terça-feira, 24 de novembro de 2015

A Little Princess

Hoje acordei em modo Sara Crewe, convicta que sou, de facto, uma princesa, não porque daddy told me so, mas porque estou doentinha e, apesar de ser coisa que acontece raramente, quando acontece toma proporções de catástrofe, não pela gravidade da doença, mas pela insuportabilidade do feitio da enferma, que não está bem na caminha porque grão de ervilha, ai, ai, ai, dói-me aqui; não está bem a pé porque não-sei-quê e agora dói-me acoli, não está bem sentada porque tem frio e se sente sojiiiiinha, chuif. Percebe-se porque não adoeço muito, não é derivado de um sistema imunitário upa-upa, é porque o universo em geral e seres vivos em particular (um felino, um humano) que partilham espaço comigo não podem, não aguentam, não têm de. A sério. Princípio de Arquimedes, aplicado a mau-feitio: não podem ocupar o mesmo espaço, ou há intolerável fita minha, ou há universo. Se se der um cataclismo e esta cena implodir toda foi porque me deu uma (mais uma) monumental birra, causada pela ausência de mufadinhas na posição certa (estou toda empunadiiiiinha, buáááá), chá na temperatura desejada (ind'agora o fiz e já 'tá fiiiiio, chuif), ou outra coisa qualquer (dói gagaaanta e sinto-me fráááááágil, snif).
Pronto. É só isto.


(mas estou a trabalhar, que isto de ir de madrugada para a fila do centro de saúde é bom para bâlhas que têm, ao que parece, saúde para isso. e eu só posso faltar com justificação do sns ou adse, sendo que médico adse mais próximo é longe pa caneco, e do sns até é pertinho, mas é constantemente vítima de hostile takeovers pelas bâlhas da freguesia. juro. mal abre o centro já não há senhas para urgências. havia de haver centros de saúde só para bâlhas. nem era preciso médicos ou enfermeiros: bastava um écrã interactivo, que fosse respondendo às queixas com ahãs, ai, coitada, a senhora é um Cristo, todos temos a nossa cruz, essa sua nora, realmente. e passasse umas receitas novas. até podiam ser os mesmos princípios activos, mas com outros nomes; os bâlhos não confiam em quem não passe muita coisa, e nova. porque eles têm problemas novos toooodos os dias. e terríveis. mas que não os impedem de às sete já estarem à porta do puta do centro de saúde.)

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Midlife crisis

Adoro, que adoro, aquelas pessoas que sentem uma irresistível necessidade de nos enumerar chiquérrimos bens que possuem e respectivo - e altíssimo - preço.


[como se eu, que até visto na zara, e sou alegre proprietária de um rodinhas usado - e sem vergonha nenhuma, anote-se - precisasse de um reminder do meu médio-classismo financeiro. nope, não me sinto minimamente inferiorizada, you lose.]

terça-feira, 17 de novembro de 2015

The only thing we have to fear is fear itself

Recordo-me daquele dia seguinte ao atentado de Atocha, em que estaquei no topo das escadas do metro, na minha cidade. Lembro-me também daquele momento em que senti o início de um ataque de pânico, no apinhado elevador monta-cargas da estação de metro londrino, na minha primeira ida após os atentados: um metro à minha frente, um sujeito de cabeça coberta por um hoodie, mãos castanhas a segurar as alças de uma mochila que carregava às costas. Sim, estaquei um momento mas entrei no metro. Sim, irracionalmente subiu por mim acima uma inquietude, uma falta de ar, mas chamei-me estúpida muitas vezes, acalmei, e cheguei já calma à plataforma da linha piccadilly. Senti medo, dominei o medo, e segui com a minha vida. Tive muita vergonha de ter quase sucumbido ao medo. Principalmente na segunda ocasião, em que tive medo de uma pessoa em concreto, uma pessoa que não conhecia, mas cuja imagem correspondia a um estereotipo. Estava um dia de chuva molha tolos, que facilmente explicaria o capuz na cabeça; era jovem, se calhar a caminho do trabalho ou da escola, o que explicaria a mochila; tinha pele escura, como milhares de habitantes daquela cidade. Mas a conjugação destes factores desencadeou em mim uma resposta de medo, físico, atroz, puro. Senti-me mil vezes estúpida. Eu própria um estereotipo. A (potencial) vítima, acossada, sequestrada pelo terror. Não pode ser. Não pode. Nunca mais aconteceu. Não deixo que aconteça.

Na sexta feira senti, principalmente, tristeza. Muita tristeza. Por cada vida que se extinguiu prematuramente às mãos de gente cujas motivações não consigo entender e me recuso a entender. Mas é preciso fazer um esforço. Há, pelo menos, que tentar entender o que querem causar com estas acções, e fazer exactamente o contrário. Querem-nos aterrorizados, fechados em quatro paredes, com medo de fazer uma vida normal, apanhar um transporte para o trabalho, ir tomar um café, ouvir uma banda, viver com a despreocupação e leveza das pessoas normais? Respondamos "não". Querem fazer-nos crer que está em curso uma guerra civilizacional, em que somos nós contra eles, que temos de pegar em armas para sobreviver, que há que retaliar, e com as mesmas armas, a mesma violência, antes que eles nos exterminem? Gritemos "não". Querem despertar-nos o ódio pelo outro, pelo diferente, pelo estrangeiro? Mais um "não". Querem que tranquemos as portas a todos os que, também em desespero, nos procuram como abrigo? Simplesmente: não. Querem-nos despir da alegria, ver-nos sucumbir ao medo irracional, recusar o abraço, a empatia, a humanidade? Definitivamente, "não". Não ao ódio, à vingança, à desconfiança. Não, não serei refém voluntária desta gente. Não, mil vezes não. E não me tornarei o reflexo deles, mil vezes não.

E, no meio dos relatos de horror, há algo que sobressai e sobreviverá: a solidariedade de gente anónima, o apoio de pessoas que abraçaram, consolaram, salvaram até outras pessoas. Aí sim, está a resposta. Tantos exemplos.
Quanto aos outros, repito e subscrevo John Oliver: fuck these assholes. Aqui.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Rage, rage against the dying of the light

Vinha dizer coisas mas entretanto varreram-se-me as tais das coisas, na verdade nem era bem dizer coisas, era encher chouriços, encanar a perna à rã, dar uma de produtividade bloguítica, mas varreu-se-me a vontade, que a verdade é que não posso com uma gata pelo rabo, tenho apenas a energia suficiente para abrir a caixa de mon chéri quando chegar a casa e, finalmente, assentar rotundo traseiro em superfície almofadada, e tenho de a guardar bem, a energia, que esse momento não se anuncia próximo, antes ainda há umas cenas para fazer, tem sido a constante da semana, toooodos os dias a despertar ainda de noite, toooodos os dias a sair ainda não badalaram as oito, toooodos os dias a chegar depois das oito, mas da noite, e ali um dia já rés vés as onze, outro as dez, e hoje sei lá, mai'logo falamos; os motivos?, pois nem todos são maus, pontas soltas e coisas minhas que só a mim interessam, não é trabalho mas cansa à mesma, e já nem me lembrava da quantidade pornográfica de gasolina que se gasta em se transportando cinco dias casa-trabalho em viatura motorizada, mais voltas extra, chiça, haja reposição de salários, para a semana acabou-se e volta o motorista privado, fardado, que é de todos nós, e se lenin quiser, não será privatizado, essa é outra, tenho acumulado muitas irritações nestes últimos tempos, mas, vide supra, não posso com uma felina pela extensão posterior da coluna vertebral, e o cansaço tem um efeito milagreiro sobre a nervoseira ideológica, e um gajo nem consegue sequer alinhavar dois bem merecidos palavrões merecidamente dirigidos a qualquer misógino que eu não queria nem dado, assado no forno com batatinhas e cortado às fatias, ou embrulhado em papel prateado, e esta é só uma, a que me recorda assim de repente, as outras são mais complexas e precisariam de outros pares de palavrões, e agora não podemos, derivado daquilo de estar cansada e não poder com, já sabem o resto, e pronto, é tudo, assim de repente, vão para dentro que de noite já refresca, aqui na arca frigorífica onde ganho o pão refresca todo o santo dia, pés gelados, adiante, bom descanso, daqui a umas horinhas eu também, beijinhos a quem é de beijinhos e abraços a quem é de abraços e, ah, não se sintam esquecidos, piretes a quem é de piretes.



 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Dreaming of a White Christmas



(lá a ver se o Tarantino se encontrou, outra vez. pena é já não haver telas para projectar isto, mas o grande teimoso não se deixou demover por isso)


And a Happy New Year


(pronto, já tenho uma deadline para ler a série. a mesma pessoa que me recomendou Sandman jura por ela, é boa recomendação.)


(Ah, o James Bond, o Spectre? deixem lá isso. aiaiaiai.)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Stupid is who stupid does

Aquele momento em que clicas num link, e dás com um texto onde, em apenas dois parágrafos, encontras expressões como "velha pureza da fraternidade masculina", "uma certa agenda gay", "revisionismo gay", e "recalcamento gay". E, antes de clicar para continuar a ler o texto, te lembras da saudade que não tens de fortes crises de azia.

(pá, empalhem o gajo e enfiem-no num museu de história natural, pelamordedeuz)

A child of five would understand this. Send someone to fetch a child of five.








quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Chapéus há muitos

Razão têm os existencialistas, com aquilo da angústia da escolha.





(o que vale é que os porkpie me ficam muito mal, menos uma angustiazinha. mas a boina, oh, a boina. e o trilby. tudo daqui.)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Yeah, well, you know, that's just, like, your opinion, man.

Gilmore Girls (os sacanas dos dealers da zóne já me viciaram no play. vou pagar, está visto). Vera já acabou (oohhhh), mas há Lewis. (yay!, os ingleses são mesmo bons nisto dos policiais. com pathos. resmas de pathos.) Borgen. Estou a apreciar de-va-ga-ri-nho. (faltam-me dois. lágrimas). Homicide. Diz que é uma espécie de precursor de The Wire, (best. series. ever.). Também em Baltimore, e um bocadinho mais que o policial habitual. Muito bom. The Big Lebowski. Ao contrário da corrente, o adorável (hum) vagabundo não é o meu personagem preferido. Não fazer nenhum todo o santo dia, sim senhor, sou capaz de simpatizar, ser um porquicho e viver num chiqueiro, nunca. O Walter, sim, o meu preferido. (com esse feitiozinho de merda, já se estava a ver? olha, shut the fuck up, Donny).  E What We do in the Shadows. Corram, corram que só está no el corte inglés. O problema de ir ao eci é depois um gajo ter de ir ao quarto piso buscar o catálogo de brinquedos (tenho de fazer uma recensão: uma desilusão no capítulo do lego, uma anedota no resto. a sério que há quem compre mini-audi, mini-bmw, mini-range rover para os petizes?). E depois há o perigo de um gajo sair de lá com isto debaixo do braço. Cuidado. quem vos avisa amig@ é. Para a semana há Spectre. (quê? uma feminista de esquerda gosta de 007? yup. shut the fuck up, Donny.)
Ah, diz que foi um fim-de-semana de chuva. Cheers.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Forget the hearse 'cause I never die

Paradote, sim, isto anda paradote. Agora escrevia aqui um post necessariamente sucinto a explicar que há muito trabalho e tal (ó eu armada em esquerdalha diligente, naquela de derrubar preconceitos), e que a vida lá fora (que evidentemente tenho!, claro!, dúvidas houvesse!) nãoseiquê, mas apesar de sim, também, a verdade é que nem por isso. Creio, aliás, que o factor "muito trabalho" nunca me demoveu de blogar, bem pelo contrário. Faz parte daquela idiossincrasia muito minha, i.e., lamento público + procrastinação. A verdade é que estou como a mula: empacada. E nem é por teimosia, é mais porque não me apetece andar, e não, não tem a ver com o facto de ter o pé direito lesionado com a mega-bolha (nunca, mas nunca mais trazer sapatos novos em dia em que me transporte a pé+carris+metro). Foi assim que aconteceu: aqui há atrasado estava entretidíssima mas não divertidíssima com uma pilha de horrores para dar avio, pus-me a pensar em cenas a modos de descansar um bocadinho o cérebro do pavor burocrático, e veio-me à memória um filme para lá de espectacular que me apeteceu rever, e vai daí pus-me a viajar na maionese sobre o dito filme, fui cuscar no youtube e lá estava ele inteirinho, iiihhhhh, vou guardar esta cena para um dia destes, colei aqui numa folha em branco, e segui dando umas tecladelas sobre dito filme e a tal da maionese. Nem uma frase completei. Soou uma sirene na parte sensata da minha cabecita, a guinchar algo como "'Péééééra lá, isso vai dar merda." Ora, perguntaides vós, que merda poderia dar um post sobre A Place in the Sun? Boa questão. Ia dar merda. Ou não. Mas não me apeteceu arriscar. Não por medo, mas porque não me apeteceu. Não me apeteceu deparar com a eventualidade de ter de fechar, outra vez, comentários num post. Ou fazer um post explicativo. E, no entrementes, ter de levar com boas, adoráveis, fascinantes pessoas anónimas a dizer-me que a) sou parva; b) tenho a mania; c) quem sou eu para passar lições de moral. Porque isto tem vindo a ser assim, de quando em vez. Alguns dos posts que escrevo, com opiniões sobre cenas e tal, são, certamente, indubitavelmente, dirigidos a alguém. Eu não sei bem quem, mas são. Porque há alguém que acha que sim. E que eu estou, via post, a dar um responso a alguém. Ou alguéns. Não sei quens. E não tenho moral / direito / coluna / integridade / razão para o fazer. Pronto. Suspiros. Não é a questão do incómodo, de me virem chatear com parvalheiras que não me interessam (e lixando logo o ambiente a quem venha comentar na boa - para isso existe a moderação de comentários), ou medo de comprar uma guerra (para a qual sou recrutada sem saber onde é, contra quem, e porquê), ou haver gente-bicho que pelos vistos anda a monitorizar o que escrevo na esperança de encontrar criar inventar polémica. Não é auto-censura. É só fartura. Muita fartura. E nem das boas, polvilhada a açúcar e canela. Não me apetece. Só isso. Ele há alturas da vida em que um gajo já tem sarna suficiente para se coçar, não precisa de se fazer isco para pulgas.
A ver se mudo isso.


[Don't try to push your luck, just get out of my way]

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Like a Virgin

Quarenta e quatro anos de vida, e o primeiro lombo de porco assado na perfeição. E ainda há quem ache que o masterchef não serve para nada.

(na verdade, o mérito não é todo meu: termómetro de carne, best buy ever. no ponto.)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Hay gobierno? Soy contra!

Então, ainda está tudo a discutir de quem é a bola?


[eu ainda sou do tempo em que um aluno que falasse em "eleições para o governo", ou dissesse que o primeiro-ministro era eleito, chumbava imediatamente a constitucional, mas já não sei, mudam os tempos, mudam as vontades.]

(o verdadeiro) MasterChef Portugal

Morreu. Foi com ele que aprendi a cozinhar, pá. Mas atenção, não estou com isto a atribuir culpas pelos fracos resultados, hein. Eu sempre fui mais da escola desta senhora: enfiar a galinha no forno e tirar as empadas compradas na pastelaria da esquina.



(anda tudo tão ralado com um tal de vazio de poder, que ninguém fala do que é verdadeiramente importante)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

I heard the news today oh boy

Ando há tanto tempo a sentenciar que a esquerda está condenada a entender-se, que já tinha perdido a esperança de viver para os ver cumprir a pena.


(a primeira peçoa a atirar que o pê-ésse não é esquerda ganha o primeiro lugar no concurso clichê do dia, premiado com a terrina couve tipo Bordallo. eles arrumaram o socialismo na gaveta, eu lembro-me que já cá andava. felizmente ainda se recordam em que gaveta e, vai-se a ver, conservou-se bem, sem ómidades.)