Depois de 2015 ter sido marcado pela execução da resolução "só pinto o cabelo no cabeleireiro", e inevitáveis visitas mensais ao salão (é a pdi, caneco, o meu cabelo não tem, definitivamente, a minha idade mental, mas sim a física), achei que sim senhora, foi muito giro, mas já chega. Não há pachorra, não há. Além da ginástica para marcar, a corrida para ir, o ioga das duas horas numa sala quente, cheia de ruído de ventania eléctrica, o cabeleireiro dá-me seca. Muita seca. São horas de vida que não voltam. Nem é o dinheiro que se gasta, que aqui a mega-calona até paga alegremente para se ver livre de trabalhos; é a seca. Se-ca.
Vai daí, ala a uma lojinha de produtos específicos, e sai com o revelador e tinta da marca (inoa, sem espinhas: o meu couro cabeludo não se dá com amoníaco). E ontem, zunga, sacar dos fundos do armário de casa de banho o pincel e tigelinha. Estou uma pro, pá. É claro que, da próxima, deito primeiro o revelador e só depois a cor e nuance* (estas ocupam espaço e depois é mais complicado aferir se estamos a por mesmo a quantidade devida). E, já agora, note to self, não voltar a fazer a coisa a olhómetro, quando se tem uma bimby onde se pode pesar as partes (60+30+30, respectivamente). Por acaso correu bem, não me caiu o cabelo nem nada, mas capaz de jurar que o olho não mede bem as gramagens. Adiante. E ainda se deu uma manicure caprichada, em hora e meia despachada, nos intervalos até uma sopa vigiada. Maravilha. Uma vez bricoleira, sempre fã do diy.
*fica a dica para quem pinta cabelos brancos: nunca usar só a cor nuance: misturar parte, pelo menos 1/2, de cor base (que são aquelas com número inteiro, tipo, 4, 5, etc); e o resto em nuance, dentro da mesma cor (quem usa cor base 4, deve usar nuance com a mesma cor, tipo 4,35). Com isto evitam que, com as lavagens, o cabelo comece a ficar com um ar encardido, avermelhado, ruço, enferrujado. De nada.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
You bastards!
E pronto, amerdalharam completamente a Guerra dos Tronos (acabámos ontem a quinta temporada). Parabéns, palminhas de pé, ó Jorge Martim. Sim senhora, lindo serviço, bem podes limpar as mãozinhas à parede. É para isto que és produtor 'zecutivo, ou seja, com poder decisório sobre o argumento? 'Tá bem, abelha.
Entretanto, livro, visteze-lo. Aqui há dias dizia o Neil Gaiman no seu feicebuque que nãoseiquê, o artista não tem um contrato nem um dever com o leitor, este não tem direito a exigir e coiso. Pois não, absolutamente de acordo. Mas o leitor também não tem qualquer obrigação perante o artista, e muito menos quando o artista foi conivente com o caganço de spoilers numa série de tv onde ainda saca umas brutais massas; quando o artista foi cúmplice com o abastardamento da sua história (e com desvios que foram introduzidos por puro shock value, não adiantaram nada) numa série de tv que lhe paga muito tutu; e quando o artista já sabe que a série de tv (a tal que lhe paga uns valentes cobres) se vai adiantar aos livros. Eu cá não sei nada desta vida, mas o pessoal leitor é capaz de estar um nadinha aborrecidito, sentido, enfim.
Anyhoo, dia vinte e seis do quatro lá estaremos. Que fazer, eu gosto de sofrer. Há quem se enerve com o telejornal, eu é mais séries. Dia vinte-nove de Janeiro também lá estaremos, para o regresso Mulder/Scully, por falar em nervos. Cada um com a sua cruz.
Entretanto, livro, visteze-lo. Aqui há dias dizia o Neil Gaiman no seu feicebuque que nãoseiquê, o artista não tem um contrato nem um dever com o leitor, este não tem direito a exigir e coiso. Pois não, absolutamente de acordo. Mas o leitor também não tem qualquer obrigação perante o artista, e muito menos quando o artista foi conivente com o caganço de spoilers numa série de tv onde ainda saca umas brutais massas; quando o artista foi cúmplice com o abastardamento da sua história (e com desvios que foram introduzidos por puro shock value, não adiantaram nada) numa série de tv que lhe paga muito tutu; e quando o artista já sabe que a série de tv (a tal que lhe paga uns valentes cobres) se vai adiantar aos livros. Eu cá não sei nada desta vida, mas o pessoal leitor é capaz de estar um nadinha aborrecidito, sentido, enfim.
Anyhoo, dia vinte e seis do quatro lá estaremos. Que fazer, eu gosto de sofrer. Há quem se enerve com o telejornal, eu é mais séries. Dia vinte-nove de Janeiro também lá estaremos, para o regresso Mulder/Scully, por falar em nervos. Cada um com a sua cruz.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
This ain't that kind of movie, bruv
Só numa corridinha para dizer que depois do desapontamento de Spectre, vi Mission: Impossible - Rogue Nation, e achei que este é que era; mas entretanto atravessou-se o Kingsman, e está eleito o filme de acção/espionagem/pancadaria da boa de 2015.
O Colin Firth está que não se aguenta, e não sei como ele aguenta, em muitas cenas era impossível dobrá-lo, é mesmo o homem a fazer aquilo, uai, jasussenhor. O puto é um mimo, ponham ali o vosso guito. Está muitíssimo bem filmado, há cenas de pura loucura no departamento "porrada de criar bicho", a cena da igreja, aimenzinha, tão bem coreografado, e tudo num solo de Lynyrd Skynyrd, fantástica banda sonora, já agora, Michael Caine, para convencer os indecisos, ah, e piscadelas a Bond e Mr. Steed, tudo com o meu amado, adorado humor britânico. Ah, e um plano maléfico como deve ser. Embora o vilão, meh, de certeza havia melhor c'o Samuel L. Jackson, mas não está mal, pronto, passa.
(não, ainda não vi o Mad Max. estamos a meio de um desaguisado com a ps, que precisa de ligação à net para ler o filme. um filme comprado, e não obtido por meios ilegais. oh well. sucede que o wi fi não chega à sala sem o amplificador de sinal, e este não sincroniza, e é preciso configurar aquilo com o computas, e o computas está doentinho. uma canseira. mas o MM não é de espionagem; outro campeonato.)
O Colin Firth está que não se aguenta, e não sei como ele aguenta, em muitas cenas era impossível dobrá-lo, é mesmo o homem a fazer aquilo, uai, jasussenhor. O puto é um mimo, ponham ali o vosso guito. Está muitíssimo bem filmado, há cenas de pura loucura no departamento "porrada de criar bicho", a cena da igreja, aimenzinha, tão bem coreografado, e tudo num solo de Lynyrd Skynyrd, fantástica banda sonora, já agora, Michael Caine, para convencer os indecisos, ah, e piscadelas a Bond e Mr. Steed, tudo com o meu amado, adorado humor britânico. Ah, e um plano maléfico como deve ser. Embora o vilão, meh, de certeza havia melhor c'o Samuel L. Jackson, mas não está mal, pronto, passa.
(não, ainda não vi o Mad Max. estamos a meio de um desaguisado com a ps, que precisa de ligação à net para ler o filme. um filme comprado, e não obtido por meios ilegais. oh well. sucede que o wi fi não chega à sala sem o amplificador de sinal, e este não sincroniza, e é preciso configurar aquilo com o computas, e o computas está doentinho. uma canseira. mas o MM não é de espionagem; outro campeonato.)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Lazarus
Há seres que não morrem: despem o seu fato de pessoa, apanham boleia numa nave de luz e regressam à poeira de onde vieram.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
I know this world is hard for you, and fools try to put you down
But you just keep on eating that popcorn.
(há quem faça ioga, há quem tente o zen com coisas mais prosaicas)
(coméquieu ainda não tenho uma úrsula nervosa do tamanho de uma pizza familiar, bof, mistério. só não me sai o euromilhões, mas maluques é com fartura.)
(coméquieu ainda não tenho uma úrsula nervosa do tamanho de uma pizza familiar, bof, mistério. só não me sai o euromilhões, mas maluques é com fartura.)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Serenity Now!
Queria só deixar o testemunho de que a mercauto pagava-se muito bem, que pagava, mas começo a perceber para onde ia o dinheiro. Se calhar a caetano já contratava mais gente. Ou melhor gente, não sei. Olhem que eu não estive tanto tempo à espera para um diagnóstico/avisa cliente/cliente diz avança/manda vir peça xpto da Alemanha/monta peça como só de um... diagnóstico. Just sayin'.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Looks like I picked the wrong week to quit smoking
Se a vida te dá limões, podes fazer a) limonada; b) um bolo de limão; c) cortar às rodelas e aviar uma resma de cubalibre ou gin tónico; d) pegar nos sacanas dos limões e atirá-los a quem mereça; e) fazer de conta que são morangos, enchê-los de açúcar e comer à colherada.
No caso presente, a saber, privação de viatura automóvel há coisa de uma semana e dois dias, escolhi fazer de conta que sou protagonista de interessantíssima e mui relevante experiência social, com vista a determinar quanto tempo consegue uma pessoa viver sem aquele carérrimo e caprichosíssimo electrodoméstico sem arrancar cabelos, os próprios ou alheios. Considerando que isto já não é um meio quilito de limões, mas uma sacada jeitosa, conto passar, brevemente, da estratégia e) para as demais, prevendo-se que após enfardanço de bolo de limão, empurrado por litros de cubalibre, me plante em qualquer arruamento de elevado tráfego a jogar o ácido fruto à cabeça de quem passe. Ao pessoal da marca era mais bem amandado? Pois era, mas eu sei lá quais são os transportes para o Prior Velho, pá.
(anyhoo, e porque me cheira que está quase a chegar a fase de puxar dos diplomas legais, cá vai a dica para qualquer consumidor que se apanhe em assados destes, i.e., avarias inusitadas e que o normal uso da coisa não explique: D.L. nº67/2003 de 8 de Abril, com as alterações introduzidas pelo D.L. nº84/2008 de 21 de Maio. Googlem e usem. De nada.)
No caso presente, a saber, privação de viatura automóvel há coisa de uma semana e dois dias, escolhi fazer de conta que sou protagonista de interessantíssima e mui relevante experiência social, com vista a determinar quanto tempo consegue uma pessoa viver sem aquele carérrimo e caprichosíssimo electrodoméstico sem arrancar cabelos, os próprios ou alheios. Considerando que isto já não é um meio quilito de limões, mas uma sacada jeitosa, conto passar, brevemente, da estratégia e) para as demais, prevendo-se que após enfardanço de bolo de limão, empurrado por litros de cubalibre, me plante em qualquer arruamento de elevado tráfego a jogar o ácido fruto à cabeça de quem passe. Ao pessoal da marca era mais bem amandado? Pois era, mas eu sei lá quais são os transportes para o Prior Velho, pá.
(anyhoo, e porque me cheira que está quase a chegar a fase de puxar dos diplomas legais, cá vai a dica para qualquer consumidor que se apanhe em assados destes, i.e., avarias inusitadas e que o normal uso da coisa não explique: D.L. nº67/2003 de 8 de Abril, com as alterações introduzidas pelo D.L. nº84/2008 de 21 de Maio. Googlem e usem. De nada.)
sábado, 2 de janeiro de 2016
Looks like I picked the wrong week to quit drinking
a) Ainda sou do tempo em que uma colhe de chá de fermento royal cumpria. Qualquer dia estou a botar uma colher de sopa, e ainda assim não creio.
b) Se a velha e já amolgada forma de alumínio com furo nunca te deixou mal, porque &@#%£ volta e meia te deixas levar na cantiga da forma cheia, redonda, munita, nova?
c) Se a receita disser "colocar em forno pré-aquecido a 160 graus e deixar cozer uma hora", deve ler-se "ligue o forno imediatamente antes de lá colocar a forma com o preparado, e deixe cozer a 160 graus. Vigiar atentamente a partir dos 35/40 minutos."
Tirando isto, o bolo está óptimo. Graças ao meu apurado olfacto, que detectou o esturro quinze minutos antes de ser a hora determinada para desligar o forno; e a minha fantástica mão bricoleira, que me permitiu cortar os dois/três milímetros de queimado sem esfarelar, esbardalhar ou esmerdalhar o bolinho. Obviamente, os meus talentos seriam melhor empregues em qualquer outra divisão mas, hélas!, decidi que vou começar a gostar e tirar prazer da culinária. Bof.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Looks like I picked the wrong week to quit amphetamines
A propósito da gradual reposição dos salários da função pública, já tive o grato prazer de, neste primeiro dia do ano, ouvir ilustre e douto paineleiro exprimir preocupação com o aumento de despesa em consumo interno que tal acarretará. Porque, como toda gente sabe, esses marotos não podem ter uns tostões a mais que logo se apressam a gastá-los em porcarias, como contas de supermercado mais longas, eia, carne de primeira, quiçá, ou se calhar é desta que se consegue comprar os livros da faculdade, escusa o rebento de estudar por fotocópias, ou, na loucura, troca-se a máquina de lavar que esta enfim, ou a chaleira a que chamam carro, se for permitido sonhar. Gosto sempre de ouvir gente que, obviamente, não tem grandes dificuldades em pagar o básico, a mandar bitaites sobre o governo da casa e carteira alheia. Estamos a falar de pessoas que, desde 2011, se não me falha a memória, andam a fazer umas ginásticas financeiras que mais parecem, em tantos casos, acrobacias ou números de contorcionismo. É claro que o vão gastar. Ou alguém acha que, neste bordel deste país, um salário médio - e nem me façam falar dos trinta eurinhos a mais no mínimo - dá para poupar seja o que for? Boa sorte nisso.
Looks like I picked the wrong week to quit sniffing glue
Primeiro dia do (novo) ano, às vinte e duas e cinquenta, e eu a pensar na sarilhada que tenho de resolver na segunda. E na reunião de terça, no almoço e jantar de sexta, e outros foda-ses entre estes. Vida nova o caracinhas.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
The story so far
A via sacra
O Gólgota
Arrancaram-me um pedaço e julguei que não sobrevivia. Sobrevivi. Ainda dói, a cauterização. Decidi dar um salto de fé. Dei. Estou agora como os desenhos animados, suspensa no ar, sem poder olhar para baixo. Quando o fizer, e notando que nada me sustém senão a fé de ter chão debaixo dos pés, sei que cairei. Não olho para baixo, portanto. E sigo. Há quem saiba e me veja no ar e tenha a amizade de não me dizer nada para além de palavras de incentivo. Mas sei que, intimamente, não entendem a quimera. Há quem não saiba o propósito e menos entenda, o ver-me assim suspensa. Tenho a sorte de não me desviarem o olhar, ainda assim. E há as insistentes evidências e uma voz que só eu ouço, a pedir que volte para trás, enquanto é tempo. Não vou voltar. Sei os riscos, sei-os muito bem. Sei do preço a pagar, e que é demasiado alto e não tenho como o solver. Se e quando chegado o momento, o credor me cobrar a minha libra de carne, far-me-ei Portia. No entretanto, mantenho a fé inicial, por pura teimosia. A dúvida faz parte, faz-me prestar mais atenção ao caminho imaginário. E se e quando chegar a terra firme? Olhos em frente. É possível. Não será amanhã, mas amanhã logo se verá. Afinal, amanhã será um novo dia.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
And now it's "you know who" I got the "you know what" I stick it "you know where"
E em 2016, aqui no blogocantinho?, prognósticos? Em geral, é mais ou menos isto.
[sim, tudo isto é cansaço]
[bem explicadinho, com todas as letrinhas, aqui]
[sim, tudo isto é cansaço]
[bem explicadinho, com todas as letrinhas, aqui]
Great Expectations
Sim senhora, é a tradição da época, acabemos já com isso que ninguém tem tempo para remoer estas merdas.
Balanço de 2015: foi uma real bosta.
Pedidos para o Ano Novo: que não seja uma real bosta. Uma bosta simples já era uma melhoria.
Resoluções para 2016: que não me atasque com tanta frequência na bosta.
Balanço de 2015: foi uma real bosta.
Pedidos para o Ano Novo: que não seja uma real bosta. Uma bosta simples já era uma melhoria.
Resoluções para 2016: que não me atasque com tanta frequência na bosta.
domingo, 27 de dezembro de 2015
A puta da barcagem
Duas coisas aprendidas neste fim-de-semana: à uma, o Acp é a melhor, maior, mais benfazeja organização de que tenho o gosto de ser associada, e à qual desejo longos anos de próspera existência; às duas, eu tenho muito azar às viaturas.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Foi assim que aconteceu
De repente, sem nada que o fizesse prever, levantou-se o cinzento e recupero o meu mojo: quero ler, consigo escrever, as palavras já me saem de jorro e os dedos voam no teclado, uau, uai, cheia de pica e vontadinhas, e calha bem, que há muito para ler e escrever, o xervixo acumula e é preciso dar vazão, mesmo a tempo, ufa, o meu super-poder é a procrastinação e eis que me detém um pedacinho de kriptonite benfazeja. Vai daí, segunda de manhãzinha, ali pelas oito e trinta, já me sento pronta a fazer brotar torrente de palavrinhas, e asinha, que este aqui tem de sair antes de almoço, liga o bicho, clica aqui e ali, e encrava tudo, programa não arranca, word não abre, ai mãezinha, clica no reiniciar e népias, desliga à bruta e religa, e fica ali a remoer, re-remoer, ainda não são nove e já estou a ligar para os santinhos da informática, ninguém atende, vai-se ao café, tenta-se de novo, um nadica antes das nove lá me atendem do cento e quinze laboral, vem o bombeiro de serviço, ouve as queixas, clica e reclica, ui, se calhar é disco, eu uivo, ele tenta de novo a sua magia, nã, tenho de o levar, eu uivo mais, explico a minha urgência, e o bom anjo promete-me um tareco que ainda terá de desencantar algures para eu conseguir trabalhar. Espero, num só pé; troco de pé; decido que preciso de ambos os pés; começo a cirandar por aqui como uma barata, à roda, à roda; aviso quem é preciso avisar do atraso previsível; nos intervalos uivo; chega o santinho com um chaço debaixo do braço e monta-mo aqui; explico que preciso dos meus docs, ou só um, vá; jura que já mos manda; uivo de novo; toca o coiso e atendo logo à primeira, já sei de cor a extensão e é a que me interessa; veja lá se está aí o que lhe interessa, e eu que sim senhor, muito obrigadinha, todos os deuses lhe paguem; já são onze da manhã, tenho uma hora para costurar esta fantasia; força, força companheira Izzie; acabo apenas com meia horita de atraso, envio, vou a correr avisar que enviei, volto, acendo um cigarro, e ligo a perguntar novas do doentinho, responde-me que está em coma induzido e amanhã talvez; uivo e explico que me acontece tudo, que o de casa também me deu o peido mestre e o jeito que me dava na falta do de trabalho, para adiantar umas cenas no fim-de-semana, e arcanjo dos arcanjos diz para o trazer que também lhe dá uma olhadela, agradeço muito e rasam-me de lágrimas os olhinhos.
Entretantos, hoje é quarta, o animal continua de cama, e lá a ver se não precisa de um transplante de disco que não existe em stock, continuo a contar só com o ferro-velho que rosna enquanto funciona, acata ordens com a velocidade de um caracol asmático em subida acentuada, conclusão, não há aparelho que possa por debaixo do braço e levar comigo, o que me parece mal, afinal estamos em época onde mobilidade, versatilidade e multifuncionalidade são palavras-chave, e olhem, faz-se o que se pode, ao diabo a motivação, a vontade - e necessidade - de produzir, logo às seis ala, de mãos vazias, e segunda que vem cá estamos outra vez.
[lembrei-me entretanto que, por extrema curiosidade, o equipamento informático já está, por decurso inexorável do tempo, a chegar aos limites; não tarda nada - tipo, uns mesitos - está mesmo obsoleto e imprestável para as necessidades, e logo agora, nestes tempos em que a palavra despesa é palavrão. também por curiosidade, todo o actual equipamento foi renovado em tempos de governo pê-ésse - esses despesistas! - usou-se e gastou-se entretanto, e em tempos de governo pê-ésse-dê começou a atingir o fim da sua vida útil. curiosamente - ou não - vai ser durante este novel governo pê-ésse que se vai verificar a absoluta necessidade de renovar o equipamento. mais tarde ou mais cedo lá teria de acontecer. claro que, fosse o pê-ésse-dê governo, e não aconteceria, que essa boa gente, frugal e poupadinha, seria completamente indiferente ao facto de se conseguir trabalhar ou não com o que há, e ainda nos diriam para ter paciência e dar à manivela. recordo, sem saudade, aqueles já longevos tempos de uma fotocopiadora que cuspia pó de toner e triturava folhas a-quatro, e uns computadores que a gente chegava, ligava, ia à bica, trocava larachas com quem encontrasse e, quinze minutos depois, com sorte, já estavam a funcionar. às vezes não, e era preciso reiniciar. giro-giro. tantas as vezes que às dez, onze, ainda não se conseguia. e depois não sei quê que não se produz. pois não. não se faz limonada boa a espremer os frutos à mão.]
Entretantos, hoje é quarta, o animal continua de cama, e lá a ver se não precisa de um transplante de disco que não existe em stock, continuo a contar só com o ferro-velho que rosna enquanto funciona, acata ordens com a velocidade de um caracol asmático em subida acentuada, conclusão, não há aparelho que possa por debaixo do braço e levar comigo, o que me parece mal, afinal estamos em época onde mobilidade, versatilidade e multifuncionalidade são palavras-chave, e olhem, faz-se o que se pode, ao diabo a motivação, a vontade - e necessidade - de produzir, logo às seis ala, de mãos vazias, e segunda que vem cá estamos outra vez.
[lembrei-me entretanto que, por extrema curiosidade, o equipamento informático já está, por decurso inexorável do tempo, a chegar aos limites; não tarda nada - tipo, uns mesitos - está mesmo obsoleto e imprestável para as necessidades, e logo agora, nestes tempos em que a palavra despesa é palavrão. também por curiosidade, todo o actual equipamento foi renovado em tempos de governo pê-ésse - esses despesistas! - usou-se e gastou-se entretanto, e em tempos de governo pê-ésse-dê começou a atingir o fim da sua vida útil. curiosamente - ou não - vai ser durante este novel governo pê-ésse que se vai verificar a absoluta necessidade de renovar o equipamento. mais tarde ou mais cedo lá teria de acontecer. claro que, fosse o pê-ésse-dê governo, e não aconteceria, que essa boa gente, frugal e poupadinha, seria completamente indiferente ao facto de se conseguir trabalhar ou não com o que há, e ainda nos diriam para ter paciência e dar à manivela. recordo, sem saudade, aqueles já longevos tempos de uma fotocopiadora que cuspia pó de toner e triturava folhas a-quatro, e uns computadores que a gente chegava, ligava, ia à bica, trocava larachas com quem encontrasse e, quinze minutos depois, com sorte, já estavam a funcionar. às vezes não, e era preciso reiniciar. giro-giro. tantas as vezes que às dez, onze, ainda não se conseguia. e depois não sei quê que não se produz. pois não. não se faz limonada boa a espremer os frutos à mão.]
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Que seja um bom Natal, para todos nós
E ainda não chegámos às vésperas e já temos um belo, belo presente no sapatinho: um banco! Novinho! Pronto, usado mas estimado! Pronto, nem por isso estimado, mas não sejam esquisitos. Espero que tenham pedido talão de troca, que eu cá, bancos, nhéc. Se é para ficar com um negócio falido, prefiro uma loja de chocolates. E acreditem, na minha mão uma loja de chocolates ia à falência: hoje há stock, amanhã não. Hã, não há talão? Então, mas eu vi um papelucho colado à caixa e... quê, é a conta? Ai o presente não é para mim? Havia uma cena tipo amigo secreto da banca e toca quanto a cada um? Epá, aqui não tenho, posso ficar a dever? Tipo, continuam a ficar-me com parte dum subsídio e mais uns xis por cento do ordenado, vale? Então não vale. Que faria se não valesse. E nem um piu de queixumes, que provavelmente ia gastar tudo em porcarias, como o empréstimo da casa, supermercado e tal. Mais vale ficar com quem realmente sabe o que fazer ao dinheiro, e impulsiona a economia e tal. Já agora, continua-se também a cortar naqueles despesismos desnecessários, aqueles luxos supérfluos, que o dinheiro não nasce nas árvores, ora, e não chega para tudo. Os velhos que peçam esmola à porta da igreja; os desempregados que arrumem carros e colectem latas; os putos que se façam uns empreendedores e aprendam sozinhos, em casa, a ler legendas e fazer contas às montras d'O Preço Certo; os doentes que tomassem melhor cuidado, se agasalhassem e não andassem a respirar escapes; e o cidadão comum, ora, o cidadão comum, que se desabitue de luxos que somos um país pobre, e se menos comer menos engorda e não dá despesa com castróis altos e corações falhos, não podemos continuar a viver acima das nossas possibilidades. E tudo isto vale a pena, claro que vale! Juntos, sacrificadinhos, pobrezinhos mas honrados, pagaremos o que devemos, capital, juros e correcção monetária, faremos um brilharete lá fora e, cá dentro, poderemos levantar a cabeça de orgulho, porque este é um país onde nunca!, jamais!, teremos de encarar o opróbrio de ver um banqueiro, um CEO, um CFO ou um presidente de conselho de administração a cear paloco, com meia batatinha, ovo não que faz mal, uma folhinha de couve, tudo regado com azeite cortado a óleo, em vésperas de tão importante efeméride.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Do you believe in fairies?
Não me belisca minimamente que exista quem não goste de Star Wars. Não me incomoda um nanosegundo que haja quem não entenda o fenómeno, e pasme perante o mesmo. Não me chateia, e até brinco com o facto de, haver quem confunda ou não distinga Star Wars e Star Trek (pagãos!, ateus!, hereges!). Cada um gosta do que gosta, cada um é para o que nasce, inserir aqui mais um chavão respeitador da diversidade de gostos, etc, viva o amarelo. O que já me causa alguma perplexidade é a alegria quase cinzenta e engravatada com que algumas pessoas se distanciam disto tudo. Uma alegria com o suave odor de acinte e uma nota de bazófia. Ó pá, tudo bem, não gostas não comes, isto não é o refeitório da escola, não há menu único em que no dia de iscas passa tudo fome. Mas fazer pouco da "cena" não é uma inocente manifestação de opinião. É raro ouvir um simples e singelo "não gosto, não é a minha onda." Não raro, a opinião é polvilhada de considerações sobre os que mergulham histeriamente ou mais discretamente nessa onda. E é isto que não percebo. Ou antes, até. Precisam mesmo de se sentir importantes, superiores, melhores, é isso, não é? 'Tá bem, levaide a bicicleta. Eu (e muitos) ralada. Sou capaz de apostar que os fãs não são virgens nisto do achincalho. Lembro, sem saudade, aquela vez em que um indivíduo - que nem era meu conhecido, antes daquele dia, mas ali estava como amigo de conhecido - me gozou intensa e longamente por causa de... um álbum de BD. Uma jóia de pessoa, cheia de predicados e interesses elevadíssimos, decerto, que não teve problemas em me gozar intensa e longamente por "ler aquela merda". "Aquela merda" por acaso até é a nata das natas, dentro do género, mas adiante. Um gajo não dá conversa a caralhetes. E não o mandei para a meretriz que o deu à luz porque, apesar de tudo, tive mais consideração pelas pessoas que o tinham trazido à boleia que por ele.
Anyhoo. Cada um gosta do que gosta. Não preciso que me expliquem porque não gostam de Star Wars, como não preciso que me expliquem que não gostam de chocolate, há (des)gostos para tudo, credo. Mas, já agora, um livro de estilo. Não precisam de nos explicar, devagarinho e de olhinhos muito abertos, que aquilo é tudo fantasia. Nós sabemos. E vocês, rigorosos realistas, contam histórias do Pai Natal aos putos, inscreveram-nos na catequese?, que bom p'ra 'ocês. Também escusam de gargalhar alarvemente por haver adultos que têm bonecos dos personagens, ou montam legos alusivos, ou até se vestem como os seus favoritos. Se começarmos a escarafunchar, ainda descobrimos que se vestem de matrafona no carnaval de Torres, e nisso não vêem mal algum. Chacun à son goût. Live and let live. Somos todos ridículos, aos olhos de alguém. Tenhamos alguma graciosidade e generosidade em admiti-lo. E há espaço para tudo. E ninguém se define por uma parcela dos seus gostos. Uma pessoa pode, sem qualquer problema e desconsideração, ter Céline na mesa de cabeceira, ao lado de Borges e Blake e Mortimer. Não que eu conheça alguém assim, é só um exemplo. Star Wars não é Fassbinder, nem sequer Fassbender, mas há ocasiões em que uma pessoa só se sacia com panna cotta e outras chega pão com manteiga, e sabem igualmente bem. É a tal maravilhosa da diversidade. E eu gosto mesmo muito de pão com manteiga. E gosto de gostar.
Anyhoo. Cada um gosta do que gosta. Não preciso que me expliquem porque não gostam de Star Wars, como não preciso que me expliquem que não gostam de chocolate, há (des)gostos para tudo, credo. Mas, já agora, um livro de estilo. Não precisam de nos explicar, devagarinho e de olhinhos muito abertos, que aquilo é tudo fantasia. Nós sabemos. E vocês, rigorosos realistas, contam histórias do Pai Natal aos putos, inscreveram-nos na catequese?, que bom p'ra 'ocês. Também escusam de gargalhar alarvemente por haver adultos que têm bonecos dos personagens, ou montam legos alusivos, ou até se vestem como os seus favoritos. Se começarmos a escarafunchar, ainda descobrimos que se vestem de matrafona no carnaval de Torres, e nisso não vêem mal algum. Chacun à son goût. Live and let live. Somos todos ridículos, aos olhos de alguém. Tenhamos alguma graciosidade e generosidade em admiti-lo. E há espaço para tudo. E ninguém se define por uma parcela dos seus gostos. Uma pessoa pode, sem qualquer problema e desconsideração, ter Céline na mesa de cabeceira, ao lado de Borges e Blake e Mortimer. Não que eu conheça alguém assim, é só um exemplo. Star Wars não é Fassbinder, nem sequer Fassbender, mas há ocasiões em que uma pessoa só se sacia com panna cotta e outras chega pão com manteiga, e sabem igualmente bem. É a tal maravilhosa da diversidade. E eu gosto mesmo muito de pão com manteiga. E gosto de gostar.
domingo, 20 de dezembro de 2015
A Força Desperta?
Desperta sim senhor.
Lord Vader aprova esta mensagem.
[comentários com spoilers não serão aprovados, que nesta casa não se acredita em roubar a alegria infantil da descoberta a ninguém]
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