terça-feira, 23 de junho de 2015

I can't go on. I'll go on.

Se um dia me perguntarem qual foi o momento mais triste da minha vida, e se esse dia for amanhã, já sei que resposta darei.

Always look on the bright side of life

Coração ao alto, que isto um dia ainda vai dar um romance do caracinhas, é preciso é aproveitar enquanto o hype das autobiografias trágico-psicoanalíticas está em alta.


[e talento! talento e alento para a escrever! bolas, lá estou eu outra vez em curva descendente]

domingo, 21 de junho de 2015

Hope is the thing with feathers

Quando era miúda e me chateavam com a conversa do "então em que acreditas tu?" - ser agnóstico ou ateu é sofrer, as pessoas crêem, com toda a sua força, que toda a gente tem de acreditar em alguma coisa, pun intended - eu, enfadada com o interrogatório, e sem força para me defender do que seguiria a um "nada", acabava por responder "na humanidade". Era mais verdade do que gostaria. E continua a ser. Chame- se espírito humano, humanidade, sim, creio. E um humanista também tem os seus desafios e provas de fé, que tem. Seja uma pessoa, um percalço, um acontecimento particular, ou algo maior. Se pomos fé em algo tão difuso também é verdade que temos fé em pessoas mais concretas, e às vezes, tantas vezes, basta falhar-nos uma destas para termos o nosso momento gólgota, levantar a cabeça para o alto, e questionar porque nós abandonaram.
E depois há as coisas grandes, terrificamente grandes. Sei lá se é tpm, uma especial ou sazonal sensibilidade, mas as notícias de Charleston tocaram um nervo muito especial, aquele que faz fechar a garganta e apertar os sacos lacrimais. Podia ter acontecido numa igreja, num jantar de família, numa reunião de amigos, o que me tocou lá no fundo foi o horror de gente pacificamente reunida poder cair assim, vítima do ódio absurdo de um cabraozeco qualquer, um canalha consumido por ignorância torpe, e o mais vil desrespeito pelo próximo. O meu mal estar adensou-se enquanto a história se desenrolava: a idade do... Coiso, que nem animal se pode chamar àquilo. As circunstâncias em que se viu na posse de um instrumento de matar célere e arbitrariamente. O ideário que cultivava. A bandeira da confederação a ondular, indiferente, num edifício governamental (não fazia ideia, nem queria acreditar!). E, por fim, o aparato da detenção do indivíduo, sendo conduzido, pacificamente, pelas forças da ordem, escoltado e protegido pelos corpos dos seus membros, torso blindado por um colete à prova de bala, ou não fosse um celerado (de um "preto"?) desfazê-lo à bala. E, tão próximas, outras imagens, a de uma garota de bikini a ser atirada ao chão, manietada, algemada. Um garoto a brincar com uma pistola de brinquedo abatido como uma ameaça iminente. Policias sentados em cima de um "suspeito" que implora "I can't breathe". Tantas imagens. Uma pessoa sente um golpe, nestas alturas. Perde-se, mesmo. Não vale a pena, sente-se.
Mas depois, lê-se as palavras de um familiar de uma vítima, perante a notícia da prisão do carrasco, e são palavras de perdão. De repente, uma pessoa que não conhecemos, nunca veremos à nossa frente, uma só pessoa, de quem nem sabemos o nome, essa pessoa prova que afinal vale a pena, isto de crer nas pessoas. E essa pessoa, sem saber, faz-nos ter vontade de ultrapassar qualquer dor, que nem de longe se aproximará da sua, e voltar a ter a tal fé. Que não é só no outro, mas naquilo que representa, na sua centelha de humanidade. E é também uma fé em nós, na nossa capacidade de persistir em acreditar, por oposição ao desistir.
Se calhar é verdade, todos precisamos de acreditar em alguma coisa.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Rubber Soul

Como aquelas bolinhas saltitonas, muito rijas, muito chatas, que atiradas com demasiada força se tornavam um projéctil muito giro; toing-toing-toing, nas paredes, tecto, móvel, ai a jarra, ai a cabeça do mano; aquilo era indestrutível, por mais uso que se lhes desse nunca perdiam a capacidade de saltitar, sempre com a mesma energia inicial, depois esmorecendo aos poucos, a física explica, eu é que não; com o tempo iam perdendo o brilho e ficavam de uma cor pardacenta, foscas, algumas nicas aqui e ali - a jarra, a esquina da mesa - mas saltitavam ainda, todavia, quanto maior a força de arremesso maior a força e duração do saltitar, tau-tau-tau.
Claro que um dia perdiam a graça, a novidade; uma pessoa larga-as não sei onde, perde-as de vista, anos depois volta a encontrá-las numa caixa onde ficaram esquecidas, olha a bolinha, e atira-a, e ainda salta, ena. Antes assim rija, chata, fosca, que elástico; o elástico fica lasso, o elástico rebenta, o elástico não salta e ressalta, e nunca ninguém voltou a guardar um elástico velho, depois de o encontrar, esquecido, numa caixa qualquer.

domingo, 14 de junho de 2015

You broke my heart, Fredo

Aquele exacto momento em que sentes o teu coração estilhaçar-se em milhões de pedacinhos. O exacto momento em que sentes a onda de choque, o exacto momento que dura nada e uma eternidade, e o exacto momento em que vês as partículas de luz saírem-te do peito, e o rasto que deixam enquanto se afastam. O exacto momento em que sabes já não ser possível apanhar os pedaços e juntá-los, porque não os vais conseguir encontrar. O exacto momento em que percebes que é aqui que tudo muda, que tem de mudar, e não pode voltar. O exacto momento em que te perdes, sabes que tens de te encontrar, num um outro espaço, tempo, plano. O exacto momento em que nem vês nenhum mérito nessa já adquirida resiliência, e preferias antes parar, de vez. O exacto momento em que não sentes força para olhar em frente, não tens equilíbrio para te sentires no agora, e pensas o que foi com o desejo que antes não tivesse sido.
O exacto momento em que acabas será o exacto momento em que (re)começas, embora ainda não saibas e se calhar nem queiras saber. Mas é o exacto momento em que escolherás verter sangue, e não o teu, agora.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Last F**kable Day

[porque Junho é mês de aniversário(s). medo.]

Então bom dia, Lisboa

Começar bem o dia? Indo buscar uma encomendinha ao Parque das Nações. Pá, que cu de Judas. Ou onde este perdeu as botas. Sim senhora, a construção é moderna, há arvorezinhas, mas pá. O trânsito, o trânsito! Sim, porque dali não se vai a lado nenhum sem ser de carro. E que carros. Tantos de marca Patus modelo Bravis. Mas ai de quem disser que aquilo é um dormitório, um amontoado de prédios, um subúrbio em fino! Cai-nos logo em cima o Carmo e a Trindade. Qual subúrbio. Embora as coordenadas estejam ali mais perto de um Sacavém, ou uma Moscavide, Le Parque é la créme, nada de confusões. Novidades: passou-se o mesmo noutras décadas do passado. Lumiar (ali para Santa Clara, Quinta das Conchas ou do Lambert, ou mesmo a tal de Alta, coladinha a habitação social), Telheiras, tudo subúrbios mas um nadinha menos periféricos que os outros, habitat preferencial da classe média-alta emergente. Ah, a soberba com que Telheirinos e Lumiarescos olhavam os outros, os mesmo-mesmo suburbanos. Fofos, é igual. Apenas mais recente. O estilo de vida, de urbanismo, de trânsito, de transporte, é tudo igual. Ah, temos o rio. Tem graça, é o mesmo corpo de água que banha o Barreiro e Almada. E vocês ficaram com a mosquitada e melgaria toda, calha bem.
Cereja no topo do bolo: quarenta minutos para chegar ao trabalho, nas Avenidas Novas. De casa, e de carris ou metro, não levo mais que meia hora. Sim, sim, é um privilégio morar ali. Então não?

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A lady of a certain age

Outro dia referi-me a um grupo de mulheres sub-30 como "aquelas garotas".
Cruzes, qualquer dia ainda pensam que eu tenho mais de cóóóóórenta.

[antiga e acabadíssima, credo.]

Welcome to the Twilight Zone (3)

Estás parada no stop, à espera que o trânsito te dê uma abébia, pela tua esquerda chega uma moto da polícia municipal que abranda (vá lá) e entra.


Welcome to the Twilight Zone (2)

Quando uma peixeira se queixa do cheiro a peixe da banca da vizinha.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

I want my MTV

Passadas já quase duas semanas, e apesar da minha épica resistência à dor (três pós-extração de sisos sem analgésicos, vai buscar) decido que se calhar já é altura de esquecer a não menos épica miúfa do dentista, fazer-me uma mulherzinha crescida e enfrentar a coisa. A bem dizer, se calhar isto não é (só) inflamação de maxilar derivada de bruxismo muito acentuado (têm sido uns dias semanas meses complicadas, 'tá?), se calhar o siso final precisa mesmo de sair, se calhar era giro passar a conseguir mastigar uma refeição inteira em tempo normal, se calhar, desta vez, meto um ansiolítico no bucho antes da consulta. Estou há coisa de uma hora a olhar para o post it com o número da clínica.

Everybody's crazy 'bout a sharp dressed man

Não fiquei nada surpreendida com o aventar da hipótese de Socras optar, entre a prisão domiciliária e a de Évora, por esta última. Também já morei numa casa assim.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Don't have a cow

Percebo perfeitamente o misto de antipatia e gozo que os vegans suscitam: são pessoas muito chatas. Para ser justa, não são as únicas pessoas muito chatas, nem serão as mais chatas, mas são chatas que se farta. É natural, o proselitismo faz pessoas muito chatas. E, quanto mais minoritária é uma determinada corrente de pensamento, filosofia de vida, crença, mais chatos são os seus defensores. É assim, e não tenham dúvidas: aqui há coisa de 2000 anos os cristãos eram gente muito, muito chata, e prova disso era o gozo com que os seus opositores os eliminavam, empregando requintes de malvadez de um grafismo marcante.

Mas, sejamos ainda mais justos: o facto de serem muito, muito chatos, a pontos de ninguém manifestar o desejo de repetir a experiência de os ter como companheiros de mesa num jantar (been there, done that, got the t-shirt), não significa que não tenham razão em algumas coisas. Os relógios parados também acertam duas vezes por dia, os vegans não são excepção. Têm é uma forma muito, muito chata (repito-me, eu sei) de ter razão. E escolhem mal as batalhas. E não têm noção de timing. Nem estratégia comunicacional. 

Ora bem, voltando à tal da razão. É verdade que nós, os omnívoros, gostamos de separar as águas, e até de nos incluirmos no grupo dos animal-lovers, mas, hélas, temos de comer, e isso é natural, e iada-iada-iada. Mas, indo ao fundo da questão, e sendo verdade que temos de comer, não existe uma diferença ética significativa entre degustar um canídeo, um gafanhoto, ou uma bela febra de porco preto. Só uma diferença civilizacional, geográfica, cultural. A verdade é que, nos entretantos, um bicho morre. E um bicho é, de facto, um ser senciente, sabemo-lo agora porque science, bitch. (Achamos que os vegetais não são, mas mantenhamos a mente aberta.)

E pronto, é isto, comer animais implica morte dos ditos, e ou vivemos com isso ou não. Eu vivo, não significa que goste, e até admito que se tivesse eu que executar um para o jantar marchava antes sopa com salada. Até vou mais longe, incomoda-me uma nica, mas pronto, vivo com isso, e não faço distinções entre espécies, do género “a Cornélia merece morrer para me alimentar mas nem toques no Bobby”. Portanto, concordo com os vegans quanto ao “especismo”, i.e., hierarquização das espécies animais conforme nos dá mais jeito, e mata-se uns porque se come e os outros têm direito à vida porque são fofos. Acho que racionalizar este entendimento é hipócrita e não tem fundamento ético, adiante. 

Sem embargo, e numa base puramente emocional, é claro que me faz mais impressão a morte ou utilização de um chimpanzé em experiências que um ratinho, o primeiro partilha mais de 90% de adn connosco, e admito, e friso, que isto é puramente emocional, que afinal no grande plano das coisas somos todos carbono vivo e tal. Resumindo, não me sinto melhor pessoa por ser omnívora, mas também não me sinto (muito) pior pessoa. É uma opção, vivo com ela, e não ponho paninhos quentes. Assumo-me como membro de uma cadeia alimentar, e como também não levo a mal que pequenos vermes ou parasitas se ocupem de fazer pela vida à custa desta aqui, também não acho um crime horrendo sobreviver à custa de outros seres vivos. Não é excelente, não é ideal, não me desculpo, mas também não perco o sono por isso. 

O que já me faz perder o sono são coisas que, na minha (e sublinho, minha) escala de valores situo mais alto, como uma falta de respeito flagrante que, enquanto espécie inquilina deste ecossistema, o tratamos. E passando só ao tema “bichos”, sim, incomoda-me a displicência com que, em geral, este animal racional trata os demais, só porque estamos no topo da cadeia alimentar. Nem falo de temas quase consensuais como os maus tratos a animais de companhia, mas também a forma como tratamos o nosso alimento, enquanto vivo. 

E é aqui que, entrando pela vertente do timing e estratégia, os vegans perdem imenso. Valerá a pena empunhar a bandeira dos direitos do caracol enquanto a criação de gado e aves se faz nos moldes actuais? Pois. Para um vegan a resposta é afirmativa, nem se esperava outra coisa (é a cena do especismo, aliada ao chatismo), mas, caneco. Não é muito eficaz, em termos de angariar simpatia para o movimento. Isto sou eu, mas se calhar começar a discussão com, por exemplo, e haverá mais, a questão da criação de galinhas em gaiolas, ou o transporte e abate de gado, fosse mais profícua. Uma coisa de cada vez. Passinhos curtos e bem medidos. 

Apelar ao boicote da caracolada enquanto nos supermercados se vendem, a preços de uva incontinente, frangos criados em caixotes, engordados a antibiótico e farinhas proteicas – fabricadas a partir de… carne, uau –, sem verem a luz do dia, empilhados e a pisar os seus dejectos – que se acumulam nas parcas seis/oito semanas de existência destes seres, e só após o seu abate são limpos, para receber nova mole de pintos -, não leva a nada. As pessoas precisam de uma escala, de uma graduação, de partir do mais gravoso para o menos gravoso. As pessoas precisam de um processo. Além de que as pessoas são emocionais, e é mais fácil criar empatia com um ser que cacareja ou alegra as paisagens pastoris que com um ser vil, rasteiro, insidioso, que sai de noite para nos chacinar os lindos, jovens, tenros rebentos de salsa que ainda ontem verdejavam em pura alegria*. 

Tergiverso. Ahém. A cena de ser emocional. Isso. 

Conquistem o omnívoro, não o alienem, não o agridam, não o excluam. Pensar nisso. E sim, se calhar vós até estais num patamar civilizacional superior, mais avançado, vá; admito até que sim senhora, sois dotados de um nível de empatia superior ao meu, e reconheço que isso vos faça sofrer insuportavelmente por todos os bichos, e não vos diminuo ou faço piores por isso. Mas caneco, nem sequer Roma e Pavia se fizeram num dia, tende paciência e, ouso dizer, alguma inteligência, e até empatia para com os bacon-lovers. Afinal existimos todos, temos de nos aturar, e mais vale trabalhar em conjunto que andar a discutir quem são os melhores. É que no entretanto o resto continua, e assim é que não se avança nada. Agradecida.



*se algum vegan se oferecer para ir lá a casa catar os gastrópodes, levá-los e libertá-los em meio livre, correi, que amanhã vou-me a reabastecer de limacide e dar início ao holocausto.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

I've been a bad, bad girl

Fui à amazon alemã pesquisar como tinham traduzido o título da bio-saga do Karl Ove Knausgard, "A Minha Luta". Kudos, alemães. Kudos. Eu também tenho essa estratégia, amiúde.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Heaven knows I'm miserable now


Abrindo hostilidades, para quê, insistir num blog? Porquê, dez anos de blogosfera, já indo no quarto espaço? E porque fecho eu os anteriores, convertendo-os integralmente em rascunho, nem sequer fazendo um back-up ou, fazendo-o, já nem me lembrando onde raios o guardei (talvez no entretanto falecido Tó Shiba? Who cares?)
Sei lá. Não, não me apego a endereços web. Já para pôr de parte uns sapatos, o drama, a tragédia. Não, tampouco considero tanto as minhas palavras que sinta necessidade de as guardar. Ou revisitar. Só o cansaço, sinceramente. Ao contrário de Gwendolen Fairfax, se precisar de leitura excitante nunca, nunca me faço acompanhar do meu diário: há melhor. Tudo isto é pó, é ar, é vento e maré. Isto é só uma parte do que sou, essa parte que sai mais por vício (ou hábito) que por querer fazer-se memória. E muda, e muda-se.
Então, assim sendo, porquê escrever esta coisa? Porque sim. Então, assim sendo, porquê ler esta coisa? Boa pergunta, se alguém souber responder acho que vai ficar extraordinariamente decepcionado consigo mesmo.
Mas, como não sou totalmente desprovida de narcisismo, aliás recordo vagamente de ter embalado um frasquinho dele em mil-nove-e-coisa, claro que encontro muitas e boas razões para escrever isto, e para se ler isto.
Onde mais se pode encontrar uma tão vasta panóplia de vacuidades, como sejam o melhor autefite para aquelas férias de sonho no Samouco, ou o casamento ansiado numa tendinha dos arredores?
Onde mais se pode constatar haver seres mais imperfeitos e risíveis que vós, seres que são capazes de andar uma semana a sandes de queijo por pura preguiça (note to self, comprar mais queijo); que passam uma hora a lamentar a sua triste sina antes de se lançarem num (aliás odioso) trabalhinho de quinze minutos; seres capazes de curar as saudades de viagens comprando quilo e meio de barrinhas Hershey’s (havendo melhores chocolates, que há, mas a saudade é esta coisa inefável, e na verdade não há mau chocolate, tal como even a bad pizza is better than no pizza)?
Onde mais poderão ver ventilar odiozinhos, birras, exasperações por pequenos nadas, como as detestáveis marquises, os ridículos condomínios fechados ou pior, os fechados e de luxo, ou pior ainda, os fechados, de luxo, e com a palavra “prestige” associada, ou antes, qualquer coisa com a palavra “prestige” associada? Onde poderão acender tochas e pegar em forquilhas, marchando contra as tuk-tuk, gigantescos autocarros de turistas estacionados ou a fazer inversão de marcha no largo da Sé, selfie sticks (morte, morte, morte!), lojas de recuerdos made in china, o septuagésimo terceiro hotel a abrir portas na Baixa, bandos de xóvens estrangeiros podres de embriagados porque a cerveja deles é refresco e ninguém faz a caridade de lhes augar a super bock, e depois andam a deambular aos gritos, noite fora, também já ali na zona onde repouso e durmo, and so on, so on – e, note-se, ainda nem sequer saí do tema urbano-turístico, dêem-me tempo -?.
Pois, por aqui há de tudo. Não como na farmácia, mais como na Feira da Ladra. Eventualmente, entre a tralha imunda e imprestável, até podem encontrar uma preciosidade. Boa sorte.
Cá estamos. Ou, de forma mais erudita, so it goes.

[A ver como isto corre.]

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Surprise, motherfucker

Que infantilidade de título, eu sei. Começas bem, começas.

[blog público, starting now]

quarta-feira, 27 de maio de 2015

The horror, the horror

“The way in which he carried out his crime, and the way his thoughts contextualized it, resembles role-playing, rather than political terrorism. The solitude this implies is enormous, not to mention the need for self-assertion.”
 “He wanted to be seen; that is what drove him, nothing else."
"Look at me. Look at me. Look at me.”

“It is as if Hannah Arendt’s notion of the banality of evil had, in Breivik’s case, received an additional twist. Adolf Eichmann, the man whom Arendt wrote about, belonged to an organization and a bureaucracy and a structure, all of which he obediently served, and which protected him from ultimate insight into the consequences of his actions. In contrast, from the very first moment Breivik was utterly alone, and his smallness and wretchedness, which were, in a way, grotesquely inflated by his actions, make it all the more difficult to reconcile oneself to the crime, which the media have termed “the worst attack on Norwegian soil since the Second World War.”

“While corpses were lying around the island in pools of blood, and many of the wounded had yet to be transported to shore, Breivik was interrogated in the camp’s wooden headquarters. For the police, the situation was unclear, and the essential thing was to find out whether Breivik had acted alone, or if there were more terrorists. For his part, Breivik was concerned that he might die of dehydration, since he had taken a combination of ephedrine, caffeine, and aspirin earlier that day. He was given a soda before questioning began. Moments later, his concern shifted to a cut on his finger.

“He is a person filled to the brim with himself. And that is perhaps the most painful thing of all, the realization that this whole gruesome massacre, all those extinguished lives, was the result of a frustrated young man’s need for self-representation.

“In many ways, I find it repellent to write about Anders Behring Breivik. Every time his name appears in public, he gets what he wants, and becomes who he wants, while those whom he murdered, at whose expense he asserted himself, lost not only their lives but also their names—we remember his name, but they have become numbers. And yet we must write about him, we must think about the crisis that Breivik’s actions represent.

“Breivik’s childhood explains nothing, his character explains nothing, his political ideas explain nothing.

“What does it take to kill another person? Or, to put it another way, what is it that prevents us from killing?
In the book “Bagdad Indigo,” about the American invasion of Iraq in 2003, my friend Geir Angell Øygarden asks what can impel one person to kill another. It is one of the most difficult things you can bring someone to do. Even after people have been issued uniforms, weapons, and permission to take the enemy’s life, they will balk. Releasing bombs over a populated area is one thing, but killing those same people at close range, face to face, is another. What makes the difference? It is the face, the eyes, their light.”

“One of the American soldiers Øygarden interviewed in Iraq put it like this: “My enemy doesn’t have a face. He doesn’t have a face. He has, I guess, what you would call a target on him. That’s what I go for. I don’t see a human being. I can’t see a human being.”

“Murder is against human nature, but in extreme cases this can be overcome if the community to which one belongs enjoins or encourages it.”

“Breivik’s deed, single-handedly killing seventy-seven people, most of them one by one, many of them eye to eye, did not take place in a wartime society, where all norms and rules were lifted and all institutions dissolved; it occurred in a small, harmonious, well-functioning, and prosperous land during peacetime. All norms and rules were annulled in him, a war culture had arisen in him, and he was completely indifferent to human life, and absolutely ruthless.
That is where we should direct our attention, to the collapse within the human being which these actions represent, and which makes them possible. Killing another person requires a tremendous amount of distance, and the space that makes such distance possible has appeared in the midst of our culture. It has appeared among us, and it exists here, now.
The most powerful human forces are found in the meeting of the face and the gaze. Only there do we exist for one another. In the gaze of the other, we become, and in our own gaze others become. It is there, too, that we can be destroyed. Being unseen is devastating, and so is not seeing.

“Everything in Anders Behring Breivik’s history up until the horrific deed can be more or less found in every life story; he was and is one of us. The fact that he did what he did, and that other young men, misfits, have shot scores of people, implies that the necessary distance from the other is attainable in our culture, probably more so now than it was a couple of generations ago. Still, we all inhabit this culture, we all move between fiction and reality, between image and material, and the distance to the other is no straightforward quantity, and neither is the act of averting one’s gaze. In order to see the culture, one must stand outside it; in order to see the individual, one must stand outside him.


Excertos de artigo de Karl Ove Knausgard, artigo completo aqui:
http://www.newyorker.com/magazine/2015/05/25/the-inexplicable
Mal e porcamente editado, que me falta qualquer coisa para saber pôr as letrinhas todas do mesmo tamanho.