para atar, e se calhar até já venho tarde, que a coisa finou-se esta semana, mas não podia deixar de recomendar (vivamente!, entusiasticamente!) esta American Crime Story - The People vs. O.J. Simpson.

Pá, ca ganda série. E se eu a comecei de pé atrás. É que ainda me lembro bem dos crimes, dos julgamentos (sim, a seguir houve a acção cível), da comoção, do escândalo, da exposição mediática. Tinha imenso receio que a série fosse ou a) uma coisa muito estilo documentário, seca e puramente expositiva; b) ou uma coisa muito sensacionalista, tomando partidos, fazendo eco e ressuscitando a loucura de então. Mas não. É claro que reflecte o que se passou com muitíssimo rigor, mas também há liberdade, vá, criativa. Não podemos senão imaginar os momentos em privado da equipa de defesa ou acusação, mas convenhamos: nada do que se "imagina" na série é muito difícil de crer e, por enquanto, ainda não surgiram desmentidos exaltados.

Mas o principal, que para mim é mesmo o principal, é que não se faz apologia choramingas de ninguém, nem se pretende vingança ou desforço, ou sequer apontar uma verdade absoluta. Há uma narração rigorosa dos factos, designadamente do decurso do julgamento e prova apresentada. Há espaço para as personagens (que crescem, respiram, se desenvolvem), e muito respeito por elas: afinal retrata-se pessoas reais. E muito, muito respeito pelas vítimas e sensibilidade das respectivas famílias. Isto é mesmo o que me comoveu: afinal duas pessoas tiveram uma morte prematura e horrível, e não tiveram direito à justiça que mereciam. Duas. Não é apenas a história de uma, mas de duas vítimas - e as cenas que envolvem o pai e irmã de Ron Goldman, a vítima relegada sempre para segundo plano, são de cortar o coração.

Muitas notas positivas, mas realço meia dúzia. São focados todos, mas todinhos os intervenientes nesta trama da vida real. Todos têm palavra, espaço, o seu pedaço de história. Sarah Paulson como Marcia Clark é para lá de brilhante, e Sterling K. Brown como o procurador Darden fica ali a par. Grandes escolhas de elenco para a equipa de defesa (a tal "dream team"), sim, incluindo o Travolta. Um grande "meh" para o Cuba Gooding Jr. como O.J., mas cumpre. Realização e argumento ali em cima.
[Apenas uma nota negativa para nerds maluques da continuidade: há um erro de racord no último episódio que me deixou à beira da apoplexia - quando se sabe que o júri já deliberou, OJ barbeia-se na prisão; cena seguinte, no tribunal, OJ prepara-se para ouvir o veredicto com uma magnífica barba de três dias. Cenas. Minhas. Pronto. Fico doida.]

E pronto. Nos entretantos parece que estreiam hoje duas cenas que quero mesmo muito. Rir. Preciso de rir.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Raging Bull

Parece que o indivíduo lhe fez uma razia, não sei se já tinha o pé na estrada, ou se isto se passou numa passagem de peões, já lá vão muitos anos desde que me contaram e não tenho uma memória assim tão boa; para o caso nem interessa muito, o facto é que sujeito A fez razia a sujeito B, deslocando-se o primeiro de carro e o segundo a pé. Vai daí, o coisinho a penantes solta desabafo que consistiu num sonoro "filhadaputa", sucedendo que cidadão automobilizado seguia de janela aberta e ouviu. Acto contínuo, pára o carro, sai, e assenta valente castanhada no rosto do incauto peão, e isto porque, segundo a sua posterior justificação, aliás prestada a agente da autoridade que calhou assistir, ninguém faltava ao respeito à sua mãezinha, uma santa senhora, que até já tinha morrido (aposto que disse "falecido") e tudo.
E pronto, foi assim que aconteceu. Eu achei graça, mas fiz de conta que não, que sou pessoa que até se esforça por corresponder às expectativas, e meus interlocutores até mereciam uma normal circunspecção e escândalo com a historieta. Além de que como é que eu ia explicar, depois, que não, não eram gargalhadas de indiferença "ao que isto chegou!", mas em haver gente tan burra, tan limitada, tan enfim que reaja assim (e à frente de um polícia! credo, pá.) quando era por demais compreensível a oportunidade da intervenção, evidente a generalidade do insulto, que o agredido obviamente não particularizava nem desmerecia especificamente a mãe da cavalgadura. R'almente há gente com umas sensibilidades muito sensíveis.
[E do que me tenho safado, eu, pessoa tão dada ao desabafo vernacular.]

quinta-feira, 21 de abril de 2016

The great gig in the sky

Não estou a gostar mesmo nada deste início de 2016.

Olha, que coisa mais linda


Ou mais uma estação em que me obrigam à poupança na rubrica "roupa". Não há nada que se aproveite, nem para pano de chão, çinçeramente.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

E se fosse contigo ou Do the right thing

Imginem vocelências que no decurso da vossa (a)normal actividade profissional tomam contacto com um assunto impregnado de cheiro a esturro. Como sois pessoas de afinado olfacto aquele odor incomoda-vos supinamente, mas como procurar panelas ao lume e levantar as respectivas tampas não é a tarefa que vos é exigida, nada mais resta que aguentar o dito cheirete. Acabais, portanto, por fazer o que vos é exigido, vá, digamos, misturar e temperar a salada, e fazem-no o melhor que sabem e podem, levando até em conta que, tratando-se de fregueses que deixam queimar os cozinhados, o tempero aplicado ao caso terá de ser o que mais se adequa a tal perfil. Ficam satisfeitos com o resultado final, e cientes que a saladinha foi salgada e mexida da forma mais correcta e adequada.

Ali um mês decorrido, já decerto a salada foi ingerida, digerida e restituída  à natureza pelas vias normais, dão de caras com uma certa notícia, por acaso num jornal não nacional, dedicada ao tema "panelas cujo conteúdo esturra mas estão tão bem tapadas que ninguém dá conta, até agora, levantámos nós o testo, e ó a miséria de espectáculo que se apresenta". E há ali qualquer coisa que vos desperta uma memória, a saber, a específica marca de fogão - chamemos-lhe Lumex - onde normalmente se sentam tais panelas. E vocês já deram com aquele tipo de fogão, na mesma cozinha onde prepararam uma salada, e na altura até acharam que era de uma panela num plantada que vinha forte cheiro a esturro mas, como estavam ocupados com crudités, nem de tal electrodoméstico se aproximaram.

E agora coloca-se a questão. Tendes uma montanha de batatas para debulhar (e essas cascas, fininhas!), muita alface para demolhar e ripar, muito tomate para cortar e temperar. Mas não conseguem tirar da lembrança o caneco do fogão. O vosso Sherlock interior está doudo, doudo para pousar a faca de legumes e ir buscar o registo de preparação daquela salada antiga, a ver se se confirma, num exultante "ahá!" que sim senhora, naquela cozinha existia, de facto, um fogão Lumex. E panelas ao lume. Que exalavam forte cheiro a esturro. Sendo que tal conteúdo estragou-se, quando não se devia ter estragado. E que- sabedes agora - há alguém a produzir fogões Lumex, com o único mister de queimar aquilo que certos cidadãos não querem que aproveite a quem tem fominha. E, verificada tal informação, mandar tudo ao cuidado da secção, subdivisão, qualquercoisasão de alimentos cozinhados, para que vão asinha àquela cozinha destapar umas panelinhas, salvando, quiçá, umas boas carninhas ou, ao menos, indagar o que se passa.

Mas depois, ah, chega o camião do fornecedor, e despeja mais um montão de batata. E depois, ah, já temos gente na sala aos gritos pela saladinha. Então depois, ah, ah, ah.
Que fazer. Que fazer. A minha vida é isto.

Nervocalm. Gotas.

Sabes que se calhar já andas ali a rasar o limite da insanidade quando passas uns bons cinco minutos a tentar entrar num carro que não é o teu, até dares pelo engano.


[e a pista fundamental não foi o facto de o comando, que até teria pilha porque a luz acendia, não abrir o carro; a chave não rodar na fechadura, depois de desistires do comando; ou achares estranho que a cagadela de pombo tenha passado para outra janela. Foi um pára-choques todo amassado. E isto só depois de apanhares um susto do caneco e dizeres para ti própria "ai que me f#$%am o pára-choques outra vez". O meu Yaris também cinza prata - e, pura coincidência, que só reparei depois de dar pelo engano, do mesmo mês e ano - estava, afinal, dois lugares adiante. Isto anda bom, sim senhora.]

terça-feira, 19 de abril de 2016

Que talhas com o teu machado as tábuas do meu caixão

Ficou-me vivamente marcado, de todo o conteúdo da série Shogun [explicação aos novos: é uma coisa do século passado, i.e., vintage], uma situação em que se relatava um castigo dado a um inimigo derrotado: enterraram o homem, deixando-lhe apenas a cabeça de fora; puseram ao lado caninhas de bambu; cada transeunte que passasse, tinha por obrigação passar a aresta de uma caninha no pescoço do indivíduo.

Ora bem, mutatis mutandis, e não querendo ser uma drama queen, que por acaso até sou, estou a sentir a memória daquela cena muito presente. Bastavam umas pequenas mudanças de cenário e acessórios, assim um Shogun meets The Office, mas sucede que estive aqui quinze dias enterrada na mais chata papelada, uma pilha que valhamenossasenhora, a acrescer ao "normal", e agora, que já tinha lambido, lido, anotado, conferido, e, julgava eu, enfim livrado daquilo, vem um senhor da guerra que me encosta ao pescoço uma pen, embora não afiada, há que ser justo e verdadeiro, e me solicita que lhe grave ali tudo. Na boa, pá. Na boa. São só, quê, quantos anos de cenas e quantas centenas e tal de ficheiros? Na boa, pá. Até vem aí um fim-de-semana em grande e tudo, diz que é o dia da liberdade que se celebra, tomara eu.